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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Meus amigos andam ocupados: postagem com poemas, canções, entrevistas e outras belezas recentes de companheiros

Postagem com algumas das belezas que aqueles que tenho a sorte de chamar de amigos ou companheiros lançaram no mundo nos últimos tempos.


Parte 1


Preparando-se para o lançamento de seu novo álbum, All Love´s Legal (Human Level Rec.) em fevereiro de 2014, a maravilhosa Jam Rostron a.k.a. Planningtorock lançou o vídeo para sua nova faixa "Human Drama", que pode ser visto na revista Dazed & Confused. Abaixo, a intro do novo álbum, "Manifesto".


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A poeta e artista visual anglo-norueguesa Hanne Lippard criou uma conta no Soundcloud, na qual começou a desaguar seus excelentes e inteligentes poemas vocais. Chamo a atenção para esta peça, "Boys". Visitem e sigam a conta toda. Vocês podem ler uma entrevista recente dela na revista aqnb.



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O duo Tetine, Eliete Mejorado e Bruno Verner, lançou dois álbuns este ano: Voodoo Dance & Other Stories (Slum Dunk, 2013) e Mother Nature & Black Semiotics (Wet Dance Recordings, 2013). Ouçam, do último, a faixa "Charlote Maluf".




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Preparando-se para lançar seu novo álbum em 2014, meu companheiro Black Cracker vem desaguando algumas canções em sua conta do Soundcloud. Ouçam essa joia, "Back".




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Annika Henderson, melhor conhecida como Anika, permitiu-me publicar dois de seus poemas e uma de suas canções na Hilda Magazine. Abaixo, a pérola que é "Margaret".



"Margaret"
Tight bitter face
scrunched into a fist
this little madam
would benefit quite a bit
from removal of the poker
and gentle rub of the clit
Just a moment of enlightenment
could have transformed
this surfaced bigot
from anally retentive
into wonderfully relaxed
in just one lick
§
Lauren Flax & Lauren Dillard, o duo novaiorquino Creep, lançou seu álbum de estreia - Echoes (2013), pelo qual vínhamos esperando há tempos. Ouçam a faixa com Sia nos vocais.





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Hermione Frank, mais conhecida como rRoxymore, lançou seu EP "Precarious/Precious" pelo Human Level neste semestre. Vocês já ouviram?




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Steven Warwick, mais conhecido como Heatsick, lançou há pouco seu álbum Re-Engineering (PAN Rec., 2013), que vem sendo saudado com entusiasmo pela crítica. Vídeos recentes para "Mimosa" e "Clear Channel" podem ser vistos aqui e aqui, respectivamente. Abaixo, o vídeo para "Snakes & Ladders".



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Uli Buder, mais conhecido como Akia, com quem já colaborei em várias peças e um de meus amigos queridos, segue desaguando suas produções. Aqui, a mais recente:


  

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Luke Troynar, mais conhecido como Creatures, lançou este ano seu lindo álbum de estreia New Campaigns (Wait! What? Records, 2013). Abaixo, o vídeo ao vivo para a linda "Mirror Mirror".




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O cantautor alemão Jonas Lieder, um dos meus melhores amigos, continua desaguando suas canções lindas. A mais recente chama-se "Give up".





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Markus Nikolaus, também conhecido como Cunt Cunt Chanel, compôs essa coisa bonita há pouco tempo, "Robot Hard". E logo abaixo, o vídeo de sua apresentação em Bruxelas, na mesma noite em que Tetine e eu nos apresentamos.


Robot HardThis is me and you being somewhere / This is me and you going to change. / - Being soaked up. / Both go seperate ways, / We both break in days. / I was out here, I came here / Only for a word or three. / Now, it's missing. / This is you , this is me... / Being somewhere / But I was only out here for a word or three / Know what's missing me, oh, its missin' me. / But It Aint Hard, / No, it aint hard. / // This is me, this is you / we both gonna separate / - "Just try to be yourself" / "That's usually the road to disaster!" / But It Aint Hard, It aint hard to see / It aint complex in me. / This is you not sure what to tell me. / We both break into seperate ways. / // This is me and you being somewhere. / It's so hard to take... / But It Aint Hard It aint to see / What is happening in me. / // Just try and be yourself. / Thats usually the road to disaster for me. / // But It Ain't hard, you see. / It's happening in me. / // But It Aint Hard to see / But It Aint Hard to see /

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Markus Nikolaus a.k.a. Cunt Cunt Chanel - ao vivo em Bruxelas


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Daniel Saldaña París lançou no México seu primeiro romance, En medio de extrañas víctimas, que vem sendo também saudado com entusiasmo pela crítica.




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Luis Felipe Fabre lançou sua nova coletânea de poemas Poemas de terror y de misterio, do qual extraí  e traduzi a série "Notas en torno a la catástrofe zombi", lançada este ano pela Lummer Editor.
  
   



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Preparando-se para lançar seu primeiro EP no ano que vem, pelo selo do clube Dora Brilliant, o produtor alemão Ludwig Roehrscheid permitiu-nos postar duas faixas na Hilda Magazine. Abaixo, uma das faixas.
   

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Segundo episódio de "Unheard & Spoken", programa de rádio do Tetine sobre poesia sonora, que inclui 3 peças minhas



Segundo episódio de "Unheard & Spoken", programa de rádio do Tetine sobre poesia sonora, que inclui 3 peças minhas: "Don´t feed the poet" (2013), minha colaboração com Markus Nikolaus; minha peça "Pequeno estudo sobre a duração amorosa" (2011); e ainda "Mula" (2007/2013), minha colaboração com o próprio Tetine. Ainda: peças de No Bra, Black Future, Arrigo Barnabé, Johanna Went, Marc Almond, entre outros. Minhas peças começam a 22:56 do arquivo, mas recomendo vivamente o show todo.

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

VIDEO: Domeneck & Nikolaus - "Don´t feed the poet" (live/ao vivo - Brussel / Bruxelles / Bruxelas)


Domeneck & Nikolaus - "Don´t feed the poet" (live/ao vivo - Brussel / Bruxelles / Bruxelas). 

Evento no espaço Les Ateliers Claus, também com apresentação solo de Markus Nikolaus (Cunt Cunt Chanel) e do duo Tetine. Curadoria de Hugo Lorenzetti Neto.


