domingo, 19 de novembro de 2017

Ao menino que chamarei de Sexta-Feira


Raro molusco não foi, nem unicórnio
o que moveu-me naquela manhã fria,
marcha nublada a manchar a sexta-feira,
mas o encaixe entre peças de montaria,
concha a mendigar ainda mais concha.
O co-mover-se em dominó dos órgãos,
empilhados acima e abaixo do coração,
de forma coordenada, rodízio de ancas
e ombros a frigir na cama para côncavos
respeitarmo-nos, ali deitados, colheres
bastantes em calor mútuo no pergelissolo
dos lençóis, frios onde nossos corpos
não os cobriam da atmosfera do quarto,
pois jamais ressentiu-se nenhuma colher
da ausência de garfos, ou sua perfurante
insistência em ferir para manejar conter
se com vinte dedos cerrados, alternando
em cada peito, um a outro abotoamo-nos.

§


(No Ano de Nossa Senhora da Catástrofe 517)

Berlim, 17-19 de novembro de 2017.



        a F. M.

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