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terça-feira, 20 de maio de 2014

Feliz aniversário, Uli.



Uli Buder, meu amigo e colaborador, completa 28 anos de idade hoje. Obrigado por existir.

 

Parto daqui a pouco para o bairro dele, onde vamos aproveitar o sol no telhado de seu prédio. Mais tarde, faço uma leitura com Odile Kennel em Kreuzberg.

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Tal Nitzán traduz para o hebraico meu poema "Ísis Dias de Oliveira (1941 - ?)"



Durante nossa passagem por Tiradentes, durante o Festival Artes Vertentes 2013, conversei muito com a poeta israelense Tal Nitzán sobre a natureza do político no trabalho poético. Foram dias muito bonitos. Tal, após minha leitura do poema "Ísis Dias de Oliveira (1941 - ?)" na Igreja do Rosário, num domingo, disse-me que gostaria de traduzi-lo. Ela é a tradutora israelense premiada de autores latino-americanos como Antonio Machado, Federico García Lorca, Pablo Neruda, Octavio Paz, Jorge Luis Borges, Cesar Vallejo, Alejandra Pizarnik e Cesare Pavese. Fiquei muito tocado, especialmente por levar o nome e a memória de Ísis a outras línguas, aumentando talvez a consciência do que por aqui ocorrer.  Compartilho aqui a tradução, seguida da tradução de Odile Kennel para o alemão e o original. O poema foi publicado pela primeira vez em meu livro alemão, Körper: ein Handbuch (Berlin: Verlagshaus J. Frank, 2013). No Brasil, fará parte do meu próximo livro.



(1941-?) איזיס דיאס דה אוליביירה 



אולי
היתה עכשיו
משועממת ביום ראשון,
עגומה על הספה
או ישנה
אולי גרושה.
אולי היתה חיה
עם שלושה ילדים
שמעולם לא היו לה
בדירה שכורה
זעירה, מאושרת
או אומללה, כמו
שקורה תמיד, אולי. אולי
היתה נועלת בשמש
את נעליה האהובות,
כבר די שחוקות, גנובות
מחברה שאיתה
לא היתה מדברת עוד,
אולי. אולי כבר היתה נופלת
בידי ההתאבדות,
או הבעל השני,
אולי רק סורבה
תמרינדי, אולי.
אולי היתה צוחקת,
מספרת בדיחה
תפלה
שכל החברים
כבר לא מסוגלים
לשמוע, אולי. אולי
היתה תוהה
במה הועיל המאבק
וכל החיים האלה
כדי שהמדינה
תהיה בסוף
כמו שהיא, אולי.
אולי
היתה מהגרת
ומביעה את שמחותיה
עכשיו באקלימים אחרים,
מתבטאת עכשיו בשפות אחרות,
לא זוכרת שום מאבק
ושום גרילה, אולי.
אצבעותיה היו עכשיו אולי
מוכתמות מן הדיו
של עיתון הבוקר
שמשקר לעתים קרובות,
כפי ששיקר כבר אז,
אולי, והדיו היתה
נטמעת עכשיו בלובן
הספל, כפי שחומר
עובר מחומר אל חומר,
אילו חיתה,
אולי.


§

Ísis Dias de Oliveira (1941- ?)

Vielleicht
würde sie sich gerade
langweilen an einem Sonntag
hätte den Blues
auf dem Sofa, oder schliefe
geschieden, vielleicht.
Vielleicht würde sie 
mit den drei Kindern
die sie nie bekam
in einer Einzimmer-
Mietwohnung leben, glücklich
oder unglücklich
wie man eben so ist, vielleicht.
Vielleicht zöge sie
in dieser Minute
in der Sonne ihre abgenutzten
Lieblingsschuhe an
der Freundin stibitzt
mit der sie verstritten wäre
vielleicht. Vielleicht hätte 
der Selbstmord sie längst
geholt, hätte sie schon
den zweiten Mann, eventuell
auch eine Kugel Eis, vielleicht.
Sie würde sich kugeln
vor Lachen, vielleicht
beim Erzählen eines schlechten
Witzes, den ihre Freunde
schon nicht mehr
hören könnten. Vielleicht
würde sie fragen, warum
sie dieses Leben, diesen Kampf
geführt hat, wenn kein
besseres Land
herauskam als dieses.
Vielleicht wäre sie emigriert
wäre heiter in einem anderen
Klima, einer anderen
Sprache, vergessen
die Bewegung
der Untergrund, vielleicht.
Ihre Finger wären vielleicht
voller Druckerschwärze
von der Morgenzeitung
die vielleicht
wie früher
lügen würde
und das Schwarz
färbte ab auf die weiße
Keramiktasse, so wie
Materie von Materie
auf Materie übergeht
sofern lebendig
vielleicht.