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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Domeneck & Nikolaus - "Don´t feed the poet" (2013) + Info sobre as performances na Bélgica.



Colaboração com o músico alemão Markus Nikolaus (Erfurt, 1989), que se apresenta como Cunt Cunt Chanel.

Don´t feed the poet
Ricardo Domeneck

Go on, don´t
Feed the poet
Hunger sharpens
Its senses
Heartbreaks
Wake it up
Go ahead
And exile it
That´s efficient
Propaganda
For the regime
It will sing
Its lost habitat
More beautifully
Put it in a corner
Or lonely island
And ignore it
It will grow
Angry as a cancer
And call you names
Offensive names
For centuries to come
Don´t feed the poet

Don´t feed the poet

If you invite it to dinner
It wont bring any food
It wont bring any drinks
It will only bring words
And steal your feelings
To weave them in its own
Weeping and howling
It will drink your wine
It will eat your meatballs
And take your words
Stripping and spinning them
In the opposite direction
Don´t feed the poet

Don´t feed the poet

It says unpleasant things
It twists your words
Beyond recongnition
Those you use so clearly
On your daily routine
And then at the groceries
Meat suddenly is not
Just meat
And apple is no
Longer apple
But an entangling tango
With Adam and Eve
In a threesome
With Newton.
Don´t feed the poet

Don´t feed the poet

Why waste cereals
With those so far
From the spotlight
Your philantropic deeds
You generous gestures
Will go unnoticed, unsung
That´s bad publicity
The ungrateful bastards
Might even refuse
Your prizes
And question
Your intentions
Don´t feed the poet

Don´t feed the poet

It drinks too much
While you fast
It oversleeps
While you sell
It daydreams
While you produce goods
Hand can hold
It convinces you to go to bed
To bed
With him and words
It has no talent
For practical life
It wishes to pay
No taxes
It thinks his words will save him
When you finally release
The dogs and the cops
On his tail
Don´t feed the poet



Estamos na Bélgica, onde vamos dividir palco com o Tetine (Eliete Mejorado & Bruno Verner) em apresentações hoje em Antuérpia e amanhã em Bruxelas. Curadoria de Hugo Lorenzetti Neto, da Embaixada do Brasil na Bélgica. Abaixo, minha colaboração com o Tetine, "Mula", que está em seu último álbum : In Loveland With You (Slum Dunk, 2013).








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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

É preciso pecar em dobro. O petróleo é nosso.

É preciso pecar em dobro. 
O Terceiro Mundo vai explodir 
E quem estiver de sapato não sobra. 
O petróleo é nosso.

 

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Apresento-me com Tetine, mostrando-se aqui profético nesta faixa do ano passado, e ainda com Cunt Cunt Chanel em Antuérpia e Bruxelas, nesta sexta e sábado, em eventos com curadoria de Hugo Lorenzetti Neto para a Embaixada do Brasil na Bélgica.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Para celebrar minha passagem por São Paulo: "Mula": Tetine + Ricardo Domeneck ::: livre para baixar pelo selo Slum Dunk Music + texto/traduções/vídeo

Tetine


O duo Tetine está inextricavelmente ligado a minha memória afetiva de São Paulo, mesmo que morem já há uma década em Londres, onde produziram seus últimos discos, lançaram álbuns pelo prestigioso selo Soul Jazz, organizaram compilações da música paulistana da década de 80, expuseram na Whitechapel e colaboraram com Ladytron, Robin Rimbaud e outros. Estão, de certa maneira, também inextricavelmente ligados a minha memória afetiva de Londres. Mas lembro-me de caminhar pela Rua dos Pinheiros escutando os álbuns Alexander´s Grave (1996) e Música de amor (1998), de trombar com eles em inferninhos paulistanos. Ter-me tornado amigo de Bruno Verner e Eliete Mejorado, colaborado com eles e ainda lançado em vinil na Alemanha seu L.I.C.K. My Favela (2007), estão entre as coisas que me alegram nesta existência.

Em São Paulo por estes dias, celebro estar na Pauliceia Desvairada com minha colaboração com o duo Tetine (São Paulo/Londres)

::::: "Mula" (2007) ::::::



música de Bruno Verner e Eliete Mejorado, texto meu. Livre para ser baixado a partir da página do selo Slum Dunk Music no Soundcloud (basta clicar em MULA - Tetine + Ricardo Domeneck).

Encerro com o texto no original, as traduções para o castelhano do poeta argentino Cristian De Nápoli (Buenos Aires, Argentina, 1971) e para o alemão, da poeta Sabine Scho (Ochtrup, Alemanha, 1970); e, por fim, o vídeo de Eugen Braeunig para a faixa e uma entrevista que conduzi com o Tetine em Londres em 2006.


Mula
Ricardo Domeneck


..............Minha
senhora: os unicórnios
que caem com a raiz
não
voltam mais; ainda
que van-goghs até
que engasgues,
.......sigo mula
a indiciar o caso
excepcional
do sem espécie,
self-archived tool, exílio
............dos catálogos
a especificar o espaço
para a porcentagem da escolha
do puro, alheia que se agita
antes de abrir, dose cavalar
de juramento e
egüidade. Poupa-me,
Popeye: longe de mim
impor-me híbrida
à tua hípica -
brutalmente homogênea,
especialista em fronteiras,
.......eject de habitat,
eis-me, excelentíssimo,
a de cascos
.......não-retornáveis,
nula nulla
tal qual high bred hybrid
relinchando o já morto:
muslos de mulícia,
esterilizável, aureolar,
............multívaga
....... ambiqüestre
....de mulas prontas,
perdoai vossa serva
preguiçodáctila aos berros
perturbando vosso áureo
piquenique do sublime,
.......illicit mule
espirrando em vosso épico.
............Não
há Blade
Runner que resista
mesmo euzim
..............fake mullah,
insciente dos teus métodos,
ó sussurrável, hoof muffler
da palha de meu estofo.
Prometo-me estóica
.........e subcutânea,
bem fazes em esporear-me
o couro catecúmeno à chuva
do teu cuspe, inestimável
senhor de eco intumescido:
.......até que a mula
.......aqui fale
como manda
o figurino,
e encontre a exit
de quem às caras
me dera lamber o mundo
com a própria língua: mulo
fundindo
.......com a função da forma
os extremos do exorcício e
a fanfarra do sem categoria.


