Chan Marshall aka Cat Power fala de sua bebedeira. Senti o "erratic behavior on stage" de Ms. Marshall na pele. A apresentação dela em São Paulo (em 2001) foi uma das piores coisas que presenciei num palco. Mas nunca deixei de amar sua voz e música, seus textos lindos. Sua canção "Nude as the news" está entre minhas all-time favourites. Ela está ficando cada vez mais bonita.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
domingo, 7 de dezembro de 2008
Grupal parece gostoso
Sim, parece ser produtivo. É. Como já disse Ron Silliman: "poetry is community", e há uma diferença gigantesca entre comunidade e máfia. Poeta aprende rápido a viver, sabe que lenda é para depois. Entre os que se liam uns aos outros e os que trocavam outros fluidos além de tinta, algumas das histórias mais divertidas e influentes da poesia do século passado foram concebidas entre amigos. Poesia e coterie andam de mãos dadas há muito tempo. Precisamos pensar sobre a poesia, sua produção e recepção sem delírios imperiais. Pensar, talvez, até mesmo no que há de certo e errado em ter alguns poucos leitores e dedicar-se a eles. Sem delírios totalitários. Engraçado imaginar que a era digital esteja talvez quebrando as ilusoes de totalidade dos séculos XVIII e XIX, como o cargo ridiculamente provinciano do "poeta nacional", o único coroável, adorável, salve, salve. "Era no tempo do rei" ou "Era no tempo de Bandeira/Drummond/Cabral" são intercambiáveis (eu teria votado em Murilo Mendes, de qualquer forma) para os historiadores das hegemonias literárias e os poetas que anseiam por láureas e cargos em secretarias de educação e cultura de governos municipais estaduais federais. Eu prefiro viver agora com alguns companheiros. Há, sim, comunidades de poetas em atividade hoje. A lenda é para depois.
Abaixo, algumas comunidades de poetas, pequenas coteries (sem os seus poucos fiéis primeiros leitores) que mais tarde se tornariam história totalitária.
Abaixo, algumas comunidades de poetas, pequenas coteries (sem os seus poucos fiéis primeiros leitores) que mais tarde se tornariam história totalitária.
sábado, 6 de dezembro de 2008
O fim dos fins da canção
O fim dos fins da canção
Ricardo Domeneck
Mostra-se muitas vezes difícil evitar certa tendência, no momento de transição constante em que vivemos, de geração em geração, de tomarmos a estrutura mutante e fluida de uma manifestação artística e tentar dotá-la do caráter de essência imutável e recorrente, iludindo-nos na crença de que a maneira como praticamos uma arte foi a maneira como a humanidade a praticou desde os primórdios dos tempos, esquecendo-nos que nossa práxis também gerou mudanças em estruturas passadas e pode ter significado, para a geração imediatamente anterior à nossa, também a morte daquela prática artística. Não foi como morte da arte tal qual a conheceram, que os homens e as mulheres do início do século XX viram o surgimento do Modernismo? No entanto, se tal transformação significou, sim, a morte da arte como a conheceram, significou também o nascimento da arte como passamos a conhecê-la, usando tal estrutura conceitual para passarmos a julgar mesmo a arte que foi concebida fora e antes dela. É comum que artistas mais velhos vejam as transformações engendradas por artistas mais jovens como morte das práticas como as conheceram. Unido ao hábito de leitura linear e irreversível, chegamos ao labor funerário dos fins da história, da lírica, da canção. Quando um poeta-compositor como Chico Buarque declara ver no surgimento do rap o fim da canção, flagramos essa tendência a que me referi no início deste texto. Esta morte é totalmente fictícia, creio. No início da década de 1990, com o fortalecimento da cena musical que gerou o tecno, o trance, o drum ’n’ bass, a house music, numa clave eminentemente instrumental, falou-se também do fim da canção. Nada impediu, porém, que poetas-compositores continuassem surgindo, como Chan Marshall e Jeff Buckley, assim como a própria união das novas estruturas musicais ao gênero da canção, levando ao surgimento daquilo que foi, em minha opinião, a grande contribuição da década de 1990: o trip hop, com grupos como Portishead e Massive Attack, e artistas como Björk e Tricky, que seguiram compondo a canção (que teve sua primeira estrutura entre os trovadores medievais), mas obviamente não como a conheceram até aquele momento.
