Sim, parece ser produtivo. É. Como já disse Ron Silliman: "poetry is community", e há uma diferença gigantesca entre comunidade e máfia. Poeta aprende rápido a viver, sabe que lenda é para depois. Entre os que se liam uns aos outros e os que trocavam outros fluidos além de tinta, algumas das histórias mais divertidas e influentes da poesia do século passado foram concebidas entre amigos. Poesia e coterie andam de mãos dadas há muito tempo. Precisamos pensar sobre a poesia, sua produção e recepção sem delírios imperiais. Pensar, talvez, até mesmo no que há de certo e errado em ter alguns poucos leitores e dedicar-se a eles. Sem delírios totalitários. Engraçado imaginar que a era digital esteja talvez quebrando as ilusoes de totalidade dos séculos XVIII e XIX, como o cargo ridiculamente provinciano do "poeta nacional", o único coroável, adorável, salve, salve. "Era no tempo do rei" ou "Era no tempo de Bandeira/Drummond/Cabral" são intercambiáveis (eu teria votado em Murilo Mendes, de qualquer forma) para os historiadores das hegemonias literárias e os poetas que anseiam por láureas e cargos em secretarias de educação e cultura de governos municipais estaduais federais. Eu prefiro viver agora com alguns companheiros. Há, sim, comunidades de poetas em atividade hoje. A lenda é para depois.
Abaixo, algumas comunidades de poetas, pequenas coteries (sem os seus poucos fiéis primeiros leitores) que mais tarde se tornariam história totalitária.
























impressionante todas essas fotos juntas.
ResponderExcluirmuito obrigada.