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terça-feira, 20 de maio de 2014

Feliz aniversário, Uli.



Uli Buder, meu amigo e colaborador, completa 28 anos de idade hoje. Obrigado por existir.

 

Parto daqui a pouco para o bairro dele, onde vamos aproveitar o sol no telhado de seu prédio. Mais tarde, faço uma leitura com Odile Kennel em Kreuzberg.

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Nova produção do meu amigo Uli Buder e uma foto nossa, ainda sóbrios, na última noitada


Akia (Uli Buder) - "Xenarion" (2014)

Creio que vocês já estão cansados de ler o nome dele por aqui (é uma das minhas criaturas favoritas no planeta), então encerro deixando vocês com uma foto feita por Matthias Hamann em certo clube onde estávamos, logo após minha discotecagem, e ainda sóbrios demais.

Com Uli Buder na noite. Foto de Matthias Hamann.


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sábado, 8 de março de 2014

Remix de Akia para "Light Don´t Owe Shade", de Black Cracker



É sempre uma coisa muito bonita ver duas pessoas importantes em sua vida unindo-se numa peça de força estética. Meu querido Uli Buder, conhecido como Akia, preparou este remix para a faixa "Light Don´t owe Shade", do meu querido Black Cracker. Compatilho com vocês e peço o apoio para espalhar estes sons. Sigam nossa gravadora / editora aqui :::


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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Akia & Kenny Gold - ao vivo em Berlim


Akia & Kenny Gold, ao vivo no dia 21 de fevereiro de 2014, 
no teatro berlinense Hebbel am Ufer.  




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sábado, 21 de dezembro de 2013

Akia feat. Jonas Lieder - "Old Man" (colaboração entre dois dos meus melhores amigos)

Uli Buder                                                    Jonas Lieder


Duas das pessoas mais próximas que tenho em Berlim colaboraram nesta coisa bonita: o produtor Uli Buder (Hoyerswerda, 1986), mais conhecido como Akia, e o cantautor Jonas Lieder (Frankfurt am Main, 1983). Compartilho com vocês.
 
Akia feat. Jonas Lieder - "Old Man" (2013)

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Meus amigos andam ocupados: postagem com poemas, canções, entrevistas e outras belezas recentes de companheiros

Postagem com algumas das belezas que aqueles que tenho a sorte de chamar de amigos ou companheiros lançaram no mundo nos últimos tempos.


Parte 1


Preparando-se para o lançamento de seu novo álbum, All Love´s Legal (Human Level Rec.) em fevereiro de 2014, a maravilhosa Jam Rostron a.k.a. Planningtorock lançou o vídeo para sua nova faixa "Human Drama", que pode ser visto na revista Dazed & Confused. Abaixo, a intro do novo álbum, "Manifesto".


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A poeta e artista visual anglo-norueguesa Hanne Lippard criou uma conta no Soundcloud, na qual começou a desaguar seus excelentes e inteligentes poemas vocais. Chamo a atenção para esta peça, "Boys". Visitem e sigam a conta toda. Vocês podem ler uma entrevista recente dela na revista aqnb.



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O duo Tetine, Eliete Mejorado e Bruno Verner, lançou dois álbuns este ano: Voodoo Dance & Other Stories (Slum Dunk, 2013) e Mother Nature & Black Semiotics (Wet Dance Recordings, 2013). Ouçam, do último, a faixa "Charlote Maluf".




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Preparando-se para lançar seu novo álbum em 2014, meu companheiro Black Cracker vem desaguando algumas canções em sua conta do Soundcloud. Ouçam essa joia, "Back".




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Annika Henderson, melhor conhecida como Anika, permitiu-me publicar dois de seus poemas e uma de suas canções na Hilda Magazine. Abaixo, a pérola que é "Margaret".



"Margaret"
Tight bitter face
scrunched into a fist
this little madam
would benefit quite a bit
from removal of the poker
and gentle rub of the clit
Just a moment of enlightenment
could have transformed
this surfaced bigot
from anally retentive
into wonderfully relaxed
in just one lick
§
Lauren Flax & Lauren Dillard, o duo novaiorquino Creep, lançou seu álbum de estreia - Echoes (2013), pelo qual vínhamos esperando há tempos. Ouçam a faixa com Sia nos vocais.





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Hermione Frank, mais conhecida como rRoxymore, lançou seu EP "Precarious/Precious" pelo Human Level neste semestre. Vocês já ouviram?




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Steven Warwick, mais conhecido como Heatsick, lançou há pouco seu álbum Re-Engineering (PAN Rec., 2013), que vem sendo saudado com entusiasmo pela crítica. Vídeos recentes para "Mimosa" e "Clear Channel" podem ser vistos aqui e aqui, respectivamente. Abaixo, o vídeo para "Snakes & Ladders".



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Uli Buder, mais conhecido como Akia, com quem já colaborei em várias peças e um de meus amigos queridos, segue desaguando suas produções. Aqui, a mais recente:


  

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Luke Troynar, mais conhecido como Creatures, lançou este ano seu lindo álbum de estreia New Campaigns (Wait! What? Records, 2013). Abaixo, o vídeo ao vivo para a linda "Mirror Mirror".




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O cantautor alemão Jonas Lieder, um dos meus melhores amigos, continua desaguando suas canções lindas. A mais recente chama-se "Give up".





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Markus Nikolaus, também conhecido como Cunt Cunt Chanel, compôs essa coisa bonita há pouco tempo, "Robot Hard". E logo abaixo, o vídeo de sua apresentação em Bruxelas, na mesma noite em que Tetine e eu nos apresentamos.


