Rocirda Demencock
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Um poema de Solano Trindade (1908 - 1974).
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Eu sou poeta do povo
Olorum Ekê
A minha bandeira
É de cor de sangue
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Da cor da revolução
Olorum Ekê
Meus avós foram escravos
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Eu ainda escravo sou
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Os meus filhos não serão
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Solano Trindade (1908 - 1974)
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Marcadores:
poesia brasileira,
solano trindade
sábado, 15 de junho de 2013
Em Colônia
Cheguei ontem a Colônia, com meu amigo e parceiro recente, o músico Markus Nikolaus (n. 1989). Hoje à noite nos apresentamos no clube Die Werkstatt. Eu como DJ, Markus com seu projeto musical (veja vídeo abaixo):
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Estamos hospedados na casa de nosso amigo, o músico e escritor Bryan Kessler (n. 1991).
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música para os meus ouvidos
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Entrevista com Luke Troynar, tambem conhecido como CREATURES
Entrevista com Luke Troynar (Melbourne, Austrália, 1986), também conhecido CREATURES,
para a Hilda Magazine.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013
Da série de leituras que organizo com Black Cracker em Berlim: YOUNG NECK feat. BLACK CRACKER (vídeo)
YOUNG NECK featuring BLACK CRACKER na terceira edição do evento "READING: a night of text / sound / video". Filmado por Johan Delétang no dia 22 de maio de 2013, no espaço Shift, de Berlim. READING é uma série de eventos organizados por mim e por Black Cracker, investigando formas tradicionais e alternativas de publicar/apresentar TEXT-BASED WORK.
O próximo será no dia 25 de junho, com os poetas textuais / sonoros / visuais Rachel McKibbens (EUA), Shane Anderson (EUA), Imogen Heath (Irlanda) e Luke Troynar a.k.a. Creatures (Austrália).
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domingo, 9 de junho de 2013
"Índios, memória de uma CPI", de Hermano Penna
"O filme Índios, memória de uma CPI é um média metragem de 32 minutos de
duração que utiliza o material cinematográfico que documentou a histórica
Comissão Parlamentar de Inquérito, realizada pela Câmara dos Deputados em
1968 e que investigou a situação dos povos indígenas.
A CPI do Índio, como na ocasião ficou conhecida essa iniciativa da Câmara
Federal, foi a primeira Comissão de Inquérito (CPI) que saiu do prédio do
Congresso para fazer suas investigações in loco. Inicialmente foram
pensadas cinco viagens para regiões onde mais se agudizavam os conflitos
entre índios e as frentes pioneiras.
Fui convidado por Olympio Serra, o antropólogo assessor da CPI, para
documentar as viagens dos deputados. Contando com a colaboração direta da
Universidade de Brasília, com uma câmera Arri/16, do Hospital Distrital de
Brasília e um Nagra do Smithoniam Institute, eu, fotografando e dirigindo, e
Fernando Almeida, fazendo o som, filmamos as duas viagens que a CPI
conseguiu realizar até o fatídico dia de 13 de dezembro de 1968, dia do AI-5.
Na primeira viagem, aos estados do Pará, Goiás e Maranhão, contamos com a
presença de Maurice Capovilla, que na época colaborava na reestruturação do
Departamento de Cinema da Universidade de Brasília, e muito auxiliou nas
primeiras filmagens do documentário.
A CPI foi interrompida pelo AI-5, vários dos seus membros foram cassados,
inclusive o seu relator o Dep. Marcos Kertzmann, e não concluiu os seus
trabalhos.
O filme também sofreu as consequências da brutalidade política: os negativos
e o som me foram tomados. Estava adiada a primeira tentativa do cinema
brasileiro em colocar a questão do índio como problema social e político,
antes toda a cinematografia indígena era etnográfica. Anos mais tarde viria
o pioneiro "Terra dos Índios" de Zelito Viana, "Uirá" de Gustavo Dahll e
mais tarde o "Mato Eles" de Sérgio Bianchi.
Ficou adiada também, a minha estreia num filme de fatura semi profissional.
Anos se passaram e nunca aceitei a violência política de que fomos vítimas.
Finalmente consegui, quinze anos depois, reaver os originais de imagem e
som de forma rocambolesca, mas isso já é outro filme.
A colaboração da TV CÂMARA foi determinante na finalização do filme, em 1998, ano em que a Camapanha da Fraternidade tem a questão indígena como tema. E,
que esse filme participe da continuada, diária, luta contra o preconceito e
pelo respeito às diferenças étnicas."
