Gosto bastante do trabalho do canadense bpNichol (1944 - 1988). É interessante como ele parece assumir, entre os canadenses, a mesma posição mítica que Paulo Leminski (1944 - 1989) por vezes assume entre os brasileiros. Há paralelos, não apenas na morte.
Publiquei esta tradução em uma postagem que preparei sobre o poeta para a Modo de Usar & Co.
Poema do segundo livro de The Martyrology
santo do sem-nome
santo de ósculos
teus lábios estão sobre mim
dentágil & gargolhada
vozes terminais na sala-de-estar
enfermo de cama na tristeza
saí porta afora aquela última vez & disse
esvaí-me em sangue por palavras pela boca
adiante:
tenta escrever o poema em que respiro
(tradução de Ricardo Domeneck)
§§§
saint of no-names
saint of kisses
your lips are on me
sharp-tooth & giggle-eye
final voices in the living room
sick in bed with grief
walked out the door that last time & told you
bled my mouth dry for words
later:
try to write the poem i breathe in
(from Martyrology 2)
§§§
sábado, 31 de janeiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Canção assustadora - e linda; por ser linda, mais e mais assustadora. Como conciliar isto e isso?

A canção (ou poema lírico) "John Wayne Gacy Jr" é uma das faixas mais belas do lindíssimo álbum Illinois (2005), de Sufjan Stevens, uma das minhas criaturas favoritas no planeta chamado Hoje. O concept album é o segundo do épico (arriscaria dizer quase impossível) de Stevens, que se propôs a escrever um álbum para cada um dos 50 estados americanos. Bem, ele está ainda no segundo. O primeiro chama-se Michigan (2003).
Quem leu minha Carta aos anfíbios sabe que eu não escapo de poetas que trabalham com textos cheios de implicações religiosas, uma característica que incomoda, aqui na Europa, mesmo os fãs mais ardorosos de Sufjan Stevens. O álbum dedicado ao estado de Illinois, onde fica a cidade de Chicago, faz referência a muitas das lendas que passaram pela cidade, cheio de imagens bíblicas. Invocando o poeta Carl Sandburg, "Chicago" é, aliás, um dos lindos poemas do álbum, que tem textos dedicados a várias criaturas e paisagens daquele canto do sonho&pesadelo estadunidense.

Uma das criaturas é o senhor John Wayne Gacy Jr., o serial killer que matava moços lindos e os enterrava dentro de sua casa, escondendo os corpos sob o assoalho. Nas horas vagas, ele se vestia de palhaço e animava festas de aniversário de crianças.
O texto, na voz de Stevens, faz desta canção uma coisa arrepiante, assustadora. O vídeo, quando se conhece a história de Gacy, torna a experiência ainda mais perturbadora.
Ao mesmo tempo, a canção me parece linda, linda. Como conciliar o horror... o HORROR... o HOR---ROR (Kurtz de Conrad, Kurtz de Brando) e ... a... be... le... za?
Todos os passageiros, apertem os cintos. Próxima parada: coração das trevas. Apreciem a paisagem.
§
Moços e moças, tomem cuidado.
Não aceitem doces ou foices de estranhos.
§
Mostro abaixo o texto (a letra?) para acompanhar a canção.
Pede-se aos literatos que ponham luvas nos olhos.
John Wayne Gacy Jr.
Sufjan Stevens
His father was a drinker
And his mother cried in bed
Folding John Wayne's T-shirts
When the swingset hit his head
The neighbors they adored him
For his humor and his conversation
Look underneath the house there
Find the few living things
Rotting fast in their sleep of the dead
Twenty-seven people, even more
They were boys with their cars, summer jobs
Oh my God
Are you one of them?
