Mostrando postagens com marcador wolfgang müller. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador wolfgang müller. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fincomeço: neste dia, hoje, quarta-feira, 28 de setembro de 2011, saúdo um a mais, um a menos



Este ano de 2011 tem sido um ano de fins abruptos, começos involuntários, os quais tenho recebido entre o susto e o siso. Hoje, após seis anos e meio organizando os eventos, festas, intervenções e performances semanais neste bairro de Prenzlauer Berg, em pleno Berlimbo, primeiro sob o nome de Berlin Hilton, depois como SHADE inc, celebramos pela última vez no clube que nos abrigou desde 2005, após abandonarmos o primeiro por ter se tornado pequeno demais e a relação com os donos demasiado difícil. No clube Neue Berliner Initiative, conhecido como NBI, pudemos enfim fazer do evento o que queríamos: uma ponte entre cenas e guetos, um local onde os mais improváveis indivíduos se encontrassem. Seria impossível relatar aqui tudo o que aconteceu por ali. Tive a chance de organizar performances de heróis meus ou simplesmente beber com eles quando passavam pela festa. Ali organizamos, muitas vezes pela primeira vez em Berlim, performances e concertos de artistas como Planningtorock, Stereo Total, Bunny Rabbit, Mystery Jets, AIDS-3D, Barbara Panther, Tetine, Hellvar, Ben Butler & Mousepad, Exercise One, Herpes, Glen Meadmore feat. Vaginal Davis, Heatsick, Khan, Kevin Blechdom, Angie Reed, Deize Tigrona, Thieves Like Us, Wolfgang Müller (Die Tödliche Doris), entre outros; tocaram ainda, como DJs, artistas como Peaches, Ellen Allien, Apparat, Modeselektor, Fischerspooner, Telepathé, CocoRosie, oOoOO, Change/Thomas Muller, Heartthrob, Gebrüder Teichmann, T.Raumschmiere, etc. Não vou citar as pessoas inacreditáveis que passaram pela festa para beber ou assistir a uma performance, pois seria passar dos limites aceitáveis do name dropping.

Hoje, acaba uma era da vida noturna berlinense. Não sou eu a dizer, mas as muitas pessoas que têm reagido à notícia desta última festa. O clube fecha esta semana por ter se tornado impossível manter-se neste bairro (gentrification, dears, gentrification...) e nós talvez quiçá oxalá sigamos em frente, mas em outro local, outro bairro, com outro projeto.

Nosso convidado especial desta noite é o nova-iorquino Black Cracker, produtor do duo CocoRosie, Bunny Rabbit, e incrível artista solo. Já falei sobre ele aqui.





O futuro? Não nos esqueçamos da tautologia sábia de Scarlett O´Hara:

"Tomorrow is another day"

Abaixo, uma pequena seleção de vídeos de performances na Berlin Hilton/SHADE inc, reunidos nestes últimos seis anos. Da grande maioria não há qualquer registro, estávamos geralmente ocupados demais sendo felizes para pegar numa câmera. Mas por sorte há estes, feitos por amigos, às vezes por mim. Ajudam minha memória já excitada.

RIP Berlin Hilton/SHADE inc (2005 - 2011)



Kevin Blechdom (2006)

§


Mystery Jets (2009)

§


Jailhouse Fuck (2009)

§


Wolfgang Müller - Die Tödliche Doris (2009)

§


Ellen Allien discotecando em 2010.

§


Herpes (2009)

§


Apparat + Akia discotecando em 2010.

§



Lesley Flanigan (2010)

§


Akia (2009)

§


Thomas Muller a.k.a. Change discotecando em 2010.

.
.
.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

De heróis e aniversários



Comemoro este fim-de-semana, no dia 4 de julho, meus 32 invernos (mais um ou outro que acumulei ao perambular entre os hemisférios). Usei a ocasião este ano para convidar um de meus heróis alemães para uma performance e intervenção na Berlin Hilton, o evento que co-organizo às quartas-feiras aqui no Berlimbo, our own private Cabaret Voltaire. Em anos anteriores, convidei, por exemplo, a maravilhosa Janine Rostron, conhecida como Planningtorock, assim como Kevin Blechdom.

Hoje à noite, apresenta-se Wolfgang Müller, um dos membros fundadores do coletivo berlinense Die Tödliche Doris (algo como A Doris Letal), que esteve em atividade entre 1980 - 1987. Alguns talvez conheçam uma ou outra canção da Tödliche Doris, por covers, como a famosa "Tanz im Quadrat", gravada pelo Stereo Total.


(Die Tödliche Doris, "Tanz im Quadrat")

Die Tödliche Doris foi uma das mais conhecidas e revolucionárias bandas, ao lado do Einsturzende Neubauten e do grupo Malaria!, daquilo que ficou conhecido por muitos nomes: Neue Deutsche Welle (Nova Onda Alemã, a versão germânica do New Wave), post-punk, industrial ou, como eles preferiam chamar-se, os Geniale Dilletanten, título de um livro de Wolfgang Müller.


(Die Tödliche Doris, "Küchenmusik & Schuldstruktur")

No entanto, o grupo foi aquele que mais claramente buscou borrar as fronteiras entre gêneros em sua prática artística: Die Tödliche Doris fez música, vídeos e filmes em Super-8, instalaçoes, happenings. Sua influência foi marcante, ainda que subterrânea. Em 1983, o grupo participa da Bienal de Paris. Ali, Die Tödliche Doris apresenta seu trabalho visual "Die Photomatonreparateur" (O reparador de cabines fotográficas), em que colecionam fotos de estranhos feitas em cabines fotográficas, muito conhecidas em Berlim, mas apenas aquelas fotos que as pessoas jogavam fora, encontrando entre elas, com frequência, a de um mesmo homem, que eles viriam mais tarde a descobrir que era do reparador das cabines. Sim, você adivinhou: Jean-Pierre Jeunet "roubaria" esta idéia mais tarde para a personagem de Matthieu Kassovitz em Le fabuleux destin d'Amélie Poulain (2001).

Performances incluem o Museum of Modern Art (MoMA), de Nova Iorque, e o Musée d'Art Moderne, em Paris. Em 1987, Die Tödliche Doris participa da documenta 8, em Kassel, antes de dissolver a banda em... vinho. Aqui, a banda joga com o conceito de "auflösen", dissolver-se, expressão usada tanto para o momento em que as uvas tornam-se vinho, como quando os membros de uma banda decidem não mais trabalhar juntos, e literalmente cria seu último trabalho: o vinho Die Tödliche Doris, no qual a banda dissolve-se.

É uma honra ter Wolfgang Müller na Berlin Hilton hoje à noite. Mais sobre Die Tödliche Doris: AAQQUUII e AAQQUUII.

Arquivo do blog