Vídeo da performance do poeta sonoro Oskar May (n. 1991) em Berlim, no evento "READING: a night of text / sound / video", série organizada por Black Cracker e por mim aqui na capital alemã. Oskar May nasceu em Viena, Áustria, em 1991. Outras peças sonoras aqui.
Oskar May é um poeta sonoro austríaco, nascido em Viena em 1991. Colaborou em suas paisagens e poemas sonoros com Gianna Virginia e, no momento, colabora com Anna de Marco em um projeto ainda sem nome, em preparo. Oskar May vive e trabalha em sua cidade natal.
Ao contrário da Alemanha, onde a poesia contemporânea é bastante fincada no suporte do livro como forma privilegiada de publicação (e, consequentemente, produção), há na Áustria uma forte tradição de poesia experimental / sonora no pós-guerra, que vem desde o Grupo de Viena.
Nesta série, já comentei e apresentei aqui o trabalho de outro austríaco, Max Oravin (n. 1984).
Tenho bastante apreço por seu trabalho sonoro e de colagem de vozes em "Diskursmaschinengewehr", além do trabalho propriamente lírico de um poema como "The Lane" e do escancaradamente nonsense em "mhm".
No Brasil e neste caminho, podemos pensar no trabalho de Victor Heringer, Reuben da Cunha Rocha e Orlando Scarpa Neto, entre outros. Acredito que haja aqui estratégias interessantes para outros poetas brasileiros contemporâneos.
Max Oravin é um poeta austríaco, nascido na cidade de Leoben em 1984. Cresceu em Graz, e viveu por algum tempo em Reykjavik e Berlim. Vive e trabalha hoje em Jyväskylä, na Finlândia, onde tem se dedicado a pesquisar a traduzir a poesia do país para o alemão, preparando recentemente, para a revista que coedita com Max Czollek, Babelsprech, um dossiê sobre a poesia contemporânea finlandesa. Estou preparando no momento um dossiê sobre a poesia brasileira contemporânea para a mesma série da revista.
Gravação ao vivo da apresentação de Max Oravin em Jyväskylä, Finlândia, a 23 de novembro de 2013.
Traduções de seus poemas para o finlandês foram publicadas na revista Tuli&Savu. Tem se concentrado sobre seu trabalho com poesia sonora e vocal, com a qual se apresenta como Oravin.
Apresentou-se em Berlim, Munique, Helsinque, Lana (Tirol) e Jyväskylä. Seu vídeo para "mein kind", mostrado e traduzido abaixo, foi exibido no festival de vídeo "extra.experimental trails" em Leipzig, em novembro.
POEMAS VOCAIS, TEXTOS E VÍDEOS DE MAX ORAVIN
a grande chancelaria do sol
sobre o fogo há uma rocha e sobre ela uma rocha e sobre ela uma rocha e sobre ela a terra negra e sobre a terra estão os pés e sobre os pés flutua um crânio e sobre o crânio está uma faca e costura um pensamento e sobre o crânio está um osso e sobre o osso os cabelos e sobre os cabelos está o céu o inquieto amplo céu e entre o céu estão pássaros com ossos e penas e no crânio os pensamentos e sobre o céu está o mundo e curva-se perante o rei sobre o rei está um chanceler e sobre ele um chanceler maior e sobre ele a chancelaria a grande chancelaria do sol e sobre o sol está a noite longa com longos dedos frios e sobre a noite está o dia o infindável dia e no dia está uma faca e costura o céu para que caia daí a luz no dia está a faca e costura a luz EU ABRO MINHA BOCA E VOCÊ INSERE UM VOCÁBULO UM PEDREGULHO NA LÍNGUA EU ABRO MEU OUVIDO E VOCÊ INSERE UM VOCÁBULO UM OSSO MASTIGADO EU ABRO MINHA MÃO E VOCÊ COSPE SEU VOCÁBULO SEU VOCÁBULO SALIVADO EU ABRO MINHA MÃO E VOCÊ ME DÁ UMA PEDRA E A PEDRA CRESCE EM ROCHA (tradução de Ricardo Domeneck) : die große kanzlei der sonne Max Oravin über dem feuer ist ein fels und darüber ein fels und darüber ein fels und darüber die schwarze erde und über der erde sind füße und über den füßn schwebt ein hirn und im hirn ist ein messer und stichlt einen gedankn
und über dem hirn ist ein knochn und über dem knochn das haar und über dem haar ist der himml der rastlose weite himml und zwischen dem himml sind vögl mit knochn und federn und gedankn im hirn
und über dem himml ist die welt und verbeugt sich vor dem könig
über dem könig ist ein kanzler und darüber ein größerer kanzler und darüber die kanzlei die große kanzlei der sonne und über der sonne ist die lange nacht mit langen kaltn fingern
und über der nacht ist der tag der endlose tag und im tag ist ein messer und stichlt in den himml damit das licht herabfällt im tag ist ein messer und stichlt das licht
ICH ÖFFNE MEINEN MUND UND DU LEGST EIN WORT HINEIN EINEN KIESL AUF DIE ZUNGE
ICH ÖFFNE MEIN OHR UND DU LEGST EIN WORT HINEIN EINEN ABGENAGTN KNOCHN
ICH ÖFFNE MEINE HAND UND DU SPUCKST HINEIN DEIN WEICHGEKAUTES WORT
ICH ÖFFNE MEINE HAND DU GIBST MIR EINEN STEIN UND DER STEIN WÄCHST ZUM FELS
