Mataron a un pibe por la espalda en Bariloche Mataron a un pibe por la espalda en Bariloche Mataron a un pibe por la espalda en Bariloche Que se llamaba Diego Bonnefoi Que se llamaba Diego Bonnefoi Que se llamaba Diego Bonnefoi Pero la vida sigue igual Pero la vida sigue igual Pero la vida sigue igual Te compraste zapatillas nuevas Te compraste zapatillas nuevas Te compraste zapatillas nuevas Ese es un hecho de la realidad Ese es un hecho de la realidad Ese es un hecho de la realidad A lo mejor algún día A lo mejor algún día A lo mejor algún día Diego Bonnefoi vuelva en formato de música electrónica Diego Bonnefoi vuelva en formato de música electrónica Diego Bonnefoi vuelva en formato de música electrónica Y en las pistas en sótanos de todo el mundo Y en las pistas en sótanos de todo el mundo Y en las pistas en sótanos de todo el mundo Los pibes levantamos las manos Los pibes levantamos las manos Los pibes levantamos las manos Los que tomaron éxtasis Los que tomaron éxtasis Los que tomaron éxtasis Que levanten las manos Que levanten las manos Que levanten las manos En memoria de Diego Bonnefoi En memoria de Diego Bonnefoi En memoria de Diego Bonnefoi En tributo a su espalda En tributo a su espalda En tributo a su espalda Por eso también bailamos Por eso también bailamos Por eso también bailamos Y en todo el mundo hay un montón de pibes Y en todo el mundo hay un montón de pibes Y en todo el mundo hay un montón de pibes Que no bailan para salir en la foto Que no bailan para salir en la foto Que no bailan para salir en la foto Bailan para que mañana Bailan para que mañana Bailan para que mañana A la mañana salga el sol radiante A la mañana salga el sol radiante A la mañana salga el sol radiante Si es posible y si eso no es posible Si es posible y si eso no es posible Si es posible y si eso no es posible Que no haya en este mundo Que no haya en este mundo Que no haya en este mundo Nunca más Nunca más Nunca más Cosas imposibles Cosas imposibles Cosas imposibles Que no haya en este mundo Que no haya en este mundo Que no haya en este mundo Y que no haya en ese mundo Y que no haya en ese mundo Y que no haya en ese mundo Nunca más una cordillera Nunca más una cordillera Nunca más una cordillera De Los Andes que sólo haya De Los Andes que sólo haya De Los Andes que sólo haya Hechos de la realidad Hechos de la realidad Hechos de la realidad Sucedidos unos atrás de otros Sucedidos unos atrás de otros Sucedidos unos atrás de otros Y la espalda de Diego Bonnefoi Y la espalda de Diego Bonnefoi Y la espalda de Diego Bonnefoi Esté ahora también Esté ahora también Esté ahora también Corriendo a la intemperie Corriendo a la intemperie Corriendo a la intemperie Bajo este sol radiante Bajo este sol radiante Bajo este sol radiante Flores en la ladera de la primavera Flores en la ladera de la primavera Flores en la ladera de la primavera
Mariano Blatt (Buenos Aires, 1983), in Hielo Locura seguido de Increíble (Buenos Aires, Ediciones Stanton, 2011)
NOTA: Antes de reproduzir aqui meu artigo sobre a poesia do argentino Mariano Blatt, publicado na Modo de Usar & Co., assim como minhas traduções para sete poemas seus, pareceu-me necessário fazer uma pequena advertência, para impedir aquelas usuais ofensas desnecessárias. Não sei se o problema que gostaria de evitar se estende a muitos outros países, mas sei que no Brasil, com sua frequente obsessão pela eleição de um único e idolatrado "Grande Poeta Nacional", ele se torna algo eminente. Pois por vezes basta que se elogie ou discuta um poeta, para que alguns espíritos acreditem que se está a preconizar aquelas características ou estilo como ÚNICO ou MELHOR, como se cada crítica não passasse de um formulário de admissão no CÂNONE, esta coisa que mais nos atrapalha