quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Perspectivismo amoroso


Nesse exato momento
a leoa olha o leão
e vê
O Moço
e uma baleia canta à baleia
e a outra
ouve
O Moço
e no gelo
memoriza o pinguim
de outro pinguim
o timbre
e no gelo
emitem seus sons
e cada um reconhece
O Moço
e o pássaro estufa o peito e abre
em leque a cauda
e a pássara admira e seleciona
para seu ninho
O Moço
como navega o cisne até o outro
e com seu pescoço
forma a metade do coração
e completa
o Moço
o coração com seu pescoço
e no centro da colmeia
tudo zune em plena atividade
e separada
por uma parede de açúcar
das operárias
reina
O Moço
e em vários países do mundo
um padre
fala em línguas
"até que a morte os separe"
e noivo e noiva
entreolham-se
e dizem SIM a
O Moço
como o último dos neandertais
antes de extinguir-se com sua espécie
desejou houvesse um mais
para que crescessem e se multiplicassem
e este seria
O Moço
e por todos os ecossistemas
em todas as espécies
O Moço
bodeja e zinzilula e gorgulha e regouga
e brama e cucula e cuincha e estruge
e eu
aqui
escrevo
então eis que
O Moço
entra no café
com o outro
e
O Moço
olha o outro
e vê
O Moço
e o outro
olha
O Moço
e vê
O Moço
e então
O Moço
me vê
e diz
"Bom dia, Ricardo."

.
.
.

2 comentários:

beto,,, disse...

maravilhoso.

Nora Fortunato disse...

Escandalosamente bom este poema ! Agora um dos meus preferidos. Bjs Nora

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