§

Ísis Dias de Oliveira (1941 - ?)

Talvez
ela estivesse agora
entediada num domingo,
cheia de banzo no sofá
ou dormindo
divorciada, talvez.
Talvez ela vivesse
com os três filhos
que jamais teve
numa quitinete
de aluguel, feliz
ou infeliz, como sói
ser, talvez. Talvez
vestisse ao sol
os sapatos favoritos
já meio gastos, roubados 
da amiga
com quem já não falasse,
talvez. Talvez o suicídio
já a houvesse colhido,
ou o segundo marido,
quiçá tão-só um sorvete
de tamarindo, talvez.
Talvez estivesse rindo,
contando a piada
sem graça
que todos os amigos
já não aguentavam
ouvir, talvez. Talvez
questionasse
o que valeram luta
e toda aquela vida
para que o País
acabasse
como acabou, talvez.
Talvez 
houvesse emigrado
e submetesse suas alegrias
agora a outros climas,
exprimindo-se noutra língua,
esquecida de militâncias
e guerrilhas, talvez.
Seus dedos agora talvez
estivessem sujos de tinta
do jornal matutino
que mente a miúdo,
como já antes o fazia,
talvez, e a tinta agora
se juntasse ao branco
da louça da xícara,
como se transporta
matéria de matéria
a matéria, se viva,
talvez.


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domingo, 19 de agosto de 2012

Poema inédito na revista alemã "Belletristik", número 12



Ontem à noite ocorreu, aqui em Berlim, o lançamento do novo número da revista Belletristik: Zeitschrift für Literatur und Illustration (Verlagshaus J. Frank, 2012). Como se trata de uma revista dedicada à literatura e à ilustração, neste número os editores tiveram a ideia de uma corrente: uma iniciada por uma ilustração, para a qual um poeta escreveu um texto, que por sua vez foi entregue a outro ilustrador e assim por diante. Na segunda corrente, começou-se com um texto. A revista ficou muito bonita. Ontem, na galeria Serendipity, vários dos poetas fizeram uma leitura coletiva, com projeções das ilustrações. A violoncelista Ehrengard von Gemmingen tocou, a intervalos, peças de Bach. Foi uma noite bonita. As leituras de Shane Anderson (o único outro estrangeiro comigo na revista) e da poeta (e minha tradutora) Odile Kennel foram muito boas. Na revista, chamou-me ainda a atenção o poema de Max Czollek, meu companheiro de editora aqui na Alemanha. Abaixo, a ilustração de Annemarie Otten que catapultou meu poema, meu poema, e a ilustração de Asuka Grün que ele catapultou. 


 Ilustração de Annemarie Otten



:


                                                           Poema de Ricardo Domeneck


                                                      Voltar à casa, para quê?
                                                      Aproveita a viagem,
                                                      Odisseu. Ninguém
                                                      sabe o que se passou em Ítaca
                                                      durante a tua ausência.
                                                      Por ora,
                                                      tu tens a atenção de deuses,
                                                      cíclopes, sereias. É provável,
                                                      conhecendo o mundo
                                                      como é o mundo sedento
                                                      de novidades, que chegando
                                                      à casa, homem
                                                      muitíssimo inferior
                                                      a ti seja
                                                      agora rei, que Penélope
                                                      esteja no quinto marido,
                                                      teu cão morto,
                                                      e que tuas pelancas
                                                      envelhecidas tenham já
                                                      tornado irreconhecível
                                                      a cicatriz. Casa? Sempre
                                                      foi tolice investir
                                                      no setor imobiliário.
                                                      Retornar dá trabalho.
                                                      Permanece à deriva.


 : 


 Ilustração de Asuka Grün

sábado, 4 de agosto de 2012

Sobre minha leitura ontem em Berlim e algumas notícias de colegas e amigos

 Lendo com Alexander Gumz no Z Bar, Berlim. Foto de Andrea Schmidt.