Robot HardThis is me and you being somewhere / This is me and you going to change. / - Being soaked up. / Both go seperate ways, / We both break in days. / I was out here, I came here / Only for a word or three. / Now, it's missing. / This is you , this is me... / Being somewhere / But I was only out here for a word or three / Know what's missing me, oh, its missin' me. / But It Aint Hard, / No, it aint hard. / // This is me, this is you / we both gonna separate / - "Just try to be yourself" / "That's usually the road to disaster!" / But It Aint Hard, It aint hard to see / It aint complex in me. / This is you not sure what to tell me. / We both break into seperate ways. / // This is me and you being somewhere. / It's so hard to take... / But It Aint Hard It aint to see / What is happening in me. / // Just try and be yourself. / Thats usually the road to disaster for me. / // But It Ain't hard, you see. / It's happening in me. / // But It Aint Hard to see / But It Aint Hard to see /

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Markus Nikolaus a.k.a. Cunt Cunt Chanel - ao vivo em Bruxelas


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Daniel Saldaña París lançou no México seu primeiro romance, En medio de extrañas víctimas, que vem sendo também saudado com entusiasmo pela crítica.




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Luis Felipe Fabre lançou sua nova coletânea de poemas Poemas de terror y de misterio, do qual extraí  e traduzi a série "Notas en torno a la catástrofe zombi", lançada este ano pela Lummer Editor.
  
   



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Preparando-se para lançar seu primeiro EP no ano que vem, pelo selo do clube Dora Brilliant, o produtor alemão Ludwig Roehrscheid permitiu-nos postar duas faixas na Hilda Magazine. Abaixo, uma das faixas.
   

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sábado, 21 de setembro de 2013

Akia - novas faixas / new tracks


Akia feat. Kenny Gold - "Paperwork" (2013).

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Akia - "TimeTime" (2013).




Akia é o nome artístico do produtor alemão Uli Buder, nascido em Hoyerswerda em 1986, vivendo e trabalhando em Berlim desde 2007 após crescer na cidade de Rostock, às margens do Mar Báltico. Foi ali, em Rostock, após notar a dificuldade em encontrar parceiros com os mesmos interesses para uma banda, que começou a produzir suas primeiras composições munido de um sintetizador Korg Electribe EMX 1, trabalhando sozinho, sob a influência inicial de produtores alemães como Console, Apparat e Micronaut. A música eletrônica minimalista contemporânea alemã permaneceria a maior referência em seu trabalho, unida a seu interesse pelo dub.

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sábado, 19 de janeiro de 2013

"Strawberry Leaves" (2012) + "Level Up" (2013), vídeo e composições sonoras de Akia (Uli Buder)

"Strawberry Leaves" (2012), Akia.

Akia é o nome artístico do produtor alemão Uli Buder, nascido em Hoyerswerda em 1986, vivendo e trabalhando em Berlim desde 2007 após crescer na cidade de Rostock, às margens do Mar Báltico. Foi ali, em Rostock, após notar a dificuldade em encontrar parceiros com os mesmos interesses para uma banda, que começou a produzir suas primeiras composições munido de um sintetizador Korg Electribe EMX 1, trabalhando sozinho, sob a influência inicial de produtores alemães como Console, Apparat e Micronaut. A música eletrônica minimalista contemporânea alemã permaneceria a maior referência em seu trabalho, unida a seu interesse pelo dub.




"Level Up" (2013), Akia

Nesta postagem, seu mais recente vídeo e composição sonora, "Strawberry leaves" (2012), logo no início, seguido acima de sua primeira produção em 2013, "Level Up". Abaixo, seu DJ set no evento que organizei na última terça-feira, celebrando os concertos de Anika e Trust no lendário Berghain. O aftershow foi no clube Loftus Hall.


Akia - Djset @ Loftus Hall - 15.01.2013 by AKIA - DJsets

É um dos meus colaboradores mais frequentes em peças sonoras e amigo queridíssimo.



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Excerto de vídeo da minha performance no Museo del Chopo, na Cidade do México.


Vocalizando a peça "Entrañas de las Soledades". 
Museo del Chopo, Cidade do México, setembro de 2012. 

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 A peça foi composta por colagem de palavras ou fragmentos exclusivamente tirados do poema "Soledades" (1613), de Gôngora, e criada a convite do Festival "Poetas del Mundo en Córdoba" para as celebrações dos 450 anos de seu nascimento, na sua cidade natal, Córdoba, Espanha. Paisagem sonora composta por meu colaborador alemão Uli Buder, mais conhecido como Akia.

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Akia - "Tangome" (2012)




"Tangome" (2012) 
Música e vídeo: Akia (Uli Buder)



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domingo, 23 de setembro de 2012

"Springer", nova peça sonora de Akia, o produtor alemão Uli Buder


"Springer", nova peça sonora de Akia, o produtor alemão Uli Buder 


Akia é o nome artístico do produtor alemão Uli Buder, nascido em Hoyerswerda em 1986, vivendo e trabalhando em Berlim desde 2007 após crescer na cidade de Rostock, às margens do Mar Báltico. Foi ali, em Rostock, após notar a dificuldade em encontrar parceiros com os mesmos interesses para uma banda, que começou a produzir suas primeiras composições munido de um sintetizador Korg Electribe EMX 1, trabalhando sozinho, sob a influência inicial de produtores alemães como Console, Apparat e Micronaut. A música eletrônica minimalista contemporânea alemã permaneceria a maior referência em seu trabalho, unida a seu interesse pelo dub.



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terça-feira, 28 de agosto de 2012

A caminho da cidade natal de Gunnar Ekelöf

Embarco amanhã de manhã para Estocolmo, onde discoteco no clube Debaser na quinta-feira. Fico na cidade até sexta-feira à noite, minha primeira visita à cidade. Viajo com o produtor alemão e meu amigo Uli Buder, mais conhecido como Akia, que também discoteca na mesma noite.

Seremos recebidos por meu amigo Pontus Ahlkvist, jovem escritor sueco e também DJ, que conheci em Berlim em 2009, quando ele morava na cidade. Tive ótimas conversas com ele, que passavam invariavelmente por nosso poeta sueco favorito em comum, Gunnar Ekelöf, e por outros escritores que ambos admiramos, como Roberto Bolaño. Algumas vezes, com café e cigarro queimando de permeio, líamos poemas de Ekelöf, eu em traduções para o inglês ou alemão, ele então os lia em voz alta no original sueco. O poema abaixo nós traduzimos juntos numa destas tardes, usando a tradução para o inglês e conversando com Pontus sobre o original, seus sons, seu tom. 