----- Hermano Penna
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sexta-feira, 31 de maio de 2013
"Canto da castanheira em ou sem flor"
As castanheiras em flor na Kastanienallee (Aleia das Castanhas), em Berlim.
Canto da castanheira em ou sem flor
Safo
Diz-me por que me deixou o que outrora fora só meu O Moço.
Safo Safo
Diz-me por que ora a outro dispensa os seus beijos meu Moço.
Não me importam na aleia as castanhas em flor sem sua pança.
Sem o menos casto dos moços é tão-só casmurra essa andança.
Agora se me assemelham simples castigo na aleia as castanhas.
Kastanienallee Kastanienallee sem seu tórax é carga tamanha.
Catulo
Por que me encasulo entre as castanheiras em flor sem O Moço?
Catulo Catulo
Com outro se encastela o que antes à flor de minha pele castanha.
A meus pés às castanhas sem O Moço na aleia é sempre outono.
É sem tom a Kastanienalle e o clima ensimesma sem O Moço.
Que diferença há nessa febre se inverno ou verão sem doutor.
Dão nojo sem castanhas a neve e o sol por entre galhos em flor.
Ovídio
Nenhuma Metamorfose há-de tornar-me o suor suábio d´O Moço.
Ovídio Ovídio
De Amores não há o que outrora fora O Moço e eu eu e O Moço.
Topônimos são todos anônimos se não servem a cantar dele o couro.
As metáforas já não ligam fonemas na Comunhão dos Jovens Touros.
Pai mãe poetas irmãs dai-me no mundo sem fundos o glabro senhor:
Eu sou Ricardo Domeneck o desMoçado entre as castanheiras em flor.
Arnaut
Sem O Moço sou eu para os judeus o zen e o cristão entre os mouros.
Arnaut Arnaut
Que cessem Cruzadas se não cruzo na aleia com o Todo-Glamuroso.
Meus pais Cida e João que me adiantou jogar-me no Mundo pré-Moço.
João e Cida meus pais antes o Nada que esse nadar em oceano desMoço.
Irmãs Elisângela Elaine não se irmana a meu corpo o glabro d´O Moço.
Elaine Elisângela quede o sangue que me aqueça na gleba pós-Moço.
Cavafy
Sem O Moço é além o lá e ali o aí e nenhures de nunca o agora o aqui.
Cavafy Cavafy
DesMoço estraga-me o tomate bigata-me a goiaba azeda-me o caqui.
Doravante
E para sempre
O´Hara Codax
Brecht Dufrêne
E assim
Por diante
Pasolini Hilst
Eliot Lavant
Pelos séculos
Dos séculos
Amém
Que amem
Mas não há pajé
Ou xamã
Que desapodreça
A maçã
Desse almoço
Sem O Moço.
§
31 de maio de 2013. Ricardo Domeneck, Berlimbo de primavera chuvosa, pensando no "Canto da Castanheira" do poeta-pajé Kãñïpaye-ro Araweté, lido na tradução de Eduardo Viveiros de Castro, e retrabalhada e comentada por Antônio Risério.
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sábado, 25 de maio de 2013
"Meu campo de trabalho", poema inédito.
Meu campo de trabalho
Há dez anos
nem morto
eu teria
sido pego
dizendo isso
mas agora
como seria
acordar cedo
e se eu
quiser comer
em uma semana
ter que plantar
hoje o almoço
e a janta
que hão de vir
e se eu quiser
comer hoje
ter que colher
agora o que
cresce já
há um mês
e então cozer
o que só eu
hei de engolir
e ter a coser
o que eu só
hei de vestir
e ter a terra
que adubei
nos dedos
dos pés
nos dedos
das mãos
e para lavá-la
ir a lago ou rio
então sentar
-me à sombra
de uma árvore
da qual sei
o nome científico
e popular
ouvir o pássaro
do qual localizo
o canto o ninho
e então escrever
um poema cheio
de topônimos
- Ricardo Domeneck. Berlimbo, maio de 2013.
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
Suplemento Literário de Minas Gerais - 54 poetas comentam poemas dos últimos 20 anos
Já se pode baixar o arquivo com a edição especial do Suplemento Literário de Minas Gerais, dedicado à poesia dos últimos 20 anos. Mais de 50 poetas foram convidados a selecionar e comentar 1 poema, publicado a partir de 1990. Sugeri e comentei "O cutelo", do livro Icterofagia (São Paulo: Hedra, 20120), de Dirceu Villa. Leia este e os demais poemas baixando o arquivo em PDF, disponível no link abaixo.
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terça-feira, 21 de maio de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
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