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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O Festival Artes Vertentes 2014 começa na sexta: um convite ao poetariado




Queridos, segue aqui um convite ao poetariado, especialmente aos mais jovens que ainda têm energia para aventurices. Começa na sexta-feira, 12 de setembro em Tiradentes - MG, o Festival Artes Vertentes 2014. Eu fiz a curadoria de literatura, e me considero o primeiro e mais sortudo por poder passar 10 dias na cidade mineira com autores do naipe de Leonardo Fróes, Harryette Mullen e Ricardo Aleixo, além de gente que admiro dentro da minha geração e da novíssima, como Reuben Da Cunha Rocha, Matilde Campilho, Andriy Lyubka, Eduard Escoffet e Paula Abramo. Lançaremos uma antologia com textos de todos eles.


Se você mora em BH ou outra cidade mineira, ou está em qualquer outra cidade, livre e podendo viajar, eu realmente acho uma oportunidade muito legal para conviver com alguns poetas muito ótimos. Venha ver as leituras e performances (que são gratuitas), tomar um café conosco, conviver. Cada vez mais considero isso essencial. Não estou querendo apenas ibope pro festival, acho apenas uma coisa boa, especialmente para os poetas mais jovens.

Durma no carro, acampe. 

Se alguém estiver a fim, mas com dificuldades, me mande uma mensagem particular e eu vejo se posso ajudar de alguma maneira.

Infelizmente, apenas 2 poetas ficam no Brasil um pouco mais de tempo, Matilde e Andriy, portanto tentarei organizar algo pequeno com eles no Rio.


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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Textos dos 3 autores já confirmados para o Festival Artes Vertentes 2014



Festival Artes Vertentes 2014 - Tiradentes, Minas Gerais 
- de 12 a 21 de setembro. 

Curadoria de literatura: Ricardo Domeneck. 
Direção artística: Luiz Gustavo Carvalho.

Já anunciadas as presenças do brasileiro Leonardo Fróes (n. 1941) e do ucraniano Andriy Lyubka (n. 1987). Confirmada hoje também a participação do maranhense Reuben da Cunha Rocha (n. 1984). Leia abaixo um poema de cada um dos autores. Os outros escritores, brasileiros e internacionais, serão anunciados ao longo dos próximos meses.




Aberto para os dedos de Deus
Leonardo Fróes

se eu fizer pelo menos a manhã começar
dos meus cabelos e tirar mais um pouco
da última fatia e não ficar lamentando
a primeira oportunidade perdida, e se eu não der
bola para os preconceitos que me reduzem até
eu mesmo achar que sendo um ser humano eu me explico
na complicação cósmica desses bagaços distantes
que são tão simples,
se eu realmente não puser mais o pé na fantasia
do dia que está à minha espera e represa
tantas demonologias ferozes que eu esqueço de olhar,
se eu não ficar completamente maluco
por isso e o desejo de cumprimentar
deus em pessoa.



§


[Essa mulher em seu banheiro, depilando-se]
Andriy Lyubka

Essa mulher em seu banheiro, depilando-se,
celebrará o vigésimo-quarto aniversário amanhã.
Talvez "celebrar" seja palavra ruidosa demais,
ela simplesmente telefonará para pai e mãe
e fará suas orações antes de ir para a cama.
Você não entende as orações, nem seus olhares misteriosos,
a língua que usa nos menus de seu telefone.
Vocês não estão predestinados a ficar juntos, e é melhor assim,
você diz para si mesmo: "é melhor assim".
Em momentos de ternura incomum, você diz
que acredita que eles não têm armas nucleares,
destruição em massa nenhuma, e sente-se um idiota.
E então você tem um sonho no qual o corpo dela
cheira a armas nucleares, como os desertos, as canções dos ciganos.
"Mas por que ciganos?", você se pergunta na manhã seguinte,
pena, não há resposta para esta pergunta. Você não sabe nada
sobre a infância dela, sobre o território em que recebeu sua 
              [educação em língua inglesa,
e por que exatamente ela escolheu você e não outro.
Vocês estão juntos há três semanas. E às vezes você examina 
              [o mapa-múndi,
avaliando a localização do Irã, seus vizinhos,
seus recursos, naturais e humanos.
Você considera que, com o passar do tempo, a compreenderá melhor.
Às vezes, você faz perguntas sobre o Irã, e promete a ela que visitarão 
             [o país juntos,
e ela ainda cheira a verão cigano e armas nucleares,
o deserto dela é entre vocês dois, a noite aproxima-se,
e ela está em seu banheiro, depilando-se.

(tradução de Ricardo Domeneck, a partir da tradução inglesa).

§


Praça do Sol às 3 da tarde
Reuben da Cunha Rocha

Praça do Sol às 3 da tarde
risca o fósforo do incendiário
Praça do Sol às 3 da tarde
abre as narinas p/ o fedor dos muros
Praça do Sol às 3 da tarde
esconde a senha dos holocaustos
Praça do Sol às 3 da tarde
enerva cada coração covarde
Praça do Sol às 3 da tarde
aponta os mísseis à glória
Praça do Sol às 3 da tarde
depila as tuas rameiras
Praça do Sol às 3 da tarde
apascenta teus ambulantes
Praça do Sol às 3 da tarde
despista o fumo dos policiais
Praça do Sol às 3 da tarde
oculta o raio do cego
Praça do Sol às 3 da tarde
acode o baque das ondas
Praça do Sol às 3 da tarde
distrai o tédio do pipoqueiro
Praça do Sol às 3 da tarde
loas ao biquíni túrgido
Praça do Sol às 3 da tarde
acorda a renca dos ventos
Praça do Sol às 3 da tarde
diz a gíria do guardador de carros
Praça do Sol às 3 da tarde
toma gosto c/ as empregadas
Praça do Sol às 3 da tarde
pendura a nuvem nos galhos
Praça do Sol às 3 da tarde
trocados ao vendedor de coco
Praça do Sol às 3 da tarde
ouvido ao reggae das bacantes
Praça do Sol às 3 da tarde
Praça do Sol às 3 da tarde
Praça do Sol às 3 da tarde 
devora a muvuca das gentes
cede teus bancos às fodas
legisla a rixa dos traficantes
senhora injuriada das trapaças
abre tuas pernas p/ os pivetes
engole o mijo da criança

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