Gunnar Ekelöf



Gunnar Ekelöf nasceu em Estocolmo, Suécia, a 15 de setembro de 1907. Contemporâneo de poetas como Carlos Drummond de Andrade, W. H. Auden ou George Oppen, estreou em 1932, com a coletânea Sent på jorden ("Tarde na Terra"). A este, seguiram-se inúmeros livros em prosa e de poemas, até sua morte na pequena cidade de Sigtuna, a 16 de março de 1968. É um dos modernistas suecos mais amplamente traduzidos. O poema abaixo foi traduzido em colaboração com o jovem escritor sueco Pontus Ahlkvist.


POEMA DE GUNNAR EKELÖF


Quando alguém vai, como eu, tão longe no absurdo
palavras tornam-se de novo interessantes:
Algo soterrado
que se revolve com pá de arqueólogo:

A pequena palavra tu
talvez miçanga
que um dia enfeitara um pescoço

A grande palavra eu
talvez quartzo em lasca
com o qual um sem-dentes qualquer desfiara sua carne
dura.

(tradução de Ricardo Domeneck,
em colaboração com Pontus Ahlkvist)

§

När man kommit så långt som jag i meningslöshet
är vart ord åter intressant:
Fynd i myllan
som man vänder med en arkeologisk spade:

Det lilla ordet
du
kanske en glaspärla
som en gång hängt om halsen på någon

Det stora ordet
jag
kanske en flintskärva
med vilken någon i tandlöshet skrapat sitt sega
kött


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sábado, 4 de agosto de 2012

Sobre minha leitura ontem em Berlim e algumas notícias de colegas e amigos

 Lendo com Alexander Gumz no Z Bar, Berlim. Foto de Andrea Schmidt.

Fiz uma leitura ontem em Berlim, no Z Bar, ao lado do poeta alemão Alexander Gumz (Berlim, 1974). É uma nova série de minha editora alemã, a Verlagshaus J. Frank, em que poetas "da casa" convidam poetas de outras editoras para uma leitura e uma conversa. Li uma seleção de poemas que entrarão em meu livro alemão: "Vida longa à poesia pura", "Corpo", "X + Y: uma ode", "Texto em que o poeta celebra o amante de vinte e cinco anos", "Carta a Antínoo", "Seis canções óbvias" e "Cantiga de ninar para amante surdo". Alexander Gumz leu poemas de seu livro de estreia, e único até o momento, intitulado ausrücken mit modellen (Berlin: KOOKbooks, 2011), pelo qual recebeu o prêmio Clemens Brentano deste ano. Foi muito bom testar as traduções ("X + Y: uma ode" funcionou muito bem com a plateia alemã), conversar com Gumz sobre narratividade, indeterminação, política na poesia, etc. Tentarei traduzir um dos poemas de Gumz em breve. No momento, estou mergulhado num artigo sobre a recepção alemã de Jorge Amado para a Deutsche Welle, por ocasião de seu centenário este mês. Deixo vocês com um original alemão do poeta.  

Später Besuch
Alexander Gumz

er dreht die lider runter wenn er lacht: windet sich
auf seiner sprache (das nennen wir mal alkoholproblem)

wie er ins waschbecken kotzt (seebäder drübermalt)
hat schon was von keine ansichtssache
eher: sauberwerden mit den farben

oder kurz nochmal die hände heben (in eine flasche beten
wie in eine mutter) um später zu entdecken
er hat den humor einer stadt von sehr weit oben

etwas schneidet sich durch seine falten: mehr zu sein
als der ekel davor in einem bett aus bier zu schlafen

sein gesicht zu legen auf etwas das nicht bleibt

§

Discoteco hoje à noite no Honecker Lounge do Kino International ao lado de meu amigo Uli Buder, produtor alemão mais conhecido como Akia, sobre o qual falo com frequência aqui. Ouça abaixo uma gravação de sua última apresentação ao vivo.


AKIA - LIVESET LOOPACUT - Snipit by Akia


§

Foi muito bom ter a poeta, romancista e minha querida tradutora Odile Kennel (n 1967) ontem na plateia. O trabalho com ela tem sido maravilhoso. Odile lançou o romance Was Ida sagt no ano passado, pela importante editora alemã Deutscher Taschenbuch Verlag - dtv. Abaixo, um vídeo em que lê um trecho do romance.




A mesma editora lança seu primeiro livro de poemas no ano que vem. Traduzi alguns para a Modo de Usar & Co. 

Por sorte a névoa chegou

tarde. Mais abaixo, eu sei
com certeza, nadavam girinos
num tanque de pedra, as vacas
traçavam com patas cautelosas
veias na montanha, visíveis. Sobre
nós circulava um busardo. Não

é um busardo, você disse, mas
nos faltavam binóculos e dicionário
de inglês. E havia o ruído
dos planadores. Eles abocanhavam o ar
em goles ávidos. Riscavam verticais acima

e abaixo cambaleavam nossos
olhos uns nos outros, mergulho cauteloso
das palavras vale abaixo, cartografado
de montanha a montanha.

Por sorte a névoa chegou tarde
para que pudéssemos
admirar na capela o
Senhor Jesus transsexual, suas unhas
pintadas. Para que nossos olhos
patas cautelosas sob
círculos intraduzíveis, para que nossos
olhos tais como girinos
no tanque de pedra nadassem
uns pelos outros se medissem uns nos outros
mergulhassem por sorte

a névoa chegou tarde.

