domingo, 13 de outubro de 2013

"Quede Qaddish" - Texto de minha performance para o programa paralelo da retrospectiva de Oiticica no Museu de Arte Moderna de Frankfurt



Ontem à noite apresentei aqui em Frankfurt minha performance preparada a convite do Museu de Arte Moderna de Frankfurt, para a retrospectiva de Hélio Oiticica no museu. A performance foi preparada para ocorrer no "Penetrável PN 14", reconstruído no Palmengarten (Jardim das Palmeiras), dialogando com a obra. Abaixo, mostro o texto vocalizado. Intitulei a peça toda "Quede Qaddish", com texto, voz, vídeo e música. Logo antes da performance, contextualizei o trabalho com uma pequena fala sobre a Ditadura Militar (1964 - 1985), a relação histórica de Oiticica com o período, falei sobre o seu "Seja marginal, seja heroi" e sobre os desaparecidos políticos. O vídeo trazia fotos de cerca de 40 deles. Colaborei no som com o músico alemão Markus Nikolaus (n. 1989), que se uniu a mim no palco, tocando a peça ao vivo. Infelizmente, devido à chuva foi necessário mover a performance para uma estufa próxima da instalação, no mesmo jardim. Não sei ainda se há vídeos. Sei que há fotos e tentarei postá-las em breve. Pretendo apresentar a peça ainda em minhas próximas performances este mês na Alemanha, Suíça e Bélgica. Por ora, o texto. É importante dizer que componho estas performances de tal forma que cada elemento necessite do outro: ou seja, o texto não foi pensado para estar só, sem o vídeo, a música, a voz. Mostro-o apenas como registro. E, infelizmente, vocês verão que é um texto que só tende a crescer. 

Quede Qaddish

O corpo
também é penetrável.
Bala, eletrochoque,
rato, faca.

O corpo
também é flexível.
Forca, cadeira do dragão,
geladeira, pau-de-arara.

O corpo
também é irrastreável.
Vala comum, deserto,
Oceano Atlântico.

O corpo
também é catalogável.
Arquivos do Exército, 
Marinha, Aeronáutica.

Lista de chamada:
Dilma Rousseff, presente.

Ausentes:

