quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Akia - "Tangome" (2012)




"Tangome" (2012) 
Música e vídeo: Akia (Uli Buder)



.
.
.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Wholly Communion" (1965), de Peter Whitehead, documentando a ENCARNAÇÃO POÉTICA INTERNACIONAL, lendária leitura de poetas em Londres a 11/06/1965

Na noite de 11 de junho de 1965, na sala lotada (cerca de 7.000 pessoas) do prestigioso Royal Albert Hall em Londres, dezessete poetas fizeram uma das mais lendárias leituras coletivas de poesia do pós-guerra. A noite foi chamada de International Poetry Incarnation, algo como Encarnação Poética Internacional ou Encarnação da Poesia Internacional.

O evento contou com a participação de poetas americanos como Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti e Gregory Corso, além da participação especial de William Burroughs em gravação; do finlandês Anselm Hollo; do holandês Simon Vinkenoog; do austríaco Ernst Jandl; do cubano Pablo Fernández; e, é claro, de vários poetas britânicos, como Adrian Mitchell, Christopher Logue, Tom McGrath, George MacBeth, Alexander Trocchi e Michael Horovitz, entre outros. Segundo vários relatos, o evento seria determinante para a consolidação e reconhecimento da existência de uma cena poética subterrânea no Reino Unido, muito diferente da sensibilidade da poesia oficial e celebrada.

O cineasta britânico Peter Whitehead documentaria a noite, selecionando certas passagens para o filme Wholly Communion, daquele mesmo ano. Peter Whitehead dirigiria ainda os documentários Charlie Is My Darling, de 1966 (o primeiro sobre os Rolling Stones), Tonite Lets All Make Love in London, de 1967 (sobre a assim-chamada Swinging London) e Benefit of the Doubt, documentando a peça US (1966), de Peter Brook, em protesto contra a Guerra do Vietnã.

É possível assistir a Wholly Communion na Rede, e o reproduzimos abaixo, em 4 partes.


1. Wholly Communion (1965), primeira parte: contém a performance musical de Allen Ginsberg e as leituras de Lawrence Ferlinghetti, Michael Horovitz e Gregory Corso.




§


2. Wholly Communion (1965), segunda parte: contém as leituras dos poetas Harry Fainlight e Adrian Mitchell. Mostra o conhecido incidente em que o poeta holandês Simon Vinkenoog interrompe a leitura do britânico Harry Fainlight, que estava se estendendo demais. O público também volta-se contra Fainlight, que queria continuar lendo. O excerto traz a maravilhosa performance de Adrian Mitchell para seu mais famoso poema, "To Whom It May Concern".



§

3. Wholly Communion (1965), terceira parte: contém as leituras dos poetas Christopher Logue e Alexander Trocchi, além da performance de poesia sonora do austríaco Ernst Jandl.




§


4. Wholly Communion (1965), quarta parte: contém a leitura de Allen Ginsberg.




.
.
.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Algumas palavras do povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul


.
.
.

“Elegia para uma galinha morta em minha boca”



Elegia para uma galinha morta em minha boca


Poucas coisas são
tão perturbadoras
quanto morder a carne
da galinha cozida
e sentir na língua
certo gosto
que meu cérebro
interpreta
como sendo das penas
desta galinha morta
como se algo nela
ainda quisesse voar
no céu da minha boca
e vejo então nítidos
diante de mim os olhos
muito arregalados
desta galinha à hora
de sua morte, o bico
arreganhado, a sede,
o susto dos gritos
das companheiras
no abatedouro
e em seu cérebro
o protótipo do que seria
seu primeiro pensamento
se lhe fosse dado tempo,
provavelmente um verbo,
um imperativo, um “voe”,
mas ela não pode voar
e abatedouros não
reservam tempo para a evolução
das espécies, e esta galinha
que agora mastigo, imagino,
mal caiu em tentação
na hora de sua morte,
e este gosto de penas
na carne persiste
e impede a semivigília
prazerosa
com que dilacero
o que antes corria
no terreiro, sorella
aviária, você parte
antes e definitiva agora
para o grande sono,
o que você sente
quando meus dentes
entram em seus músculos
é apenas a mioclonia,
senhora galinha,
aquelas contrações
involuntárias
antes do sono
e é por isso que fico
muito assustado
pelo resto da refeição,
gala, a verdade
é que estamos ambos
presos apenas
no mesmo sonho lúcido



