terça-feira, 8 de agosto de 2017

O duplo


Escrevi este poeminha esta madrugada. Não sei se o coloco no livro novo ou peço aos leitores que compraram a edição de Cigarros na cama que o copiem de próprio punho em alguma página em branco do livro.



Ninguém acredita todos me olham
como se eu estivesse louco
quando afirmo que você foi sequestrado
por alienígenas
e é agora mantido contra sua vontade
longe de mim longe do planeta
que costumávamos habitar juntos
todas aquelas suas leituras
Stanislaw Lem Philip K. Dick irmãos Strugatsky
eram proféticas seu manual de sobrevivência
como hei de resgatá-lo? como hei-de salvá-lo?
perscruto as estrelas noite a noite
uso aplicativos sinais de rádio e fumaça
ergo o indicador que não brilha como naquele filme
e sussurro ET BRING HIM HOME
todos os objetos voadores
são agora identificáveis
talvez você talvez você
e este agora pelas ruas do planeta
com seu corpo sua voz seu jeito de andar
ninguém acredita todos dizem louco! louco!
quando nego enfático não é ele não é ele
é um replicante um androide um body snatcher
as provas só eu sei muito bem
comprovo empiricamente a cada encontro
desde seu sequestro numa noite qualquer
quando você foi substituído por este outro
com seu corpo sua voz seu jeito de andar
a prova a prova ora que prova
olhem como ele me olha
e me trata como a um estranho
não me reconhece
não me reconhece

§


(No Ano de Nossa Senhora da Catástrofe 517)

Berlim, 8 de agosto de 2017.



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