Fiz uma leitura ontem em Berlim, no Z Bar, ao lado do poeta alemão Alexander Gumz (Berlim, 1974). É uma nova série de minha editora alemã, a Verlagshaus J. Frank, em que poetas "da casa" convidam poetas de outras editoras para uma leitura e uma conversa. Li uma seleção de poemas que entrarão em meu livro alemão: "Vida longa à poesia pura", "Corpo", "X + Y: uma ode", "Texto em que o poeta celebra o amante de vinte e cinco anos", "Carta a Antínoo", "Seis canções óbvias" e "Cantiga de ninar para amante surdo". Alexander Gumz leu poemas de seu livro de estreia, e único até o momento, intitulado ausrücken mit modellen (Berlin: KOOKbooks, 2011), pelo qual recebeu o prêmio Clemens Brentano deste ano. Foi muito bom testar as traduções ("X + Y: uma ode" funcionou muito bem com a plateia alemã), conversar com Gumz sobre narratividade, indeterminação, política na poesia, etc. Tentarei traduzir um dos poemas de Gumz em breve. No momento, estou mergulhado num artigo sobre a recepção alemã de Jorge Amado para a Deutsche Welle, por ocasião de seu centenário este mês. Deixo vocês com um original alemão do poeta.  

Später Besuch
Alexander Gumz

er dreht die lider runter wenn er lacht: windet sich
auf seiner sprache (das nennen wir mal alkoholproblem)

wie er ins waschbecken kotzt (seebäder drübermalt)
hat schon was von keine ansichtssache
eher: sauberwerden mit den farben

oder kurz nochmal die hände heben (in eine flasche beten
wie in eine mutter) um später zu entdecken
er hat den humor einer stadt von sehr weit oben

etwas schneidet sich durch seine falten: mehr zu sein
als der ekel davor in einem bett aus bier zu schlafen

sein gesicht zu legen auf etwas das nicht bleibt

§

Discoteco hoje à noite no Honecker Lounge do Kino International ao lado de meu amigo Uli Buder, produtor alemão mais conhecido como Akia, sobre o qual falo com frequência aqui. Ouça abaixo uma gravação de sua última apresentação ao vivo.


AKIA - LIVESET LOOPACUT - Snipit by Akia


§

Foi muito bom ter a poeta, romancista e minha querida tradutora Odile Kennel (n 1967) ontem na plateia. O trabalho com ela tem sido maravilhoso. Odile lançou o romance Was Ida sagt no ano passado, pela importante editora alemã Deutscher Taschenbuch Verlag - dtv. Abaixo, um vídeo em que lê um trecho do romance.




A mesma editora lança seu primeiro livro de poemas no ano que vem. Traduzi alguns para a Modo de Usar & Co. 

Por sorte a névoa chegou

tarde. Mais abaixo, eu sei
com certeza, nadavam girinos
num tanque de pedra, as vacas
traçavam com patas cautelosas
veias na montanha, visíveis. Sobre
nós circulava um busardo. Não

é um busardo, você disse, mas
nos faltavam binóculos e dicionário
de inglês. E havia o ruído
dos planadores. Eles abocanhavam o ar
em goles ávidos. Riscavam verticais acima

e abaixo cambaleavam nossos
olhos uns nos outros, mergulho cauteloso
das palavras vale abaixo, cartografado
de montanha a montanha.

Por sorte a névoa chegou tarde
para que pudéssemos
admirar na capela o
Senhor Jesus transsexual, suas unhas
pintadas. Para que nossos olhos
patas cautelosas sob
círculos intraduzíveis, para que nossos
olhos tais como girinos
no tanque de pedra nadassem
uns pelos outros se medissem uns nos outros
mergulhassem por sorte

a névoa chegou tarde.

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

Zum Glück kam der Nebel
Odile Kennel

verspätet. Weiter unten, ich weiß es
genau, schwammen Kaulquappen
in einem Steintrog, Kühe legten
mit bedächtigen Hufen die Adern
des Berges bloß. Über uns kreiste
ein Bussards. Das ist kein

Bussard, sagtest du, aber wir hatten
kein Fernglas und kein englisches
Wörterbuch. Und das Geräusch kam
von den Segelfliegern. Sie rissen die Luft
an sich in gierigen Zügen. Rissen sie aufwärts und

abwärts taumelten unsere Augen
ineinander, bedächtiges Tauchen
der Wörter ins Tal hinab
geschwungen, ausgelotet
von Berg zu Berg.

