Vocalizando a peça "Entrañas de las Soledades".
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Excerto de vídeo da minha performance no Museo del Chopo, na Cidade do México.
Vocalizando a peça "Entrañas de las Soledades".
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Paris com poetas
Cheguei a Paris na quarta-feira à tarde, com pouco tempo livre antes da maratona do dia seguinte: ensaios e performance com o Zeitkunst Ensemble e os poetas Johannes CS Frank, Maya Kuperman e Max Czollek no Instituto Goethe da cidade, com nosso "Tributo a John Cage".
Nos falamos no Brasil.
domingo, 16 de setembro de 2012
Voltando à Cidade do México
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Zeitkunst Festival / John Cage / Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental
| Category: | Musical composition |
| Dated: | Black Mountain, North Carolina, August 1948 |
| Instrumentation: | Piano or harp solo |
| Duration: | 8' |
| Premiere and performer(s): | August 20, 1948 (with the choreography) |
| Dedicated to: | for Louise Lippold |
| Choreography: | Louise Lippold |
| Published: | Edition Peters 6720 © 1960 by Henmar Press. Also published in "John Cage: Pianoworks (1935-1948)", Edition Peters 67830 © |
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Pequena nota sobre Gante, seguida de poemas de Francisco Alvim, Lu Menezes e Marília Garcia
Ontem ocorreu a primeira leitura como parte do lançamento da antologia bilíngue holandês/português Vijfentwintig keer Brazilië / Vinte e cinco no Brasil, org. Flora Süssekind, trad. Harrie Lemmens & Bart Vonck (Gent: Poëziecentrum, 2011), um dos marcos poéticos do festival Europalia. Como escrevi, os poetas brasileiros presentes são Francisco Alvim, Lu Menezes, Marília Garcia e eu, 4 dentre os 25 poetas contemporâneos brasileiros incluídos na antologia, que abre com Augusto de Campos (São Paulo, 1931) e fecha com Marília Garcia (Rio de Janeiro, 1979). Escreverei sobre a antologia, mencionando os outros poetas, em alguns dias.A leitura foi no Poëziecentrum, um espaço dedicado à poesia na cidade de Gante (Gent/Ghent), com uma excelente biblioteca que conta com praticamente tudo o que é e foi publicado em poesia em holandês, seja esta a língua original ou a de tradução dos poemas. Trata-se do lindo prédio que vocês podem ver na pequena foto que abre a postagem, uma instituição totalmente voltada para a divulgação e publicação de poesia em flamengo, dirigida pela entusiasta generosíssima que é Sieglinde Vanhaezebrouck, a quem deixo aqui meus agradecimentos sinceros pela linda, linda noite que ela organizou. A sala de leitura era no último andar, com cerca de duas dezenas de belgas flamengos interessados, respeitosos, muito generosos, vários deles falando português por paixão pela língua, outros apenas interessados em poesia, seja ela de onde for. Entre as leituras, o violonista Daniel Miranda tocou clássicos de Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Dilermando Reis e Tom Jobim. Foi uma noite muito bonita. Deixo vocês com um poema de cada um dos meus companheiros de leituras, Francisco Alvim, Lu Menezes e Marília Garcia, dentre os incluídos na antologia, assim como posto uma vez mais meu "O acordeonista da Catedral de Bruxelas", que Flora Süssekind decidiu incluir na antologia, deixando-me muito contente de o ler em plena Bélgica, após tê-lo escrito aqui. Encerro com a linda composição de Dilermando Reis que Daniel Miranda tocou ontem à noite. Está sendo um prazer passar estes dias com minha companheira Marília Garcia, conhecer e privar da companhia de Francisco Alvim, rever Lu Menezes após um brevíssimo encontro no Rio de Janeiro em 2009, poder conversar com eles com paz e respeito tamanhos.
QUATRO POEMAS, QUATRO POETAS
incluídos na antologia Vijfentwintig keer Brazilië / Vinte e cinco no Brasil, org. Flora Süssekind, trad. Harrie Lemmens & Bart Vonck
(Gent: Poëziecentrum, 2011)
Escolho
Francisco Alvim
Parado
Na plataforma superior
Entre as pernas
no chão
as compras no plástico
Longe do verso perto da prosa
Sem ânimo algum
para as sortidas sempre -
enquanto duram -
venturosas da paixão
Longe tão longe
do humor da ironia
das polimorfas vozes
sibilinas
transtornadas no ouvido
da língua
Ali onde o chão é chão
as pernas, pernas
a coisa, coisa
e a palavra, nenhuma
Onde apenas se refrata
a ideia
de um pensamento exaurido
de movimento
Entre dois trajetos
dois portos
(duas lagunas
duas doenças)
Sublimes virtudes do acaso
por que não me tomais
por dentro
e me protegeis do frio de fora
da incessante, intolerável, fugo do enredo?
da escolha?
§
Lu Menezes
No interior
da pizzaria pintada de azul com nuvens
um ponto
onde descola a tinta, onde o céu descasca
denuncia
o sórdido teto anterior
descor
de burro quando surge
E é só
o que delicia certo solitário comensal
– esse ponto no qual
extramolduras
o apetite de um Magritte por superfícies
genuína companhia lhe faz
– Genuína companhia...
num simulacro de céu, tal ninharia?
Yes!, no mínimo mais
que a fatia no prato,
o pedaço de teto nu e cru
– amostra menor do limbo,
do franco, fiel, frio limbo –
duraria, oh sim, duraria
§
Le pays n´est pas la carte,
Marília Garcia
I
pensa bem mas
se tivesse as ruas quadradas
teria ido a outro café, teria dito tudo de
outro modo e visto de
cima a cidade em vez de se
perder toda vez
na saída do metro, não é desagradável
estar aqui, é apenas
demasiado real diz com cílios erguidos
procurando um mapa
II
não é o avião em rasante sobre
a água e nem o corpo
na janela semi-aberta
vendo o desenho
dos carros embaixo — não comenta nada
porque prefere armar planos
em silêncio
(estaria sonhando
com colinas?)
