As canções como álibis para meus excessos
Ricardo Domeneck
A culpa não
é minha, querido. O mau
exemplo foi de Maysa,
quase lançando-se, Brasília
azul e tudo, da Rio
-Niterói abaixo. Por isso,
esta minha falta
de pose,
esta minha recusa
a respeitar mãos
únicas, a gravidade.
Tenho meus álibis, moço.
Que esperava, se Ângela
Rô Rô
tampouco me ensinou
a aceitar o horror
do copo só, testa
contra o balcão, prática
da primeira pessoa
do singular.
Que você atire
a primeira
pedra, Dolores
Duran. Curta
é sempre a vida,
quando se habita
a letra
da fossa, ou se fala
com a língua no oco
a língua do sim.
Carpe diem,
diziam os árcades,
hoje nem reconhecíveis
por suas arcadas
dentárias.
Prefiro carpir ou cuspir
meus dentes
a deixar de chocá-los
com os seus.
Moço, quisera fôssemos
como dois corpos
de água,
a que basta
um toque
para que se tornem
o único e o mesmo.
Você gargalha
enquanto pesquiso
em sua glote
o dicionário
do riso
e eu aguardo sua voz
para guardá-la num cofre
forte como uma noz.
Berlim, agosto de 2010.
Dedicado obviamente a ele, O Moço.
(mas também à amiga Adelaide Ivánova,
que é, como eu, experta em excessos)
.
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Prefiro carpir ou cuspir
ResponderExcluirmeus dentes
a deixar de chocá-los
com os seus.
...
Olá,
ResponderExcluirsei que gosta de Dada/dadaismo.
Dá uma olhada neste blog, tem um acervo bacana de trabalhos:
http://fuckyeahmanray.tumblr.com/page/3
Vinicius.
Obrigado, Vinícius.
ResponderExcluirabraço
Ricardo