quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Simon Kaiser, minha Hotline to the Zeitgeist



Conheci Simon Kaiser este ano. Bem, desde então ele emprestou sua proporção áurea e sua tatuagem da Proporção Áurea para a capa do meu novo livro, Medir com as próprias mãos a febre (a foto é do alemão Tom Harmony, feita na sala do meu apartamento) e recebeu meu poeminha "Kouros", em que o comparo ao kouros criselefantino da Civilização Minoica. 

Brinco que ele, aos 21 anos, tem sido minha Hotline to the Zeitgeist, ou meu 0800 para a agoridade. Quanto a mim, que papel cumpro para ele? Sabe Deus por que o rapaz tolera minhas atenções obsessivas. Recomendo livros, falo sem parar de minhas coisas dinossáuricas, devo ser o seu Telegraph to the Paleolithic, ou telégrafo para o paleolítico. 

Ele vem organizando as melhores festas de Berlim dos últimos meses, a Trade, com seu ouvido atento para o agora, com performances de Wife, Lotic, KablamWhy Be, Mechatok, e mais.

Como DJ, aqui está seu perfil no Soundcloud. Ouçam seu primeiro mixtape publicado. Eu sou devoto do menino-deus.




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Abaixo, meu poema "Kouros", dedicado a ele.


Kouros

a Simon Kaiser

Você, feito o menino-deus minoico,
parece, em pé, sobre os escombros
de uma civilização, e eu o arqueólogo
buscando em escavações na cidade
resquícios do culto que gerou a forma
esguia, longilínea, atenta aos detalhes
em que você o aperfeiçoa. Perdoe-me
se ofende esse desejo quiçá geriátrico,
ao contemplar seu corpo de menino
e deus no meio da sala, as fantasias
de um retorno a uma Atenas perdida,
alguns séculos depois de Knossos
e uns milênios antes de Washington,
querendo tão-só tê-lo por erômenos,
e coroá-lo o favorito deste velhote.
Neste labirinto, não serei Minotauro
algum, nem você Teseu, se morta
está aquela cultura, e Atenas hoje
sequer diz-se fazer parte da Europa.
Deixe-me ser tão-só leal pedagogo
disposto a compartilhar tudo o que
eu coletei e colhi do múltiplo Logos
neste planeta, querendo em troca
apenas poder estar na mesma sala
que você, como estamos nós agora.
E nestes dias de crise elefantíaca,
farei de você o meu próprio kouros
criselefantino, com sua saúde de touro
comparável só à daqueles meninos
minoicos, estes sim de carne e osso,
que saltavam, mãos firmes nos chifres,
aqueles auroques hoje extintos,
como você me sobrevoa agora
com os olhos, menino de couro vivo.

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in Medir com as próprias mãos a febre (Rio de Janeiro/Lisboa: 7Letras/Mariposa Azual, 2015).



A proporção áurea e a Proporção Áurea de Simon Kaiser (NYYN)
em foto de Tom Harmony e design de Peter Martin Dreiss
na capa da edição brasileira do meu novo livro.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Invocação do palanque às deusas do território

"A alegria é a prova dos nove. 

No matriarcado de Pindorama."

Oswald de Andrade

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Ora, se na geléia geral brasileira alguém tem de exercer as funções de medula e osso, ó meu caro Pignatari, quem há-de voluntariar-se a cumprir os papeis de pele e genitália a cobrir e fazer gozar a medula e o osso? Dou um passo à frente. Quem mais? Venham, sejamos pele e medula e osso e genitália na geléia geral brasileira. Viva a geléia geral brasileira!

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Invocação do palanque às deusas do território



A todas as moças no Brasil das Ayabás,
após este domingo de ENEM e inimigos,
digo: conclamai todos os eguns, gurls,
vinde, mula sem cabeça e mãe d'água,
vinde, Ñandercy, Iansã, Hilst e Mahin,
vós sois as que nos instam, ó mãinhas.
Que ela, Clarice, bruxuleie nas cabeças
dos machos do território, venha no sono
e puxe suas pernas. Ó Cy, dá-nos vitória
régia sem que nos afoguemos nas águas,
faz muito já que contemplamos sós a lua.
Eu, que não procrio, baixo as mãos a Gaia
antes de erguê-las a inquilinos dos céus,
por todas vossas dádivas do útero à luz
vos louvo, mães e moças do ventre fértil.
Que Madame Satã comande a cavalaria,
a machete de Tuíra Kayapó faz-se lança.
Acorda do teu sono de esqueleto, Luzia,
conduz-nos ao Matriarcado de Pindorama.