III
de lá manda longas
cartas descrevendo o país,
os terremotos e a forma da cidade.
pode me dizer que nunca se
espanta mas não percebe que
caminha perguntando:
é de plástico a cabine? é sua voz
na gravação? é um navio no
horizonte? pode ser apenas
uma margem de erro mas
não pensa nisso
com frequência
(pode ser apenas a janela
aberta que carrega os papéis)
§
O acordeonista da Catedral de Bruxelas
Ricardo Domeneck
De Bruxelas eu
esperava tudo, talvez
a reprise
do que ali já vivera,
uma noite ao lado
de Jey Crisfar,
chuva e cansaço,
conversas com taxistas
e árabes, mas não
este acordeonista
loiro de 20 anos
diante da Catedral,
sim, a de Bruxelas,
acordeonista loiro e imberbe,
alto e imundo,
a quem doei 2 euros
num excitativo segundo de tato
entre sua mão e meus dedos fechados
abrindo-se em bojo sobre sua palma,
após fazer com a visão
o rodízio contemplativo e luxurioso,
alternando o foco dos olhos
entre a catedral imberbe e loira
e o acordeonista alto e imundo,
a quem ensaiei, por 20 minutos
que mais pareceram seus 20 anos,
perguntar seu nome, quiçá filmá-lo
com a câmera que deixara
no Berlimbo,
ou imaginá-lo fotografado em série
por Adelaide Ivánova,
Heinz Peter Knes
ou qualquer fotógrafo
íntimo que me cedesse
os direitos autorais
desta imagem loira,
imunda,
para que eu de alguma forma
possuísse
este acordeonista imberbe e alto
em seus 20 anos,
a quem então batizo
em minhas glândulas
e passarei a chamar de Loïc
ou quem sabe Guillaume
pelo resto dos meus dias
após falhar em criar os colhões
de pedir seu nome,
e é assim, sr. Loïc ou Guillaume
aos 20 anos imundo e acordeonista,
que a você eu dedico
diante da alta e imberbe
Catedral de Bruxelas,
estes 2 euros
e uma ereção.
§
§
§
Dilermando Reis - "Se ela perguntar", composição que foi tocada por Daniel Miranda no Poëziecentrum ontem à noite.
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terça-feira, 29 de novembro de 2011
A caminho da Bélgica para as últimas leituras no Europalia

Embarco dentro de poucas horas para a Bélgica, onde faço minhas últimas leituras dentro do Festival Europalia. Estarei acompanhado em cada uma das quatro leituras por Francisco Alvim, Lu Menezes e Marília Garcia. As cidades em que lemos são Gante (Gent/Ghent), Antuérpia, Namur e Bruxelas. Tentarei escrever um pouco sobre as leituras por lá.
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terça-feira, 20 de setembro de 2011
A caminho de Portugal, para performances em Lisboa e Porto.
Em Lisboa, participo de um evento dedicado à performance que ocorre com certa frequência, chamado Epipiderme, com curadoria de Nuno Oliveira. Esta edição do evento ocorre na própria quinta-feira, dia 22 de setembro, e terá performances do brasileiro Márcio-André (que sugeriu meu nome a Nuno Oliveira e a quem agradeço a generosidade) e do português Antonio Azenha.
Na cidade do Porto, farei uma leitura na segunda-feira, dia 26 de setembro, apresentando alguns dos meus vídeos na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, graças à generosidade e empenho de Patrícia Lino, a quem também agradeço aqui. Patrícia Lino preparou este pequeno vídeo para promover a tarde na FLUP:
RICARDO DOMENECK NA FLUP : 26 SETEMBRO 2011 from Patrícia Lino on Vimeo.
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sábado, 14 de maio de 2011
Pequena nota sevilhana

Faz um calor do cão em Sevilha. Ontem, às 20:00, abriu-se a porta da sala onde ocorria minha performance, e eu, suando em bicas, acompanhei com os olhos a entrada de alguns bravos e corajosos interessados na salinha do Instituto da Cultura e das Artes de Sevilha, que funciona dentro do Monastério de São Clemente, prédio que, pasmei, ainda funciona como monastério. Metade dele é um espaço de exposições, na outra metade vivem as monjas. Apresentei as seguintes peças:
1- "Esta es la voz" (meu querido Aníbal Cristobo traduziu para mim o texto "This is the voice" para minhas apresentações na Espanha.)
2- "Mula", minha colaboração com o Tetine, com vídeo do querido Eugen Braeunig, peça que gosto muito de performar.
3- "Eustachian Tube in Staccato", uma peça que me custa muito apresentar, é difícil vocalizá-la, mas o curador havia pedido especificamente por ela.
4- "Six songs of causality", meu hit.
5- Encerrei com a peça que criei para Córdoba, baseada nas Soledades de Góngora, "Entrañas de las Soledades".
Está sendo difícil aproveitar a viagem, dois dias antes de vir à Espanha minha vida pessoal em Berlim virou de ponta-cabeça. Estou andando pelas ruas de Sevilha, como diria Drummond, com uma perda no bolso que me faz caminhar de banda. Tento fazer a estreiteza das ruas, como a celebrou João Cabral de Melo Neto, servir de abraço.
Só em Sevilha o corpo está
com todos os sentidos em riste,
sentidos que nem se sabia,
antes de andá-la, que existissem;
sentidos que fundam num só:
viver num só o que nos vive,
que nos dá a mulher de Sevilha
e a cidade ou concha em que vive.
(João Cabral de Melo Neto)
Deixo Sevilha em um par de horas e voo para Barcelona, onde vou encontrar amigos queridos como Eduard Escoffet e Aníbal Cristobo, ver as performances de Lee Ranaldo no domingo e de Diamanda Galás na segunda-feira como parte do festival de poesia barcelonês, o "Poesía Barcelona 2011".
Deixo vocês com vídeos de duas apresentações minhas do passado, a primeira com as "Six songs of causality", gravação de minha apresentação solo no Espaço de Arte Contemporândea de Castelló, no distrito de Valência em 2009; a outra de minha apresentação no Festival Yuxtaposiciones de Madri, na Casa Encendida, em 2008, na qual oralizo a peça "This is the voice".
Performance das "Six songs of causality" no Espai d´Art Contemporani de Castelló, Valência, julho de 2009.