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

Zum Glück kam der Nebel
Odile Kennel

verspätet. Weiter unten, ich weiß es
genau, schwammen Kaulquappen
in einem Steintrog, Kühe legten
mit bedächtigen Hufen die Adern
des Berges bloß. Über uns kreiste
ein Bussards. Das ist kein

Bussard, sagtest du, aber wir hatten
kein Fernglas und kein englisches
Wörterbuch. Und das Geräusch kam
von den Segelfliegern. Sie rissen die Luft
an sich in gierigen Zügen. Rissen sie aufwärts und

abwärts taumelten unsere Augen
ineinander, bedächtiges Tauchen
der Wörter ins Tal hinab
geschwungen, ausgelotet
von Berg zu Berg.

Zum Glück kam der Nebel verspätet
so dass wir in der Kapelle den
transsexuellen Herrn Jesus
bewundern konnten, lackiert
seine Nägel. So dass unsere Augen
bedächtige Hufe unter unübersetzbaren
Kreisen, so dass unsere
Augen Kaulquappen gleich
im Steintrog schwammen
sich aneinander maßen ineinander
tauchten zum Glück

kam der Nebel verspätet.


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Pensar sálvia e você

Eu penso sálvia quando eu
vejo sálvia penso folhas de veludo
verde-cinza pareadas opostas ou
labiadas ou temperadas e amargas
ou eu penso em nada nem sálvia nem
planta nem cheiro pois por tanto
pensar a sálvia se encontra
à janela se desencontra na mente
pois ela para mim não existe mas
existe para si nada sabe de
seu nome nada sabe de seu
existir presume-se que nonada sabe.

Eu penso você quando eu não
penso sálvia quando não penso que
os andorinhões cochilam nas altas
camadas do ar e nós deitadas
despertas à janela eu penso
você e o cheiro amargo
e temperado infiltra-se no seu
no meu existir de que nada sabe
e assim origina-se um desequilíbrio
existencial na luz pós-meridiana
pois sabemos sabemos muito bem
que todo tempo é uma xícara a
despenhar-se aos céus ou óleo etéreo
ou a maquinaria da solidão, presume-se.

(tradução de Ricardo Domeneck)


(Odile Kennel lê em Berlim, a 19 de agosto de 2008, em evento que contou ainda
 com leituras do belga Damien Spleeters, da espanhola Sandra Santana e minha)

:

Salbei denken und Du
Odile Kennel

Ich denke Salbei wenn ich Salbei
sehe denke grüngraue samtene
Blätter paarweise gegenständig oder
Lippenblütler oder bitter und würzig
oder ich denke nichts nicht Salbei nicht
Pflanze nicht Duft weil vor lauter
Denken der Salbei wohl vorkommt
am Fenster doch verkommt im Kopf er also
für mich nicht existiert er aber
für sich existiert und nicht weiß wie er
heißt und nichts weiß von seiner
Existenz vermutlich gar nichts weiß.

Ich denke Du wenn ich nicht
Salbei denke nicht denke dass
die Mauersegler dösen in den höheren
Schichten der Luft während wir wach
liegen am Fenster ich denke
Du während der bittere und
würzige Duft in deine und meine
Existenz dringt von der er nichts weiß
und so entsteht ein existenzielles
Ungleichgewicht im Nachmittagslicht
denn wir wissen wir wissen sehr genau
dass alle Zeit nur eine himmelwärts stürzende
Tasse ist oder ätherisches Öl oder eine
Apparatur der Einsamkeit, vermutlich.


(Zitat: Ulrike Draesner)

§

Também foi bom ver na plateia minha querida amiga Sabine Scho, a poeta alemã que divide seu tempo entre Berlim e São Paulo. É uma pena que a cena poética paulistana não a tenha ainda descoberto. Scho está na Alemanha, onde recebe este mês o prêmio de poesia Anke Bennholdt-Thomsen do Instituto Schiller. Um poema traduzido:

green

alguém quer que eu diga
erva e uma toalha es-
tenda, erva da boa, a pura
opulência dos ruminantes
não é nada, dou voluntaria-
mente a entender, nada mais que
vento nos salgueiros, aptidão
para Marte, macacão azul
lavado a seco, de preferência
fotossíntese, campos de
estromatólitos, quedas de
temperatura em florescência
desértica, paisagem incrustada,
gravura grátis a laser, nem nada
de nada de precipitações

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

green
Sabine Scho

jemand will, dass ich gras
sage und eine decke aus-
breite, gutes gras, die reine
üppigkeit der wiederkäuer
es ist nichts, gebe ich bereit-
willig zu verstehen, nichts als
wind in den weiden, marstaug-
lichkeit, ein blaumann aus der
schnellreinigung, vorzugsweise
photosynthese, stromatolithen-
felder, temperaturstürze in wüster
blüte, verkrustete aussicht, kosten-
lose lasergravur, nichts und kein
bisschen niederschlag


§

Outra amiga na plateia foi a fotógrafa Adelaide Ivánova, que está preparando sua exposição na França em setembro, com um título lindamente longo e inspirado em um dos meus poemas favoritos, de Wislawa Szymborska. O nome da exposição é "Autotomy is the ability some animals have to change or mutilate their bodies in order to look like something else and protect themselves from the world and I was amazed to notice that we all do it and not just sea cucumbers." Deixo vocês com uma foto de Ivánova, que não está na exposição mas é uma de minhas favoritas (logo verão o porquê). Neste aniversário, ganhei dela uma versão enorme da foto (o modelo é seu namorado), que doravante estará na parede do meu quarto. A segunda é outra foto linda de seu namorado (às vezes penso que Ivánova e eu somos as versões fotógrafa e poeta de uma pessoa muito parecida), e a última é um dos últimos retratos que fez de minha imponderada pessoa.


Foto de Adelaide Ivánova (2012)

Foto de Adelaide Ivánova (2012)

 Foto de Adelaide Ivánova (2012)


§

Encerro com o poema de Wislawa Szymborska.

autotomia
Wislawa Szymborska (tradução coletiva da Inimigo Rumor n. 10)

 

diante do perigo, a holotúria se divide em duas:
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.

ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.

no centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.

sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
aqui o desespero, ali a coragem.

se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
se há justiça, ei-la aqui.

morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.

nós também sabemos nos dividir, é verdade.
mas apenas em corpo e sussurros partidos.
em corpo e poesia.

aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.

aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um vôo.

o abismo não nos divide.
o abismo nos cerca.



