segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

CONVERSA SOBRE ENSAÍSMO (parte 3)


Comecei nas redes sociais uma conversa sobre o "ensaio" como gênero independente, insinuando minha impressão de que não o praticamos da mesma forma aberta e por vezes híbrida como, por exemplo, os norte-americanos. Vários colegas comentaram, dando exemplos de trabalhos que poderiam ser discutidos nesta conversa:

* os ensaios biográficos de Paulo Leminski (mencionado por Ricardo Corona); 

* o "jornalismo literário" de Antonio Callado em 'Esqueleto na Lagoa Verde' (mencionado por Matheus de Souza Almeida); 

* os ensaios de Lélia Gonzalez (mencionada por Matheus Marçal); 

* a própria discussão sobre o ensaio feita por Antonio Candido (mencionado por Celia Pedrosa) ou os trabalhos de Candido e de Gilberto Freyre (mencionados por Marcia Denser); 

* os artigos de Carlos Drummond de Andrade em 'Passeios na Ilha' e 'Confissões de Minas' (mencionados por Marcelo Ferreira de Oliveira);

* a discussão de Luis Augusto Fisher sobre os textos de Nelson Rodrigues que, como disse Eduardo Sterzi (que mencionou o livro), possuem uma densidade que os afastam da crônica para se aproximarem do ensaio;

* os textos de Jessé de Souza, José Guilherme Merquior e Glauber Rocha foram mencionados por Bruno Gaudêncio;

* os textos de 'Ó', do Nuno Ramos, foram mencionados por Eduardo Sterzi e por Paulo Caetano, que também mencionou José Paulo Paes;

* Roberto Schwaz e Paulo Arantes foram mencionados por José Rodrigo Rodriguez;

* os textos de Waly Salomão em 'Armarinho de Miudezas' e os de Caetano Veloso em 'Alegria, Alegria' foram mencionados por Diogo Cardoso.

* por fim, creio, houve a menção a Antonio Risério por Reuben da Rocha;

Continuo pensando nisso, por ter um interesse gigante pelo gênero, tal como ele é praticado em certos lugares. Marco Catalão argumentou que talvez se trate de uma questão de denominação. Como disse em meu texto inicial, é possível que estejamos nesta conversa em meio a nossas idiossincrasias catalográficas.

Insinuei também naquele texto que talvez chamemos de "artigo" o que os americanos chamam de "ensaio". Alguns argumentaram que seria a "crônica". Mas não pode ser apenas uma questão de fronteiras entre gêneros. Será?

Minha impressão, para seguir com a conversa, é que o "ensaio" jamais se estabeleceu entre nós justamente como "gênero independente". O ensaio, entre nós, parece ser um gênero a-serviço-de. Há o ensaio literário, o ensaio antropológico, o ensaio sociológico, o ensaio biográfico. Mas não há o ensaio-em-si. Livre, híbrido. Será isso? Uma hipótese. As fronteiras bem demarcadas entre gêneros? Estas terras a gente demarca...

Mas aqui toco em outra questão sobre a qual venho refletindo em relação à literatura brasileira, moderna ou contemporânea. Lá vai: nosso aparente horror crítico ao híbrido. Àquilo que não se encaixa perfeitamente na fórmula. Muito tinta crítica idiota já foi gasta por nossas confusões diante do híbrido literário. Alguns exemplos de hibridismo podem ser encontrados especialmente na minha geração, e especialmente entre mulheres: Veronica Stigger, Marília Garcia, Érica Zíngano. A nova geração, com a exceção talvez de Reuben da Rocha, parece ter voltado ao bem-comportadismo dos gêneros bem delineados. Não que não estejam produzindo algumas coisas lindíssimas dentro dos gêneros reconhecíveis. Perdoem: não seria eu se eu não fizesse uma provocaçãozinha. E dizem que é sempre bom ser-se a si mesmo, a não ser que se possa ser um unicórnio. Aí é melhor ser um unicórnio. Mas unicórnios são híbridos e já disse ter a impressão de que temos um certo horror-asco crítico ao híbrido. Talvez por isso certa defasagem ensaística de liberdade? Poderíamos parir ao menos mais ornitorrincos.

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A parte 2 era só um murmúrio meu, dizendo que sinto muita falta da crítica impressionista.

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domingo, 25 de fevereiro de 2018

CONVERSA SOBRE ENSAÍSMO (parte 1)


Uma pergunta aos colegas brasileiros. Eu estaria certo em afirmar que o gênero “ensaio” é praticado de forma bastante específica entre nós? De uma forma que talvez se atenha demais ao gênero acadêmico-expositivo? Ou a maneira bastante livre com que os estadunidenses, por exemplo, praticam o “ensaio” esteja mais próxima do que nós chamamos de “artigos” e “memórias”?