Adriano Fonseca Filho
Aluísio Palhano Pedreira Ferreira
Amarildo de Souza
Ana Rosa Kucinski Silva
André Grabois
Antônio ´Alfaiate´
Antônio Alfredo Campos
Antônio Carlos Monteiro Teixeira
Antônio de Pádua Costa
Antônio dos Três Reis Oliveira
Antônio Guilherme Ribeiro Ribas
Antônio Joaquim Machado
Antônio Teodoro de Castro
Arildo Valadão
Armando Teixeira Frutuoso
Áurea Eliza Pereira Valadão
Aurino Pereira dos Santos Pataxó Hã-Hã-Hãe
Aylton Adalberto Mortati
Bergson Gurjão Farias
Caiupy Alves de Castro
Carlos Alberto Soares de Freitas
Celso Gilberto de Oliveira
Celso Rodrigues Guarani-Kaiowá
Chico Mendes
Cilon da Cunha Brun
Ciro Flávio Salasar Oliveira
Custódio Saraiva Neto
Daniel José de Carvalho
Daniel Ribeiro Callado
David Capistrano da Costa
Dênis Casemiro
Dermeval da Silva Pereira
Dinaelza Soares Santana Coqueiro
Dinalva Oliveira Teixeira
Divino Ferreira de Sousa
Dorothy Stang
Durvalino de Souza
Edgard Aquino Duarte
Edmur Péricles Camargo
Eduardo Collier Filho
Elmo Corrêa
Elson Costa
Enrique Ernesto Ruggia
Ezequias Bezerra da Rocha
Félix Escobar Sobrinho
Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira
Francisco Manoel Chaves
Galdino Jesus dos Santos
Gilberto Olímpio Maria
Guilherme Gomes Lund
Heleni Telles Ferreira Guariba
Helenira Rezende de Souza Nazareth
Hélio Luiz Navarro de Magalhães
Hiran de Lima Pereira
Honestino Monteiro Guimarães
Idalísio Soares Aranha Filho
Ieda Santos Delgado
Isis Dias de Oliveira
Issami Nakamura Okano
Ivan Mota Dias
Jacinto Rodrigues Pataxó Hã-Hã-Hãe
Jaime Petit da Silva
Jana Moroni Barroso
Jayme Amorim Miranda
João Alfredo Dias
João Batista Rita
João Carlos Haas Sobrinho
João Cravim Pataxó Hã-Hã-Hãe
João Gualberto Calatroni
João Leonardo da Silva Rocha
João Massena Melo
Joaquim Pires Cerveira
Joaquinzão
Joel José de Carvalho
Joel Vasconcelos Santos
Jorge Leal Gonçalves Pereira
Jorge Oscar Adur (Padre)
José Humberto Bronca
José de Jesus Silva Pataxó Hã-Hã-Hãe
José Lavechia
José Lima Piauhy Dourado
José Maria Ferreira Araújo
José Maurílio Patrício
José Montenegro de Lima
José Pereira Pataxó Hã-Hã-Hãe
José Porfírio de Souza
José Roman
José Toledo de Oliveira
Kleber Lemos da Silva
Libero Giancarlo Castiglia
Lourival de Moura Paulino
Lúcia Maria de Sousa
Lúcio Petit da Silva
Luís Almeida Araújo
Luís Eurico Tejera Lisboa
Luís Inácio Maranhão Filho
Luiz René Silveira e Silva
Luiz Vieira de Almeida
Luíza Augusta Garlippe
Manuel José Nurchis
Marcos Veron Guarani
Márcio Beck Machado
Marco Antônio Dias Batista
Marcos José de Lima
Maria Augusta Thomaz
Maria Célia Corrêa
Maria Lúcia Petit da Silva
Mariano Joaquim da Silva
Mario Alves de Souza Vieira
Maurício Grabois
Miguel Pereira dos Santos
Nelson de Lima Piauhy Dourado
Nestor Veras
Norberto Armando Habeger
Onofre Pinto
Orlando da Silva Rosa Bonfim Júnior
Orlando Momente
Oziel Gabriel 
Paulo César Botelho Massa
Paulo Costa Ribeiro Bastos
Paulo de Tarso Celestino da Silva
Paulo Mendes Rodrigues
Paulo Roberto Pereira Marques
Paulo Stuart Wright
Pedro Alexandrino de Oliveira Filho
Pedro Carretel
Pedro Inácio de Araújo
Ramires Maranhão do Vale
Rodolfo de Carvalho Troiano
Rosalindo Souza
Rubens Beirodt Paiva
Ruy Carlos Vieira Berbert
Ruy Frazão Soares
Sérgio Landulfo Furtado
Stuart Edgar Angel Jones
Suely Yumiko Kamayana
Telma Regina Cordeiro Corrêa
Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto
Tobias Pereira Júnior
Uirassu de Assis Batista
Umberto Albuquerque Câmara Neto
Vandick Reidner Pereira Coqueiro
Virgílio Gomes da Silva
Vitorino Alves Moitinho
Walquíria Afonso Costa
Wálter de Souza Ribeiro
Wálter Ribeiro Novaes
Wilson Silva

O corpo
também é penetrável.
Bala, eletrochoque,
rato, faca.

O corpo
também é flexível.
Forca, cadeira do dragão,
geladeira, pau-de-arara.

O corpo
também é irrastreável.
Vala comum, deserto,
Oceano Atlântico.

O corpo
também é catalogável.
Arquivos do Exército, 
Marinha, Aeronáutica.


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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Glória nas alturas pelos sebos do Rio de Janeiro! Vejam o que encontrei! Stela do Patrocínio!