Mesmo hoje, presenciamos o surgimento de muitos poetas-compositores, songwriters, como se diz em inglês, seguindo as estruturas criadas por Bob Dylan ou Leonard Cohen, como Adam Green (bastante conservador, em minha opinião) ou os geniais Conor Oberst e Sufjan Stevens, levando muitos a falarem na Europa de um renascimento da canção, da prática da songwriting.
Se, no Brasil, podemos realmente ver no samba da década de 1920 e 1930 a estruturação da canção como foi conhecida por décadas, sua reformulação pela Bossa Nova e a reestruturação pelo Tropicalismo, não vejo o que poderia justificar o velório da canção nos dias de hoje. A década de 1990 presenciou o surgimento de herdeiros da Tropicália, como Chico Science, Otto e Fred Zero4, mas nos últimos anos pudemos ver no trabalho de Marcelo Camelo um sinal da sobrevivência da canção como foi praticada por Chico Buarque e outros. Concordo com Santuza Cambraia Naves em sua formulação de que a Tropicália teria sido o golpe final contra a autonomia da canção como gênero específico textual e musical, ajudando-nos a entrar no que tenho chamado de poética multimedieval, um retorno à saúde pluralista do medievo da canção e do poema como escrita, música e performance. Essa autonomia dos gêneros foi algo que marcou o Modernismo, e vejo em sua morte (não a da canção, mas da taxonomia engessada de gêneros estanques) uma das coisas mais saudáveis do pós-guerra. Se a Tropicália contribuiu para isso, a Lira Paulistana e o Mangue Beat consolidaram esta nova estrutura. O que não impede que, a qualquer momento, um artista jovem faça uma estrutura conceitual antiga ressurgir com força. Parece-me muito mais interessante, de qualquer forma, discutir não o fim como morte da canção, mas o fim como objetivo. A propósito, este texto foi escrito ao som do cancioneiro de Sufjan Stevens.
Texto publicado no jornal plástico bolha nº23.
Ricardo Domeneck
Mostra-se muitas vezes difícil evitar certa tendência, no momento de transição constante em que vivemos, de geração em geração, de tomarmos a estrutura mutante e fluida de uma manifestação artística e tentar dotá-la do caráter de essência imutável e recorrente, iludindo-nos na crença de que a maneira como praticamos uma arte foi a maneira como a humanidade a praticou desde os primórdios dos tempos, esquecendo-nos que nossa práxis também gerou mudanças em estruturas passadas e pode ter significado, para a geração imediatamente anterior à nossa, também a morte daquela prática artística. Não foi como morte da arte tal qual a conheceram, que os homens e as mulheres do início do século XX viram o surgimento do Modernismo? No entanto, se tal transformação significou, sim, a morte da arte como a conheceram, significou também o nascimento da arte como passamos a conhecê-la, usando tal estrutura conceitual para passarmos a julgar mesmo a arte que foi concebida fora e antes dela. É comum que artistas mais velhos vejam as transformações engendradas por artistas mais jovens como morte das práticas como as conheceram. Unido ao hábito de leitura linear e irreversível, chegamos ao labor funerário dos fins da história, da lírica, da canção. Quando um poeta-compositor como Chico Buarque declara ver no surgimento do rap o fim da canção, flagramos essa tendência a que me referi no início deste texto. Esta morte é totalmente fictícia, creio. No início da década de 1990, com o fortalecimento da cena musical que gerou o tecno, o trance, o drum ’n’ bass, a house music, numa clave eminentemente instrumental, falou-se também do fim da canção. Nada impediu, porém, que poetas-compositores continuassem surgindo, como Chan Marshall e Jeff Buckley, assim como a própria união das novas estruturas musicais ao gênero da canção, levando ao surgimento daquilo que foi, em minha opinião, a grande contribuição da década de 1990: o trip hop, com grupos como Portishead e Massive Attack, e artistas como Björk e Tricky, que seguiram compondo a canção (que teve sua primeira estrutura entre os trovadores medievais), mas obviamente não como a conheceram até aquele momento.