Zum Glück kam der Nebel verspätet
so dass wir in der Kapelle den
transsexuellen Herrn Jesus
bewundern konnten, lackiert
seine Nägel. So dass unsere Augen
bedächtige Hufe unter unübersetzbaren
Kreisen, so dass unsere
Augen Kaulquappen gleich
im Steintrog schwammen
sich aneinander maßen ineinander
tauchten zum Glück

kam der Nebel verspätet.


.

Pensar sálvia e você

Eu penso sálvia quando eu
vejo sálvia penso folhas de veludo
verde-cinza pareadas opostas ou
labiadas ou temperadas e amargas
ou eu penso em nada nem sálvia nem
planta nem cheiro pois por tanto
pensar a sálvia se encontra
à janela se desencontra na mente
pois ela para mim não existe mas
existe para si nada sabe de
seu nome nada sabe de seu
existir presume-se que nonada sabe.

Eu penso você quando eu não
penso sálvia quando não penso que
os andorinhões cochilam nas altas
camadas do ar e nós deitadas
despertas à janela eu penso
você e o cheiro amargo
e temperado infiltra-se no seu
no meu existir de que nada sabe
e assim origina-se um desequilíbrio
existencial na luz pós-meridiana
pois sabemos sabemos muito bem
que todo tempo é uma xícara a
despenhar-se aos céus ou óleo etéreo
ou a maquinaria da solidão, presume-se.

(tradução de Ricardo Domeneck)


(Odile Kennel lê em Berlim, a 19 de agosto de 2008, em evento que contou ainda
 com leituras do belga Damien Spleeters, da espanhola Sandra Santana e minha)

:

Salbei denken und Du
Odile Kennel

Ich denke Salbei wenn ich Salbei
sehe denke grüngraue samtene
Blätter paarweise gegenständig oder
Lippenblütler oder bitter und würzig
oder ich denke nichts nicht Salbei nicht
Pflanze nicht Duft weil vor lauter
Denken der Salbei wohl vorkommt
am Fenster doch verkommt im Kopf er also
für mich nicht existiert er aber
für sich existiert und nicht weiß wie er
heißt und nichts weiß von seiner
Existenz vermutlich gar nichts weiß.

Ich denke Du wenn ich nicht
Salbei denke nicht denke dass
die Mauersegler dösen in den höheren
Schichten der Luft während wir wach
liegen am Fenster ich denke
Du während der bittere und
würzige Duft in deine und meine
Existenz dringt von der er nichts weiß
und so entsteht ein existenzielles
Ungleichgewicht im Nachmittagslicht
denn wir wissen wir wissen sehr genau
dass alle Zeit nur eine himmelwärts stürzende
Tasse ist oder ätherisches Öl oder eine
Apparatur der Einsamkeit, vermutlich.


(Zitat: Ulrike Draesner)

§

Também foi bom ver na plateia minha querida amiga Sabine Scho, a poeta alemã que divide seu tempo entre Berlim e São Paulo. É uma pena que a cena poética paulistana não a tenha ainda descoberto. Scho está na Alemanha, onde recebe este mês o prêmio de poesia Anke Bennholdt-Thomsen do Instituto Schiller. Um poema traduzido:

green

alguém quer que eu diga
erva e uma toalha es-
tenda, erva da boa, a pura
opulência dos ruminantes
não é nada, dou voluntaria-
mente a entender, nada mais que
vento nos salgueiros, aptidão
para Marte, macacão azul
lavado a seco, de preferência
fotossíntese, campos de
estromatólitos, quedas de
temperatura em florescência
desértica, paisagem incrustada,
gravura grátis a laser, nem nada
de nada de precipitações

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

green
Sabine Scho

jemand will, dass ich gras
sage und eine decke aus-
breite, gutes gras, die reine
üppigkeit der wiederkäuer
es ist nichts, gebe ich bereit-
willig zu verstehen, nichts als
wind in den weiden, marstaug-
lichkeit, ein blaumann aus der
schnellreinigung, vorzugsweise
photosynthese, stromatolithen-
felder, temperaturstürze in wüster
blüte, verkrustete aussicht, kosten-
lose lasergravur, nichts und kein
bisschen niederschlag


§

Outra amiga na plateia foi a fotógrafa Adelaide Ivánova, que está preparando sua exposição na França em setembro, com um título lindamente longo e inspirado em um dos meus poemas favoritos, de Wislawa Szymborska. O nome da exposição é "Autotomy is the ability some animals have to change or mutilate their bodies in order to look like something else and protect themselves from the world and I was amazed to notice that we all do it and not just sea cucumbers." Deixo vocês com uma foto de Ivánova, que não está na exposição mas é uma de minhas favoritas (logo verão o porquê). Neste aniversário, ganhei dela uma versão enorme da foto (o modelo é seu namorado), que doravante estará na parede do meu quarto. A segunda é outra foto linda de seu namorado (às vezes penso que Ivánova e eu somos as versões fotógrafa e poeta de uma pessoa muito parecida), e a última é um dos últimos retratos que fez de minha imponderada pessoa.