Ainda era Rio de Janeiro, Botafogo
Eu me confundi comendo pão
Eu perdi o óculos
Ele ficou com o óculos
Passou a língua no óculos para tratar o óculos com a língua
Ela na vigilância do pão sem poder ter o pão
Essa troca de sabedoria de ideia de esperteza
Dia tarde noite janeiro fevereiro dezembro
Fico pastando no pasto à vontade
Um homem chamado cavalo é o meu nome
O bom pastor dá a vida pelas ovelhas

Stela do Patrocínio, in Reino dos bichos e outros animais é o meu nome (Rio de Janeiro: Azougue, 2001). Organização Viviane Mosé.

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sábado, 28 de setembro de 2013

Jovens poetas europeus: Andriy Lyubka




Andriy Lyubka é um poeta e crítico ucraniano, nascido em 1987. Publicou os livros Oito meses de esquizofrenia (2007), pelo qual recebeu o prêmio destinado em seu país ao melhor livro de estreia do ano, e ainda Terrorismo (2008), a coletânea de contos Killer (2012, já traduzida para o polonês) e sua última coletânea de poemas, 40 Mangos e Uma Gorjeta por Cima (2012). Uma antologia de seus poemas foi traduzida para o alemão e publicada na Áustria, com o título Notaufnahme  (2012).


Seus poemas foram traduzidos para o húngaro, tcheco, polonês, alemão, inglês, russo e português, neste último caso pela renomada poeta ucraniana Vira Vovk, que vive há décadas no Rio de Janeiro, onde vem traduzindo clássicos e contemporâneos da literatura ucraniana, mais recentemente no volume 25 Poetas Ucranianos: Antologia (Rio de Janeiro: Contraste Editora, 2009), do qual foi extraída, com permissão da tradutora e do autor, a tradução abaixo. Andriy Lyubka publicou ainda em revistas como Kiyvska Russ, SHO, Vsesvit e Potyag-76.


 O poeta vive e trabalha em Varsóvia, na Polônia.

--- Ricardo Domeneck

§

POEMA DE ANDRIY LYUBKA

união

o que significa a união dos escritores
é sem falta fazer assinatura
do jornal ucrânia literária
lembrar os bons tempos soviéticos
quando havia moradias gratuitas
deixar crescer bigodes cossacos
uma vez por ano escrever um artigo
sobre a degradação espiritual da nação
em cada ocasião citar a si próprio
levar colegas para tomar um gole
enxaguando-o com um suco de tomate para dois
inflamar-se no jubileu seguinte
conseguir comer o último sanduíche
ou então embrulhá-lo no guardanapo
e meu deus em toda a vida
não escrever nada que preste

(tradução de Vira Vovk)

:

спілка

що  таке  спілка  письменників
це  обов`язково  передплатити
газету  літературна  україна
згадати  про  добрі  радянські  часи
про  безплатні  квартири
відпустити  козацькі  вуса
раз  на  рік  писати  статтю
про  духовну  деградацію  нації
при  кожній  нагоді  цитувати  самого  себе
водити  колег  на  п`ятдесят  грам
запивати  одним  томатним  соком  на  двох
побухати  на  черговому  ювілеї
встигнути  з`їсти  останній  бутерброд
а  якщо  ні  то  завернути  в  серветку
і  о  боже  за  ціле  життя
не  написати  нічого  путнього

§

Andriy Lyubka em entrevista a programa televisivo ucraniano.

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"Meu dengo, você não fala a minha língua" - especial para o Suplemento Pernambuco.



Meu dengo, você não fala a minha língua

Eu já me perguntava às vezes, mesmo antes de morar fora do país, como seria não ser brasileiro. Não me refiro a passaportes. O que eu queria dizer era: como e o que seria não falar português? Mais especificamente, o que significa para um ser humano estar apaixonado e não ouvir e cantar uma canção de Chico Buarque de Hollanda? Não ter aprendido com Cartola que “O mundo é um moinho”? Estar quase a se afogar e não poder recorrer ao bote salva-vidas que é “Cais”, de Milton Nascimento? Não ter se educado sobre as devastações e violências e belezas e feridas e bálsamos e cicatrizes nas relações, em poemas de Manuel Bandeira e Murilo Mendes e Carlos Drummond de Andrade? 