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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Akia (Uli Buder), "Rounder" (2012)




Uli Buder, melhor conhecido como Akia, é um músico alemão, com quem já colaborei um par de vezes, como na peça "Entrañas de las soledades". Nasceu em Hoyerswerda, então Alemanha Oriental, em 1986. Fiz a foto abaixo em março, numa sessão de fotos com Heinz Peter Knes nas matas de Grünau, quando o artista alemão fotografou Akia para uma revista.



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domingo, 11 de março de 2012

"klein O", nova composição sonora e vídeo de Uli Buder, mais conhecido como Akia

Uli Buder, mais conhecido como Akia

Já escrevi sobre ele várias vezes aqui, mas a quem chegou no espaço pela primeira vez: AKIA é o nome artístico do produtor alemão Uli Buder, nascido em Hoyerswerda em 1986, vivendo e trabalhando em Berlim desde 2007 após crescer na cidade de Rostock, às margens do Mar Báltico. Foi ali, em Rostock, após notar a dificuldade em encontrar parceiros com os mesmos interesses para uma banda, que começou a produzir suas primeiras composições munido de um sintetizador Korg Electribe EMX 1, trabalhando sozinho, sob a influência inicial de produtores alemães como Console, Apparat e Micronaut. A música eletrônica minimalista contemporânea alemã permaneceria a maior referência em seu trabalho, unida a seu interesse pelo dub. Em suas produções mais recentes, bastante fortes, ele une este trabalho a excertos vocais de filmes, sons de sua própria guitarra e música eletrônica. A estas composições, ele vem unindo a produção visual de seus próprios vídeos, em que usa a mesma estética de sua música. Nestas últimas composições, sua música aponta para vários caminhos, do ambient de paisagens sonoras em "Finsterwalde", a uma união interessante entre o minimal techno e o dub na faixa "klein O", que pode ser ouvida/vista no vídeo abaixo, de sua autoria. Gravado nos telhados do Berlimbo, o vídeo e a composição apontam para aquele momento em que o inverno começa a ceder ao degelo da primavera em Berlim, unindo melancolia e entusiasmo numa mescla que parecerá extremamente berlinense a quem conhece a cidade, especialmente nesta época do ano. A colagem vocal, em alemão, traduz-se "Quando eu era criança, minha mãe dizia que eu um dia incendiaria o mundo, mas ela não sabia de nada", unindo o entusiasmo e esperança de um artista e músico no início mais que promissor de sua carreira a uma auto-ironia que é, mais uma vez, bastante berlinense.



Akia - "klein O" (2012)


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Quarta-feira com direito à companhia de Akia.

Hoje, passei o dia resolvendo algumas coisas, entre elas a prazerosa tarefa de renovar minha carteira para poderar retirar livros na Staatsbibliothek, aquela onde os anjos de Wenders passam algumas horas da tarde. Voltei para casa com um volume de textos selecionados do místico alemão Jacob Boehme (1575 — 1624) e ainda The sound of poetry / the poetry of sound (2009), da Marjorie Perloff e do Craig Dworkin. Como ser membro da Stadtsbibliothek dá automaticamente direito a retirar livros no Instituto Ibero-Americano de Berlim (Iberoamerikanisches Institut Berlin), que funciona no mesmo prédio, aproveitei para também voltar para casa com um volume de artigos do grande e lúcido Joaquim Nabuco ( 1849 — 1910) e uma edição do Diário Completo de Lúcio Cardoso (1912 — 1968), este ser meio assustador e da raça dos que não se encaixam muito bem na mentalidade oficialesca brasileira, em suma: os que amo.

Andei pela cidade, parei em cafés, terminei de ler At the Same Time: Essays & Speeches (2007), presente do meu mamútico amigo Jonas Lieder, o livro que reúne os últimos textos de Susan Sontag (1933 - 2004), uma autora que sempre me causa ao mesmo tempo admiração e certa gastura. Mas não é hora e lugar de discutir sua visão apaixonada da função da literatura.

Escrevi um pouco, algumas linhas para uma nova canção com meu parceiro. O título: "Don´t feed the poet".

Mas hoje é quarta-feira e daqui a pouco sigo para o clube, onde hoje temos dois DJs convidados e ainda a presença de Uli Buder, mais conhecido como Akia, meu amigo e parceiro em algumas composições. Um dos seres mais quietos e calmos que já conheci. Alguém diria: "um típico alemão do norte". O vídeo abaixo é o que fez para uma de suas últimas e melhores composições, chamada "Papier". Vou tomar banho e preparar-me para passar a noite a seu lado na cabine do DJ, conversando e ouvindo música da melhor qualidade.


Vídeo e música de Uli Buder, mais conhecido como Akia: "Papier" (2011)


AKIA (Uli Buder)




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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Fincomeço: neste dia, hoje, quarta-feira, 28 de setembro de 2011, saúdo um a mais, um a menos



Este ano de 2011 tem sido um ano de fins abruptos, começos involuntários, os quais tenho recebido entre o susto e o siso. Hoje, após seis anos e meio organizando os eventos, festas, intervenções e performances semanais neste bairro de Prenzlauer Berg, em pleno Berlimbo, primeiro sob o nome de Berlin Hilton, depois como SHADE inc, celebramos pela última vez no clube que nos abrigou desde 2005, após abandonarmos o primeiro por ter se tornado pequeno demais e a relação com os donos demasiado difícil. No clube Neue Berliner Initiative, conhecido como NBI, pudemos enfim fazer do evento o que queríamos: uma ponte entre cenas e guetos, um local onde os mais improváveis indivíduos se encontrassem. Seria impossível relatar aqui tudo o que aconteceu por ali. Tive a chance de organizar performances de heróis meus ou simplesmente beber com eles quando passavam pela festa. Ali organizamos, muitas vezes pela primeira vez em Berlim, performances e concertos de artistas como Planningtorock, Stereo Total, Bunny Rabbit, Mystery Jets, AIDS-3D, Barbara Panther, Tetine, Hellvar, Ben Butler & Mousepad, Exercise One, Herpes, Glen Meadmore feat. Vaginal Davis, Heatsick, Khan, Kevin Blechdom, Angie Reed, Deize Tigrona, Thieves Like Us, Wolfgang Müller (Die Tödliche Doris), entre outros; tocaram ainda, como DJs, artistas como Peaches, Ellen Allien, Apparat, Modeselektor, Fischerspooner, Telepathé, CocoRosie, oOoOO, Change/Thomas Muller, Heartthrob, Gebrüder Teichmann, T.Raumschmiere, etc. Não vou citar as pessoas inacreditáveis que passaram pela festa para beber ou assistir a uma performance, pois seria passar dos limites aceitáveis do name dropping.