Mesmo hoje, presenciamos o surgimento de muitos poetas-compositores, songwriters, como se diz em inglês, seguindo as estruturas criadas por Bob Dylan ou Leonard Cohen, como Adam Green (bastante conservador, em minha opinião) ou os geniais Conor Oberst e Sufjan Stevens, levando muitos a falarem na Europa de um renascimento da canção, da prática da songwriting.
Se, no Brasil, podemos realmente ver no samba da década de 1920 e 1930 a estruturação da canção como foi conhecida por décadas, sua reformulação pela Bossa Nova e a reestruturação pelo Tropicalismo, não vejo o que poderia justificar o velório da canção nos dias de hoje. A década de 1990 presenciou o surgimento de herdeiros da Tropicália, como Chico Science, Otto e Fred Zero4, mas nos últimos anos pudemos ver no trabalho de Marcelo Camelo um sinal da sobrevivência da canção como foi praticada por Chico Buarque e outros. Concordo com Santuza Cambraia Naves em sua formulação de que a Tropicália teria sido o golpe final contra a autonomia da canção como gênero específico textual e musical, ajudando-nos a entrar no que tenho chamado de poética multimedieval, um retorno à saúde pluralista do medievo da canção e do poema como escrita, música e performance. Essa autonomia dos gêneros foi algo que marcou o Modernismo, e vejo em sua morte (não a da canção, mas da taxonomia engessada de gêneros estanques) uma das coisas mais saudáveis do pós-guerra. Se a Tropicália contribuiu para isso, a Lira Paulistana e o Mangue Beat consolidaram esta nova estrutura. O que não impede que, a qualquer momento, um artista jovem faça uma estrutura conceitual antiga ressurgir com força. Parece-me muito mais interessante, de qualquer forma, discutir não o fim como morte da canção, mas o fim como objetivo. A propósito, este texto foi escrito ao som do cancioneiro de Sufjan Stevens.
Texto publicado no jornal plástico bolha nº23.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Para a dor do ângulo saliente na articulação do braço com o antebraço
A primeira vez que ouvi a expressão alemã "Liebeskummer", algo como "dor de amor" (a riminha vagabunda é apropriada) para o deserto que se atravessa entre um não e outro, entendi "Liebeskoma", algo como "estado de coma amoroso". Ainda considero minha versão muito mais precisa.
Queridinho, você quer se apaixonar "e" ser feliz? Quer sopinha na boca também?
Eu acredito que Fassbinder estava ligeiramente amargo quando escreveu esta peça. E creio que Ozon andava meio cínico ao filmá-la. Bem, já dizia aquela canção gravada por PJ Harvey: "Is that all there is to love? If that´s all there is,then let´s keep dancing."
("Gouttes d'eau sur pierres brûlantes", François Ozon, 2000, France)
§
Love (according to Robert Creeley)
The thing comes
of itself
............(Look up
......to see
............the cat & the squirrel,
......the one
torn, a red thing,
............& the other
somehow immaculate
§
(PJ Harvey & John Parish - "Is that all there is?)
§
A PAIXONITE SEGUNDO R.D.
Refrigerador
o que recende e
ascende deste lençol
encharcado no suor
de um único
dono não mais
condensa-se ou
mistura-se
à extensão de
outro corpo
e deixa-me a tarefa
de carregar e conter
meus órgãos internos
com minha própria
pele tão-somente
passeio no parque caminho
pelo parque convencendo-me
de estar engajado apenas
em uma atividade bonitinha
seja
outono ou inverno visto
a expressão “tenho
um amante mas
ele está longe” e todos
percebem o
perigo dá-se
vejo um casal
e logo “two lovers
entwined pass
me by & heaven
knows I´m
miserable now” surgem
dominam-me eu os afasto
olhando o chão
sou uma folha amarela o
contato com o chão
me basta sou uma folha
amarela o contato com
o chão me basta
fico na chuva quero
induzir-me à febre à gripe
à cama necessária
imitá-lo mesmo na doença
lembrar-me dele espirrando o
corpo todo que se
ama tanto tremendo
tremendo
não colaboro com
a insônia alheia faço
sexo com outro e
outro e o corpo estende
faixas obrigado
obrigado
pela graça
alcançada
a cama enfim ocupada
viro-me finjo que
durmo lembrando-me
que é apenas uma
hipótese que o sol
amanhã levante-se
o toldo estenda-se
que o balão suba
meu focinho colado
ao chão, cão à caça;
e a insaciabilidade
Ricardo Domeneck - Carta aos anfibios (Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2005)
Queridinho, você quer se apaixonar "e" ser feliz? Quer sopinha na boca também?