He dressed up like a clown for them
With his face paint white and red
And on his best behavior
In a dark room on the bed he kissed them all
He'd kill ten thousand people
With a sleight of his hand
Running far, running fast to the dead
He took off all their clothes for them
He put a cloth on their lips
Quiet hands, quiet kiss
On the mouth
And in my best behavior
I am really just like him
Look beneath the floorboards
For the secrets I have hid
§
John Wayne Gacy Jr. (1942-1994), assassino em série americano, conhecido como o "palhaço assassino". Em 1978, a polícia de Chicago fez uma busca na casa n° 8213 da West Summerdale Avenue, interrogando seu morador, John Wayne Gacy, palhaço amador muito querido pelas crianças da cidade e que dificilmente cometeria algum crime. Ledo engano. Antes de deixarem o local um dos policiais estranhou um cheiro desagradável na casa; "É só um entupimento nos canos de esgoto", explicou Gacy. Mas os policiais decidiram investigar mesmo assim. No porão, sob um alçapão oculto, foram encontrados os restos de vinte e nove garotos entre nove e vinte e sete anos, com sinais de tortura, violências sexuais e estrangulamento.
John Wayne Gacy Jr., nascido em Chicago em 1942, também teve uma infância meio traumática: era espancado e chamado de "bichinha" pelo pai alcoólatra, sofreu um traumatismo craniano aos 15 anos, e em 1968 foi preso por estar praticando atos sexuais com um jovem no banheiro de um bar. Gacy começou a matar em 1972, e suas vítimas eram todos homens. Os rapazes recebiam propostas de emprego, iam até a casa de Gacy, eram embebedados, amarrados numa cadeira e sexualmente violentados.
Em 1988, Gacy foi condenado a 21 prisões perpétuas e 12 penas de morte. Enquanto aguardava no Corredor da Morte do Menard Correctional Center de Illinois, Gacy - apelidado pela imprensa de "Palhaço Assassino" - passava o tempo fazendo desenhos infantis, especialmente de palhaços. Suas ilustrações são consideradas itens de coleção, e alcançam altos preços no mercado.
.
.
.
Marcadores:
música para os meus ouvidos,
scary songs and poems
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Poema inuíte/esquimó contra a morte
"Eu assisti aos alvos cães da aurora."
ou/or
"I watched the white dogs of the dawn."
in Technicians of the sacred, antologia de poesia xamânica, edição de Jerome Rothenberg, minha leitura antes de dormir todas as noites pelas últimas semanas. Poema colhido por Knud Rasmussen.
A mim soa mais como um desafio/desabafo: "acordei de novo!"
ou/or
"I watched the white dogs of the dawn."
in Technicians of the sacred, antologia de poesia xamânica, edição de Jerome Rothenberg, minha leitura antes de dormir todas as noites pelas últimas semanas. Poema colhido por Knud Rasmussen.
A mim soa mais como um desafio/desabafo: "acordei de novo!"
Aspergir Espargir
Em fastio.
Se é para a saciedade geral da ração quem de todos.
Pontilhado por pausas.
Diga ao povo que durmo.
Está em sítio a cidade em Jericó não se guarda o sétimo dia.
Intercalam feriados os quartos de hora.
Construída a cama com algodão dos aliados ferro dos inimigos.
Bebe a água o sal o corpo doa generoso se lhe obriga a estação.
Boca adentro no tecido do colchão a espuma.
Que apóie o estrado a ilusão da estase.
Provendo ao provisório.
Obrigação da pele impedir que me esparrame entre quatro paredes.
Que o corpo não produza açúcar para o soro fisiológico em suor do sono.
Aninhados nos próprios cabelos aquecidos pelos pelos.
Nunca dizem não.
Bale ao lado o bode expiatório de cada dívida as ovelhas silenciam.
Com um sim apenas cuprimenta-se a manhã não é educada.
Anui o ânus cabe à boca a parcela dos pedaços.
Unhas dedilham o teclado das costelas as amígdalas o canal do Panamá.
Reúnem-se as células sobreviventes na praça central do estômago a rir das mortas.
Antes de migrarem com mala e cura o mal na cuia para a garganta.
O café espera até que o ar da cozinha roube-lhe o calor não a xícara.
"Sempre confiei na bondade dos desconhecidos."
O Vietnã não é aqui.