Que outras fontes seriam estas, as que usam? O que causa neles, descer seus baldes e beber destes outros poços? Isso faz deles pessoas essencialmente diferentes de nós? Uma pessoa será diferente ou reagirá de outra maneira, por afogar as mágoas de uma separação numa canção de Violeta Parra, ou de Joni Mitchell, ou de Novella Matveyeva, em vez de jogar-se na fossa com Maysa Matarazzo e Dolores Duran? O quanto somos o que somos por causa daquilo em que a nossa língua se transforma ao encarnar-se em textos de Clarice Lispector e Hilda Hilst, em vez dos que estão nos livros de Marina Tsvetáieva, e de Emily Dickinson, e de Forough Farrokhzād, e de Hayashi Fumiko?

Agora, há mais de uma década na Alemanha, um país onde as pessoas reagem sim a todos estes terremotos de corpos e maremotos de lágrimas de forma muito distinta da nossa, eu tenho certeza que há aí uma diferença que vai além da língua como órgão oficial de memorandos e adendos e decretos e certidões e atestados, mas uma diferença que mora na língua – aquela que une a linguagem a este outro órgão, não oficial, que escondemos na cavidade bucal, logo atrás dos dentes que podem, se erram ou querem, cortar. 

O que acontece com a língua como linguagem, aquela estudada por Jakobson e Saussure e Chomski, quando é cantarolada numa canção por uma língua entre beijos? Porque a minha língua é esta, conhecida como português, mas é ainda a que se fala no interior de São Paulo, e é ainda a que começou com as aliterações de filme de terror do “Nana, nenê, que a Cuca...”, e depois trilhou a Cartilha do Caminho Suave, e aprendeu histórias na Coleção Vagalume, e então cantou Cartola, e Noel Rosa, e Adoniran Barbosa, e Dolores Duran, e Tom Jobim, e Caetano Veloso, e Chico Buarque, e Milton Nascimento, e Luiz Melodia, e Ângela Rô Rô, e embrenhou-se pelas  aliterações políticas de Os Sertões e pelas aliterações místicas de Grande Sertão: Veredas, e já sabia que o amor em geral dura “quinze meses e onze contos de réis” antes de chegar a este outro país, este outro continente, com outras canções, e então começar a enroscar esta língua brasileira na língua estrangeira de Philipp, e de Johannes, e de Michael, e de Jannis.

Agora, há mais de uma década na Alemanha, quando sinto que mesmo o alemão (a língua, não certo cidadão) me pertence e me forma um pouco mais, pelas brigas que tive com namorados nesta língua, pelas coisas que ouvi ao pé do ouvido na cama, nesta língua e vindo dos mesmos namorados, sei que certas diferenças sempre hão-de separar suas bocas dos meus ouvidos, seus ouvidos da minha boca, enquanto nossos cérebros seguem enjaulados em cabeças cobertas de cabelos também de cores diferentes. 

E depois de ser chamado de exagerado, de melodramático, de latinamente descontrolado pela enésima vez, num momento de frustração e raiva, formulei esse texto na minha cabeça brasileira, mas em inglês, para que alemães e outros rapazes estrangeiros entendessem, e o postei na Rede Social:

I cannot sing Cartola in your left ear, because you wouldn´t get it. I cannot quote Vinícius de Moraes in our bedridden conversations, because you wouldn´t understand it. I cannot whisper “funga no meu cangote”, because you would just gape at me. Listen, try to understand, you master this language I am using now, here: you wouldn´t find me crazy or a queen of exageration, if you had learned what two bodies can do in lines like these: “e na secura nossa amar / a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita”. If you knew what “fossa” is. Because you may be in love or verliebt, but you are certainly not apaixonado. So, if you cannot understand the words in the song below, don´t call me. Just don´t call me.