Eu acredito que Fassbinder estava ligeiramente amargo quando escreveu esta peça. E creio que Ozon andava meio cínico ao filmá-la. Bem, já dizia aquela canção gravada por PJ Harvey: "Is that all there is to love? If that´s all there is,then let´s keep dancing."
("Gouttes d'eau sur pierres brûlantes", François Ozon, 2000, France)
§
Love (according to Robert Creeley)
The thing comes
of itself
............(Look up
......to see
............the cat & the squirrel,
......the one
torn, a red thing,
............& the other
somehow immaculate
§
(PJ Harvey & John Parish - "Is that all there is?)
§
A PAIXONITE SEGUNDO R.D.
Refrigerador
o que recende e
ascende deste lençol
encharcado no suor
de um único
dono não mais
condensa-se ou
mistura-se
à extensão de
outro corpo
e deixa-me a tarefa
de carregar e conter
meus órgãos internos
com minha própria
pele tão-somente
passeio no parque caminho
pelo parque convencendo-me
de estar engajado apenas
em uma atividade bonitinha
seja
outono ou inverno visto
a expressão “tenho
um amante mas
ele está longe” e todos
percebem o
perigo dá-se
vejo um casal
e logo “two lovers
entwined pass
me by & heaven
knows I´m
miserable now” surgem
dominam-me eu os afasto
olhando o chão
sou uma folha amarela o
contato com o chão
me basta sou uma folha
amarela o contato com
o chão me basta
fico na chuva quero
induzir-me à febre à gripe
à cama necessária
imitá-lo mesmo na doença
lembrar-me dele espirrando o
corpo todo que se
ama tanto tremendo
tremendo
não colaboro com
a insônia alheia faço
sexo com outro e
outro e o corpo estende
faixas obrigado
obrigado
pela graça
alcançada
a cama enfim ocupada
viro-me finjo que
durmo lembrando-me
que é apenas uma
hipótese que o sol
amanhã levante-se
o toldo estenda-se
que o balão suba
meu focinho colado
ao chão, cão à caça;
e a insaciabilidade
Ricardo Domeneck - Carta aos anfibios (Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2005)
Tradução para poema de Lyn Hejinian
Elegia
Eu agora escrevo em preconcepções
Aquelas de sexo e cordas
Muitos frêmitos violentos ocorrem à carne da
.......imaginação
E a imaginação tem em verdade carne a destruir
E a carne tem imaginação a lacerar
A boca é apenas um corpo preenchido de imaginação
Você pode imaginar seus conteúdos?
O gotejar a um balde
E seus atos
As elipses e encadeamento aparte
A pluma
O expectador
A imaginação, vazia, nada possui que a confirme
Há apenas o cantar dos pássaros
Os sons do grito original
Estranho exemplo
A imaginação deseja ser abraçada pela liberdade
É esvaziada para poder ser objeto de desejo
Mas a imaginação precisa da observância à carne
.......em resposta – seus incrementos de vigilância – uma
.......progressão vagarosa
Precisa ser bela e não consegue libertar-se
(tradução de Ricardo Domeneck,
publicada no número de estréia da revista
Modo de usar & Co.)
