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domingo, 18 de novembro de 2012

Em Belo Horizonte : Hoje: Última performance no Oi Futuro (Teatro Klauss Vianna), às 19:00 - Homenagem a John Cage



HOMENAGEM A JOHN CAGE - Zeitkunst 2012 - Belo Horizonte 

Em Belo Hoizonte esta noite, 18/11: segunda e última performance da "Homenagem a John Cage", parte do Festival Zeitkunst 2012. A apresentação será no Oi Futuro (Teatro Klauss Vianna), às 19:00.

Com os poetas Johannes CS Frank (Inglaterra), Max Czollek (Alemanha), Maya Kuperman (Israel) e Ricardo Domeneck (Brasil). Músicos: Luiz Gustavo Carvalho (Brasil, piano e piano preparado), Caspar Frantz (piano preparado) e Julian Arp (violoncelo). 

No programa, peças de Cage como "Music for Marcel Duchamp" e "Dream" (ouça abaixo), além de uma homenagem a ele, composta pelo húngaro György Kurtág (n. 1926).

18 de novembro, às 19:00
Oi Futuro (Teatro Klauss Vianna)
Avenida Afonso Pena, 4001 
Belo Horizonte

 

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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Homenagem a John Cage" - Rio de Janeiro - Performance - Festival Zeitkunst 2012



HOMENAGEM A JOHN CAGE - Zeitkunst 2012 - Rio de Janeiro 

Nesta sexta-feira, 16/11, no Rio de Janeiro, começa a turnê brasileira do Festival Zeitkunst 2012. A performance será no auditório da Rádio MEC às 17:00, com entrada gratuita. O festival homenageia John Cage este ano, centenário de seu nascimento.

Com os poetas Johannes CS Frank (Inglaterra), Max Czollek (Alemanha), Maya Kuperman (Israel) e Ricardo Domeneck (Brasil). Músicos: Luiz Gustavo Carvalho (Brasil, piano e piano preparado), Caspar Frantz (piano preparado) e Julian Arp (violoncelo). 

No programa, peças de Cage como "Music for Marcel Duchamp" e "In a landscape", além de uma homenagem a ele, composta pelo húngaro György Kurtág (n. 1926).

16 de novembro, às 17:00 (entrada gratuita)
Rádio MEC - Auditório 
Praça da República, 141 A. 
Centro - Rio de Janeiro.

 

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terça-feira, 17 de julho de 2012

Zeitkunst Festival / John Cage / Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental

Exercitando-me antes dos ensaios para minha performance, 
nos jardins do palacete Gutshaus Landsdorf. 
17 de julho de 2012, foto da poeta israelense Maya Kuperman.

Deixei ontem Berlim ao lado dos poetas Johannes CS Frank (Reino Unido, 1982), Maya Kuperman (Israel, 1982) e Max Czollek (Alemanha, 1987); dos músicos Gustavo Carvalho (Brasil), Caspar Frantz e Julian Arp (Alemanha); da cenógrafa Lilly Jaeckl e do artista visual Dieter Puntigam (Áustria), a caminho da pequena vila de Landsdorf, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (Mecklenburg-Vorpommern, norte da Alemanha, às margens do Mar Báltico) para a primeira performance do festival Zeitkunst. Fundado em 2009 com a ideia de unir músicos e poetas para colaborações, o festival deste ano é inteiramente dedicado a John Cage no centenário de seu nascimento, marcando a única apresentação de música moderna dentro do tradicional Festspiel Mecklenburg-Vorpommern, dedicado à música erudita - mas em geral já "clássica", em torno de grandes BBB como Beethoven, Bach e Brahms.

O festival ocorrerá ainda em Berlim, Paris, Tel Aviv e também em cidades brasileiras como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba (no Brasil, entre 12 e 20 de novembro).

Cada um dos poetas recebeu uma peça musical de Cage para a qual deveria escrever um texto. As peças são todas dos anos 40 e início dos 50, como "Living Room Music" (1940), "A Room" (peça para piano preparado, 1943), "A valentine out of season" (peça para piano preparado, 1944), "4´33´´" (1947), "Nocturne" (1947) ou "Suite for Toy Piano" (1948).

A peça que me foi confiada era-me até então desconhecida, de sua fase inicial, a linda "In a Landscape" (1948). A peça foi composta quando Cage lecionava na lendária Black Mountain College, no estado americano de North Carolina, por onde passariam poetas como Robert Creeley e Robert Duncan, pensadores como Paul Goodman, e coreógrafos como Merce Cunningham.


In a Landscape


Category:Musical composition
Dated:Black Mountain, North Carolina, August 1948
Instrumentation:Piano or harp solo
Duration:8'
Premiere and performer(s):August 20, 1948 (with the choreography)
Dedicated to:for Louise Lippold
Choreography:Louise Lippold
Published:Edition Peters 6720 © 1960 by Henmar Press. Also published in "John Cage: Pianoworks (1935-1948)", Edition Peters 67830 © 


Nossas instruções, como poetas, eram simples: dizer e fazer o que nos importava dizer e fazer neste momento, e principalmente resistir à tentação de dizer/fazer algo cageano ou cageanamente. Os diretores artísticos do festival disseram: sejam vocês mesmos ao som de Cage. Nada me pareceria mais cageano que isso, esta liberdade.