Se é para a saciedade geral da ração quem de todos.
Pontilhado por pausas.
Diga ao povo que durmo.
Está em sítio a cidade em Jericó não se guarda o sétimo dia.
Intercalam feriados os quartos de hora.
Construída a cama com algodão dos aliados ferro dos inimigos.
Bebe a água o sal o corpo doa generoso se lhe obriga a estação.
Boca adentro no tecido do colchão a espuma.
Que apóie o estrado a ilusão da estase.
Provendo ao provisório.
Obrigação da pele impedir que me esparrame entre quatro paredes.
Que o corpo não produza açúcar para o soro fisiológico em suor do sono.
Aninhados nos próprios cabelos aquecidos pelos pelos.
Nunca dizem não.
Bale ao lado o bode expiatório de cada dívida as ovelhas silenciam.
Com um sim apenas cuprimenta-se a manhã não é educada.
Anui o ânus cabe à boca a parcela dos pedaços.
Unhas dedilham o teclado das costelas as amígdalas o canal do Panamá.
Reúnem-se as células sobreviventes na praça central do estômago a rir das mortas.
Antes de migrarem com mala e cura o mal na cuia para a garganta.
O café espera até que o ar da cozinha roube-lhe o calor não a xícara.
"Sempre confiei na bondade dos desconhecidos."
O Vietnã não é aqui.
Colaboração com Joseph Ashworth
Joe e eu decidimos colaborar em uma peça sonora entre 2007 e 2008, à qual eu doaria texto e voz, enquanto ele se encarregaria da paisagem sonora. Disse a ele que havia preparado um texto que gostaria muito de oralizar, chamado "Eustachian Tube in Staccato", que usava o vocabulário retirado do contexto de trocas entre internos e externos, querendo borrar/embaçar/complicar a dicotomia, usando fragmentos de texto em colagem, retirados de artigos sobre respiração, osmose, leis de imigração dos Estados Unidos ou o câmbio de moedas estrangeiras, assim como da bolsa de valores, tentanto criar um clima de erotismo às avessas, desejo que negocia e implora.
Fiquei muito feliz com o que criamos juntos, sua paisagem sonora feita a partir de samples de sua própria respiração, unida ao meu texto, oralizado-em-faltas-de-ar, que busca funcionar, eu espero, com a urgência que sentíamos naquele momento:
Eustachian Tube in Staccato - Ricardo Domeneck
Eustachian Tube in Staccato
.............for Eugen Braeunig
The right of admission
put into a trance
eulogy of me the eunuch
augmenting the auburn
breadth of hair
which severs our bridge
yes auburn means
reddish-brown
so burn me and redeploy
my reduced circumstances
to a brand new reductio
ad absurdum
or ablution at retention
like a deluge deluxe
one long
extended exhale
of force applied
at one point
transmitted to another
in the use
of incompressible
fluids as one master
cylinder can drive more
than one slave
cylinder when desired
if you have read
How a Block & Tackle
Works or How Gears
Work then you know
of trading forces
for distance
so much depends
on clicking the red
arrow to see
the animation
a spool from a spool
of thread:
you want to
use as much
air as you
are able
improper coupling
of asylees refugees aliens
granted conditional entry
victims of a severe
form of trafficking
you ineligible:
lie, sit or stand,
bend
your knees
very slightly or prone
follow your breathing
while trying your best
not to influence it: just
let it
be what
it is
a complete
breast
1 inhale & 1
exhale plus any pause
at the end of the exile
some may
not have paws
resist breathing
even when
discomfort arrives:
do not
do it
so long
that you pass
out time
it in seconds the ribs
flaring outwards
the issue and redemption
of securities barometer
of the economy
I the sole shareholder
of this profitable
enterprise crash
recession
crisis index
solvent solute
across the membrane you
of the House of Turgor
desalinate my hobbies affected
by breathing gasping
breach and heave
labored jerky erratic
and irregular and
tentative and hesitant
! mouthrill of snout
hyperventilating over breathing
easily audible
I sigh you yawn
often often
catch myself
not breathing I
snore suddenly
wake up
not breathing I
am frequently concerned
about my breathing I
am none of the above
exchange of gases
among us
four-legged
animals the system
supplies flood
to the chest cavity
so may the 3 mewing
muses
inspire & transpire
for me as my misuse
oh Pharynx oh Larynx oh Trachea
wont he the holder
of my voicebox
through glottis & alveoli
lead me rollercoasterly
to my very own
shaken baby syndrome?
