sábado, 25 de maio de 2013

"Meu campo de trabalho", poema inédito.


Meu campo de trabalho

Há dez anos
nem morto
eu teria
sido pego
dizendo isso
mas agora
como seria
acordar cedo
e se eu
quiser comer
em uma semana
ter que plantar
hoje o almoço
e a janta
que hão de vir
e se eu quiser
comer hoje
ter que colher
agora o que
cresce já
há um mês
e então cozer
o que só eu
hei de engolir
e ter a coser
o que eu só
hei de vestir
e ter a terra
que adubei
nos dedos
dos pés
nos dedos
das mãos
e para lavá-la
ir a lago ou rio
então sentar
-me à sombra
de uma árvore
da qual sei
o nome científico
e popular
ouvir o pássaro
do qual localizo
o canto o ninho
e então escrever
um poema cheio
de topônimos


- Ricardo Domeneck. Berlimbo, maio de 2013.

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