Ricardo Domeneck
Berlim – agosto mês de desgosto, 2007

:

Mula

..............Minha
senhora: los unicornios
que caen de raíz
no
vuelven más; aunque
guadañes cual vangogh
hasta que te atragantes,
.......sigo mula
testimoniando el caso
excepcional
de lo sin clase,
self-achived tool, exilio
............de los catálogos
delimitando el espacio,
el porcentual de la elección
de lo puro, ajena que se agita
antes de abrirse, en dosis de caballo
los juramentos y la
yegualdad. Para un poco,
Popeye: lejos de mí
plantarme híbrida
sobre tu hípica –
brutalmente homogénea,
especialista en fronteras,
.......eject de habitat,
heme aquí, excelentísimo,
la de cascos
.......no retornables,
nula nulla
tal cual high bred hybrid
relinchando lo ya muerto:
muslos de mulicia,
esterilizable, aureolar,
............multívaga
........ambicuestre
....mula tan lista para el viaje,
perdonad a vuestra sierva
perezodáctila en berridos
perturbando vuestro áureo
picnic de lo sublime,
........illicit mule
estornudando en vuestra épica.
............No
hay Blade
Runner que resista
ni que fuera
..........fake mullah,
ignorante de tus métodos,
lo susurrable, hoof muffler
de la paja en mi colchón.
Prométome estoica
......y subcutánea,
bien haces al espolearme
el cuero catecúmeno a la lluvia
de tu saliva, inestimable
señor de eco inflamado
......y que la mula
............comience a hablar
como dios
manda
y alcance la exit
del que asomara
cabeza dando a lamer
mundo con su propia lengua: mulo
que funde con la función
....de la forma
los extremos del exorcicio y
la fanfarria de lo sin categoría.

(traducción de Cristian De Nápoli)


:


Muli


...........Meine
Dame: Einhörner
die wie Haarwurzeln
ausfallen, wachsen
nicht wieder; selbst
wenn du vangoghst bis
du erstickst,
.......bleibe ich Muli,
um den besonderen Fall
des unspeziellen
anzuzeigen,
self-archived tool, exiliert
............von Katalogen,
die Sphäre zu spezifizieren
für den Prozentsatz der reinen
Auslese, das vor dem Öffnen
geschüttelte Andere, Pferdedosis
an Eseleid und
Stutenähnlichkeit. Piss off,
Popeye: verschone
mich Hybrid
in dein Gestüt zu zwingen –
unbehauen homogen,
Grenzgangspezialist,
...........eject aus dem Habitat,
so bin ich, Euer Ehren,
von den Hufen an
...........vom Umtausch ausgeschlossen,
eine amulierte null
wie ein high bred hybrid
wiehernd den Toten gelyncht:
Muskli der Muliz,
sterilisierbar, auratisch,
............umherirrend
..........doppelpferdig,
.......stutbereit,
verzeiht Eurem Kuli
sein unpaarhuffaules Geblöke,
das Euer goldenes
Picknick des Sublimen stört,
.......illicit mule
spuckt Euch in die Epik.
...........Kein
Blade
Runner kann widerstehen,
auch meine Wenigkeit nicht,
.......fake mullah,
deiner Methoden nicht fähig,
großer Anmurmelbarer, hoof muffler
aus Stroh meines Polsters.
Ich schwöre, stoisch
..........und subkutan zu sein,
du tust gut daran, meinem Fell
.....die Sporen zu geben
unter dem katechumenen Regen
deiner Spucke, unermesslicher
Herr des angeschwollenen Echos:
.......bis dieses Muli
.......hier spricht
wie es der gute Ton verlangt,
und den Exit derer findet,
die vor aller Augen
die Welt ablecken
mit dem eigenen Zungenschlag: Maulesel
verschweißt
...........mit der Funktion der Form
die Extreme der Exorzitien und
die Parade des Kategorielosen.

August im Verdruss, 2007

(Übersetzung von Sabine Scho)


§

Abaixo, você pode ver o vídeo de Eugen Braeunig para esta faixa:



§

Conduzi esta entrevista com o Tetine em Londres, em 2006, postada mais tarde na revista eletrônica FLASHER, que eu editava naquela época.



§

Você pode saber mais sobre o Tetine AAQQUUII.

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terça-feira, 19 de abril de 2011

Vídeos e trabalhos novos de amigos que conjugam texto e música: o duo Tetine, Florian Pühs e sua banda Herpes, e a belga-ruandesa Barbara Panther

Já escrevi várias vezes aqui sobre estes amigos, pessoas que respeito e admiro. Aqui seus mais recentes vídeos, extraídos de seus mais recentes álbuns.

§ - "Voodoo Dance", do Tetine, extraído do álbum Voodoo Dance & Other Stories (Slum Dunk Music, 2011).





Eliete Mejorado e Bruno Verner formaram o Tetine em 1995 e desde então vêm produzindo alguns dos trabalhos mais interessantes nas fronteiras entre performance, vídeo, poesia e instalação. Desde o início do século estão radicados em Londres, onde já organizaram para o importante selo Soul Jazz Records compilações de música brasileira, como a já lendária antologia The Sexual Life of the Savages: Underground Post-Punk from São Paulo (Soul Jazz Records, 2005), além de estarem entre os responsáveis pela disseminação de nomes como Tati Quebra-Barraco e Deize Tigrona entre os produtores de electro, grime e outros gêneros híbridos europeus. O duo já colaborou com Sophie Calle e Robin Rimbaud, suas performances e instalações foram vistas no Palais De Tokyo (Paris), no Museu Serralves (Porto), na Bienal de Liverpool e no teatro berlinense Hebbel Am Ufer. Na Whitechapel Art Gallery, em Londres, tiveram sua estreia europeia em 2000 com a performance sonora Tetine: The Politics Of Self Indulgence. Com dois amigos alemães, criei o selo Kute Bash Records apenas para relançar em vinil seu trabalho L.I.C.K. My Favela (Kute Bash Records, 2006), e criamos juntos a peça "Mula", uma das coisas que mais me alegraram na vida. Este é o décimo-primeiro álbum do Tetine. O vídeo para "Voodoo Dance" foi dirigido pela própria Eliete Mejorado (maravilhosa), como praticamente todos do duo. Nos últimos dois álbuns, o Tetine tem nos dado exemplos do que a música pop brasileira também pode ser.