que ajuda (em minha opinião). Na verdade, faz algum tempo que ando querendo escrever sobre estes dois conceitos complicadíssimos e escorregadios, o de cânone (que vem do vocabulário religioso) e o de vanguarda (que vem do vocabulário militar), mas este não será o espaço para isso. A característica da poesia de Mariano Blatt que me parece uma alegria seria muito saudável se considerada com mais calma por muitos poetas brasileiros, mas não estou tentando insinuar que todos devessem escrever assim. Eu próprio, na gigantesca maioria de meus poemas (como vocês verão ao lerem os poemas de Blatt), estou longinquamente distante de possuir sequer sombra deste candor que identifico nele. Há hoje no Brasil muitos poetas em atividade que aprecio muito, alguns deles incrivelmente diferentes entre si. Poderia mencionar aqui, a mero título de exemplo, Angélica Freitas e Érico Nogueira, passando pelos trabalhos de Juliana Krapp ou Dirceu Villa; mas não se trata de canonização, mas da coisa feliz que é aquilo que Gertrude Stein chamava de (algo assim como) "alegria de possuir contemporâneos", ou de que "nossos contemporâneos sejam realmente nossos contemporâneos". Assim dito, eis que:
Os poemas de Mariano Blatt e seu candor saudável
Mariano Blatt nasceu em Buenos Aires, em 1983. Além de textos esparsos editados em revistas e plaquetas, publicou a coletânea Increíble (2007), sua estreia, seguida de Pibe de Oro (2009). Com Damián Ríos, Mariano Blatt fundou em 2006 a pequena editora Recursos Editoriales. O poeta vive e trabalha em Buenos Aires.
Diga a meu avô
diga a meu avô que os nazistas partiram mas diga-lhe também que agora explodem bombas longínquas e caem nos campos loiros entre os milhos. diga-lhe que os vermelhos abandonaram a cidade e ningué crê que hão de voltar. em suma diga-lhe que o zoológico está vazio ou pergunte-lhe se se lembra da angústia do espaço reduzido.
Mariano Blatt, tradução de Ricardo Domeneck
Dile a mi abuelo : dile a mi abuelo / que los nazis se han retirado / pero dile también / que estallan ahora bombas lejanas / y caen en los campos / rubios entre el maíz. / dile que los rojos / abandonaron la ciudad / y nadie creé / que vayan a volver. / a lo sumo dile / que el zoológico está vacío / o pregúntale si aun recuerda / la angustia del espacio reducido.
Em sua aparente simplicidade, marcada pela escrita como notação da língua falada, Mariano Blatt compõe seus poemas com várias técnicas e figuras ligadas à poética oral, como a paranomásia, a onomatopeia, e aquilo que já foi chamado de enumeração caótica como característica marcante de certa poesia moderna, além do uso da prosopopeia, e de uma espécie de anáfora intermitente, recorrendo a repetições de versos que se espraiam pelo texto, gerando sua carga poética a partir de certo deslocamento do coloquial, mesclando registros. Muito disso poderíamos remontar ao trabalho de bardos celtas medievais como Taliesin, e dos praticantes da chamada Spruchdichtung germânica, também medieval. Entre os poetas contemporâneos que tenho lido, Blatt é certamente um dos autores mais diretos em sua enduring emotion, parafraseando Pound, que se sustém de maneira tão firme, e é o menos livresco dos poetas em atividade na América Latina, especialmente em tempos de hipertrofia do uso da chamada intertextualidade e certo abuso no saque da autoridade poética alheia em nome do uso de referências literárias. É aqui que eu gostaria de discutir a característica de sua poesia que mais me alegra.
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Ser a raiva do dobermann
ser a raiva do dobermann que busca com seu focinho a presa fácil esconderijo porque nos sabemos sem perfume. (ou ser a evidência destas mudanças de sensibilidade ao largo da história).