Quais são os seus livros de ensaios preferidos no Brasil, que não sejam ensaios sobre escritores no seu caráter mais acadêmico? (Não uso “acadêmico” de forma pejorativa). Ensaio em seu caráter mais... digamos... ora, montaigneano.

Penso aqui naquela prática bastante livre e fluida de autores tão diversos quanto Walter Benjamin (‘Infância berlinense por volta de 1900’), Roman Jakobson (‘A geração que desperdiçou seus poetas’) e Joseph Brodsky (‘On Grief and Reason’), e entre os estadunidenses: James Baldwin (‘The Devil Finds Work’), Susan Sontag (‘Illness as Metaphor’), Joan Didion (‘Slouching Towards Bethlehem’), William H. Gass (‘On Being Blue’). Recentemente: Mary Ruefle (‘Madness, Rack and Honey), Ta-Nehisi Coates (‘Between the World and Me’), Rebecca Solnit (‘A Field Guide to Getting Lost’), David Foster Wallace (‘A Supposedly Fun Thing I’ll Never Do Again’). Etc.

Em língua inglesa, o gênero teve uma explosão criativa no pós-guerra. É uma das coisas que mais amo em literatura. O prazer de observar um escritor ou escritora em liberdade, simplesmente pensando e discorrendo sobre coisas que muitas vezes nada têm a ver com literatura. É impressão minha, ou praticamos menos ou de outra maneira a liberdade do ensaio? Refiro-me ao ensaio como literatura em si e não como artigo, por mais brilhante que seja, sobre literatura. Temos grandes jornalistas, memorialistas, críticos literários. É apenas uma questão de idiossincrasias de catalogação?

Há livros que se tornaram clássicos, como ‘Itinerário de Pasárgada’, de Manuel Bandeira, ou ‘Idade do Serrote’, de Murilo Mendes, e que poderiam ser talvez enquadrados aqui nesta conversa. Mas tenho a impressão de que há uma especificidade (que considero negativa) no caso brasileiro.

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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Flor da república dos fungos

Este poema surgiu durante a leitura de Hope in the Dark, de Rebecca Solnit. Na introdução, ela cria uma imagem belíssima a partir das estratégias dos fungos e seus cogumelos: 

"Mushroomed: after a rain mushrooms appear on the surface of the earth as if from nowhere. Many do so from a sometimes vast underground fungus that remains invisible and largely unknown. What we call mushrooms mycologists call the fruiting body of the larger, less visible fungus. Uprisings and revolutions are often considered to be spontaneous, but less visible long-term organizing and groundwork— or underground work—often laid the foundation. Changes in ideas and values also result from work done by writers, scholars, public intellectuals, social activists, and participants in social media. It seems insignificant or peripheral until very different outcomes emerge from transformed assumptions about who and what matters, who should be heard and believed, who has rights."

Vai dedicado ao amigo e pintor irlandês Jim Scully por nossas conversas nas últimas semanas, nas quais a palavra "república" aparece com frequência por várias razões, seja para falar de Irlanda ou do Brasil, como de Berlim e de nossos amigos.




Flor da república dos fungos

              a Jim Scully


Vejo homens e mulheres
nesse continente
caçando pelas florestas
o que cresce visível
e bojudo sobre a terra,

o corpo frutificante dos fungos
que se ramificam
feito repúblicas

invisíveis, subterrâneas, quietas

por longos períodos

à espera dos aguaceiros

edificadores de sua estipe

e guarda-chuva, e nós também

assim como outras espécies

fundamos nossas colônias,

mas sobre a terra
e ainda que com formigas
e abelhas já estejamos
competindo pelo subsolo
e pelos ares,

esperamos por anos

que algo floresça,

chegamos a pedir que flores

feias furem o asfalto,
ora que antes emerja

um cogumelo,
azul e leitoso

desabroche e desabotoe-se

sob a abóboda
também azul — imenso porta-sol

desse píleo convexo

sobre nossas cabeças —

e ao lado de abóboras
venha nutrir o estômago
vazio mas vivo de Lázaro,

esse irmão,
como um Cristo

antes Filho do Homem

do que Filho de Deus,

porque se de preto
seguimos pelas calçadas
da República,

é tanto por um luto constante

quanto para absorver

ao máximo a luz

que é o calor

do sol ao qual respondemos

mantendo também constante

nosso calor próprio.