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Performance da peça "This is the voice", na Casa Encendida, Madri, parte do Festival Yuxtaposiciones em 2008.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
Em Sevilha, onde mostro meu trabalho que conjuga texto, voz e vídeo
sábado, 26 de março de 2011
Em Córdova, terra de Gôngora, participando do festival "Cosmopoética: Poetas del Mundo en Córdoba - 450 Años de Góngora"
Cheguei ontem a Córdova, terceira maior cidade da Andaluzia, cidade natal do grande poeta al-andalus Ibn Zaidun (1003-1071) e da princesa-poeta Wallâda (994-1091), terra natal de Averróis (1126 — 1198) e Maimônides (1135 — 1204), e, é claro, de Don Luís de Góngora y Argote (1561 – 1627).Estou na cidade a convite do festival Cosmopoética - Poetas del Mundo en Córdoba para um evento paralelo em comemoração dos 450 anos do nascimento do poeta barroco, que se chama Soledades 2.0 - Poesía digital en el año Góngora. Fui convidado, com a poeta espanhola Miriam Reyes e o mexicano Eugenio Tisselli, a criarmos performances dentro da linha de nossos trabalhos que tivessem como base as Soledades (1613). Há ainda uma exposição de peças poéticas digitais, para a qual criaram trabalhos especialmente para a ocasião os espanhóis Javier Fernández Sánchez, Iñigo Orduña e James Nelson, assim como os argentinos Belén Gache e Claudio Molinari.
A exposição traz também peças de poetas experimentais como os brasileiros Augusto de Campos e André Vallias, e ainda Billy Collins, Nicolas Clauss, Jörg Piringer, Alison Clifford, Ana María Uribe, Dorothee Lang, Zahra Safavian, Allan Bigelow, Isaías Herrero e Ainize Txopitea.
Vocês podem encontrar informações sobre o festival e sobre todos os convidados AAQQUUII.
Sobre a peça que preparei, com vídeo, texto e peça sonora, escreverei quando voltar a Berlim. Subirei esta noite ao palco e começarei minha apresentação com:
"Eia, Gôngora! A língua de Gregório de Matos te saúda."
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domingo, 27 de fevereiro de 2011
De corpo ausente mas voz presente no México pelos próximos dias
Leitura em vídeo para o festival mexicano Proyecto Enclave, seguida da peça sonora "Mula", colaboração com o duo Tetine.
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De lo vernáculo a lo global, de ida y vuelta
Enclave, poesía en diálogo.
Enclave. Poesía en diálogo nació como un proyecto —organizado por Eudora Proyecto Global—, en el que estarían algunos poetas y críticos cuyo trabajo nos entusiasma. Hablarían de su relación con la lengua en que escriben, ya que muchos son traductores o artistas poseedores de una “lengua materna”, oficial, y una “lengua poética”, elegida. Emigrantes por asuntos políticos, culturales, académicos, o por el mero placer de complicarse la vida un rato. Voces que transforman o, si se quiere, que anuncian. Otros más serían seres transfronterizos, habitantes de la palabra con un pie en territorio ecléctico. Luego más se interesaron.
Nos apoyan la xxxii Feria del Libro del Palacio de Minería, la Secretaría de Cultura del Estado de Colima con el Programa de Fomento a la Lectura, la Universidad del Claustro de Sor Juana a través del Programa de Escritura Creativa, el Instituto Queretano para la Cultura y las Artes, la revista Literal y un grupo de entusiastas que nos han ayudado para lograr que algo pequeño, casi familiar, sea un proyecto de mayor alcance.
Una producción a escala micro se volvió algo global. Y no es broma. Somos un territorio en constante cambio, urbano, textual y paratextual, donde lo vernáculo exuda frontera, romance, nórdico o germánico al ritmo del tango o en una serie de videos creados exprofeso para los espectadores mexicanos para demostrar que las fronteras no son impedimento. Para nosotros las fronteras no existen; ni geográficas ni imaginarias. Imagen, sonido y movimiento entrelazados en poesía. Los habitantes de este espacio son unos atrevidos, polígamos artísticos que creen en la necesidad de renovar los soportes. Así fue como Enclave. Poesía en diálogo se volvió un proyecto que espera tener muchas versiones para atestiguar la creatividad de estos seres poéticos y transfronterizos, a quienes observamos e invitamos. A quienes queremos ustedes conozcan.
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· ENCLAVE. Poesía en diálogo en COLIMA
Del jueves 24 al sábado 26 de febrero
· ENCLAVE. Poesía en diálogo en México D.F.
ENCLAVE. Poesía en diálogo en la XXXII FERIA DEL LIBRO DEL PALACIO DE MINERÍA
Lunes 28 de febrero de 19:00 a 19:45 hrs. Recital poético interdisciplinario. Poesía en acción. Poesía polidiscursiva. Con Lalo Barrubia (Suecia-Uruguay), Minerva Reynosa (Monterrey) y videopoemas creados ex profeso para Enclave de Yanko González (Chile), Ricardo Domeneck (Alemania-Brasil), Gustavo Barrera (Chile) y Timo Berger (Alemania) Presenta: Maura Salvo (Chile). CAPILLA.
Martes 1 de marzo de 19:00 a 19:45 hrs. Mesa de discusión. Desde la extranjería: lenguajes y lenguas apropiadas.Con Rike Bolte (Alemania), Abril Castro (Tijuana-DF), Ulrika Serling (Suecia). Presenta: Rose Mary Salum (EUA-México). CAPILLA.
Miércoles 2 de marzo de 19:00 a 19:45 hrs. Recital poético interdisciplinario. Enclave. El mundo es un pañuelo: Poesía desde todos lados y desde aquí. Con Andrea Fuentes Silva (México), Rocío Cerón (México), Roxana Crisólogo (Perú-Finlandia), Gustavo Barrera, Yanko González (Chile). Presenta: Jorge Betanzos (México). CAPILLA.
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ENCLAVE. Poesía en diálogo visita CASA VECINA
Lunes 28 de febrero de 17 a 18:00 hrs. Mesa redonda Poesía y transdisciplina. Con Ulrika Selring (Suecia), Rike Bolte (Alemania), Roxana Crisólogo (Perú-Finlandia) y Lalo Barrubia (Uruguay-Suecia). Modera: Maura Salvo. 1er Callejón de Mesones 7 esquina con Regina, Centro Histórico.