Mariano Blatt, tradução de Ricardo Domeneck
Ser la rabia del dóberman: ser la rabia del dóberman / que busca con su hocico la presa / fácil esconderse porque uno se sabe / falto de perfume. (o ser la evidencia / de estos cambios de sensibilidad / a lo largo de la historia).
Pensei algum tempo em como poderia nomear ou tentar conceituar esta característica da poesia de Blatt, e a palavra que constantemente voltava à minha cabeça era candor. No entanto, eu sabia que para certa sensibilidade contemporânea, algo cínica, isso poderia ser facilmente mal-interpretado. É por isso que tentarei me esforçar um pouco para explicar o que quero dizer com este candor poético que afirmo alegrar-me muito ao ler os textos deste jovem poeta, uma característica que me parece tão saudável e exemplar. Aqui, gostaria de mencionar certa passagem do clássico de Alexis de Tocqueville, Democracia na América (1835/1840), muito discutida por críticos literários norte-americanos. Discutindo as possibilidades críticas da poesia no “Novo Mundo”, Tocqueville escreveu: “Entre povos democráticos, a poesia não será alimentada por lendas ou os monumentos de velhas tradições. Faltam-lhes todos estes recursos; mas permanece o Homem, e o poeta de nada mais precisa. Os destinos da humanidade, o próprio homem extirpado de seu país e de sua época e de pé na presença da Natureza e de Deus, com suas paixões, suas dúvidas, seus raros sucessos e sua miséria inconcebível, estes se tornarão o principal, se não o único tema da poesia entre estas nações.”
Os textos de Mariano Blatt nascem exclusivamente de sua vivência, compostos então com todas as técnicas disponibilizadas pela tradição oral, mas mantendo um frescor invejável que só se obtém ao saber caminhar na corda-bamba que é a fronteira entre o falado e o escrito, entre o que eu ousaria chamar de artifícios da fala dita natural e a natureza poética dos artifícios literários. É poesia de uma linhagem que já chamei de pós-bárdica, de uma poética que anseia pelo oral e submete-se ao escrito como registro digno de sua origem, de uma nova Spruchdichtung, ou, como quer Chacal, de uma poesia falada, talvez. Não há nem sombra da tentativa de saquear a “autoridade” poética de nomes consagrados pela emulação ou citação. É a sensibilidade do poeta que legitima sua escrita, não a tentativa de enquadrar-se em qualquer linhagem da tradição. É poesia que nasce de uma experiência corporal, e que melhor manifesta-se quando também corpORALIZADA, para usarmos a expressão de Ricardo Aleixo. É poesia, portanto, que busca o teso, feita para gargantas eretas. O que não quer dizer que sua poesia seja órfã ou desligada da tradição. Em sua sensibilidade contemporânea, liga-se, eu ouso dizer, à poesia telúrica de Catulo, em seu borrar da linha entre arte e vida, referindo-se por nome a seus amigos, seus/suas amantes, fincada no existir em uma cidade específica, Roma, com sua política e vadiagem. Mas sabemos que Catulo estava trabalhando dentro das formas preditas pela poesia clássica, a de Safo especialmente, e da cultura helenística de poetas como Calímaco. A poesia de Mariano Blatt, em sua insistência por uma escrita oralizável, se assemelha mais aos poetas medievais que trabalhavam dentro de formas dadas pela tradição oral, como por exemplo da poesia árabe, e de tradições locais, como a dos bardos celtas dos séculos V ao IX, os já mencionados Taliesin e Aneirin entre os mais famosos; poetas germânicos ligados à Spruchdichtung, como Spervogel (floruit circa 1170), distintos da tradição do Minnesang, e que tem marcas que creio ver sobreviver até poetas como Bertolt Brecht (1898 – 1956), passando por Heinrich Heine (1797 – 1856) --- a coincidência entre as datas de nascimento e morte marcando apenas mais uma das grandes semelhanças entre estes dois poetas; e chegando ao século XX ainda em poetas como o francês Pierre Albert-Birot, e os autores norte-americanos da chamada Escola de Nova Iorque, como Frank O´Hara e John Ashbery, sem mencionar poetas como Allen Ginsberg e Gregory Corso. Não é uma prática tão comum no Brasil. Poetas como Manuel Bandeira, entre os modernistas, e Angélica Freitas entre os contemporâneos, têm uma carga poética muito mais agridoce, digamos, distinta da sensibilidade francamente celebratória de Mariano Blatt, sempre propenso à ode, como Frank O`Hara antes dele. Um poema maravilhoso como "Cântico dos cânticos para flauta e violão" (1945), de Oswald de Andrade, seria o melhor exemplo desta sensibilidade no Brasil. Dito tudo isso, é hora de deixá-los com os poemas saudáveis, no melhor sentido da expressão, de Mariano Blatt.