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§ - "Das Karnickel im Hut", do Herpes, extraído do álbum Symptome und Beschwerden, com lançamento previsto para maio deste ano pelo selo Tapete Records.






Florian Pühs é o vocalista e letrista da banda de synthpunk alemã Herpes, formada em 2008. Aos 16 anos, por volta do ano 2002, Florian começou a angariar sua reputação no subterrâneo punk alemão com sua banda Surf Nazis Must Die, que desde o seu fim atingiu cult status na Europa e principalmente nos Estados Unidos. Eu o conheci em 2005 e tornamo-nos amigos, ele discoteca com frequência no meu evento semanal, mostrando seu lado de produções de techno. Symptome und Beschwerden (Tapete Records, 2011) é o segundo álbum de sua banda atual, Herpes.

No ano passado, com Das Kommt vom Küssen (Tapete Records, 2010) os textos satíricos de Florian Pühs já haviam ganhado fãs e desafetos para a banda, estes últimos entre os que não compreendem bem a ironia do letrista e poeta satírico alemão, nem sua marca pessoal de humor autodepreciativo (meu tipo favorito de humor). "Das Karnickel im Hut" é o novo single da banda, que traduz como "o coelho na cartola" e tem uns momentos legais, como no refrão:


"Und auch wenn das Kanninchen im Hut verschwindet
scheisst es dir früher oder später auf den Kopf”



"E mesmo que o coelho desapareça na cartola,
cedo ou tarde acaba por cagar-lhe na cabeça"

Ou então na parte final, exemplo típico da ironia de Florian Pühs, que acaba gerando desafetos:

Ich baue mir eine Karriereleiter
Und steige hinab in den Schützengraben
Oh Hallo lieber Opa
Du Loser hast auch keinen einzigen Krieg gewonnen
Ich bin das Lachen am Ende der Leiter



É difícil traduzir o jogo de palavras aqui. "Karrierleiter" é a noção de carreira profissional, algo como "escada carreirista", expressão para os que buscam (quem sabe mais sensatos que nós) sucesso financeiro. Pühs usa a ideia de "escada" no sentido também literal, para subir na vida e, no verso seguinte, usar a escada para "descer às trincheiras". Aí vem o sarcasmo e a ironia:

Eu construo uma "escada/carreira" profissional
E desço às trincheiras
Ô, olá, querido avô
Seu loser, não ganhou guerra alguma
Eu sou a gargalhada ao fim da "escada"


Eu curto muito. Para mim, é uma das possibilidades da poesia satírica contemporânea, aliar-se a guitarras. Obviamente, não para aqueles que acham que a poesia só pode habitar o sublime ou o órfico. Os que não leem Marcial, por exemplo.




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§ - "Moonlightpeople", de Barbara Panther, extraído do álbum Empire, com lançamento previsto para maio deste ano pelo selo City Slang.




Conheço Barbara Panther desde 2006, quando ela primeiro se mudou para Berlim, vinda da Bélgica. Ela nasceu em Ruanda, mas cresceu na Valônia. Foi em nosso evento às quartas-feiras que ela se apresentou pela primeira vez na Alemanha. Após anos à procura de uma gravadora, no ano passado ela teve a sorte de que o genial músico e artista britânico Matthew Herbert se apaixonasse por sua música, fazendo com que a belga-ruandesa encontrasse casa fonográfica no selo City Slang. Esperamos com ansiedade por esta estreia tardia de uma mulher muito talentosa. Mesmo que talvez não particularmente neste "Moonlightpeople", Barbara tem um talento lírico-textual muito forte, algumas de suas letras são muito potentes. Além desta música que simplesmente me pega pela jugular.






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quinta-feira, 17 de março de 2011

É inaugurada hoje à noite em Belo Horizonte a mostra de poesia sonora e visual "ZIP: Zona de Invenção Poesia &"


É inaugurada hoje à noite em Belo Horizonte a impressionante mostra de poesia sonora e visual "ZIP: Zona de Invenção Poesia &", na Grande Galeria do Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais, com curadoria de Ricardo Aleixo, Chico de Paula e Bruno Brum. Compareço com o poema videovocotextual "The poor poet (after Carl Spitzweg)" e o poema vocal em colaboração com o TETINE, nossa viajada "Mula".

A lista de pessoas interessantes que Aleixo, Paula e Brum reuniram me faz querer muito que eu estivesse em Belo Horizonte nos próximos dias. A exposição traz aquilo que Aleixo vem chamando de "poesia expandida". Dê uma olhada na lista de poetas incluídos na mostra:


Instalação audiovisual:

Aggeo Simões + Marcus Nascimento & Amir Brito Cadôr & André Amparo + Ana Cristina Murta & André Vallias & Bruno Brum & Chico de Paula & Cris Ventura + Mariana Campos & Fábio Carvalho & Gabriela Marcondes & Grupo Aquífero Poético (Álvaro Andrade Garcia + Marcelo Dolabela + Sônia Queiroz + Francine Canto + Ilka Boaventura Leite + Jair Tadeu + Luciana Tonelli + Marcelo Dolabela + Silvana Leal) & Grupo TEXTA (Gláucia Machado + Susana Souto + Marcelo Marques + Tazio Zambi) & Joacélio Batista & Kiko Ferreira & Makely Ka & Manoel Ricardo de Lima & Marcelo Dolabela & Marcelo Kraiser & Marcelo Sahea & Maria Botelho & Ricardo Aleixo & Ricardo Corona & Ricardo Domeneck + Tetine & Sérgio Fantini & João Diniz & Tatu Guerra & Thais Guimarães & Tião Nunes & Suely Machado + Marcela Rosa &


Mostra de poemas-cartazes:

Bruno Brum & Cândido Rolim & Carlito Azevedo & Chico de Paula & Edimilson de Almeida Pereira & Fabrício Marques & Francisco Kaq & Gláucia Machado & Guilherme Mansur & Kiko Ferreira & Leo Gonçalves & Letícia Feres & Luciana Tonelli & Manoel Ricardo de Lima & Marcelo Sahea & Marcus Nascimento & Maria Esther Maciel & Mariana Botelho & Mônica de Aquino & Paulo Kauim & Pedrinho Fonseca & Renato Mazzini & Romério Rômulo & Tazio Zambi & Thais Guimarães & Vera Casa Nova & Wir Caetano & Wlademir Dias Pino &