ENCLAVE. Poesía en diálogo visita al PROGRAMA DE ESCRITURA CREATIVA de la UNIVERSIDAD DEL CLAUSTRO DE SOR JUANA
Martes 1 de marzo de 17:00 a 18:00 hrs. Enclave. El mundo es un pañuelo: Poesía desde todos lados y desde aquí(recital poético interdisciplinario). Con Lalo Barrubia (Suecia-Uruguay), Minerva Reynosa (Monterrey), Abril Castro (Tijuana-DF), Ulrika Serling (Suecia), Rocío Cerón (México), Roxana Crisólogo (Perú-Finlandia), Andrea Fuentes Silva (México), Jorge Betanzos (México).
Izazaga 92, Centro Histórico. Metro Isabel la Católica. Aula Magna.
ENCLAVE. Poesía en diálogo visita el IMJUVE
Miércoles 2 de marzo de 19:30 en adelante. Fiesta de clausura y participación interdisciplinaria de los poetas participantes. Proyección de videopoemas creados ex profeso para Enclave de Yanko González (Chile), Ricardo Domeneck (Alemania-Brasil), Gustavo Barrera (Chile) y Timo Berger (Alemania).
Serapio Rendón No. 76, Col. San Rafael, Del. Cuauhtémoc,, México, D.F
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· ENCLAVE. Poesía en diálogo en QUERÉTARO.
ENCLAVE. Poesía en diálogo visita al Instituto Queretano para la Cultura y las Artes a través del Centro Estatal de las Artes
Jueves 3, Centro Estatal de las Artes 17:00 hrs. Poesía en acción. Poesía polidiscursiva (recital poético interdisciplinario). Con Lalo Barrubia (Suecia-Uruguay), Jorge Betanzos (México), Minerva Reynosa (Monterrey) Presenta: Maura Salvo (Chile)
Viernes 4, Centro Estatal de las Artes 17:00 hrs. Desde la extranjería: lenguajes y lenguas apropiadas (mesa de discusión). Con Rike Bolte (Alemania), Abril Castro (Tijuana-DF), Ulrika Serling (Suecia) Presenta: Luis Alberto Arellano (México)
Sábado 5, Centro Estatal de las Artes, 17:00 hrs. Enclave. El mundo es un pañuelo: Poesía desde todos lados y desde aquí (recital poético interdisciplinario) Con Rocío Cerón (México), Roxana Crisólogo (Perú-Finlandia), Abril Castro (México), Andrea Fuentes Silva (México) y videopoemas creados ex profeso para Enclave de Yanko González (Chile), Ricardo Domeneck (Alemania-Brasil), Gustavo Barrera (Chile) y Timo Berger (Alemania).
Brindis de cierre, exposición Benjamín R. Moreno, 20:00hrs
Arteaga 98, Centro Histórico, a un lado de Santa Rosa de Viterbo, Querétaro
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domingo, 19 de dezembro de 2010
Madri, os dois últimos dias do festival ReVox e uma pequena amostragem poética de cada participante.

O programa em Madri trazia ainda uma apresentação do austríaco Jörg Piringer, e o poeta local a se apresentar foi Peru Saizprez (em Barcelona havia sido Albert Balasch). Assim, na quinta-feira à noite, por volta de 19:30, com auditório lotado, começa o braço madrilenho do Festival ReVox - Novas Experiências na Poesia Sonora. O poeta digital austríaco Jörg Piringer abriu a noite (veja abaixo um vídeo de sua apresentação no Festival Proposta, de Barcelona, em 2002):
JÖRG PIRINGER
Exemplo do trabalho de Jörg Piringer: sua apresentação no Festival Proposta em 2002.
Veio então a grande atração do Festival ReVox este ano: Décade: a colaboração iniciada em 2009 entre o poeta vocal francês Anne-James Chaton (n. 1970), o artista sonoro alemão Carsten Nicolai a.k.a. Alva Noto (n. 1965) e o músico experimental inglês Andy Moor (n. 1962), mais conhecido como guitarrista da banda The Ex. Os três são respeitadíssimos em cada uma de suas áreas, e a performance deles foi realmente maravilhosa, especialmente em Barcelona. O equipamento de som em Madri não deu conta da mesma maneira das sutilezas do trabalho de cada um, mas também foi ótimo.
DÉCADE: ANNE-JAMES CHATON, ALVA NOTO & ANDY MOOR
Exemplo do trabalho do trio Décade: apresentação no Festival Hors-Pistes em Nantes (2009).
No dia seguinte, sexta-feira e último dia do festival, apresentamo-nos Jelle Meander, Peru Saizprez e eu no Auditório 200 do Museo Reina Sofía. Também para casa cheia, eu iniciei a noite. Fiz quase o mesmo programa em Madri que já fizera em Barcelona na terça-feira, com a exceção da peça de abertura, trocando a oralização do "Texto em que o poeta celebra o amante de vinte e cinco anos" pela peça sonora "This is the voice". Para quem não conhece esta parte do meu trabalho, mostro abaixo vídeos de performances passadas, exemplos das minhas peças de abertura e encerramento em Madri:
Abri com a peça "This is the voice", que você pode ver no vídeo abaixo, de minha apresentação em outro festival de Madri, o ótimo Yuxtaposiciones.
Encerrei com minha peça permutacional "Six songs of causality", que você pode ver no vídeo abaixo, de minha apresentação solo no Espai d´Art Contemporani de Castelló, Valência.
Ricardo Domeneck - "Six songs of causality" @ Espai d´Art Contemporani from Ricardo Domeneck on Vimeo.
Após a minha apresentação, subiu ao palco o poeta vocal belga Jelle Meander:
JELLE MEANDER
Exemplo do trabalho de Jelle Meander: sua apresentação no Festival Krikri em Brugge, este ano.
Encerrou a noite o poeta oral peruano, residente em Madri, Peru Saizprez.
PERU SAIZPREZ
O Festival foi um dos melhores de que já participei e os dias na Espanha foram cheios e ótimos. Voltei ao Berlimbo, soterrado em neve, e quero descansar por uns dias.
Avante!
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Em Barcelona, participando do festival ReVox, no qual estreei um dos poemas mais viados de toda a Literatura Brasileira
A apresentação em Barcelona foi no centro cultural Arts Santa Mònica, que no momento abriga também uma exposição sobre o compositor de vanguarda catalão Josep Mestres Quadreny, que colaborou em trabalhos poético-visuais, sonoros e inclassificáveis com Joan Miró, Joan Brossa, Antoni Tàpies e outros. Amanhã seguimos todos para Madri, onde repetimos as performances no Museo Reina Sofía.