--- Ricardo Domeneck
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NOTA: O tradutor agradece a André Costa pela revisão das traduções, com várias correções e sugestões.
POEMAS DE MARIANO BLATT
Aqui está tudo bem
aqui está tudo bem quando termine o inverno e a primavera chegue logo mas depois do vinte-e-um e as saudações já abertos os presentes se os houver então antes do verão quero que a gente se vá do campo quero as tardes procurando a possibilidade nossas mentes espairecidas e chamar a isso de saúde que de manhã faça frio e tardemos nossa partida sob os lençóis entre jogos especifiquemos quem há de preparar o café ou evitemos falar de como a vida de um na vida do outro aos domingos o rádio informe os resultados, que você durma e eu perca os olhares mesmo atento siga a mudança de intensidade na história: quando se acelerar a fala em suspenso ficarei em meio a erguer-me pronto para saltar da cadeira e se assim requer-se o fim da jogada com punho cerrado gritar gol e se continua seu sono que eu saia então para caminhar para descobrir que isso que dói não é o pássaro mas o ruído de romper-se que faz seu bico ao cravar-se na terra com toda essa violência da queda não anunciada ao voltar de sua excursão ao vilarejo me flagre debruçado no meu caderno deixe as sacolas num canto e proponha que eu escreva algo sobre a coca com gás a posição que ocupa diga a posição que ocupa nas nossas vidas acharemos talvez solução para isto que hoje em dia costumam chamar de relação estável? alguém a dizer terminaram as férias?
(tradução de Ricardo Domeneck)
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Aquí está todo bien Mariano Blatt
aquí está todo bien cuando acabe el invierno y la primavera llegue pronto pero pasado el veintiuno y sus saludos abiertos ya los regalos cuando los haya entonces antes del verano quiero que nos vayamos del campo quiero las tardes buscando la posibilidad nuestras mentes despejadas y a eso llamar salud por la mañana haga frío demoremos nuestra salida bajo las sábanas entre juegos definamos a quién le toca preparar el café o evitemos hablar de cómo la vida de uno en la vida del otro el domingo la radio anuncie resultados, vos duermas y yo la mirada pierda aunque atento siga el cambio de intensidad en el relato: cuando el hablar se acelere en suspenso quedaré a medio levantarme preparado para saltar de la silla y si así lo requiere el final de la jugada con puño apretado gritar gol y si sigue tu siesta entonces yo salga a caminar para descubrir esto que duele no es el pájaro sino el ruido a roto que hace su pico al clavarse en la tierra con toda esa violencia de la caída no anunciada al volver de tu excursión al pueblo me descubras sobre mi cuaderno a un costado dejes las bolsas y propongas que yo escriba algo sobre la gaseosa cola el lugar que ocupa digas el lugar que ocupa en estas nuestras vidas ¿hallaremos tal vez solución a esto que hoy aquí suele llamarse estabilidad de pareja? ¿quién diga esta vacación ha concluido?
