sábado, 6 de agosto de 2016

Narval ou louva-a-deus




são transitivos e intransitivos
verbos demais, como nós mesmos
confundimos nossas necessidades
de complemento e sujeição,

feito este 'transumar'
buscado agora ao dicionário,
querendo pedir ao gerente-mor,
se houver
transumância e reencarnação,
volver
um dia como um narval,
baleia dentada e unicórnia,
ou talvez um louva-a-deus,
que ao menos em minha terra
evita-se pisotear, apenas,

por favor, gerente-mor

desta loja onde tudo sempre
tem mas acabou, ser qualquer
coisa, desde que
marítimo se vertebrado
e invertebrado se terreno,

quando descubro então que o próprio
'transumar' significa ainda algo mais
próximo de nosso tipo de vida comum:
“ir ou levar a pastar"

ó gerente-mor, não pastei já o suficiente?
não posso comer, ao menos neste café-da-manhã,
para variar, o brioche que o diabo amassou?

repito: que eu volte,
mas marítimo se vertebrado e invertebrado se terreno,
já me cansei das bagagens, das roupas,
das caixas de mudança, dos móveis
que acumulam pó
por cima e por baixo
e precisam ser arrastados pela sala e quarto
fazendo sulcos no assoalho,

cansei-me por fim da gravidade,
e da gravidade daquele outro verbo
não-copulativo, esta merda diária toda,
o que é o que é,
amar, verbo intransigente.

§

Berlim, 6 de agosto de 2016

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