Fiquei muito feliz com o que criamos juntos, sua paisagem sonora feita a partir de samples de sua própria respiração, unida ao meu texto, oralizado-em-faltas-de-ar, que busca funcionar, eu espero, com a urgência que sentíamos naquele momento:
Eustachian Tube in Staccato - Ricardo Domeneck
Eustachian Tube in Staccato
.............for Eugen Braeunig
The right of admission
put into a trance
eulogy of me the eunuch
augmenting the auburn
breadth of hair
which severs our bridge
yes auburn means
reddish-brown
so burn me and redeploy
my reduced circumstances
to a brand new reductio
ad absurdum
or ablution at retention
like a deluge deluxe
one long
extended exhale
of force applied
at one point
transmitted to another
in the use
of incompressible
fluids as one master
cylinder can drive more
than one slave
cylinder when desired
if you have read
How a Block & Tackle
Works or How Gears
Work then you know
of trading forces
for distance
so much depends
on clicking the red
arrow to see
the animation
a spool from a spool
of thread:
you want to
use as much
air as you
are able
improper coupling
of asylees refugees aliens
granted conditional entry
victims of a severe
form of trafficking
you ineligible:
lie, sit or stand,
bend
your knees
very slightly or prone
follow your breathing
while trying your best
not to influence it: just
let it
be what
it is
a complete
breast
1 inhale & 1
exhale plus any pause
at the end of the exile
some may
not have paws
resist breathing
even when
discomfort arrives:
do not
do it
so long
that you pass
out time
it in seconds the ribs
flaring outwards
the issue and redemption
of securities barometer
of the economy
I the sole shareholder
of this profitable
enterprise crash
recession
crisis index
solvent solute
across the membrane you
of the House of Turgor
desalinate my hobbies affected
by breathing gasping
breach and heave
labored jerky erratic
and irregular and
tentative and hesitant
! mouthrill of snout
hyperventilating over breathing
easily audible
I sigh you yawn
often often
catch myself
not breathing I
snore suddenly
wake up
not breathing I
am frequently concerned
about my breathing I
am none of the above
exchange of gases
among us
four-legged
animals the system
supplies flood
to the chest cavity
so may the 3 mewing
muses
inspire & transpire
for me as my misuse
oh Pharynx oh Larynx oh Trachea
wont he the holder
of my voicebox
through glottis & alveoli
lead me rollercoasterly
to my very own
shaken baby syndrome?
Marcadores:
collaborations,
joseph ashworth,
poesia sonora
Trabalho solo de Joseph Ashworth
Mostrei duas das delicadas peças sonoras de Joseph Ashworth, de seu projeto "solo", uma chamada "Don´t take this too seriously" e a outra "Kid F", em minha Hilda Magazine.

§
Outras peças sonoras de Joseph Ashworth AAQQUUII.

§
Outras peças sonoras de Joseph Ashworth AAQQUUII.
Marcadores:
joseph ashworth,
música para os meus ouvidos
Joe And Will Ask?
Joe and Will ask? @ berlin hilton / NBI on October 3rd, 2007.