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Kevin
Saio de mobilete a comprar pão são como dez da manhã assim que penso um pouco em deus assim que penso um pouco em Kevin paro na praça e aperto a mão dos garotos bebo mate perguntam o que rola estou pensando em Kevin digo ah não vou comprar pão me confundi haha pau qualquer coisa Kevin me sorri Kevin te sorrio ligo a mobilete são como dez e trinta compro pão e volto para o bairro vejo Kevin junto de um alambrado então rua de pinheiros passo por uma vaca me saúda a saúdo dez e quarenta o sol é meu amigo pau pneu furado que sorte olho para trás Kevin vem a cavalo me saúda o saúdo ele desce falo com o cavalo Kevin diz está furado você tem pão? daí dou-lhe pão sentamo-nos à sombra a sombra também é minha amiga vem uma galinha me saúda a saúdo daí lhe dou pão pau tira um fino do bolso digo-lhe galinha você é legal me diz obrigada pão dos bons Kevin me sorri Kevin te sorrio dez e cinquenta e cinco se faz o fogo passa a vaca vem o cavalo passam os garotos não ficam dez da manhã de novo generoso o tempo corre para trás o tempo também é meu amigo cresce o mato movem-se as nuvens Kevin é meu amigo digo-lhe gosto do seu cabelo ele diz gosto dos seus olhos tiro sua camisa vai-se a vaca vai-se o cavalo dez e trinta vai-se a galinha legal tira minha camisa desamarra meu sapato cresce o mato movem-se as nuvens Kevin me sorri Kevin te sorrio tira seus sapato me diz vou trocá-los quanto você calça pau como pão ponho o sapato de meu amigo gosto de sua jaqueta gosto de seu cavalo dez e quinze o sol é meu amigo cresce o mato movem-se as nuvens nasce um deus chove no vilarejo vejo Kevin encostado num alambrado falo com deus diz-me siga assim siga assado deus é meu amigo este bairro é meu namorado uma estrada de terra me abraça esta manhã volto empurrando a moto Kevin me sorri somos amigos gosto de seu cabelo vira duas esquinas antes viro duas esquinas depois obrigado pelo sapato me diz obrigado por seu cabelo lhe digo
(tradução de Ricardo Domeneck)
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Kevin Mariano Blatt
Voy en motito a comprar pan son como las diez de la mañá tal que pienso un poco en dios tal que pienso un poco en Kevin paro en la plaza y saludo de manos con los chicos tomo mate me preguntan qué hacés pienso en Kevin digo ah no compro pan me confundí ja pum cualquiera Kevin me sonríe Kevin te sonrío enciendo la moto son como las diez treinta compro pan y en regreso al barrio veo a Kevin junto a un alambrado luego camino de pinos se me cruza una vaca me saluda la saludo diez cuarenta el sol es mi amigo pum pincho goma qué fortuna miro para atrás viene Kevin a caballo me saluda lo saludo se baja hablo con el caballo Kevin dice está pinchada ¿tenés pan? tuc le doy pan nos sentamos a la sombra la sombra también es mi amiga viene una gallina me saluda la saludo tuc le doy pan pum saca un finito del bolsillo le digo gallina sos copada me dice gracias buen pan Kevin me sonríe Kevin te sonrío diez cincuenta y cinco se arma fogata pasa la vaca viene el caballo pasan los chicos no se quedan diez de la mañá de nuevo buenísimo el tiempo corre para atrás el tiempo también es mi amigo crece el pasto se mueven las nubes Kevin es mi amigo le digo me gusta tu pelo me dice me gustan tus ojos le saco la remera se va la vaca se va el caballo diez treinta se va la gallina copada me saca la remera me desata las zapatillas crece el pasto se mueven las nubes Kevin me sonríe Kevin te sonrío se saca las zapatillas me dice te las cambio cuánto calzás pum como pan me pongo las zapas de mi amigo me gusta tu campera me gusta tu caballo diez y cuarto el sol es mi amigo crece el pasto se mueven las nubes nace un dios llueve en el pueblo veo a Kevin contra un alambrado hablo con dios me dice seguí así seguí asá dios es mi amigo este barrio es mi novio un camino de tierra me abraza esta mañana vuelvo arrastrando la moto Kevin se me ríe somos amigos me gusta su pelo dobla dos cuadras antes doblo dos cuadras después gracias por las zapas me dice gracias por tu pelo le digo.