Como nos últimos tempos minha maior preocupação e obsessão como poeta tem sido a relação humana com a história como narrativa, parti de uma ideia que me voltava sempre, a de "refutar" as últimas linhas do  texto "If I told him: a complete portrait of Picasso", de Gertrude Stein, o qual ela encerra com os versos

Let me recite what History teaches.
History teaches.

Parecia-me também apropriado invocar Gertrude Stein em um texto a ser lido com uma composição de John Cage, estes meus dois mestres queridíssimos. Meu texto, que absolutamente nada tem de steiniano ou cageano, recebe influxo maior, na verdade, de poetas públicos alemães que tenho lido muito nos últimos tempos, como Bertolt Brecht, Heiner Müller, Thomas Brasch e Hans Magnus Enzensberger, do polonês Zbigniew Herbert, a forma como estes retornam à História Clássica para falar de seu presente, e ainda a partir de minha leitura de historiadores. Estou buscando outra dicção no momento e o texto, intitulado "Deixem-me recitar o que a História ensina", segue sendo alterado ininterruptamente. 

A performance é amanhã, às 20:00. A ver o que o acaso cageano me reserva.

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Presente de natal d´O Moço, em ficção científica e poesia

Na véspera de natal, logo após o jantar com amigos, o moço aproximou-se, tirou da mochila o que claramente tinha o formato de um livro e o ergueu, atravessando o ar na direção das minhas mãos. Era The Futurological Congress, de Stanislaw Lem.



O moço é experimentado em ficção científica. Seu escritor favorito é o próprio Stanislaw Lem, que eu conhecia apenas como autor do livro que gerara o grande filme de Tarkovski, Solaris. Sempre soube muito pouco sobre ficção científica, tinha meus preconceitos. O moço explicou, definiu, catalogou. Contou-me dos irmãos Boris e Arkadi Strugazski, de Ursula K. Le Guin (que, descobri mais tarde, escreve belos poemas), do grande Philip K. Dick, que foi colega de quarto de Jack Spicer, sim, o poeta que acreditava que o poeta era apenas um rádio, recebendo sinais de "fora", do que ele mesmo chegou a chamar de "vozes marcianas", colega de quarto do Dick a quem eu geralmente me referia apenas como "o autor do livro que gerou o filme Blade Runner", a partir da obra com aquele título de que eu tanto gosto e do qual o moço não gosta, Do Androids Dream of Electric Sheep?.

Por sua vez, o moço não lia nem gostava de poesia. Tinha lá seus preconceitos. Foi então que expliquei, defini, cataloguei. Falei de Frank O´Hara e do colega de quarto do "seu" querido Philip K. Dick, o "meu" Jack Spicer. O moço ama William Burroughs, leu tudo, mas jamais lera os poemas dos seus companheiros Beats. Mostrei-lhe o Ginsberg que ele "conhecia", mas não havia lido, o próprio Kerouac. Dei-lhe volumes de poemas de Bertolt Brecht, de H.C. Artmann, de Christian Morgenstern, de Hans Arp. Mostrei a ele a tradução para o alemão de poemas de Carlos Drummond de Andrade, de João Cabral de Melo Neto.

Mas a grande surpresa viria com sua descoberta, em minha "biblioteca", dos livros de John Cage com seus poemas. Alugamos documentários em que Cage oralizava seus textos e o moço ficou fascinado. Assistindo aos vídeos de Andrew Culver e Frank Scheffer reunidos em "John Cage: From Zero", o moço exclamou durante uma das leituras de Cage: "Ah! Isto é incrível, isto é ficção científica!"

Teria ficado pasmo com a afirmação, mas conheço o moço há algum tempo e o moço já explicou, definiu, catalogou. Sucintamente, na rua, disse certa vez que o interessante na ficção científica estava na tentativa dos autores de pensar em possíveis maneiras com que a humanidade poderia se desenvolver, analisando suas conseqüências, seja no aconselhamento utópico ou no diagnóstico distópico. Naquele momento, chamar de John Cage de "ficção científica", eu confesso, fez sentido para mim. Aconselhamento utópico, diagnóstico distópico: política, futuro. Nada mais histórico que a ficção científica? Como imaginar nestes termos o "Jetztzeit" de Walter Benjamin, a "agoridade" de Haroldo de Campos?

Desde que conheci o moço, fico querendo escrever um poema-de-ficção-científica para ele. Algo que ele possa ler, gostar. O que seria um poema-de-ficção-científica? Penso em Cage, penso no poema "The Image of the Machine", do George Oppen, com os versos:

The machine stares out,
Stares out
With all its eyes

Thru the glass
With the ripple in it, past the sill
Which is dusty—If there is someone
In the garden!
Outside, and so beautiful.



Talvez como uma canção do Kraftwerk?


Algo como as pinturas do alemão Konrad Klapheck?




Tive uma idéia este mês, vejamos se conseguirei agradar o experimentado moço.

§§§

Stupid to say merely
That poets should not lead their lives
Among poets,

They have lost the metaphysical sense
Of the future, they feel themselves
The end of a chain

Of lives, single lives
And we know that lives
Are single

And cannot defend
The metaphysic
On which rest

The boundaries
Of our distances.
We want to say

‘Common sense’
And cannot. We stand on

That denial
Of death that paved the cities,
Paved the cities

Generation
For generation and the pavement

Is filthy as the corridors
Of the police.


George Oppen
in Of Being Numerous, de 1968, ano
em que é lançado 2001: A Space Odyssey, de Stanley Kubrick.

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