Ciclo de performances:

Beatriz de Almeida Magalhães + Manoel Andrade & Benjamin Abras & Chico de Paula + Carmen Castro & Gil Amâncio + Tatu Guerra + Gabriela Guerra & Grupo de Pesquisas Sonoras da Fumec/GPS (Ricardo Aleixo + Chico de Paula + Daniel Mendonça + Julius César) & 1mpar & Leo Gonçalves & Letícia Castilho & Marcelo Dolabela & Marcelo Kraiser & PROJETO EULIPÔ (Antônio Barreto + Caio Junqueira Maciel + Francisco de Morais Mendes + Jeter Neves + Luís Giffoni + Maurício Meirelles + Rodrigo Leste + Sérgio Fantini) & Renato Negrão & Ricardo Aleixo + Iná Aleixo + Flora Aleixo + Gabriela Pilati & Rui Moreira & Waldemar Euzébio &


Recitais:

Bruno Brum & Kiko Ferreira & Gláucia Machado & Luciana Tonelli & Mariana Botelho & Mônica de Aquino & Thais Guimarães & Grupo Aquífero Poético & Tazio Zambi &


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Aos que não podem ir a Belo Horizonte e talvez ainda não conheçam a peça, deixo vocês com a "Mula", minha colaboração com o Tetine, aqui em vídeo do alemão Eugen Braeunig.


"Mula" - texto de Ricardo Domeneck, composição sonora e vocal do Tetine, vídeo de Eugen Braeunig.




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domingo, 27 de fevereiro de 2011

De corpo ausente mas voz presente no México pelos próximos dias

Estou entre os poetas convidados pelo festival mexicano Proyecto Enclave, que está acontecendo desde quinta-feira, 24 de fevereiro, e se estenderá até sábado, 5 de março, nas cidades de Colima, Querétaro e na capital Cidade do México, ou D.F., como eles dizem. O projeto reúne poetas-tradutores que vivem fora de seus países, dialogando entre sua primeira língua e a língua adotiva, entre sua tradição nacional e a do país de eleição. Com poucos recursos, como é geralmente o caso de festivais latino-americanos, os organizadores driblaram o problema da seguinte maneira: editando uma antologia com poemas de todos os autores convidados e, dos que não puderam ir ao México, apresentando nos vários institutos e locais sediando o festival em Colima, Querétaro e Cidade do México vídeos dos poetas com as leituras dos poemas incluídos na antologia. O volume traz três poemas meus: "Entre o fogo e a derme", "Texto em que o poeta celebra o amante de vinte e cinco anos" e "Mula". Com minha câmera de vídeo quebrada, recorri a um amigo que me filmou lendo os dois primeiros poemas, e, do texto "Mula", incluí no vídeo a peça sonora criada pelo duo Tetine, com vídeo do alemão Eugen Braeunig. Mostro abaixo o vídeo precário mas simpático que está sendo apresentado no México durante estes dez dias, com os dois poemas e "Mula". Termino a postagem com a programação em castelhano do Proyecto Enclave, que tem direção de Maura Salvo.


Leitura em vídeo para o festival mexicano Proyecto Enclave, seguida da peça sonora "Mula", colaboração com o duo Tetine.

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De lo vernáculo a lo global, de ida y vuelta

Enclave, poesía en diálogo.


Enclave. Poesía en diálogo nació como un proyecto —organizado por Eudora Proyecto Global—, en el que estarían algunos poetas y críticos cuyo trabajo nos entusiasma. Hablarían de su relación con la lengua en que escriben, ya que muchos son traductores o artistas poseedores de una “lengua materna”, oficial, y una “lengua poética”, elegida. Emigrantes por asuntos políticos, culturales, académicos, o por el mero placer de complicarse la vida un rato. Voces que transforman o, si se quiere, que anuncian. Otros más serían seres transfronterizos, habitantes de la palabra con un pie en territorio ecléctico. Luego más se interesaron.

Nos apoyan la xxxii Feria del Libro del Palacio de Minería, la Secretaría de Cultura del Estado de Colima con el Programa de Fomento a la Lectura, la Universidad del Claustro de Sor Juana a través del Programa de Escritura Creativa, el Instituto Queretano para la Cultura y las Artes, la revista Literal y un grupo de entusiastas que nos han ayudado para lograr que algo pequeño, casi familiar, sea un proyecto de mayor alcance.

Una producción a escala micro se volvió algo global. Y no es broma. Somos un territorio en constante cambio, urbano, textual y paratextual, donde lo vernáculo exuda frontera, romance, nórdico o germánico al ritmo del tango o en una serie de videos creados exprofeso para los espectadores mexicanos para demostrar que las fronteras no son impedimento. Para nosotros las fronteras no existen; ni geográficas ni imaginarias. Imagen, sonido y movimiento entrelazados en poesía. Los habitantes de este espacio son unos atrevidos, polígamos artísticos que creen en la necesidad de renovar los soportes. Así fue como Enclave. Poesía en diálogo se volvió un proyecto que espera tener muchas versiones para atestiguar la creatividad de estos seres poéticos y transfronterizos, a quienes observamos e invitamos. A quienes queremos ustedes conozcan.

§

· ENCLAVE. Poesía en diálogo en COLIMA

Del jueves 24 al sábado 26 de febrero


· ENCLAVE. Poesía en diálogo en México D.F.

ENCLAVE. Poesía en diálogo en la XXXII FERIA DEL LIBRO DEL PALACIO DE MINERÍA

Lunes 28 de febrero de 19:00 a 19:45 hrs. Recital poético interdisciplinario. Poesía en acción. Poesía polidiscursiva. Con Lalo Barrubia (Suecia-Uruguay), Minerva Reynosa (Monterrey) y videopoemas creados ex profeso para Enclave de Yanko González (Chile), Ricardo Domeneck (Alemania-Brasil), Gustavo Barrera (Chile) y Timo Berger (Alemania) Presenta: Maura Salvo (Chile). CAPILLA.


Martes 1 de marzo de 19:00 a 19:45 hrs. Mesa de discusión. Desde la extranjería: lenguajes y lenguas apropiadas.Con Rike Bolte (Alemania), Abril Castro (Tijuana-DF), Ulrika Serling (Suecia). Presenta: Rose Mary Salum (EUA-México). CAPILLA.