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Cercar com os dedos teu tornozelo
cercar com os dedos teu tornozelo ah, teu capuz e o espaço perfeito entre a nuca onde a mão descansa quando com frio busca o refúgio em teu capuz. Ah, este espaço perfeito ou como quem diz a residência que se forma entre teu capuz e tua nuca mobiliada com o cabelo que sempre é ainda mais lindo se não está lavado. Ah, minha voz se quebra quando minha mão se lembra deste descanso perfeito dentro de teu capuz. Ah, sim, teu capuz. Uma camiseta rosa velha e de mangas curtas no peito a inscrição seven up com seu logotipo a gola redonda mastigada em provas, domingos esperas, dias de sol quando vestias esta camiseta rosa da seven up mas agora seria quase como vestir-te a ti de novo e sabemos que é às vezes melhor a garrafa de sprite. Às vezes creio que os beatles já disseram tudo mas então vejo um menino com blusa dos ramones e sei que os beatles não me falaram disto e diz que se eu quisesse ele rasparia a cabeça mas não lhe cai bem como esse menino com a camiseta dos ramones que no masp me dava as costas nem a hora combinamos de fazer camisetas e nos jogarmos no chão um sábado à tarde qualquer
(tradução de Ricardo Domeneck)
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Cerrar la mano alrededor de tu tobillo Mariano Blatt
cerrar la mano alrededor de tu tobillo ah, tu capucha y el espacio perfecto entre la nuca donde descansa la mano cuando enfríada busca el refugio en tu capucha. ah, ese espacio perfecto o como quien dice la habitación que se forma entre tu capucha y tu nuca amueblada con el pelo que siempre tanto más lindo es si no está lavado. ah, la voz se me quiebra cuando mi mano recuerda ese descanso perfecto dentro de tu capucha. ah sí, tu capucha. una remera rosa gastada y mangas cortas en el pecho la inscripción seven up con su loguito el cuello redondo comido en exámenes, domingos esperas, días de sol cuando usaba esa remera rosa de seven up pero ahora sería casi como usarte a vos de nuevo y sabemos a veces mejor la botellita de sprite. a veces creo los beatles ya lo dijeron todo pero entonces veo a un chico con buzo de ramones y sé los beatles de eso no me hablaron y él dice que si quiero se rapa pero no le queda bien como ese chico con la remera de ramones que en el malba me daba la espalda ni la hora dijimos de hacernos remeras y tirarnos en el suelo un sábado a la tarde cualquiera
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Jamais sentiu a brisa marinha?