§
Elegy
I am writing now in preconceptions
Those of sex and ropes
Many frantic cruelties occur to the flesh of the
.......imagination
And the imagination does have flesh to destroy
And the flesh has imagination to sever
The mouth is just a body filled with imagination
Can you imagine its contents
The dripping into a bucket
And its acts
The ellipses and chaining apart
The feather
The observer
The imagination, bare, has nothing to confirm it
There's just the singing of the birds
The sounds of the natural scream
A strange example
The imagination wishes to be embraced by freedom
It is laid bare in order to be desired
But the imagination must keep track of the flesh
.......responding--its increments of awareness--a
.......slow progression
It must be beautiful and it can't be free
Lyn Hejinian nasceu em San Francisco, Califórnia, em 1941. Entre 1976 e 1984, Hejinian dirigiu sua própria editora, a Tuumba Press, pela qual lançaria aquele que é oficialmente conhecido como seu primeiro livro, A Thought is the Bride of What Thinking (Berkeley: Tuumba Press, 1976). Sua editora viria a lançar muitos dos poetas de sua geração que mais tarde, devido à revista L=A=N=G=U=A=G=E, editada por Charles Bernstein e Bruce Andrews, viriam a ser conhecidos como Language Poets. Alguns de seus trabalhos mais conhecidos são Gesualdo (1978), Writing is an Aid to Memory (1978), My Life (1980/1987), Oxota: A Short Russian Novel (1991), The Cell (1992) e Happily (2000). Traduziu ainda alguns volumes da poesia do russo Arkadii Dragomoshchenko.
Eu agora escrevo em preconcepções
Aquelas de sexo e cordas
Muitos frêmitos violentos ocorrem à carne da
.......imaginação
E a imaginação tem em verdade carne a destruir
E a carne tem imaginação a lacerar
A boca é apenas um corpo preenchido de imaginação
Você pode imaginar seus conteúdos?
O gotejar a um balde
E seus atos
As elipses e encadeamento aparte
A pluma
O expectador
A imaginação, vazia, nada possui que a confirme
Há apenas o cantar dos pássaros
Os sons do grito original
Estranho exemplo
A imaginação deseja ser abraçada pela liberdade
É esvaziada para poder ser objeto de desejo
Mas a imaginação precisa da observância à carne
.......em resposta – seus incrementos de vigilância – uma
.......progressão vagarosa
Precisa ser bela e não consegue libertar-se
(tradução de Ricardo Domeneck,
publicada no número de estréia da revista
Modo de usar & Co.)
§
Elegy
I am writing now in preconceptions
Those of sex and ropes
Many frantic cruelties occur to the flesh of the
.......imagination
And the imagination does have flesh to destroy
And the flesh has imagination to sever
The mouth is just a body filled with imagination
Can you imagine its contents
The dripping into a bucket
And its acts
The ellipses and chaining apart
The feather
The observer
The imagination, bare, has nothing to confirm it
There's just the singing of the birds
The sounds of the natural scream
A strange example
The imagination wishes to be embraced by freedom
It is laid bare in order to be desired
But the imagination must keep track of the flesh
.......responding--its increments of awareness--a
.......slow progression
It must be beautiful and it can't be free
Lyn Hejinian nasceu em San Francisco, Califórnia, em 1941. Entre 1976 e 1984, Hejinian dirigiu sua própria editora, a Tuumba Press, pela qual lançaria aquele que é oficialmente conhecido como seu primeiro livro, A Thought is the Bride of What Thinking (Berkeley: Tuumba Press, 1976). Sua editora viria a lançar muitos dos poetas de sua geração que mais tarde, devido à revista L=A=N=G=U=A=G=E, editada por Charles Bernstein e Bruce Andrews, viriam a ser conhecidos como Language Poets. Alguns de seus trabalhos mais conhecidos são Gesualdo (1978), Writing is an Aid to Memory (1978), My Life (1980/1987), Oxota: A Short Russian Novel (1991), The Cell (1992) e Happily (2000). Traduziu ainda alguns volumes da poesia do russo Arkadii Dragomoshchenko.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
E se eles vierem todos / Numa ciranda de tigres / Defenderei / Defenderei / Defenderei
Amigos perguntam-me às vezes o porquê de minha insistência e quase ferocidade no combate a certos conceitos críticos de alguns poetas contemporâneos, como o de "trans-historicidade poética", por exemplo. Já expus em alguns textos os argumentos para minha divergência e como este conceito me parece equivocado. Isso não explica, é verdade, a minha "insistência", minha "ferocidade", como dizem os amigos. Talvez o fato de morar em um país como a Alemanha, em uma cidade como Berlim, realmente faça com que a mera noção de "trans-historicidade" me gele crânio, costelas e cóccix; me faça ainda mais sensível para as implicações da prática poética engendrada por este conceito, a elefantíase semântica, o retorno a uma poesia decadentista e exotizante disfarçada de experimentalismo, a mitificação do poeta baseada em uma espécie de "hierarquia" espiritual, morbidez e leviandade est(É)ticas que tentam passar por "seriedade no tratamento da língua".