Meu setlist de ontem foi:
1- "Texto em que o poeta celebra o amante de vinte e cinco anos" - oralização do texto, com tradução de Cristian De Nápoli para o castelhano.
2 - "Mula" - vídeo, com performance vocal minha sobre peça sonora, uma colaboração com o fenomenal duo Tetine.
3 - "Eustachian Tube in Staccato" - vídeo, com performance vocal minha sobre peça sonora, uma colaboração com o talentosíssimo músico britânico Joseph Ashworth.
4 - "X + Y: Uma Ode" - vídeo, com oralização ao vivo.
5 - "Six songs of causality" - vocalização permutacional-acumulativa dos seis textos, com apresentação visual.
Qual foi o hit? Invariavelmente recebo os maiores elogios pelas "Six songs of causality", e é por isso que sempre termino com elas, talvez minha pecinha mais redondinha conceitualmente.
Mas o que mais me divertiu foi oralizar um dos meus textos mais recentes, que se chama "X + Y: uma ode", um poema que me divertiu horrores enquanto o escrevia. Talvez possa dizer que se trata do poema mais viado da literatura brasileira? Não, acho que este Oscar goes to Roberto Piva em algum de seus livros. Mas aqui está o texto, parte da minha busca por uma poética não tanto concreta, densa ou concisa, mas sim tesa. Ah! Uma poética leve e tesa, que sonho seria atingi-la! Que sonho! Tesa como uma ereção duradoura! Oh, illusion! oh, bliss!
X + Y: uma ode
An refert, ubi et in qua arrigas?
Suetônio
Houvesse nascido
mulher, já teria dado
à luz sete
filhos de nove
homens distintos.
Agora, vivo entretido
com as teorias
a explicarem meu gosto
por odores específicos,
certa distribuição de pelos
nas pernas alheias,
os cabelos na nuca
e no peito
sem seios, ainda que aprecie
certas glândulas mamárias
de moços e rapazes
com aquela dose
saudabilíssima
aos meus olhos de hipertrofia.
Medito sobre as conjecturas
de terapeutas,
os relatos de uma Persona
partida, Édipo subnutrido,
sem modelo
na infância de um lendário
Laio
exemplar, lançando-me
a uma suposta
busca entre amantes
por mim mesmo.
Tentei, sem o menor
sucesso,
por dias induzir-me à ereção
diante do espelho.
Concluí não ser tão
eréctil meu ego.
Ouvi com atenção
a fórmula
sobre pai ausente e mãe
dominante a gerar rainhas
de paus, espadas e copas
lassas e loucas,
mas, apesar do meu histórico
de progenitora histérica
e procriador estóico,
meus irmãos
tão afeitos e afoitos
diante dos clitórides
embromam a estatística.
Li todas as reportagens
sobre a possível queerness
na boutique do código
genético, esta quermesse
das afinidades seduzidas,
e ri com o amigo
que certa vez, em chiste,
nomeou-me dispositivo
biológico
de uma Natureza em estresse,
medicando o hipercrescimento
populacional. Não mentirei dizendo
que não temo e tremo
com o perigo do inferno.
Cheguei, contudo, à conclusão
de que minha passagem
só de ida
ao Hades
não se dá
apenas pela inclinação
algo obcecada
de minha genitália
pelo caráter heterogêneo
dos vossos gametas.
Houvesse
nascido fêmea,
já teria dado à luz onze
filhotes de treze
machos diferentes,
e, de puta,
assegura
o Vaticano (e mesmo Hollywood),
não se conhece ascensão,
tão-somente queda.
Portanto, poeta, pederasta e puta,
sigo com meus olhos pela rua
cada portador
desta combinação gloriosa
de cromossomas
X e Y,
chamem-se Chris ou Absalom,
com suas espaçadas proporções
entre os buracos
do crânio, a linha que se forma
entre orelhas e ombros,
as asas de suas omoplatas
e a coifa dos rotadores,
as simetrias volubilíssimas
entre as extremidades
excitantes e excitáveis
como nariz, pênis e dedos,
o número de pelos
entre o umbigo
e ninho púbico,
o formato dos dentes
e seu espelhamento
em diâmetro
nos pés e suas unhas.
Se andam como comem,
se bocejam como riem,
se bebem como tossem,
se fodem como dançam.
A absoluta falta de mistério
em alguns deles, incapazes
da dissimulação famosa
de certas personagens
literárias femininas
do século XIX.
Neles, é oblíqua
somente a ocasional
ereção inconveniente.
Constrangem-me
estas confissões,
mas cederia certos direitos políticos
por algumas dessas cristas ilíacas
já presenciadas em praias, ao sol,
e abriria mão de uma ida às urnas
este inverno por esta ou outra nuca.
E veja só como o planeta
insiste na demonstração empírica
dessa abundância de músculos
e seus reflexos
cremastéricos:
neste exato momento,
enquanto escrevo este textículo,
entra no café, em pleno Berlimbo,
um desses exemplares de garoto
canhestro e canhoto,
o boné cobrindo meio rosto,
prototipagem de barba
e bigode, calças
que me catapultam a fantasias
com skateboards como props,
sobrancelhas feito caterpillars
sitiando os olhos com promessas
de delícias e desfaçatez épicas.
Seus tênis são beges;
ao tirar o suéter, vê-se
a sua escala de Tanner.
Sua Calvin Klein.
Bege fico eu, adivinhando que pele
cobre seus joelhos, seus calcanhares.
Sonho o sexo biônico e homérico,
algo entre Aquiles e Pátroclo,
interpretados em nosso mundo
por Brad Pitt e Garrett Hedlund,
potros xucros como búfalos
ou bárbaros.
E este mundo está cheiíssimo
dessas distrações quase sádicas
para meu masoquismo
voluntarioso e em vício,
que impedem que componha
a minha Divina Commedia,
meu Paradise Lost.
Perdoe, Sr. Cânone,
esta minha tosca e parca
contribuição lírica à safra
de seus contemporâneos,
mas não me catalogue
entre as farsas, sátiras.