§§§
"Hell Hawk", video for JOE AND WILL ASK? song -
§§§
"Warm it up", video for JOE AND WILL ASK? song -
§§§
Interview with Joseph Ashworth and William Green
::::::::JOE AND WILL ASK?:::::::::::::::
conducted by Eugen Braeunig & Ricardo Domeneck
in Berlin:
§§§
"Hell Hawk", video for JOE AND WILL ASK? song -
§§§
"Warm it up", video for JOE AND WILL ASK? song -
§§§
Interview with Joseph Ashworth and William Green
::::::::JOE AND WILL ASK?:::::::::::::::
conducted by Eugen Braeunig & Ricardo Domeneck
in Berlin:
Marcadores:
interviews,
joe and will ask?,
joseph ashworth,
música para os meus ouvidos
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Orgulho dos amigos: Joseph Ashworth
Conheci primeiro a William Green, em 2006, quando discotequei em Londres pela primeira vez. Quem o apresentou a mim, em uma festa de Erol Alkan, foi nosso amigo em comum, Jonjo-Jury Andrews, também DJ, que me contou que William (ou Will, como todos dizem) tinha um projeto musical muito legal com seu amigo Joseph Ashworth (ou Joe), chamado JOE AND WILL ASK?.Viria a conhecer Joseph apenas no ano seguinte, quando os convidei para se apresentarem como Joe and Will ask? em nosso evento-interventor semanal, a berlin hilton, our own private Cabaret Voltaire. Will é um daqueles típicos dandies londrinos, do tipo que ama aquela Londres que sempre me pareceu um circo. (Não sou um grande fã da capital inglesa.) Joe, no entanto, é uma das criaturas mais delicadas e tímidas que já conheci. Sempre me surpreendo ao imaginá-lo em um projeto como o que tem com Will.
Estou muito feliz por eles: foi lançado hoje o seu primeiro EP, chamado "Claymore", com um dos selos musicais mais hypados da Europa nos últimos anos, o francês Kitsuné Music.

§
domingo, 25 de janeiro de 2009
o Buuuda e a Booomba
Uma noite antes de rever Dr. Strangelove or How I Learned To Stop Worrying and Love the Bomb (1964), de Stanley Kubrick, eu vira pela primeira vez o filme de estréia de Hana Makhmalbaf, a filha mais de nova de Mohsen Makhmalbaf, chamado Buda as sharm foru rikht (2007), ou "Buddah Collapsed Out Of Shame", seu título em inglês, rodado quando Hana Makhmalbaf tinha 19 anos. Por trás do título grandiloquente, está um dos filmes mais inteligentes que vi nos últimos tempos.Com roteiro de sua mãe, Marzieh Makhmalbaf, o filme é extremamente delicado e ao mesmo tempo assustador, mostrando a pequena história de uma menina de 6 anos que decide ir à escola, contra a vontade de sua mãe, porque seu vizinho da mesma idade ri dela por ela não saber ler. O filme segue a menina enquanto esta tenta, primeiro conseguir dinheiro para comprar um caderno, e depois encontrar uma escola onde meninas possam estudar, já que o ensino para homens e mulheres no país são separados. Este é apenas o pano-de-fundo para Makhmalbaf expor a situação da população local a partir da vida de suas crianças.
Foi rodado na província de Bamian, no Afeganistão, onde em 2001 o Talibã explodiu uma estátua milenar do Buda, esculpida na rocha, na encosta de uma montanha. Hana Makhmalbaf usa este acontecimento para criar um filme muito, muito inteligente, em minha opinião. Com a exceção de poucos momentos em que senti um uso melodramático da trilha sonora, o filme pareceu-me uma estréia realmente impressionante.