Eu a persigo talvez seja isso tudo o que faço mesmo que aparente outra coisa jamais a sentiu mas já distanciada do mar? Este ir tarde a tarde ao parque perseguindo o cheiro do sal pretendendo imaginar a profunda escuridão do centro do oceano ou a calma incessante do horizonte no meio da tarde. Soube aproximar-me da sabedoria da brisa marinha: se comove é pela carga de memória que em sua imaterialidade transporta. O mar parece acumulação inabarcável mas sua brisa é mais ainda. Não se pode esquecer um homem parado às margens do mar em uma praia semideserta molha seus pés ao ritmo da maré mas respirará fundo e conterá o ar em seu interior para experimentar as verdadeiras férias. Ou mesmo uma mulher que cai de joelhos na areia úmida e jurará nesta mesma noite a experiência de certo sentimento uma completude consumada ao perceber a mudança repentina na direção do vento
(tradução de Ricardo Domeneck)
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¿no sentiste nunca la brisa del mar? Mariano Blatt
yo la persigo quizás eso es todo lo que hago aunque aparente otra cosa ¿no la sentiste nunca pero ya alejada del mar? este ir tarde a tarde en el parque persiguiendo el aroma de la sal intentando imaginar la profunda oscuridad del centro del océano o la calma incesante del horizonte a media tarde. supe acercarme a la sabiduría de la brisa del mar: si conmueve es por la carga de memoria que en su inmaterialidad transporta. el mar parece acumulación inabarcable pero su brisa lo es más. no hay que olvidar un hombre parado a orillas del mar en una playa semidesierta moja sus pies al ritmo de la marea pero respirará profundo y contendrá el aire en su interior para experimentar la auténtica vacación. o mismo una mujer que cae arrodillada en la arena húmeda y jurará esa misma noche la experiencia de determinado sentimiento una completud acabada al percibir el cambio repentino en la dirección del viento.
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as cerejas
desci para comprar cervejas e cerejas mas no caminho comi as cerejas bebi a cerveja a agora meio que me dói a cabeça. entrei em silêncio com sorte você dormia recostado na poltrona sem roupas ou apenas coberto. pensei que se entrasse em silêncio não acordaria então eu esconderia minha dor de cabeça mas para minha surpresa quando entrei não dormia não quando entrei você me doía. olhou as sacolas “aqui não tem cerveja, não tem cerejas e você está com cara de dor de cabeça” disse parado sem roupas contra a cozinha onde você cozinhava presunto cozido. Pedi desculpas não aceitou pedi a hora eram nove. voltou à cozinha sem roupas para ver como estava o presunto cozido para ver o que aconteceria se me ignorasse. fiquei no quarto com as sacolas vazias nas mãos o olhar perdido na tevê ligada alguém jogava futebol por dinheiro. sem roupas você voltou da cozinha me abraçou e me disse “está pronto o presunto”. na boca beijei você pedi desculpas não aceitou pedi a hora eram nove e dez. descemos juntos para comprar cerveja para comprar cerejas. eu tomei a cerveja você comeu as cerejas. pedi desculpas não aceitou beijei você na boca e meu beijo teve o sabor amargo da cerveja e o teu o sabor doce das cerejas.
(tradução de Ricardo Domeneck)
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las cerezas Mariano Blatt
bajé a comprar cervezas y cerezas pero en el camino me comí las cerezas me tomé la cerveza y ahora como que me duele la cabeza. entré en silencio a lo mejor dormías recostado en el sillón desnudo o apenas tapado. pensé que si entraba en silencio no despertarías entonces yo mi dolor de cabeza escondería pero para mi sorpresa cuando entré no dormías no cuando entré me dolías. miraste las bolsas “acá no hay cerveza, no hay cerezas y vos tenés cara de que te duele la cabeza” dijiste parado desnudo contra la cocina donde cocinabas jamón cocido. te pedí disculpas no me las diste te pedí la hora eran las nueve. volviste a la cocina desnudo para ver cómo estaba el jamón cocido para ver qué pasaba si no me hablabas. me quedé en el cuarto con bolsas vacías en las manos la mirada perdida en la tele prendida por plata alguien jugaba al fútbol. desnudo volviste de la cocina me abrazaste y me dijiste “el jamón cocido ya está”. en la boca te di un beso te pedí disculpas no me las diste te pedí la hora eran las nueve y diez. bajamos juntos a comprar cerveza a comprar cerezas. yo me tomé la cerveza vos te comiste las cerezas. te pedí disculpas no me las diste te besé en la boca y mi beso tuvo el sabor amargo de la cerveza y el tuyo el saber dulce de las cerezas.