quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Última pessoa do singular

.
.

a transitividade dos ciúmes
muda de língua em língua

e me confunde como objeto
sem júri nesta sentença

ou juiz de sujeito oculto
se uso "dele" o possessivo

em pronomes do próprio
do comum e exponho

o cúmulo dos ciúmes sem
saber se "dele" é a ameaça

ou recompensa na cidade
sitiada do corvo e fígado

feitos à nossa margem
e semi-aliança.



§§§

"The Rip", Portishead:




"The Rip" covered by Thom Yorke and Johnny Greenwood of Radiohead:

2 comentários:

  1. mais que
    uma língua
    secreta um
    destino
    um acaso que
    toda negligência
    deliberada

    mais que
    uma grosseria
    de léguas,
    vocabulários de
    pesar
    das milhares
    de aparências
    no microcosmo
    de pensares

    mais
    entendimento da
    treva entre
    o ser faminto
    e o pedaço
    de carne


    Ps. Ricardo aprecio muito seus poemas; vc tem publicado eles com frequência em algum outro blog, ou vc tá guardando mesmo??

    grande abrç

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  2. Marechal Carleto,

    eu realmente não publico poemas com freqüência no blog, este saiu quase escapulido, por necessidade, nasceu já ali direto na tela do computador. Quando me pedem, mando para alguma revista ou eles esperam para saírem em formato de livro ou em voz alta nalguma leitura pública. Meu terceiro livro, chamado "Sons: Arranjo: Garganta", deve sair ainda este ano.

    Há poemas muito bons em seu blog, vou visitar outras vezes.

    Abraços do R.

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