E então postei, com o texto, um vídeo de 1976 em que Chico Buarque e Milton Nascimento interpretavam juntos a canção “O que será (À flor da pele)”, com aquela nossa forma tão brasileira de reagir ao algoz-Eros ou ao capacho-Cupido. Ou passou a ser uma forma tão brasileira por culpa da canção?

E aqui, cercado de corpos sussurrando e gritando em línguas que entendo, mas nem sempre sinto, vou tentando responder em suas línguas, mas com Maysa e Dolores e Rô Rô atrapalhando o morse, porque eles nunca parecem entender por que sigo corando, e sentindo-me atraiçoado, e obrigado a confessar nas mais inconvenientes das horas, sem saber dissimular apesar de Capitu, recusando-me a recusar, suplicando feito mendigo as migalhas, sem medida, sem remédio, sem receita, e eu sei o que é, eu sei o que é, bêbado desacatado e insaciado, doente em plena folia da pista de dança, esquecido dos Dez Mandamentos, e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e da Constituição de 1988, sem pomada de calêndula ou Vick Vaporub ou chá de erva-cidreira, sabendo que não adiantaria cuspir no fio de algodão da fralda e postar-me-lo na testa porque meu soluço não passa, que talvez tenham esquecido de enterrar meu cordão-umbilical bem fundo no quintal e um roedor qualquer o mordeu e digeriu, e eu sei o que é, eu sei o que é, e eu tremo, eu ardo, eu suo, mui luso-brasileiramente, e na hora da aflição medonha e imediata eu não digo “Oh my God”, nem “Oh mein Gott”, eu digo mesmo é “Ai meu Deus”, e se doi eu não digo “oy vey ist mir” ou “ouch, poor me”, eu digo mesmo é “ai” e a este segue outro “ai” e quando estou muito literário vem por fim um “ai de mim”. 

E sei, por fim, que se este texto fosse em alemão, você aí, germânicozinho, mais uma vez reviraria os olhos e me chamaria de “drama queen”.


Ricardo Domeneck
Berlim, 31 de julho de 2013
Publicado no Suplemento Pernambuco em setembro de 2013.


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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Quem poderá fazer aquele amor morrer?


Ai,

por favor

quem

por favor

poderá

por favor

fazer

por favor

aquele

por favor amor

morrer

por favor?






Drão
Gilberto Gil

Drão!
O amor da gente
É como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela noite escura...

Drão!
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora

Drão!
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
Drão!
Drão!

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sábado, 21 de setembro de 2013

Akia - novas faixas / new tracks


Akia feat. Kenny Gold - "Paperwork" (2013).

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Akia - "TimeTime" (2013).




Akia é o nome artístico do produtor alemão Uli Buder, nascido em Hoyerswerda em 1986, vivendo e trabalhando em Berlim desde 2007 após crescer na cidade de Rostock, às margens do Mar Báltico. Foi ali, em Rostock, após notar a dificuldade em encontrar parceiros com os mesmos interesses para uma banda, que começou a produzir suas primeiras composições munido de um sintetizador Korg Electribe EMX 1, trabalhando sozinho, sob a influência inicial de produtores alemães como Console, Apparat e Micronaut. A música eletrônica minimalista contemporânea alemã permaneceria a maior referência em seu trabalho, unida a seu interesse pelo dub.

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

"Momento num café" ou "Ninguém merece esses viados"