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Berlim, 17/18 de fevereiro de 2018


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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Texto em que o poeta medita sobre os custos da beleza do menino-garçom do outro lado do balcão no Café La Pompe em Bruxelas



Teus olhos puxados de gato
e o nariz curvado de águia
escancaram desmascaram
a teia
de heranças que compartilhas
com felinos e aves
em nossos genes que sabem
modelar urdir fabricar tecer
nossas roupas feitas
de pelos penas escamas
mas que seguem
a planta arquitetônica
a técnica de alfaiataria
o manual de instruções
escrito em meio a catástrofes
as climáticas as vulcânicas
as meteóricas as viróticas
que extinguiram uns felinos
e levaram outras aves
a se lançarem às águas
ai a estratégia dos pinguins!
e fizeram de guaxinins
golfinhos
e de certos dinossauros
galinhas
e pergunto que fuzarca
genocida homosapiense
terá doado a ti
menino-garçom
estes olhos felinos
este nariz aquilino
ora que mulheres pagaram
com o útero pelas invasões
sucessivas nesse continente
que hímens rasgados à força
custearam
tuas formas texturas e cores
garçom-menino
é cara a beleza
custa sim caro
a beleza herdada
por tantas violências
as expansionistas
as emancipatórias
sem notas de rodapé
nos livros de história
eu me pergunto
aqui em Bruxelas
Capital da Desunião
que gauleses e romanos
hoje esquecidos
que francos e normandos
hoje escondidos
nesses olhos e nariz
espiam-me espiar-te
resta-me só esta
excitação ovulante:
compartilhar a luz
com tuas pupilas
compartilhar o oxigênio
com tuas narinas
mesmo que o gás carbônico
que produzo
seja rejeitado
pelos teus pulmões
assim visitamo-nos
um ao outro
assim entramos
um no outro
assim contribuímos
com essa teia
que os dois coabitamos
com gatos e águias
e as outras cobaias
felinamente aquilinos
aquilinamente felinos

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Leite



Já não adianta
chorar pelo leite
mamado, querido,
seu cálcio
está agora nos ossos
que suportam
a geringonça
pelas calçadas.
Cheguei a esta idade
em que se tira o suéter
e dobra-se-o diligente
para agasalhar
a gaveta. Deixar
em ordem as reações
passíveis e possíveis
ao clima desordenado
contra o meu armário
de órgãos falíveis.
Que se dissolva
este calor
que foi da sol,
coletado por plantas,
então de herbívoros
e a mim chegou-me,
dádiva de empréstimo.
Tomo
a água e aguo
o copo.
Cozo a couve
e lavo a louça.
A casa está agora
limpa sempre
caso chegue, hóspede.
O desejado. O indesejado.
Puídos estão os lençóis
mas sem sinais de infecções.
Ainda que seja chegado
esse tempo, essa idade,
esse clima imprevisível
em que tão bem se sabe
que ao deus-dará
jamais foi ou será
promessa de holerite
em dia fixo do mês.

§

Berlim, 24 de dezembro de 2017
(ou o Ano de Nossa Senhora da Catástrofe 517)

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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Pricísu tidizê

apesar de tudo
e todos a pesar
apesar de nada
peso o abusar
ai meu zizus

essa coisa
esse trem
brasileiroa
falaresse
iorubantuportujês
ser-se o cerceio
di-si-i-d'ôtro
qui desgraça
qui delícia
entre bigatos
e os caquis
ai desdiliça
ui deligraça
nascer aquiaí
é-se
filhadaputice
duma disgrama
de azedoce

§

No Ano de Nossa Senhora da Catástrofe 517,
Berlim, 20 de dezembro.

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Trapezista bambo sobre a rede social dos silêncios de um menino

(desenho de Leonilson)


Trapezista bambo sobre a rede social dos silêncios de um menino

Faço diligente meus autorretratos
e espero que ele erga o polegar
em público, qual um césar decida
que eu posso viver um dia a mais
na arena em que nos digladiamos.
Ao fim do mês, tabelo e analiso
a informação dos seus gostos
e desgostos, estes últimos
interpretados de seu silêncio
que é, em si, o meu desgosto:
ele não gosta deste cabelo,
ele não gosta desta pose,
ele não gosta deste rosto,
mas ele gosta deste casaco!
Talvez um dia ele desça o polegar
e gládios de estranhos
me trespassem
e não afinal a sua glande,
ou abandone de todo estes sinais
mudos, esta fumaça sem fogo,
estes pombos-correios casmurros.
Mas quem sabe, ai loteria!, ele           
até mesmo, apesar de tão jovem,
seja ensinado que o telefone
foi inventado para hábitos antigos,
conversas! imaginem! ouvir vozes!
Quando então leve ao bucal a boca,
eu saberei como pentear o cabelo,
que pose não assumir no corpo,
que rostos esconder no rosto.
E estará limpo aquele casaco.


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(No Ano de Nossa Senhora da Catástrofe 517)

Berlim, 23 de novembro de 2017.