Hoje, acaba uma era da vida noturna berlinense. Não sou eu a dizer, mas as muitas pessoas que têm reagido à notícia desta última festa. O clube fecha esta semana por ter se tornado impossível manter-se neste bairro (gentrification, dears, gentrification...) e nós talvez quiçá oxalá sigamos em frente, mas em outro local, outro bairro, com outro projeto.

Nosso convidado especial desta noite é o nova-iorquino Black Cracker, produtor do duo CocoRosie, Bunny Rabbit, e incrível artista solo. Já falei sobre ele aqui.





O futuro? Não nos esqueçamos da tautologia sábia de Scarlett O´Hara:

"Tomorrow is another day"

Abaixo, uma pequena seleção de vídeos de performances na Berlin Hilton/SHADE inc, reunidos nestes últimos seis anos. Da grande maioria não há qualquer registro, estávamos geralmente ocupados demais sendo felizes para pegar numa câmera. Mas por sorte há estes, feitos por amigos, às vezes por mim. Ajudam minha memória já excitada.

RIP Berlin Hilton/SHADE inc (2005 - 2011)



Kevin Blechdom (2006)

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Mystery Jets (2009)

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Jailhouse Fuck (2009)

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Wolfgang Müller - Die Tödliche Doris (2009)

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Ellen Allien discotecando em 2010.

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Herpes (2009)

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Apparat + Akia discotecando em 2010.

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Lesley Flanigan (2010)

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Akia (2009)

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Thomas Muller a.k.a. Change discotecando em 2010.

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vídeo novo e composição de Uli Buder, mais conhecido como Akia

Uli Buder, também conhecido como Akia


"Leopold" é a composição nova e vídeo do meu querido Uli Buder, mais conhecido como Akia. Já escrevi várias vezes sobre ele aqui. O menino é um compêndio de talento e charme. Colaboramos em algumas coisas e ele discoteca e toca com frequência no nosso clube às quartas-feiras. É um dos meus xodós. Gosto demais dele. E como eu gosto de divulgar o trabalho dos meus amigos, porque eu (não sei quanto a vocês) tento cercar-me dos melhores, aqui vai, para os queridos e generosos leitores deste espaço, o vídeo e faixa para "Leopold", em sua versão curta. Tudo feito por ele. Gravado em Berlim, nesta primavera de 2011, a que voltou a me lembrar de certos versos que escrevi em 2003 sobre "os anos ímpares". Quem quiser escutar a versão longa e outras coisas do rapaz, é só visitar sua página, deixo o link logo depois do vídeo::: .



"Leopold", vídeo e composição de Uli Buder, mais conhecido como Akia.


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Uli Buder, mais conhecido como Akia,
em retrato de Eugen Braeunig.



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quarta-feira, 30 de março de 2011

Pequeno diário madrilenho, com notas sobre Córdova e Berlim, povoadas de poetas e poemas.

§ - CÓRDOVA, ainda.

Antes de partir para Madri, depois das apresentações no festival, passei o dia perambulando por Córdova, lendo, escrevendo. A grande experiência, no entanto, ocorreu indoors, ou throughdoors talvez devesse dizer, dentro da Mesquita-Catedral. Em poucos prédios tive tal susto maravilhado, esta espécie de soco est-É-tico.





Posso mencionar dois outros prédios onde tive esta experiência, no sentido mais preciso da palavra "experiência", este soco est-é-tico, cada um à sua maneira distinta: a Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, aquela igreja-útero de Antônio Francisco Lisboa, e o Judisches Museum (Museu Judaico) aqui em Berlim, aquele "vazio espaçoso" de Daniel Libeskind.

Ali na Mesquita-Catedral seria possível e o mais apropriado dos locais para discutirmos a historicidade da arte, a historicidade flexível da criação artística. É um local onde me parece tomar forma o casamento intrínseco e inseparável, que uns veem como dualidade, de transcendência e imanência. Não sei explicar de outra maneira.

Ali se entende como era ético o minimalismo de João Cabral de Melo Neto quando este diz no famoso "A Palo Seco", de Quaderna (1960):


A palo seco existem
situações e objetos:
Graciliano Ramos,
desenho de arquiteto,

as paredes caiadas,
a elegância dos pregos,
a cidade de Córdoba,
o arame dos insetos.



Murilo Mendes, por sua vez, escreveria em "Córdova", do livro Tempo espanhol (1959):


Toda nervo e osso, contida
Em labirintos de cal
E em pátios de vida secreta,

Córdova áspera e clássica
Alimentada de África.



Fora da mesquita-catedral, caminhei um pouco, sentei-me diante das Muralhas dos Reis Cristãos (Murallas de los Reyes Cristianos) e comecei um poema, tentando dar conta daquele soco. Não consegui, mas quero seguir trabalhando nele.


§


MADRI, então.


Cheguei a Madri com tudo isso na cabeça. Fiquei hospedado na casa da poeta espanhola Ajo, minha querida, que pratica um minimalismo-soco todo ético e prático à sua própria maneira, ainda que muito diferente do de Cabral. Veja abaixo um dos poemas de Ajo em tradução minha e no original:


Fechaduras de cinzas,
cicatrizes com zíper
e lágrimas de alumínio,
embrulhado em algodão
carrego o que me falta.