___ Ninguém merece esses viados.

___ É verdade.
Nenhum de vocês
merecia Alan Turing,
nenhum de vocês,
merecia Raul Pompeia,
nenhum de vocês
merecia Pier Paolo Pasolini,
nenhum de vocês
merecia Constantino Cavafy,
nenhum de vocês
merecia Gertrude Stein,
nenhum de vocês
merecia Ludwig Wittgenstein,
nenhum de vocês
merecia Xavier Villaurrutia,
nenhum de vocês
merecia Mario Cesariny,
nenhum de vocês
merecia James Baldwin,
nenhum de vocês
merecia Tuulikki Pietilä,
nenhum de vocês
merecia Jack Spicer,
nenhum de vocês
merecia Djuna Barnes,
nenhum de vocês
merecia Lota Macedo Soares,
nenhum de vocês
merecia Bernard-Marie Koltès,
nenhum de vocês
merecia Félix González-Torres,
nenhum de vocês
merecia Berenice Abbott,
nenhum de vocês
merecia Elizabeth Bishop,
nenhum de vocês
merecia Mark Morrisroe,
nenhum de vocês
merecia Gennady Trifonov,
nenhum de vocês
merecia Lúcio Cardoso,
nenhum de vocês
merecia Virginia Woolf,
nenhum de vocês
merecia Meridel Le Sueur,
nenhum de vocês
merecia Paul Cadmus,
nenhum de vocês
merecia Kathy Acker,
nenhum de vocês
merecia Kenneth Anger,
nenhum de vocês
merecia Roland Barthes,
nenhum de vocês
merecia Noël Coward,
nenhum de vocês
merecia Robert Duncan,
nenhum de vocês
merecia Roberto Piva,
nenhum de vocês
merecia Sylvia Beach,
nenhum de vocês
merecia Safo de Lesbos,
nenhum de vocês
merecia Paul Bowels,
nenhum de vocês
merecia Jane Bowels,
nenhum de vocês
merecia Radclyffe Hall,
nenhum de vocês
merecia Al Berto,
nenhum de vocês
merecia Sarah Kane,
nenhum de vocês
merecia Sir Francis Bacon,
nenhum de vocês
merecia Francis Bacon,
nenhum de vocês
merecia Frank O´Hara,
nenhum de vocês
merecia Umberto Saba,
nenhum de vocês
merecia Derek Jarman,
nenhum de vocês
merecia Maurice Sendak,
nenhum de vocês
merecia Nikolai Gogol,
nenhum de vocês
merecia Karin Boye,
nenhum de vocês
merecia Claude Cahun,
nenhum de vocês
merecia Luis Cernuda,
nenhum de vocês
merecia Marsden Hartley,
nenhum de vocês
merecia Mikhail Kuzmin,
nenhum de vocês
merecia Manuel Puig,
nenhum de vocês
merecia Peter Hujar,
nenhum de vocês
merecia Susan Sontag,
nenhum de vocês
merecia John Cage,
nenhum de vocês
merecia Gerard Reve,
nenhum de vocês
merecia Audre Lorde,
nenhum de vocês
merecia Jasper Johns,
nenhum de vocês
merecia Hubert Fichte,
nenhum de vocês
merecia Adrienne Rich,
nenhum de vocês
merecia Irena Klepfisz,
nenhum de vocês
merecia Oscar Wilde,
nenhum de vocês
merecia Thornton Wilder,
nenhum de vocês
merecia Alexander McQueen,
nenhum de vocês
merecia Federico García Lorca,
nenhum de vocês
merecia Néstor Perlongher,
nenhum de vocês
merecia Lorraine Hansberry,
nenhum de vocês
merecia José Lezama Lima,
nenhum de vocês
merecia Herbert Tobias,
nenhum de vocês
merecia Salvador Novo,
nenhum de vocês
merecia Yevgeny Kharitonov,
nenhum de vocês
merecia Langston Hughes,
nenhum de vocês
merecia Severo Sarduy,
nenhum de vocês
merecia William Burroughs,
nenhum de vocês
merecia José Leonilson,
nenhum de vocês
merecia Tove Jansson,
nenhum de vocês
merecia W. H. Auden,
nenhum de vocês
merecia F. W. Murnau,
nenhum de vocês
merecia Muriel Rukeyser,
nenhum de vocês
merecia Virgilio Piñera,
nenhum de vocês
merecia H.D.,
nenhum de vocês
merecia Copi,
nenhum
merecia vocês,
ninguém
merece esses viados.

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domingo, 8 de setembro de 2013

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