segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Programa da noite com O Moço

Primeiro:

"Quiet Days in Clichy" (1970), dirigido por Jens Jørgen Thorsen, baseado no trabalho de Henry Miller (1891 – 1980).



Ainda me lembro da sensação de "rebeldia" ao escolher o romance Sexus (1949), de Miller, para analisar em minha dissertação final na aula de Literatura Americana, quando estava terminando o colegial nos Estados Unidos, com 17 anos de idade. Não era permitido que dois alunos escrevessem sobre o mesmo livro ou sequer sobre o mesmo autor, mas enquanto a maioria escolhia romances como For Whom The Bell Tolls, The Catcher In The Rye ou To Kill A Mockingbird, eu fui direto à jugular indisputada de Miller com seu Sexus. A única outra revoltada foi Mary Beth Jones, a putinha da escola (minha melhor amiga, diga-se de passagem), que escolheu Naked Lunch, do William Burroughs. Eu acredito que o eclipse de Henry Miller terminará um dia, sua influência sobre os Beats (Kerouac principalmente, mas mesmo Burroughs) e outros escritores das décadas de 40 e 50 americanas foi gigantesca. Hoje à noite retorno ao senhor, caro Henry.

§

Depois:

"Zabriskie Point" (também de 1970, por coincidência), de Michelangelo Antonioni. Trata-se de um dos poucos filmes de Antonioni que me restam para ver pela primeira vez.



Gosto muito do italianão, ainda que seu trabalho por vezes me pareça demasiado tardo-modernista. Para quem filmou principalmente entre as décadas de 50 e 70, algo perdoável. Já em cineastas contemporâneos, como Tsai Ming-liang e Béla Tarr, acho bem menos tragável este tardo-modernismo. O filme tem uma das seqüências mais famosas do Antonioni, mas só saberei claramente após terminar de assistir o filme com o moço. Mark Frechette fica aqui eleito como o ator mais bonito de Antonioni, e com certeza o que morreu de forma mais bizarra.

2 comentários:

Gutierrez disse...

For Whom the Bell Tolls é um bom livro. Não entendi esse desprezo.

Ricardo Domeneck disse...

Gutierrez,

estava me referindo à minha vontade (aos 17 anos) de ser subversivo. Você há de convir que "Sexus" servia a este propósito bem mais que "For Whom The Bell Tolls"... que é um livro razoável. Hemingway nao me desce. Mas amo "The Catcher In The Rye", o favorito de everyone, clichêzóide, mas lindo. Você gosta de Hemingway por coisa de jornalista, confessa.

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