Ciclo do amante substituível, 2012

.
.
.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A história da gerenta






A história da gerenta

              kissing the feet of the man above,
              kicking the face of the man below.
                               Marianne Moore

Para sentar-se à mesa,
ela exibiu as cicatrizes.
Ao ascender à direita
do patriarca-messias
– o falho unigênito –
expôs as cicatrizes
e todos aos joelhos,
boquiabertos frente
à ilusão do materno.
Uma vez à cabeceira,
abobava os convivas
com as acrobacias
de suas cicatrizes.
A gritos de rainha
louca, aquietava
todos os muxoxos
seu salvo-conduto,
imunidade herdada
de suas cicatrizes.
Em meio às rusgas
e a caça às bruxas,
nem as suas rugas
tapam as cicatrizes.
Altaneira, que sono
de justa lhe doam
as suas cicatrizes,
como é sobranceira
ao ditar quem vive
e morre, sem tremer
sequer a sobrancelha!
Chicote em punho,
castigava os dorsos,
mas quem ousaria
questionar a dona
de tantas cicatrizes?
Quando terminou
enfim o genocídio,
– não por detê-lo
mas consumá-lo –
ainda distrairia
a todos, houvesse
alguém sobrado,
com a autoridade
de suas cicatrizes.
Só, afinal, à cama,
sonhou-se em Haia.
Não se sabe, porém,
se qual juíza, ou ré.

.
.
.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

"Barro: o abraço / primordial já / previa o anfíbio"


Barro: o abraço / primordial já / previa o anfíbio


      “Und dies ist ihre Verbindung mit der Welt”
                                 Ludwig Wittgenstein

mesmo que um pássaro
             aponte o centro
ou uma pedra
                      seja pedra e sinal

a densidade em quaisquer hierofanias
                                      jamais excede
a que meu corpo apresenta
imerso na banheira,
água, carne: praia

e a troca de calor é explícita.

se o concreto evola-se em conceito
e eu vejo
o corpo do mito
feito carne
(de novo)

neste fluxo e refluxo
respira o mundo.

*

de encontro à pele,
a temperatura
aumenta, a febre
acelera-me o pulso,

o rosto incha,
o corpo ilha-se

numa cama
encharcada,

mar que retorna
das origens a um corpo

em júbilo
similar à cicatrização de um corte;

luxações aumentam-me a posse
e presença no mundo,

mas não a brecha entre pele e pouso;

nada é invisível
além do que reside
em minha memória,

e eu sei que não há quem profetize
                                      a sua volta.

*

minha coluna, uma torre de inclinações
                                               contínuas,
a garganta sobrevive ilesa
às inflamações
                         periódicas.

durmo e sonho o prometido
corpo incorruptível;

acordo com dores nos músculos.

*

estes brincos necessários perfuram e pendem,
servem de prova de consistência; úmidos,
os pés tateiam, ajeitam-se,

calcam mais fortes
no concreto
a sua crença de apoio

(o mundo responde-lhes
                 com tremores)

o sangue escorrendo
das narinas no momento
do aperto de mão do estranho,
(toda apresentação
deveria consistir numa troca
                          de secreções)
expondo ambos

                            à recusa

herdada, esquecida, prenhe.

*

os joelhos falham, dobram-se,
saliva e sangue às vezes unem-se,
desaguam na boca,

cabelos engastam-se nas unhas
do mesmo e próprio dono.

(braços exaustos tremem com um copo)

          denso,

denso.

algo mais que mão externa
consterna-me o diafragma.

enquanto alguns

                               flertam

com pedras

                    e o

         silêncio



Ricardo Domeneck, Carta aos anfíbios (2005).

.
.
.

sábado, 13 de outubro de 2012

Alejandro Albarrán - Performance na Casa del Lago


Alejandro Albarrán nasceu na Cidade do México, em 1985. Seu livro de estreia, intitulado Ruido, foi lançado este ano na capital mexicana. Considero-o um dos melhores poetas da nova geração nas línguas que conheço e acompanho.




.
.
.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Novo livro de Angélica Freitas é lançado hoje em São Paulo

Ministério da Cultura, Petrobrás, Cosac Naify e Livraria da Vila apresentam o lançamento de Um útero é do tamanho de um punho, segundo livro de Angélica Freitas, hoje, quarta-feira, às 18h30, em São Paulo (SP). A autora estará presente para uma sessão de autógrafos. Livraria da Vila: Rua Fradique Coutinho, 915 (Pinheiros).









Arquivo do blog