Cerrojos de ceniza,
cicatrizes con cremallera
y lágrimas de hojalata,
envuelto en algodones
llevo lo que me falta.



Visitei algumas livrarias e fiquei namorando milhares de livros que queria muuuuito poder trazer da Espanha para a Alemanha, mas não podia comprar muita coisa. Além de algumas antologias de poesia medieval espanhola (os estupendos poetas árabes, judeus e occitanos da península), queria encontrar o romance Tadeys, do argentino Osvaldo Lamborghini (1940 - 1985), mas não consegui encontrá-lo em qualquer livraria. Como estava na Espanha, achei por bem ler um espanhol e acabei comprando um romance do Enrique Vila-Matas, a quem ainda não tinha lido. Não sabia qual, e acabei optando por Bartleby Y Compañía (2001), pois (sendo bem sincero) era curto e eu sabia que mesmo que acabasse não gostando do trabalho ou estilo de Vila-Matas, o livro seria ao menos entertaining. É que confesso que as resenhas e artigos que tinha visto pela imprensa e blogosfera brasileiras nos últimos tempos me tinham dado uma certa canseira. Mas, ora, sabemos que nós escritores e poetas a-do-ra-mos ler historinhas de vida sobre outros escritores e poetas, não é mesmo? Já comecei a ler e estou curtindo. Há passagens realmente memoráveis e muito bem-escritas, como quando ele relata sobre a escritora que acabara paralisada por culpa de Robbe-Grillet e Barthes. É muito elegante e divertidíssimo. Escrevo mais quando terminar.

Passei a tarde no Museu Rainha Sofia (Museo Reina Sofía), pois da última vez que estive em Madri, apresentando-me justamente no próprio Reina Sofía, não tive tempo de visitar as exposições, ocupado com passagens de som e preparativos para a performance. Havia uma exposição muito boa com curadoria de Georges Didi-Huberman chamada Atlas. ¿Como llevar el mundo a cuestas?, partindo da biblioteca-conceito de Aby Warburg para criar uma coleção de trabalhos entregues ao trabalho atlético de catalogar o mundo, uma ânsia taxinômica e taxidérmica, nominalista, não sei. Era bem boa.





Vi também uma pequena exposição do argentino Roberto Jacoby que me interessou muito. Não conhecia seu trabalho.





Vi ainda, é claro, as salas permanentes com Picasso e Dalí, os velhotes datados. Estas não me interessaram muito. Encontrei-me então com Ajo e fomos gravar minha entrevista para seu programa de rádio semanal, para o qual convida poetas, artistas e músicos para apresentarem suas canções favoritas e, é claro, dar uma canjinha do próprio trabalho. Li meu poema "Texto em que o poeta celebra o amante de vinte e cinco anos" na tradução de Cristian De Nápoli para o castelhano, e comentei as seguintes canções divescas:


"Sat in the lap", Kate Bush.
"Gloria", Patti Smith.
"Iceblink Luck", Cocteau Twins.
"Amor, meu grande amor", Ângela Ro Ro.
"Is this desire", PJ Harvey.
"Cowboys", Portishead, na voz da magnífica Beth Gibbons.


Ajo gravou também, na mesma ocasião, o programa que irá ao ar uma semana antes do meu, com o cantautor dominicano Alex Ferreira, muito simpático.





Saímos da gravação e fomos para a Libreria Buena Vida, onde ocorria a apresentação do primeiro romance do poeta Carlos Pardo, que conhecera em Berlim no ano passado, em um evento do Instituto Cervantes. Carlos Pardo, que nasceu em 1975, é um dos poetas mais respeitados de sua geração, também editor, crítico literário e organizador de eventos na capital espanhola. Já escrevi sobre ele aqui.


El retrato español
Carlos Pardo

Son periferia,
no vienen de muy lejos.
Abre el grupo
una mujer, terrosa
la barbilla
por una quemadura
-chándal,
cazadora de cuero-
con un surco de carne
enroscado a la oreja.
Esperan la apertura
del museo.
Vienen a reconocerse.

Los que son como yo
o son yo sobrellevan
cada uno
la carga del más próximo.
Nos deprimimos juntos.
Celebramos
el anhelo aplazado,
y si nuestro retrato suma invariablemente cero
y la lluvia de fondo natal nos anonada,
no querremos cumplirlo.

En el origen
una mesa ridícula.
Paredes amarillas
con recortes de prensa.
Al ritmo episcopal de los equinos
del paseo, un hombre inútil mezcla
amor e ideología.

Nosotros no
tenemos hogar.
Hacemos cola
bajo el apóstol pintor.
-Otro con tentaciones.
-Es el mismo.




Pardo estreia agora como prosador. A discussão foi interessante. Depois, reunido em roda com Pardo, a poeta madrilenha Sandra Santana e com o poeta e tradutor peruano Martín Rodríguez-Gaona, o romancista Andrés Barba, que conheci ali, virou para mim e começou a perguntar sobre uma "importante escritora brasileira" que havia ficado famosa apenas com seu diário. É que o romance de Carlos Pardo usa muitos elementos da literatura memorialística, e a conversa rodava por "autobiografia como gênero literário". Não conseguia pensar a quem ele se referia. Disse eu que os escritores brasileiros mais famosos por sua memorialística eram Joaquim Nabuco e Pedro Nava. Só fui perceber de quem ele falava quando ele mencionou que a autora havia sido traduzida por Elizabeth Bishop para o inglês: só podia se tratar de Helena Morley e seu Minha Vida de Menina (1942). Fiquei muito impressionado que esta escritora brasileira pipocasse em uma conversa na Espanha. Confessei não haver lido o livro, recomendei a eles Nabuco e Nava, e, como a discussão naquele momento havia guinado para autobiografismo fictício e ciladas da memória, que lessem Dom Casmurro, o que, de qualquer maneira, já deveriam ter feito.