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profeta eis uma pessoa a falar na língua dos anjos e a mastigar o ar em sua boca eis uma pessoa a deitar-se ao vento com os braços esticados eis uma pessoa a respirar vocábulo por vocábulo as mãos livres de machada ou teclado enrodilhado pela madeira eis uma boca que gagueja para contar não há nada ele sabe como o zumbido eletrônico racha o crânio ao meio e agua a palavra para dentro ele conhece a erva o cogumelo o álcool a conexão inorgânica ele sente o relâmpago nos nervos ele sente a criança não gerada as mãos tremem inúteis ele sente a criança não gerada (tradução de Ricardo Domeneck) : prophet Max Oravin hier ist ein mensch der in englszungen spricht und der die luft zerkaut in seinem mund hier ist ein mensch der sich legt in den wind mit ausgestrecktn armen hier ist ein mensch der atmet wort für wort die hände frei von faustkeil oder tastatur gewundn ums gehölz hier ist ein mund der stammlt es gibt nichts zu erzähln er weiß wie elektronisches gesirr die schädldecke spaltet und gießt das wort hinein er kennt das kraut den pilz den trunk die anorganische verbindung er spürt die blitze in den nervn er spürt das ungezeugte kind die hände zittern nutzlos er spürt das ungezeugte kind §
o toque da língua: pedaço de carne quando ainda morávamos na pedra na pedra como fazem os corais esparramando-se no mar azul aéreo com as próprias mãos formando o cérebro até que a lama do cérebro derramou-se e confluíram em canto os neurônios sob a pele quando ainda olhávamos a boca e obedecíamos seu som chilreos e vibrações de cordas vocais dedilhadas o toque da língua: pedaço de carne e quando nossos uivos sobrepujaram o barulho de tudo quando feríamo-nos com as mãos até que os ossos estouravam e nada havia em nossos corpos além de macerada e tenra carne tenra tenra tenra e macerada carne (tradução de Ricardo Domeneck) : der zungenschlag : ein fetzn fleisch Max Oravin als wir noch wohntn im gestein und am gestein korallnhaft im blaun luftmeer wuchernd das hirn mit bloßn händn formtn bis sich der hirnschleim löste und nervenzelln unter der haut verwuchsn zum gesang als wir noch schautn auf den mund und seinem klang gehorchtn dem schnalzn und den vibrationen gezupfter bänder der zungenschlag : ein fetzn fleisch und als wir mit gebrüll das dröhnen aller dinge übetöntn als wir uns schlugn mit der hand bis alle knochn barstn und nichts mehr blieb in unsrem leib als weichgeklopftes fleisch das weiche weiche weichgeklopfte fleisch
§
Marte! a terra é lisa e plana pista de dança ampla de minerais mortos teu corpo ergue-se alto pega os disparos dos relâmpagos passeia com a mão pelos olhos e encara o sol deixa o pó de luz entrar cabeça adentro e deixa-o dançar no cérebro a terra é lisa e plana e dançamos sobre minerais mortos nossos corpos erguem-se altos e pegam os disparos dos relâmpagos (tradução de Ricardo Domeneck) :
Mars! Max Oravin das land ist glatt und flach ein weites tanzparkett aus unbelebtm mineral dein körper ragt empor und fängt den stromschlag der blitze wedl mit der hand vor den augn und blinzl in die sonne lass den lichtstaub in dein hirn hinein und lass ihn tanzn im hirn das land ist glatt und flach und wir tanzn am unbelebtn mineral unsre körper ragn empor und fangen den stromschlag der blitze
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meu filho meu filho lá fora é terra calcinada uma terra lisa e estéril nós a queimamos por ti para teus pes descalços quando tu ergues os braços filho partirás o vidro enfia os cacos na boca e tritura com os dentes sangue na língua e gengiva meu filho estica os dentes retos e sorri só uma mandíbula reta pode mastigar QUANDO PEIDAS ARROTAS MORRE NO CÉU UM ANJO tu tens que organizar as palavras na cabeça elas não podem te elidir tu tens que grampear sílabas à boca costurar a língua ao palato meu filho meu filho INSPIRA EXPIRA INSPIRA EXPIRA INSPIRA EXPIRA INSPIRA EXPIRA INSPIRA EXPIRA (tradução de Ricardo Domeneck) :
mein kind Max Oravin mein kind draußn ist verbranntes land ein kahles glattes land das habn wir für dich verbrannt für deine bloßn füße wenn du die arme hochreißt kind wirst du das glas durchbrechn stopf dir die splitter in den mund und knirsch mit den zähnen blutig die zunge das fleisch mein kind spann dir die zähne gerade und lächel nur ein gerades gebiss darf kaun WENN DU FURZT ODER RÜLPST STIRBT EIN ENGL IM HIMML du musst die wörter ordnen im hirn sie dürfn dir nicht entgleitn du musst dir silbn heftn an den mund die zunge im gaumen vernähn die ordnung der wörter muss gewahrt sein muss unbedingt gewahrt sein mein kind mein kind EINATMEN AUSATMEN EINATMEN AUSATMEN EINATMEN AUSATMEN EINATMEN AUSATMEN EINATMEN AUSATMEN . . .