Um poeta que caminha pelas ruas de uma cidade como Berlim tem certa dificuldade em dar-se ao luxo de facilitações críticas como esta. Mas, um poeta no Brasil, em uma cidade como São Paulo, ou como o Rio de Janeiro, pode dar-se a esses luxos? A maneira como os defensores do conceito de "trans-historicidade" tentam usar a falácia de afirmar que poetas com o meu tipo de "constituição", digamos, se interessam mais pela "realidade" que pela "linguagem" torna tudo ainda mais absurdo, pois são justamente dicotomias como estas, separando realidade e linguagem como se ainda estivéssemos no século XIX, que deveriam (creio eu) ser questionadas por poetas hoje.
O poeta usa a linguagem que pertence a toda uma comunidade, em práticas que têm implicações políticas e artísticas ou, no campo em que política e arte se encontram, est(É)ticas. Ludwig Wittgenstein: "Ética e estética são uma só." Não se trata de facilitar o trabalho do poeta, mas de complicá-lo. Trabalho formal já não basta, o poeta é obrigado a pensar em forma, função e contexto. Um poeta com consciência histórica (não apenas de seu passado em tradição ou de seu futuro em parúsia, mas em seu presente) escreve em estado de emergência, sítio, tentando alertar para as calamidades públicas que se acumulam, sem separá-las entre espirituais e físicas. Nossa penúria é completa.
Um poeta que caminha pelas ruas de uma cidade como Berlim tem certa dificuldade em dar-se ao luxo de facilitações críticas como esta. Mas, um poeta no Brasil, em uma cidade como São Paulo, ou como o Rio de Janeiro, pode dar-se a esses luxos? A maneira como os defensores do conceito de "trans-historicidade" tentam usar a falácia de afirmar que poetas com o meu tipo de "constituição", digamos, se interessam mais pela "realidade" que pela "linguagem" torna tudo ainda mais absurdo, pois são justamente dicotomias como estas, separando realidade e linguagem como se ainda estivéssemos no século XIX, que deveriam (creio eu) ser questionadas por poetas hoje.
O poeta usa a linguagem que pertence a toda uma comunidade, em práticas que têm implicações políticas e artísticas ou, no campo em que política e arte se encontram, est(É)ticas. Ludwig Wittgenstein: "Ética e estética são uma só." Não se trata de facilitar o trabalho do poeta, mas de complicá-lo. Trabalho formal já não basta, o poeta é obrigado a pensar em forma, função e contexto. Um poeta com consciência histórica (não apenas de seu passado em tradição ou de seu futuro em parúsia, mas em seu presente) escreve em estado de emergência, sítio, tentando alertar para as calamidades públicas que se acumulam, sem separá-las entre espirituais e físicas. Nossa penúria é completa.
Neva e eu leio.
Neva.
Uso o aquecimento no último nível permitido pela calefação.
Lembro-me que o frio não existe, apenas a ausência do calor.
Volto da livraria com os apetrechos da semana, incluindo este.

Ludwig Wittgenstein, Vortrag über Ethik und andere kleine Schriften. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1989
"Toda explicação é apenas uma hipótese."
Ludwig Wittgenstein

Ludwig Wittgenstein em 1947.
Uso o aquecimento no último nível permitido pela calefação.
Lembro-me que o frio não existe, apenas a ausência do calor.
Volto da livraria com os apetrechos da semana, incluindo este.

Ludwig Wittgenstein, Vortrag über Ethik und andere kleine Schriften. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1989
"Toda explicação é apenas uma hipótese."
Ludwig Wittgenstein

Ludwig Wittgenstein em 1947.
Hoje à noite, como toda quarta-feira no Berlimbo

berlin hilton @ Neue Berliner Initiative
our very own private Cabaret Voltaire
December Program:
03.12.08 - Motherland (Berlin) live
10.12.08 - Gay Mormon Kissing Club (New York/Paris) DJ set
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+ special set by Zuckerbrot & Peitsche
17.12.08 Sick Girls (Berlin) DJ set
24.12.08 Yes We Have Christmas
31.12.08 New Year Intervention
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
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