Pois não é, consinto, culpa
das massificações capitalistas
esta minha attention span
pouco renascentista,
mas desta explosão de cântaros
plenos de testosterona púbere
a ir e vir nos espaços públicos.
Quando passam, petiscos,
finger food em arrogância
cocky e garbosa, murmuro
na cavidade oca
da boca:
"Deviam ser proibidos
seus exageros de lindos".
Meu fim será nestes botecos
do Berlimbo,
entupindo-me de café preto
e esperando suas ocasiões
para escrever poemas
que vos celebrem, atores
principais deste longo pornô
em que me vi concebido, gerado
e expelido, coadjuvante
contente e dublado.
Agradeço-vos a oportunidade
de fazer do advérbio sim
uma interjeição obscena.
Aos outros, juro que não se trata
de encômio, louvor ou gabo.
Quisesse eu fazer apologia,
talvez dissesse
haver mais elegância
em "Sê meu erômenos
e eu serei teu erastés"
do que, ao cangote,
"Mim Tarzan, você Jane".
Não busco novos adeptos
que me façam concorrência.
Boys will be boys,
há quem diga, e, ora,
não vou dizer que espero
de todo moço
que seja Mozart
ou Beuys.
Haverá os momentos de caça
e rendição felizes, as poucas
vezes de sorte
em que seremos camareiros
de algum moço pasolínico,
com quem se poderá, enfim,
fazer o cama-supra, meia-nove
e então discutir no pós-coito
outros conceitos hifenizados
ao som de Cocteau Twins,
listar as guitarras de 1969,
nosso horror a Riefenstahl,
a obsessão por Fassbinder,
e oxalá sentir em meio a tal
loa uma nova ereção
cavucar
as malhas entre as dobras
do edredão
enquanto lemos poemas de Catulo,
de Kaváfis.
Quando chegarem os bárbaros,
me encontrarão na cama;
que venham porém armados,
pois hei de estar acompanhado,
e em riste as nossas lanças.
Berlim, 25 de outubro de 2010
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domingo, 10 de outubro de 2010
Um brasileiro em uma bienal internacional de poesia
Estive na semana passada em Liège (parece que em português a cidade se chama Lieja), na Bélgica, entre os dias 7 e 9 de outubro, participando da XXVI Biennale Internationale de Poèsie, sediada pela Université de Liège, na região conhecida como Valônia. Foi um daqueles convites que me surpreendem de quando em quando, especialmente vindo de um evento tão oficial. De qualquer forma, o adjetivo "internacional" mereceria uma qualificação: tratava-se de um encontro, digamos, internacionalmente francófono. Havia poetas de várias partes do mundo, mas pelo que notei, com a exceção de uma inglesa, uma japonesa e um iraquiano, em sua maioria eram poetas que escreviam em francês, vindo da França, Bélgica, Haiti, Argélia, Marrocos, ou mesmo de países como o Líbano e a Romênia. Senti-me um tanto isolado com meu português/inglês/alemão. Além disso, a idade média dos poetas convidados parecia beirar os... 60 anos, com as exceções da franco-romena Linda Maria Baros, nascida em 1981 (às vezes eu me pergunto qual a porcentagem de romenos que realmente escrevem em romeno); meu querido Antoine Wauters, poeta belga que pude conhecer pessoalmente após uma longa correspondência, também nascido em 1981; e Samira Negrouche, poeta franco-argelina nascida em 1980 e que eu já havia conhecido no Festival de Medana, na Eslovênia, em 2008. Foi, de qualquer forma, uma experiência muito legal. Confesso não ser um visitante tão assíduo da poesia em língua francesa, não da maneira como habito as poesias em língua portuguesa, inglesa e alemã, e foi também interessante conviver com alguns poetas mais velhos, pertencendo a tradições por vezes distantes. Havia certamente uma porcentagem de "poetas institucionais", aqueles velhos acadêmicos que vivem de academia em academia, mas havia também vários poetas muito interessantes, que foi um prazer descobrir. O grão-senhor do evento parecia ser o libanês Salah Stétié. Nascido em Beirute em 1929, durante o mandato francês do país, ele é, segundo minha querida Samira Negrouche, um dos mais importantes poetas árabes contemporâneos. Stétié escreve, porém, em francês, não em árabe, como foi também o caso, por exemplo, do grande poeta argelino Mohammed Dib (1920–2003). Foi interessante observar a reverência com que ele foi tratado durante o evento. Um cavalheiro, pude conversar um pouco com ele (fomos apresentados por Samira), e dividir uma mesa de debates na sexta-feira pela manhã.
Apresentando minha intervenção ao debate "O poeta é/e sua língua", com Salah Stétié à mesa, ao fundo da foto.Reproduzo abaixo um pequeno poema lírico do libanês:
Les Conversants
Salah Stétié
Nous avons donc parlé sous la tonnelle
De la diversité concertante des anges
Des fourmis affairées dans le jardin
Où l’eau brillait parmi ses catégories
Jusqu’au lointain des cruches
La poésie dormait dans ses racines d’arbre
Depuis l’antiquité comme une jeune fille
Agrippée au désastre de la parole
Pour ce naufrage où la terre est consolatrice
La terre était l’enfant de nos viscères
Où déjà des fleurs de formaient préparant
Notre silence vide le plus intime
Sous le ciel dur invisiblement défait
Par la mêlée des grues et des nuages
Outros dois encontros que renderam conversas muito enriquecedoras, e que me deixaram feliz:
§ - com o poeta iraquiano Salah Niazi (n. 1935), o tradutor para o árabe de trabalhos como Macbeth e Hamlet, além do Ulysses (1922), de James Joyce, num volume publicado em Damasco, na Síria, há dois anos. Conversamos longamente sobre traduzir Joyce para o árabe, sobre democracia no Iraque, sobre poesia brasileira.
§ - e com o "trovère valão", como ele foi apresentado pelo diretor do festival: o poeta belga Julos Beaucarne (n. 1936). Um de seus assuntos mais queridos parece ser seu amor pela língua valona, ou o valão.