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Luzia, a mais antiga do território, a primeira, a última.

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domingo, 25 de outubro de 2015

T.Raumschmiere & Anika - "Sleeping Pills & Habbits"


Esta colaboração entre minha loiríssima e malévola irmã, Anika, e o produtor alemão T.Raumschmiere, não me sai da cabeça. A colaboração está no mais recente álbum de T.Raumschmiere, lançado este mês. O vídeo acima é de Skipp, do DAT Politics.


Sleeping Pills & Habbits
Anika (Annika Henderson)

sleeping pills
and habits
breaking all we ever knew
break through

a whole new bottle of sleeping pills
of wonderous expectation

break the seal
let it pop
and drop the bottle whole

quickly drain
the whisky glass
the sealed white blister packet

watch them slide
cascade
into the white enamal pall

the glorified sarcophogus
the packed up hobby horse

the home-sized swimming pool

broken casandra
broken balerina
you're masked from view
(masked from view)

sleeping pills
and habbits
breaking all we ever knew
break through

she'd consumed them all
drained the glass
for her last dance

she took her bow
standing tall

pulled the rabbit from the hat
she waited for the call

the time is now
take your bow
the audience is yours
the audience is yours


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Lançamento do meu livro em Portugal hoje, em Lisboa, no Bar A Barraca

Estou em Lisboa, e hoje é o lançamento do meu livro Medir com as próprias mãos a febre (Lisboa: Mariposa Azual, 2015), no Bar A Barraca, com apresentação de Miguel Martins, leituras de Alexandra Lucas Coelho, Matilde Campilho e Ederval Fernandes, e apresentação acústico-poética de Daniel Monteiro. Muito feliz. A foto de capa da edição portuguesa é de Adelaide Ivánova. O texto da quarta-capa é de Dirceu Villa.


terça-feira, 20 de outubro de 2015

poeminha da picuinha

as pinturas na pedra
da serra da capivara
e as tábuas de argila
duns hinos a nanna
(enheduanna no altar)
como o abjad fenício,
tatuagem na princesa
do altai, e os poemas
perdidos de neoteroi,
e os mortos inéditos,
tudo isso, muito mais,
põem em perspectiva
literatos de picuinhas.

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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Meu adorado Markus Nikolaus lança nova faixa com seu projeto Lea Porcelain, duo com Julien Bracht


Lea Porcelain - "Bones" (2015)

Markus Nikolaus & Julien Bracht são o duo Lea Porcelain. O EP de estreia sai no mês que vem.

"Do I care about your bones?"

Markus é meu adorado, com quem já compus algumas peças sonoras, e a quem dedico o poema mais longo do meu livro novo, que pode ser lido aqui. Ele acaba de mudar-se para Berlim, após um tempo em Londres. Poucas coisas me fizeram tão feliz este ano. Adorado, idolatrado, salve, salve.

Markus Nikolaus & Julien Bracht ::: LEA PORCELAIN

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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Feliz aniversário, Ludovico


Hoje é aniversário do meu amigo Ludwig Roehrscheid, nascido no inacreditável ano de 1995. No ano passado, eu estava com ele em Francoforte do Meno (Frankfurt am Main). Hoje, mando um abraço de Berlim, meu talentosíssimo rapaz.


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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Entre Holanda e Flandres, lançando "Het Verzamelde Lichaam", minha antologia poética em holandês

Estive este fim-de-semana em Amsterdã, Holanda, e estou agora em Gante, na Bélgica, lançando o volume Het Verzamelde Lichaam (Amsterdam: Uitgevereij Perdu, 2015), com tradução do poeta e tradutor Bart Vonck. Estou viajando com meu editor holandês, Frank Keizer. O volume traz poemas dos meus livros Carta aos anfíbios (2005 - download disponível), a cadela sem Logos (2007), Sons: Arranjo: Garganta (2009), Cigarros na cama (2011 - download disponível), Ciclo do amante substituível (2012) e Medir com as próprias mãos a febre (2015), além de 3 textos de Odes a Maximin (inédito).


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