Miércoles 2 de marzo de 19:00 a 19:45 hrs. Recital poético interdisciplinario. Enclave. El mundo es un pañuelo: Poesía desde todos lados y desde aquí. Con Andrea Fuentes Silva (México), Rocío Cerón (México), Roxana Crisólogo (Perú-Finlandia), Gustavo Barrera, Yanko González (Chile). Presenta: Jorge Betanzos (México). CAPILLA.

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ENCLAVE. Poesía en diálogo visita CASA VECINA

Lunes 28 de febrero de 17 a 18:00 hrs. Mesa redonda Poesía y transdisciplina. Con Ulrika Selring (Suecia), Rike Bolte (Alemania), Roxana Crisólogo (Perú-Finlandia) y Lalo Barrubia (Uruguay-Suecia). Modera: Maura Salvo. 1er Callejón de Mesones 7 esquina con Regina, Centro Histórico.


ENCLAVE. Poesía en diálogo visita al PROGRAMA DE ESCRITURA CREATIVA de la UNIVERSIDAD DEL CLAUSTRO DE SOR JUANA


Martes 1 de marzo de 17:00 a 18:00 hrs. Enclave. El mundo es un pañuelo: Poesía desde todos lados y desde aquí(recital poético interdisciplinario). Con Lalo Barrubia (Suecia-Uruguay), Minerva Reynosa (Monterrey), Abril Castro (Tijuana-DF), Ulrika Serling (Suecia), Rocío Cerón (México), Roxana Crisólogo (Perú-Finlandia), Andrea Fuentes Silva (México), Jorge Betanzos (México).

Izazaga 92, Centro Histórico. Metro Isabel la Católica. Aula Magna.



ENCLAVE. Poesía en diálogo visita el IMJUVE

Miércoles 2 de marzo de 19:30 en adelante. Fiesta de clausura y participación interdisciplinaria de los poetas participantes. Proyección de videopoemas creados ex profeso para Enclave de Yanko González (Chile), Ricardo Domeneck (Alemania-Brasil), Gustavo Barrera (Chile) y Timo Berger (Alemania).

Serapio Rendón No. 76, Col. San Rafael, Del. Cuauhtémoc,, México, D.F

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· ENCLAVE. Poesía en diálogo en QUERÉTARO.

ENCLAVE. Poesía en diálogo visita al Instituto Queretano para la Cultura y las Artes a través del Centro Estatal de las Artes

Jueves 3, Centro Estatal de las Artes 17:00 hrs. Poesía en acción. Poesía polidiscursiva (recital poético interdisciplinario). Con Lalo Barrubia (Suecia-Uruguay), Jorge Betanzos (México), Minerva Reynosa (Monterrey) Presenta: Maura Salvo (Chile)



Viernes 4, Centro Estatal de las Artes 17:00 hrs. Desde la extranjería: lenguajes y lenguas apropiadas (mesa de discusión). Con Rike Bolte (Alemania), Abril Castro (Tijuana-DF), Ulrika Serling (Suecia) Presenta: Luis Alberto Arellano (México)



Sábado 5, Centro Estatal de las Artes, 17:00 hrs. Enclave. El mundo es un pañuelo: Poesía desde todos lados y desde aquí (recital poético interdisciplinario) Con Rocío Cerón (México), Roxana Crisólogo (Perú-Finlandia), Abril Castro (México), Andrea Fuentes Silva (México) y videopoemas creados ex profeso para Enclave de Yanko González (Chile), Ricardo Domeneck (Alemania-Brasil), Gustavo Barrera (Chile) y Timo Berger (Alemania).

Brindis de cierre, exposición Benjamín R. Moreno, 20:00hrs


Arteaga 98, Centro Histórico, a un lado de Santa Rosa de Viterbo, Querétaro

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Poema inédito em livro, com título longuíssimo e todas as minhas obsessões recorrentes, que talvez irrite, mas só quem já estava irritado

Em 2008, quando a língua portuguesa foi o foco do Festival de Poesia de Berlim, com poetas do Brasil, Portugal e países lusófonos da África, alguns de nós fomos convidados a gravar poemas para o portal Lyrikline, que se dedica a registrar leituras de poemas nas próprias vozes de seus autores, armazenando ainda traduções para os textos em várias línguas. Pediram que selecionássemos poemas que tinham pelo menos tradução para o alemão, por isso concentrei-me em poemas do livro Carta aos anfíbios (2005) e do livro a cadela sem Logos (2007), mas incluí alguns inéditos que tinham sido traduzidos especialmente para o festival. Entre eles, havia dois poemas que naquela época eram importantes para mim, pois eu sentia neles uma espécie de momento de transição no meu trabalho. As obsessões estavam todas ali, mas surgindo de outra forma. Um deles alguns de vocês talvez conheçam, chama-se "Mula", foi publicado no primeiro número impresso da Modo de Usar & Co., e já foi também lindamente musicado/vocalizado pelo duo Tetine:


"Mula" (2007)
Texto de Ricardo Domeneck.
Voz e composição do Tetine.
Vídeo de Eugen Braeunig.