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Poema ao saber da morte de Vincent Warren

Vincent Warren & Frank O'Hara em Nova Iorque em 1960. A paixão
de Frank O'Hara pelo dançarino canadense, que ele conhece em 1959, é apontada
por críticos e biógrafos como um dos fatores que levariam a seu annus mirabilis (1959),
quando O'Hara escreveu grande parte dos poemas que o tornaram famoso,
incluindo vários dedicados a Warren, como "Having a coke with you", "Steps"
e "You are gorgeous and I'm coming". Vincent Warren faleceu a 25 de outubro deste ano.



POEMA AO SABER DA MORTE DE VINCENT WARREN
ou Texto em que o poeta lembra-se de que morrem também aqueles que ele canta

Os cafés esfriam e acabam!
As manhãs acabam e esfriam!
Deveriam ser estas as manchetes
dos jornais de amanhã, querido,
não mais guerras e golpes, não,
quando estarão enfim extintos
estes assuntos e não nosso açúcar,
nosso pó de café e nossos cigarros,
pois há tanta coisa mais importante
por discutirmos e ajeitarmos.
Calafriam-se os cafés-da-manhã!
Emboloram-se os pães de nosso açúcar!
Todos, Moço. Dessarte haveria
o mundo ou eu
- preferira que fosse eu e o mundo -
de anunciar a você a morte
de Vincent Warren
para os seus bocejos,
não de tédio e sussurros
de quem? quem?,
mas de sono em minha cama,
ainda em minha cama!
enquanto releríamos
tristes os poemas alegres
daquele Frank O'Hara,
escrito para o seu moço
pessoal, privado, intransferível,
ambos agora mortos, finados
o cantor e o cantado, mas não
a canção! nem nós! aqui vivos
numa cidade reerguida de escombros,
nessa alegria sempre temporária
dos cafés, dos açúcares, dos cigarros
e das sempre tão poucas moedas
nos bolsos de nossas calças
que escondem nossa pobreza e riqueza.
Nem por isso é menos alegria a alegria.
E então prepararíamos forte o café
e acenderíamos todos os cigarros
e açucararíamos tudo que pede açúcar
pois é nossa a goela e é nosso o bucho
e neles enfiamos o que nos apraz
em nossa ciranda de prazer e morte
e a sorte grande dos que morrem primeiro
e a sorte maior dos que morrem juntos.


                            — Berlim, 13 de novembro de 2017


§

oh god it’s wonderful
to get out of bed
and drink too much coffee
and smoke too many cigarettes 
and love you so much

—Frank O’Hara (versos finais de “Steps”, poema para Vincent Warren).

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sábado, 30 de setembro de 2017

Ao cu do cupido


muitas vezes pensei ser pena
que tal ilustre sociopata o cupido
em voo não seja um ícaro
em pouso não seja um joelma
não são inflamáveis suas asas de codorna?
são sempre apenas sublunares seus voos?
como jurei mil-mil vezes que o depenaria
com as próprias mãos e faria um pirão
desta galinha choca metida a anjo
mas no fim quando ele se aprochega
feito um pardal esfomeado
o idiota aqui esgoela de novo
MIRA NI MIM
MIRA NI MIM

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

O duplo


Escrevi este poeminha esta madrugada. Não sei se o coloco no livro novo ou peço aos leitores que compraram a edição de Cigarros na cama que o copiem de próprio punho em alguma página em branco do livro.



Ninguém acredita todos me olham
como se eu estivesse louco
quando afirmo que você foi sequestrado
por alienígenas
e é agora mantido contra sua vontade
longe de mim longe do planeta
que costumávamos habitar juntos
todas aquelas suas leituras
Stanislaw Lem Philip K. Dick irmãos Strugatsky
eram proféticas seu manual de sobrevivência
como hei de resgatá-lo? como hei-de salvá-lo?
perscruto as estrelas noite a noite
uso aplicativos sinais de rádio e fumaça
ergo o indicador que não brilha como naquele filme
e sussurro ET BRING HIM HOME
todos os objetos voadores
são agora identificáveis
talvez você talvez você
e este agora pelas ruas do planeta
com seu corpo sua voz seu jeito de andar
ninguém acredita todos dizem louco! louco!
quando nego enfático não é ele não é ele
é um replicante um androide um body snatcher
as provas só eu sei muito bem
comprovo empiricamente a cada encontro
desde seu sequestro numa noite qualquer
quando você foi substituído por este outro
com seu corpo sua voz seu jeito de andar
a prova a prova ora que prova
olhem como ele me olha
e me trata como a um estranho
não me reconhece
não me reconhece

§


(No Ano de Nossa Senhora da Catástrofe 517)

Berlim, 8 de agosto de 2017.



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