Há uma seqüência bastante perturbadora no filme, quando Bakhtay, a pequena heroína do filme (interpretada pela minúscula Nikbakht Noruz, que tinha menos de 6 anos à época), é "capturada" por um grupo de meninos, que passa o dia à beira de uma estrada, "brincando de Talibã", capturando meninas e as humilhando. Eles "acusam" Bakhtay de ser uma "mulher ímpia", por encontrarem um batom com ela (sem dinheiro para comprar lápis, ela rouba o batom da mãe para escrever na escola) e decidem "apedrejá-la", sem sabermos, como expectadores, quão longe eles estão dispostos a ir em sua brincadeira. Esta seqüência me pareceu verdadeiramente memorável, muito inteligente em sua exposição e crítica, mostrando a humilhação das meninas de forma nua, crua, sem precisar discursar em feminismos: a cena diz, faz tudo.Assistir Buda as sharm foru rikht e, na noite seguinte, Dr. Strangelove or How I Learned To Stop Worrying and Love the Bomb, foi uma experiência muito interessante. Em Dr. Strangelove, temos Kubrick tratando da guerra em veia cômica, com adultos comportando-se como crianças, tratando da guerra nuclear como se esta fosse um jogo de tabuleiro; penso aqui na cena hilária em que o general americano e o embaixador russo começam uma briga, e o presidente americano ralha com eles naquela que é uma das gags mais engraçadas do cinema, com a deliciosa "Gentlemen, you can´t fight in here, this is the War Room!":
Em Buddah Collapsed... temos o contrário, em cenas perturbadoras em que crianças imitando adultos e brincando de guerra, mostram-se capazes de uma crueldade que na maior parte dos casos apenas imita a dos adultos em seu redor:
Se eu encontrasse Hana Makhmalbaf, eu gostaria de poder dizer a ela, em português mesmo: "Moça, você fez um filme muito inteligente e bonito."
§
Entrevista com a jovem diretora no Festival de Cinema de Berlim:
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Para começar a noite antes de começar a noite
Sendo que é, eu vos digo, sexta-feira, noite semanosa em que eu, criaturérrimo, sinto-me um bocado em bocarras propenso à dissipação e, ora, não vos assusteis se a elegi como dia-noite oficial para tais esportes, não, não é exatamente aquático esse polo, moço, e que melhor maneira de abandonar aqueles dilemas que tanto ocupam vossa cabeçoila por algumas parquíssimas horitas, vamos, diga sem refrigério em vossa tummy-box barrigulosa, se já fizestes o curso de Corso, hein, "bumpy club of One Million B.C.", pois sim, isto é aquilo e certo dramático Drummond já vos incitou a compreender a boooooomba, hã-hã, o carecoso anti-bélico que brincou de defini-la em termométricos termos, leia cá que ela "amanhã promete ser melhorzinha mas esquece", eu quero estragar-me o cesto de todas as sextas, mamãe sempre dizia que apocalipse pouco é bobagem, ay que guay Senhora Booooomba, és a inimiga de todos os hedonismos.
Com o moço, programa da noite antes de começar a noite:
Com o moço, programa da noite antes de começar a noite:
Marcadores:
dr. strangelove,
o moço,
stanley kubrick
Assinar:
Postagens (Atom)
Mais ou menos de mim
Projetos Paralelos
Leituras de companheiros
- Adelaide Ivánova
- Adriana Lisboa
- Alejandro Albarrán
- Alexandra Lucas Coelho
- Amalia Gieschen
- Amina Arraf (Gay Girl in Damascus)
- Ana Porrúa
- Analogue Magazine
- André Costa
- André Simões (traduções de poetas árabes)
- Angaangaq Angakkorsuaq
- Angélica Freitas
- Ann Cotten