O outro poema chama-se "Texto em que o poeta medita sobre a fuga inexequível da História como turista em Budapeste, Hungria", e é quase exagerado na forma como tentei concentrar nele toda a minha obsessão com a historicidade poética. Iniciei-o mesmo em Budapeste, quando lá estive em 2007, apresentando-me como DJ. Fiquei alguns dias na cidade, lendo seus poetas (como Miklos Radnóti), perambulando, escrevendo. Tem muitas das características dos poemas do livro Sons: Arranjo: Garganta (2009), a composição e encadeamento altamente paratáticos, o sequestro de elementos da tal de Cultura, seja pop ou não, mas da mesma maneira que um poeta romântico do século XIX teria usado a tal de Natureza. Não é apenas um poema sobre a historicidade poética. É um poema à historicidade poética, ante a historicidade, até a historicidade, após a historicidade, com a historicidade, mesmo contra a historicidade, mas também da historicidade, desde a historicidade, na historicidade, entre a historicidade poética e algo outro, para a historicidade, perante a historicidade, pela historicidade, sob a historicidade, sobre a historicidade, atrás/de trás/por trás da historicidade poética. Só uma preposição fica de fora: sem. É tudo que depende da historicidade (saravá Walter Benjamin!), mas nunca sem ela. Não é composto por metáforas... é composto por figuras, na minha leitura pessoal do conceito da teologia cristã. Como já tentei elaborar em vários artigos e aqui o repito: conceito de figura, em minha pesquisa por uma poesia que se faz consciente de sua historicidade, FIGURA, não metáfora, talvez funcionando como metonímia, sinédoque talvez?, FIGURA, em que um acontecimento histórico liga-se a outro acontecimento histórico, prefigurando-o, dois fatos distintos e temporalmente segregados prevendo um último acontecimento que revelaria seus significados. Dito tudo isso, abaixo você tem meu poema irritante para os que já estavam irritados; porque talvez não entendam ou reconheçam minhas figuras; talvez porque acham que estou apenas name dropping para ser pop. Sei que é irritante para qualquer leitor ter que ficar googlando nomes ou fatos para "entender" algo. Compreendo, aceito. Evito quanto posso. Mas não há certas coisas que a poesia nos ajuda a descobrir? Nos ajuda a passar a saber? Este poema, por exemplo, utiliza uma figura bastante específica ao final: a da morte do poeta húngaro Miklos Radnóti. Utiliza vários elementos biográficos e poéticos, por exemplo com o fim (a morte) de Radnóti, que foi fuzilado por nazistas em 1944, mais tarde reconhecido, ao ser exumado, por encontrarem no bolso de sua camisa seus últimos poemas, ligando-o figurativamente ao fim do poema "A step away from them", de Frank O´Hara; conectando, em arco histórico, Joaquim de Sousândrade e Federico García Lorca como poetas nova-iorquinos; não são metáforas, são figuras. Ao mesmo tempo, questiono nossa composição narrativa para a História, ao unir o Twin Peaks (1990), de David Lynch, ao imperador Xerxes I da Pérsia, Heródoto e as graphic novels. O poema talvez seja difícil, chato, peço perdão por isso, mas não peço desculpas. Beijo em vossas almas por vossa paciência com minhas ladainhas. Eis o poema:


Texto em que o poeta medita sobre a fuga inexequível da História como turista em Budapeste, Hungria

Oblivion não
me assusta,
Claudette Colbert.
Evito praticar o
nado-sincronizado
no formol das evidências
fotográficas de
moi-même & myself.
Se possuísse na geografia
residência fixa em Twin Peaks,
sei que talvez os tupiniquins
elegessem os tons e timbres
de minha sinfonia de ossículos
para martelo, bigorna e estribo:
echolalaica
do silenciável
se a alfândega
rege as adegas
da anomalia.
Meus autobiógrafos
impossibilitados de
narrar meu martírio
em Montmartre,
como não houve
sobreviventes
com meu nome
em Guernica
ou Treblinka.
Em meio à hipoteca
dos meus despejos
não invoco
Hiroshima mon glamour.
Escuta aqui, Titanic:
tão Aristóteles quanto
Heródoto ou aritmético
o erótico,
todo mundo
sabe que o manual
de dança
conspira pelo decreto
dos pés
como obsoletos.
Não venha
mimetizar-me o miasma.
Qualquer Xerxes
a chicotear o mar
sabe que o olvido de Myrna Loy
não é o ouvido de Mina Loy
e Góngora não serve gôndolas
a canais de televisão, jornais
vespertinos em dia
crônico do hodierno
se é
hipótese a manhã.
Tal qual
este planeta
que aceita satélites
ou ser terceiro
em relação
a um sol
localizável mesmo
em seu espiralar
de eixo,
que não
pausa a cada
0:00
ou advoga o
stand by
do meu sono.
Buda não
é Manhattan,
feito aquele Guesa
em vertigem no Stock
Market
ou Lorca
histérico no Harlem.
Narrar o passado
é tal ginástica odisséica,
& ! que ginga, que físico
deste acrobata do empírico.
Eu aceito, sim, da totalidade
o resquício, poderia escrever
sobre Nova Iorque,
Manaus ou Poughkeepsie
mas nunca o pús nos pés
lá, isto aqui é Budapeste,
não as Ilhas Mauritius.
Hoje, ou em 1956, jamais
corresponder-se-ia
como os Poems
by Pierre Reverdy

no bolso de O´Hara,
então aceito a ladainha
da lingueta sem chave
à resistência da História
e a cartografia
inelegível, o mundo.
Sim, Budapest não é New York
& meu miocárdio está no bolso:
pocket book de Miklos Radnóti.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

O mais recente álbum do Tetine: "From A Forest Near You"

O duo Tetine lançou em Londres, no mês passado, seu décimo álbum, intitulado From A Forest Near You (2010), com seu próprio selo, o Slum Dunk Records. O título do álbum enraíza-se mais uma vez na atitude altamente irônica com que o Tetine vem trabalhando, criticando e ao mesmo tempo celebrando a noção de identidade nacional, das mais diversas maneiras, pelo menos desde Música de Amor (1999), álbum e performance. Escrevi para a Modo de Usar & Co. sobre o trabalho deles, a partir de sua textualidade, no ano passado.

Desde que surgiram em 1995, com o espetáculo Electrobrecht, o Tetine tem transitado com incrível desenvoltura entre os gêneros, tornando-se um dos mais inclassificáveis artefatos da arte brasileira das duas últimas décadas. Poesia, música, vídeo, teatro e performance, marcados pela escrita de Bruno Verner, um dos poetas ainda subterrâneos do Brasil pós-ditadura, e pela impressionante Eliete Mejorado, este último trabalho soa e ressoa com a calma confiança da maturidade. Algumas peças, como "You bought it", inserem-se entre os trabalhos iniciais de spoken word do duo, como no álbum Alexander´s Grave (1996), em outras Eliete Mejorado trabalha entre a fala e o canto, de forma personalíssima, como em "Shiva".



Muitas das canções apóiam-se na voz incrivelmente delicada de Bruno Verner, um dos meus cantores brasileiros favoritos em atividade. Essa delicadeza pode ser ouvida em toda a sua boniteza em uma canção como "Tropical Punk".