Foto de Adelaide Ivánova (2012)

Foto de Adelaide Ivánova (2012)

 Foto de Adelaide Ivánova (2012)


§

Encerro com o poema de Wislawa Szymborska.

autotomia
Wislawa Szymborska (tradução coletiva da Inimigo Rumor n. 10)

 

diante do perigo, a holotúria se divide em duas:
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.

ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.

no centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.

sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
aqui o desespero, ali a coragem.

se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
se há justiça, ei-la aqui.

morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.

nós também sabemos nos dividir, é verdade.
mas apenas em corpo e sussurros partidos.
em corpo e poesia.

aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.

aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um vôo.

o abismo não nos divide.
o abismo nos cerca.



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terça-feira, 17 de novembro de 2009

São Paulo/Berlin: Leitura/Lesung com/mit Ricardo Domeneck & Odile Kennel


Hoje à noite, às 19:00, faço uma leitura na Livraria Portuguesa, aqui no Berlimbo, ao lado da poeta alemã Odile Kennel (n. 1967), a convite d´A Livraria e da Berlin-Brandenburgiesche Buchwoche (Semana do livro de Berlim e Brandemburgo).

Odile e eu temos nos traduzido mutuamente desde 2006. A leitura consistirá de poemas de nossa autoria, traduzidos para o português e o alemão em trabalho conjunto. Iniciaremos com poemas recentes, ainda sem tradução, seguindo para textos mais antigos.

No programa desta noite:

Primeiro bloco: Poemas não muito sérios/Nicht ganz so ernste Gedichte

Odile Kennel lê "So topographisch zumute" & "Nicht aussteigen müssen in Hildesheim"
Eu leio "Corpo" em português e inglês (leia AAQQUUII).

Segundo bloco: Poemas com animais e secreções/Gedichte mit Tieren und Körperausscheidungen

Odile Kennel lê "Salbei denken und Du" (leia AAQQUUII), "Zum Glück kam der Nebel" & "Dinosaurier werfen in erster Linie Fragen auf". Em seguida, eu leio minhas traduções para o português destes mesmos poemas: "Pensar sálvia e você", "Por sorte a névoa chegou" & "Dinossauros levantam primordialmente questões"

Depois disso, leio meus 2 poemas mais recentes: "Texto em que o poeta celebra o amante de vinte e cinco anos" e "Enfim aurora-me na cachola", seguidos de "Breviário de secreções", que está no Carta aos anfíbios. Odile lê então suas traduções destes meus poemas para o alemão: "Text, in dem der Dichter des Liebhabers fünfundzwanzigsten Geburtstag zelebriert", "Endlich dämmert’s mir im Hirn" & "Kurze Abhandlung über Körperausscheidungen".

Terceiro bloco:

Odile lê os últimos poemas que traduzimos: "Und dann fing ich noch einmal mit der Zeile an" e "Auch ich finde keinen Schluss", que faz uma referência ao poema "Treze de agosto", de Angélica Freitas. Eu os traduzi como "E então comecei uma vez mais com o verso" e "Também não consigo terminar".

Para encerrar, farei minha leitura videotextual das "Six songs of causality".



Vai ser divertido.

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Hoje à noite: parte 1


Às 19:00, na Livraria Francesa de Berlim - ZADIG - participo do evento Printemps des Poètes, com uma leitura de poemas ao lado dos autores Odile Kennel (Alemanha), Sandra Santana (Espanha) e Damien Spleeters (Bélgica).

Printemps des Poètes
4 poetas, 5 línguas:

Ricardo Domeneck (Brasil)
Odile Kennel (Alemanha)
Sandra Santana (Espanha)
Damien Spleeters (Bélgica)

Zadig
Linienstrasse 141
Berlin
19:00

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