Após a conversa e debate de que participei, uma senhora veio conversar comigo, dizendo que era teatróloga, que havia gostado de minhas intervenções, e que algumas das coisas que eu disse, ilustradas por meu jogo de palavras com o vocábulo francês langue e o vocábulo inglês lung, a tinham feito pensar em Valère Novarina (n. 1947), o que tomei como grande elogio. A quem interessar, reproduzo abaixo minha consideração inicial no debate:
The poet is/and his language
Ricardo Domeneck
What most calls my attention in the proposed title of this roundtable is not so much its nouns, the poet or the language, but that possessive pronoun linking them, its concepts of possession and belonging.
The idea of possessing a language tantalized the Brazilian intellectuals and writers since our first Romantic poets in the XIX century, and creating a Brazilian poetic language was one of the most obsessive objectives of the Brazilian modernists in the 1920s. Linguistic nationalism among Romantic or Modernist poets is of course not a Brazilian privilege or disease, depending on the perspective. North American poets like Walt Whitman and William Carlos Williams were also greatly preoccupied with the creation of an American prosody for their poetic language. Other pairs in the Romantic & Modernist movements could be found in other countries, Pushkin and some of the Russian futurists, or among German poets of the Sturm und Drang and Expressionism. The Portuguese modernist poet Fernando Pessoa once wrote that the Portuguese language was his nation. I find it compelling that he did not write that “the poetic language” was his nation, but chose to inhabit a collective language, one officially spoken throughout his country. The idea of a national language doesn´t interest me, but the implications of his statement, which could also then be read as a refusal to make a clear difference between the poet´s language and that of his readers.
I would like to address these two possible readings of our title today, “the poet is / and his language”:
§ - the idea of a national language to which a poet would belong;
§- and a poetic language, inherently different from the common language, a language that the poet alone would therefore possess.
Rosmarie Waldrop, a poet who emigrated from Germany to the United States when she was 20 years old, and started writing in American English in the 1970s, once stated that she spoke both German and English with a “foreigner´s accent”, and that this fact liberated her from the illusion of ever being a “master of one language”. As a Brazilian poet living in Germany, writing in the language of my mother, which we could call Brazilian Portuguese, but also writing in what I call “the language of the Empire”, American English, this statement has always touched me in its frankness and humility, the desire not to “master a language”, not to possess, but maybe simply to belong to it. Later, reading Wittgenstein, who would become central in my language thinking, I was thrilled to discover his notion of “language games”, with the possible implications of no separation or essential difference between the language of the poem and the language I am using right now to exchange thoughts with you. What we would have is then the different games and uses for this organism or system of tools that we call "language". The verb “to use” is very important to this notion. In Brazil, I edit a magazine with three other poets, Angélica Freitas, Fabiano Calixto and Marília Garcia, a magazine we call Modo de Usar & Co., something like “How To Use & Co.”, trying to investigate the poetic language through the idea of textuality, a text conscious of its artifices, thinking of the poet´s language as a site of intervention, the place where public and private meet, where he or she tries to achieve an ethical relationship between the individual and the collective, between own and other. The poetic language as a bridge between dualities and extremes, remembering how often these dualities have caused wars and massacres, especially when it deals with ideas and (mainly) ideals of national/local and alien/foreign. In this realm, the only thing the poet possesses is not a langue or language, but his lungs, inhaling and exhaling air for the production of concrete sounds (and its signs and letters) with the mission of uniting, not dividing. The language uses / with her poets.
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domingo, 11 de outubro de 2009
Vídeo; excerto de performance; "Six songs of causality";
(Ricardo Domeneck, "Six songs of causality", textos permutativos em performance, Espai d´Art Contemporani de Castelló, Espanha, 31 de julho de 2009.)
Compus os textos permutativos "Six songs of causality" em 2006. Por esta época, estava em pleno processo de colaboração com o jovem artista visual alemão Phillip Zach, quando passei a escrever meus primeiros textos em inglês. A decisão era simplesmente prática: para poder colaborar com artistas ou poetas europeus, onde vivia, em muitos casos era impossível usar o português, a não ser que decidisse traduzir os textos mais tarde. Tomei a decisão de que seria mais interessante experimentar a composição dos textos diretamente em inglês. A colaboração com Zach geraria a primeira série, intitulada "How to breathe within photographs", com 11 textos meus e 11 fotografias do alemão.
As "Six songs of causality" nasceram do desejo de experimentar com a permutação de sentido dentro de um mesmo texto, algo que a língua inglesa torna especialmente frutífero, passando pela proposição de Wittgenstein de que "o significado de uma palavra é seu uso na língua", com um conceito que eu chamaria de "significado flutuante", a partir da relação contextual entre significantes.
§
O Romantismo, com suas obsessões nacionalistas (não apenas no Brasil), gerou nosso conceito de "literatura nacional", baseada, em muitos casos, em uma estreita noção de pureza de uma língua oficial. No Brasil, isso se torna ainda mais complicado pela influência massiva e unívoca da crítica de Antonio Candido e seu nacionalismo por sistematização de uma identidade.
Entre os medievais, era bastante comum que poetas compusessem em várias línguas, incluindo o famoso descort (leia AAQQUUII) de Raimbaut de Vaqueiras, em que o trovador usa cinco línguas (provençal, italiano, francês, gascão e galego), ou, mais próximos de nossa "tradição" (aquela que admite uma única língua), os textos de Gil Vicente em castelhano.
No século XX, começa a transformar-se a atitude crítica sobre poetas e escritores exilados que mudaram de língua. No Brasil, há o caso especial de Murilo Mendes, que viveu duas décadas na Itália e escreveu um livro em francês e um belo livro em italiano. Manuel Bandeira tem alguns poucos poemas em francês, assim como T.S. Eliot. Ezra Pound escreveu dois dos "cantares" em italiano.
Alguns poetas, no entanto, fizeram disso sua pesquisa primordial. Um caso bastante especial é o do romeno Ghérasim Luca (entre tantos romenos que escreveram em francês, como Emil Cioran e Mircea Eliade), que tematizaria o desterro e faria dele sua "língua". Entre os vivos, poderíamos citar a "alemã" Rosmarie Waldrop, que emigrou para os Estados Unidos e passou a escrever em inglês. Em uma entrevista, Waldrop declarou sentir-se deslocada tanto na Alemanha como nos Estados Unidos, dizendo que seus fonemas embaralharam-se ao cruzar o Atlântico e que ela falava os dois idiomas com um sotaque. Segundo ela, isto a salvava da ilusão de crer-se dominando qualquer língua, de ser "a master of language". Como "estrangeira", impedida de considerar meramente óbvia e natural a linguagem ao seu redor, com a qual os "outros" se comunicavam, incluindo seu marido, o poeta Keith Waldrop, a escritora e poeta Rosmarie Waldrop adota a língua do seu novo país e passa também a fazer do princípio wittgensteiniano do "significado da palavra como o uso que se faz dela na língua" seu princípio poético formal mais determinante.