- Anna Hjalmarsson
- Antoine Wauters
- António Gregório (Café Centralíssimo)
- Antônio Xerxenesky
- Aníbal Cristobo
- Arkitip Magazine
- Art In America Magazine
- Baga Defente
- Boris Crack
- Breno Rotatori
- Brian Kenny (blog)
- Brian Kenny (website)
- Bruno Brum
- Bruno de Abreu
- Caco Ishak
- Carlito Azevedo
- Carlos Andrea
- Cecilia Cavalieri
- Cory Arcangel
- Craig Brown (Common Dreams)
- Cristian De Nápoli
- Cultura e barbárie
- Cus de Judas (Nuno Monteiro)
- Damien Spleeters
- Daniel Saldaña París
- Daniel von Schubhausen
- Dennis Cooper
- Dimitri Rebello
- Dirceu Villa
- Djoh Wakabara
- Dorothee Lang
- Douglas Diegues
- Douglas Messerli
- Dummy Magazine
- Eduard Escoffet
- Erico Nogueira
- Eugen Braeunig
- Ezequiel Zaidenwerg
- Fabiano Calixto
- Felipe Gutierrez
- Florian Puehs
- Flávia Cera
- Franklin Alves Dassie
- Freunde von Freunden
- Gabriel Pardal
- Girl Friday
- Gláucia Machado
- Gorilla vs. Bear
- Guilherme Semionato
- Heinz Peter Knes
- Hilda Magazine
- Homopunk
- Hugo Albuquerque
- Hugo Milhanas Machado
- Héctor Hernández Montecinos
- Idelber Avelar
- Isabel Löfgren
- Ismar Tirelli Neto
- Jan Wanggaard
- Jana Rosa
- Janaina Tschäpe
- Janine Rostron aka Planningtorock
- Jay Bernard
- Jeremy Kost
- Jerome Rothenberg
- Jill Magi
- Joca Reiners Terron
- John Perreault
- Jonas Lieder
- Jonathan William Anderson
- Joseph Ashworth
- Joseph Massey
- José Geraldo (Paranax)
- João Filho
- Juliana Amato
- Juliana Bratfisch
- Juliana Krapp
- Julián Axat
- Jörg Piringer
- K. Silem Mohammad
- Katja Hentschel
- Kenneth Goldsmith
- Kátia Borges
- Leila Peacock
- Lenka Clayton
- Leo Gonçalves
- Leonardo Martinelli
- Lucía Bianco
- Luiz Coelho
- Lúcia Delorme
- Made in Brazil
- Maicknuclear de los Santos Angeles
- Mairéad Byrne
- Marcelo Krasilcic
- Marcelo Noah
- Marcelo Sahea
- Marcos Tamamati
- Marcus Fabiano Gonçalves
- Mariana Botelho
- Marius Funk
- Marjorie Perloff
- Marley Kate
- Marília Garcia
- Matt Coupe
- Miguel Angel Petrecca
- Monika Rinck
- Mário Sagayama
- Más Poesía Menos Policía
- N + 1 Magazine
- New Wave Vomit
- Niklas Goldbach
- Nikolai Szymanski
- Nora Fortunato
- Nora Gomringer
- Odile Kennel
- Ofir Feldman
- Oliver Krueger
- Ondas Literárias - Andréa Catrópa
- Pablo Gonçalo
- Pablo León de la Barra
- Paper Cities
- Patrícia Lino
- Paul Legault
- Paula Ilabaca
- Paulo Raviere
- Pitchfork Media
- Platform Magazine
- Priscila Lopes
- Priscila Manhães
- Pádua Fernandes
- Rafael Mantovani
- Raymond Federman
- Reuben da Cunha Rocha
- Ricardo Aleixo
- Ricardo Silveira
- Rodrigo Damasceno
- Rodrigo Pinheiro
- Ron Silliman
- Ronaldo Bressane
- Ronaldo Robson
- Roxana Crisólogo
- Rui Manuel Amaral
- Ryan Kwanten
- Sandra Santana
- Sandro Ornellas
- Sascha Ring aka Apparat
- Sergio Ernesto Rios
- Sil (Exausta)
- Slava Mogutin
- Steve Roggenbuck
- Sylvia Beirute
- Synthetic Aesthetics
- Tazio Zambi
- Tetine
- The L Magazine
- The New York Review of Books
- Thiago Cestari
- This Long Century
- Thurston Moore
- Timo Berger
- Tom Beckett
- Tom Sutpen (If Charlie Parker Was a Gunslinger, There'd Be a Whole Lot of Dead Copycats)
- Trabalhar Cansa - Blogue de Poesia
- Tracie Morris
- Tô gato?
- Uma Música Por Dia (Guilherme Semionato)
- Urbano Erbiste
- Victor Heringer
- Victor Oliveira Mateus
- Walter Gam
- We Live Young, by Nirrimi Hakanson
- Whisper
- Wir Caetano
- Wladimir Cazé
- Yang Shaobin
- Yanko González
- You Are An Object
- Zane Lowe