Tropical Punk é, além disso, uma das expressões que o Tetine tem usado para definir seu trabalho, com a mistura de humor e seriedade que tem caracterizado seu desejo de intervenção estética e política, chegando por vezes à descrição de seu som como "tropical mutant funk punk". Na década de 90, Verner e Mejorado conseguiram, como poucos, a façanha de alinhar um trabalho de arte conceitual à performance, transitando entre fronteiras, não apenas de gêneros, mas das hierarquias culturais, que eles questionavam com uma fúria e alegria admiráveis. Poucos conseguriam se manter tão coerentes quanto eles, como na forma em que passaram a trabalhar, muito antes do hype, com o funk carioca, como nos polêmicos Bonde Do Tetão (2002) e L.I.C.K. My Favela (2005), surpreendendo e confundindo mesmo alguns que haviam anteriormente admirado o conceitual em seus trabalhos iniciais, sem compreender, no entanto, o aterro das trincheiras que eles desde o início buscaram.

Vivendo na Inglaterra desde o ano 2000, os dois brasileiros já trabalharam com artistas europeus como Sophie Calle, Robin Rimbaud e o coletivo Ladytron, e lançaram, pelo prestigioso selo Soul Jazz Records, singles e álbuns próprios, além da compilação The Sexual Life Of The Savages (2005), com canções de bandas da São Paulo dos anos 80 (como Fellini, Gang 90 e As Mercenárias). Este From A Forest Near You vem unir-se ao ótimo Let Your Xs Be Ys (2008), como o mais pop da dupla, no melhor sentido warholiano do adjetivo. Se você ainda não respondeu ao chamado tetiniano de "Let´s get together", está na hora.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Tetine com Mula em anexo

Publiquei hoje, na franquia eletrônica da Modo de Usar & Co., um artigo sobre o duo paulistano/londrino Tetine, formado por Eliete Mejorado e Bruno Verner, com a postagem de alguns de seus trabalhos em música-vídeo e performance oral. Você pode visitá-la AAQQUUII.

Descobri o trabalho do Tetine quando eles lançaram o álbum/espetáculo "Música de amor", em 1999. Lembro-me de ouvir este álbum repetidas vezes nos dois anos seguintes. Lembro-me também de usar sempre uma citação da faixa-título do álbum "Alexander´s Grave" (1996), o primeiro do Tetine, em que Eliete Mejorado diz "Do you think I have no pride just because I have no shame?"... ainda é uma das minhas frases favoritas, assim como às vezes, out of the blue, sinto vontade de dizer: "According to the latest theories, Time is simply a useful tool and dimensional construct for organizing realities / So in 1987 I got a job as a tourist guide", no poema sonoro "Russian Roulette". Eu amo a non sequitur que gera o poético nestas linhas.

Trombava com eles no subterrâneo de São Paulo, em festas e performances, mas fui conhecê-los pessoalmente apenas em 2006, quando eles já viviam em Londres e eu em Berlim. Sabendo que eles estariam aqui no Berlimbo para uma performance no teatro Hebbel am Ufer, escrevi-lhes perguntando se eles gostariam de ficar alguns dias mais na cidade, para fazerem uma outra performance no nosso evento-intervenção semanal Berlin Hilton, our own private Cabaret Voltaire. Nosso relacionamento artístico e de amizade data deste momento. Desde então, já nos apresentamos juntos em Londres, criei com amigos o selo Kute Bash Records apenas para relançar em vinil seu "L.I.C.K. My Favela" e colaboramos no poema "Mula", texto meu que eles oralizaram e musicaram em 2007. Segue abaixo o poema, em vocalização do Tetine e vídeo de Eugen Braeunig:


(Tetine & Ricardo Domeneck, com vídeo de Eugen Braeunig, 2007)

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Mula


..............Minha
senhora: os unicórnios
que caem com a raiz
não
voltam mais; ainda
que van-goghs até
que engasgues,
.......sigo mula
a indiciar o caso
excepcional
do sem espécie,
self-archived tool, exílio
............dos catálogos
a especificar o espaço
para a porcentagem da escolha
do puro, alheia que se agita
antes de abrir, dose cavalar
de juramento e
egüidade. Poupa-me,
Popeye: longe de mim
impor-me híbrida
à tua hípica -
brutalmente homogênea,
especialista em fronteiras,
.......eject de habitat,
eis-me, excelentíssimo,
a de cascos
.......não-retornáveis,
nula nulla
tal qual high bred hybrid
relinchando o já morto:
muslos de mulícia,
esterilizável, aureolar,
............multívaga
....... ambiqüestre
....de mulas prontas,
perdoai vossa serva
preguiçodáctila aos berros
perturbando vosso áureo
piquenique do sublime,
.......illicit mule
espirrando em vosso épico.
............Não
há Blade
Runner que resista
mesmo euzim
..............fake mullah,
insciente dos teus métodos,
ó sussurrável, hoof muffler
da palha de meu estofo.
Prometo-me estóica
.........e subcutânea,
bem fazes em esporear-me
o couro catecúmeno à chuva
do teu cuspe, inestimável
senhor de eco intumescido:
.......até que a mula
.......aqui fale
como manda
o figurino,
e encontre a exit
de quem às caras
me dera lamber o mundo
com a própria língua: mulo
fundindo
.......com a função da forma
os extremos do exorcício e
a fanfarra do sem categoria.


Ricardo Domeneck
Berlim – agosto mês de desgosto, 2007

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Conduzi esta entrevista com eles em Londres, em 2006, postada mais tarde na revista eletrônica FLASHER, que eu editava naquela época.



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Você pode saber mais sobre o Tetine AAQQUUII.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Poemas visuais e sonoros

ALGUNS POEMAS VISUAIS & SONOROS




Ricardo Domeneck. "Hap", novembro de 2008.

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(Ricardo Domeneck, "Auto-retrato do poeta como anfíbio", 2006)

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(Ricardo Domeneck, "Sermão da cocanha da madre superiora do bar oco", Texto satyricrítico, 2007)

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(Ricardo Domeneck, "Garganta com texto: um oralfesto", 2006)

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(Ricardo Domeneck, "History of Poetry as Displacement of Attention or The Gräfenberg Spot of Language Art", POEMA VERBIwhereisthevocoVISUAL, 2008)

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(Ricardo Domeneck + Tetine, "Mula", uma colaboração. Vídeo de Eugen Braeunig. 2007)

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(Ricardo Domeneck, "epic glottis", 2006)

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(Ricardo Domeneck, "Pequeno estudo sobre os ciúmes", 2007)

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