§
Os textos independentes das "Six songs of causality" foram publicados pela primeira vez no número 09 da revista eletrônica (AAQQUUII) Green Integer Review, em outubro de 2007, editada por Douglas Messerli.
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sábado, 12 de setembro de 2009
Vídeo com trechos de minha leitura na Eslovênia
(Leitura de "corpo" e trechos de "Breviário de secreções" e "Linear". Medana, Eslovênia, 28 de agosto de 2009)
Breviário de secreções
A um canto do quarto, meu corpo
operava sua fábrica
de relações
Decisões não são auto-explicativas,
resistem ao questionário
do prazer
e são
obrigadas a ignorar
conseqüências de causas,
como movimento e encontro
As mãos em concha erguem-se
ao rosto ao mesmo tempo
que este dirige-se a elas
sem que se percam
no caminho
Respirando pela boca, sem
tempo a perder entre a
oxigenação do próprio
cérebro e a
do ambiente
em geral, ele
falou alto e preciso:
o teso súbito que percorre
a linha da boca
do peixe à mão
do pescador, anzol:
isca, peixe
Mas esta imagem não
encontra equivalência
em meu organismo e
volto a olhar
meus pés
Sozinho e vazio
como quem acaba
de parir como quem
acaba de ejacular
vazio e sozinho
e só me acalmei
ao repetir duração duração
duração movimento
passe as cartas por baixo
da porta se as há
Infelizmente não poderei
ir a São Paulo por
enquanto mas com
certeza nos veremos
antes da sua
partida beijos
em vigas de partir
nas vias do por vir
O esvaziamento progressivo
dos pulmões e recomeçar
em seguida
Não há transição mais
sutil que a esquecida
à meia-noite
e entre epiderme
derme músculo
osso esperam
todos
uma gradação
dos espetáculos
do mundo
apague a luz cavaleiro digo cavalheiro
Breviário das secreções
da manhã:
§ salivação comum mesmo
em meio à
desidratação recente
§ ejaculação de hábito
antes do desjejum
§ sangramento normal
à pia do banheiro
colore-me a boca
sensação de frescor e medo
do livro Carta aos anfíbios (2005)
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Último relatório do festival e outros poetas
§

É claro que se torna mais fácil apreciar o trabalho de poetas ativos em línguas que dominamos. Entre os poetas anglófonos em Medana, senti muito apreço pelo trabalho permutatório de escrita da canadense Angela Carr. A poeta vive em Montreal e publicou em 2006 a coletânea Ropewalk. No fim deste ano, deve lançar o volume The Rose Concordance. O poema a seguir está na antologia do festival, com o qual Carr abriu sua leitura. Pretendo traduzi-lo para a Modo de Usar & Co., mas por enquanto o mostro a vocês aqui no original:
Of the middle
Angela Carr
Our language with no body, nor less breath running.
Our language less in motion than motion.
Our tongues between properties, dividing,
nipples, the centrelanguage, heartbeat.
By the middle of September I had no body,
I was centrelanguage dividing the missing heartbeat,
my heartbeat, from the present.
By the middle of September I had no property, no body.
By the middle.
I bled language until I had no body.
Between our properties dividing turnips
from snow in the cold bare
vicinity of our language.
By the middle of winter
our story was less motion, language bled from me.
By the middle, I was missing
dividing months from the human
language with no body
honeycombs
frozen
honed
shhhh
but
I cannot breathe nor run with this less language.
I bled language until I had no body.
Bled between turnips and snow
Bled the cold bare language.
By the middle
Our story was less
Language had bled from me
So our story was less.
§
Angela Carr e eu conversamos muito sobre a relação entre gênero e gêneros (GENDER/GENRE), também sobre poetas como Susan Howe e Rosmarie Waldrop.
Esta última foi o ponto de contato, o gosto comum que iniciou uma boa conversa com outro poeta anglófono, ainda que este tenha na verdade nascido na antiga União Soviética, escapando com os pais quando ainda era muito pequeno, hoje poeta americano e tradutor do russo: Matvei Yankelevich. Publicou os livros The Present Work (2006) e Boris by the Sea (2009). Traduziu amplamente para o inglês o poeta russo Daniil Kharms (1905 - 1942), um iconoclasta amante do absurdo em um regime que não favorecia tais pesquisas poéticas. 
O trabalho de Yankelevich liga-o à poesia produzida na cidade de Nova Iorque nas últimas décadas, e aos muitos grupos ligados àquele primeiro grupo específico de poetas da década de 50, que ficaria conhecido como Escola de Nova Iorque (New York School of Poets): Frank O´Hara, John Ashbery, James Schuyler, Barbara Guest, Kenneth Koch. Há pontos de contato também entre a poesia deste tradutor dos poemas "absurdistas" de Daniil Kharms e o trabalho dos poetas conhecidos hoje como flarfistas.
Interessei-me também pelo trabalho da jovem sueca Linn Hansén. Nascida em 1983, Hansén acaba de publicar o livro Ta I trä (a tradução do título para o inglês parece ser Touch Wood). Não consigo deixar de me interessar por esta pesquisa textual que leva a um "deflacionar da linguagem poética", jogando também com as expectativas do gênero.Seria muito difícil escrever sobre todos os poetas. No debate sobre as possibilidades utópicas para a poesia, foi muito interessante ouvir o poeta e professor de filosofia bósnio Senadin Musabegović (n. 1970), que lutou como soldado em Sarajevo e leu poemas pungentes sobre a guerra, durante a qual foi correspondente também para certas agências internacionais.
Ficarei ainda atento ao trabalho do holandês Bas Belleman, da finlandesa Saila Sasiluoto, da argelina Samira Negrouche e do eslovaco Valerij Kupka. Tenho certeza que estes dias na Eslovênia gerarão frutos que ainda não posso ver claramente.
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