Havia marcado de me encontrar ali com minha amiga, a já mencionada Sandra Santana, excelente poeta, historiadora literária, crítica e tradutora. Já traduzi poemas dela para a Modo de Usar & Co.. Sandra tem-se firmado como uma das personalidades poéticas e críticas mais importantes de sua geração, especialmente em Madri. A prestigiosa editora Acantilado acaba de lançar, numa bela edição, seu importante estudo crítico e histórico El laberinto de la palabra: Karl Kraus en la Viena de fin de siglo (Barcelona: Acantilado, 2011).





Ela me presenteou com um exemplar, quero muito lê-lo. Sandra já lidara com Karl Kraus antes, traduzindo e publicando em 2005 uma antologia de poemas do austríaco. No ano passado, Sandra ganhou um importante prêmio literário espanhol por sua tradução ao espanhol da obra poética completa do também austríaco Peter Handke. Nós dois compartilhamos o interesse e paixão pela poesia de outra austríaca, a maravilhosa Friederike Mayröcker.

A própria Sandra Santana é dona de uma das mais sutis e inteligentes vozes poéticas contemporâneas dentre as que tenho a sorte de conhecer. Leia abaixo um exemplo, em minha tradução e no original, texto de que gosto muitíssimo:



Rupturas dissimuladas sob uma carinha sorridente

Sempre detecto um gesto
de incredulidade
quando conversamos sobre os frágeis mecanismos
ocultos sob uma aparência infantil.

Como você não crê neles, derrubou-o
e me encarou triunfante
ao ver a superfície intacta apesar do impacto.

Imagine o que senti ao erguê-lo
e escutar esta peça solta em seu interior.


:


Rupturas disimuladas tras una carita sonriente
Sandra Santana

Siempre detecto un gesto
de incredulidad
cuando te hablo acerca de los frágiles mecanismos
ocultos tras una apariencia infantil.

Como no crees en ellos, lo dejaste
caer y me miraste victorioso
al ver su superficie intacta a pesar del impacto.

Imagina lo que sentí al recogerlo
y escuchar esa pieza suelta en su interior.




No dia seguinte, tomei café com meu amigo Alexander Ossia, revi Sandra Santana e visitei uma ótima exposição de vídeoarte na Caixa Forum, com trabalhos (muito, muito, muito bons) de Julian Rosefeldt ("Lonely Planet", 2006); Isaac Julien ("Fantôme Créole", 2005); Runa Islam ("Tuin", 1998); Kerry Tribe ("Double", 2001); Paul Chan ("1st Light", 2005); Omer Fast (Godville, 2005); Mungo Thomson ("New York, New York, New York, New York", 2004); e Ian Charlesworth ("John", 2005).





§ - BERLIM, agora.


Voltei a Berlim. Está friíssimo. Mas hoje é quarta-feira e pretendo me acabar de dançar (e beber para comemorar que tudo fora bem na Espanha) na nossa SHADE inc enquanto escuto o meu amigo (e homem lindo) Uli Buder, mais conhecido como Akia, discotecando.





Uli Buder é um dos músicos mais talentosos que tenho a sorte de conhecer, principalmente porque posso abusar do seu talento e colaborar com ele. Para a peça vídeo-textual que criei para a performance em Córdova, Uli foi responsável pela parte sonora. Acima, você pôde ver um vídeo da primeira vez que ele tocou ao vivo no meu evento das quartas-feiras, em 2009.





Quanto à peça para as Soledades, acho que só na semana que vem. É bom estar em casa, com as baterias recarregadas.


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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Na sala de estar da vanguarda berlinense e trazendo a vanguarda berlinense para a minha sala-de-estar

Ainda estou me recuperando da noite de ontem, após discotecar na festa do duo de artistas escandinavos Elmgreen & Dragset, por ocasião da estreia de um documentário sobre eles no Festival de Cinema de Berlim, ou Berlinale, como todos aqui chamam o festival. O documentário acompanha a produção da mega instalação que o duo montou nos Pavilhões da Dinamarca e Finlândia na Bienal de Veneza em 2009.


Uma das minhas favoritas dentre as obras do duo Elmgreen & Dragset.


Toquei a convite deles para celebrar o lançamento, acompanhado nas turntables por Justin Case e Open Mike, os dois promoters da festa Pet Shop Bears, uma das melhores de Berlim (ao lado da que eu organizo, óóóbvio).


Um dos excelentes flyers da festa berlinense mensal Pet Shop Bears.


Hoje terei uma noite super corrida. Às 8 da noite faço uma leitura de meus poemas no bar/cabaré/clube noturno Salon zur Wilden Renate (algo como Salão da Renata Selvagem). É um evento mensal que convida poetas e prosadores para leituras de seus textos, dando a eles a escolha de convidar um músico para a noite. Convidei meu amigo Uli Buder, mais conhecido como Akia, com quem já colaborei e que toca com frequência na minha festa semanal.



Uli Buder apresentando-se como Akia.


Saindo da leitura, corro para a minha segunda sala-de-estar, o clube Neue Berliner Initiative, onde organizo às quartas-feiras a SHADE inc. Estou muito orgulhoso do programa de hoje: o artista visual e sonoro canadense Jeremy Shaw, também conhecido como Circlesquare, fará uma discotecagem. Abaixo, você pode ver o vídeo de sua canção "7 minutes", que eu pessoalmente acho meio assustador.



Jeremy Shaw a.k.a. Circlesquare - "7 minutes"


Teremos também uma apresentação colaborativa dos artistas sonoros Steven Warwick (Birds of Delay / Heatsick) e Laurent Gérard (El-g). Eles chamaram o projeto de Gérard Lavender. Abaixo, você pode ver vídeos de apresentações solo dos dois.



Steven Warwick apresentando-se como Heatsick.

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Laurent Gérard apresentando-se como El-g.


Encerra o programa de hoje na SHADE inc meu amigo Marius Funk, um dos meus DJs favoritos.


Mixagem de Marius Funk.

Amanhã, dormir até o dia virar noite e a noite virar dia!

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