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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Meus amigos estão ocupados: PARTE 2: O melhor de 2013

Postei ontem várias canções, poemas e notícias do que meus amigos e companheiros andaram produzindo em 2013. Chamemo-la de meu "Best Of This Year". Segue aqui a segunda parte.

Joel Gibb, o homem por trás da banda canadense The Hidden Cameras, lançou há pouco um novo álbuml. Joel é excelente cantor e letrista. Mostro abaixo o vídeo para a extremamente atual "Gay Goth Scene". Dedico esta a Silas Malafaia e Marco Feliciano.


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Por organizar o evento READING: a night ot text / sound / video com meu amigo Black Cracker, tive a oportunidade de conhecer Louis MacGuire, que se apresentou como Young Neck no evento de maio. Foi um dos presentes que recebi em 2013, sua amizade. Excelente produtor, e agora bateirista da banda Ballet School.





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§

Ficando ainda na beleza de ter conhecido Louis, graças a ele pude conhecer também Rosie e Michel, com quem ele forma a banda Ballet School, que lançou este ano seu álbum de estreia. Abaixo, a apresentação deles no nosso evento READING: a night ot text / sound / video, e seu vídeo para "Crush".



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Meu amigo Niklas Goldbach produziu e viajou muito em 2013. Visitem seu website. E vejam abaixo a última coisa que ele subiu para a rede, um excerto de "Prologue".


§

Adelaide Ivánova está prestes a lançar um livro com a editora Cesárea, de Schneider Carpeggiani. Fez várias exposições na Europa. Posto aqui um de seus poemas e uma de suas fotos recentes.


tulipas
Adelaide Ivánova

meu parapeito
não tem flores,
meu apartamento
não tem geladeira,
ponho os saquinhos
de mussarela do lado
de fora da janela
para não estragarem
e assim prescindo
de tulipas.

:

fotografia recente de Adelaide Ivánova

§

Veronica Stigger lançou um dos melhores livros de prosa do ano, Opisanie świata (São Paulo: Cosac Naiy, 2013), e foi merecidamente reconhecida com vários prêmios.


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Aquele que considero um dos melhores poetas da língua hoje, o português Miguel Martins (n. 1969), seguiu postando excelentes poemas em seu blogue. O poeta, além disso, traduziu este ano A Arte do Ruído, de Luigi Russolo. Abaixo, seu poema mais recente.

A carapuça universal
Miguel Martins

Entre cintilações fugazes e pretéritas
e as cinzas litigantes do presente,
vão mastigando o bolo, quimo, quilo,
vício mandibular e nada mais. 

Pegas de costas, arpoação de enguias
e umas danças de roda nos saguões,
vão evitando a formação de vértebras,
o que empecilharia o ganha-pão. 

Tomados de tonturas ante os monstros,
mesmo se de algibeira, canivetes,
vão floreando com palavras destas
o que, está bom de ver, é, tão-só, merda,

que melhor fôra não a ver jamais
– pensar é não viver, é literatura,
e fingir que se pensa, então, é cal
a disfarçar um desasseio intenso.


§

Este foi um ano de trabalhos hercúleos no campo tradutório, e destaco o trabalho de Guilherme Gontijo Flores na tradução de A anatomia da melancolia, de Robert Burton, em 4 volumes. Merecidamente premiado. Guilherme é, além do mais, coeditor de uma das melhores plataformas digitais de poesia traduzida no Brasil, escamandro.





§

2013 foi também o ano do surgimento de um novíssimo cujo trabalho muito me interessa: Rubens Akira Kuana, nascido em Videira, Santa Catarina, em 1992. Vive em Curitiba, onde estuda Arquitetura. Abaixo, seu poema mais recente.


Vida e Morte nas Grandes Imagens
Rubens Akira Kuana

interferir na sua fome
por score e ranking
ocioso, qual pontuação
devo alcançar para ser
aceito em seus ciclos

projeções, simulacros
mensagens de texto
visualizadas mas
não respondidas
10:20 17:50 23:45

o máximo esperado
o mínimo ocorrido
pratico o situacionismo
conforme espetáculo
ou ornamento acidentais

as minhas teorias
da deriva somente
conferem aos passos
um nome Próprio
para solidão

ponto nodal, envoltório
bolha química
bolha imobiliária
superfície contínua
homogênea, fragmentada

onde a superacumulação
de repudiações líricas
desenvolve, rígida
o apocalipse de todos
os anticorpos virais

jamais supus aumento
em conta corrente conjunta
porém ao assinar nosso seguro
desemprego, submeto
trabalho e obra

o crédito consignado
à loteamento e pena
reúne o cárcere
gentrifica a goela
reifica

feito um pássaro
feito um pássaro
mundano
feito um pássaro
moído

.
.
.

sábado, 4 de agosto de 2012

Sobre minha leitura ontem em Berlim e algumas notícias de colegas e amigos

 Lendo com Alexander Gumz no Z Bar, Berlim. Foto de Andrea Schmidt.

Fiz uma leitura ontem em Berlim, no Z Bar, ao lado do poeta alemão Alexander Gumz (Berlim, 1974). É uma nova série de minha editora alemã, a Verlagshaus J. Frank, em que poetas "da casa" convidam poetas de outras editoras para uma leitura e uma conversa. Li uma seleção de poemas que entrarão em meu livro alemão: "Vida longa à poesia pura", "Corpo", "X + Y: uma ode", "Texto em que o poeta celebra o amante de vinte e cinco anos", "Carta a Antínoo", "Seis canções óbvias" e "Cantiga de ninar para amante surdo". Alexander Gumz leu poemas de seu livro de estreia, e único até o momento, intitulado ausrücken mit modellen (Berlin: KOOKbooks, 2011), pelo qual recebeu o prêmio Clemens Brentano deste ano. Foi muito bom testar as traduções ("X + Y: uma ode" funcionou muito bem com a plateia alemã), conversar com Gumz sobre narratividade, indeterminação, política na poesia, etc. Tentarei traduzir um dos poemas de Gumz em breve. No momento, estou mergulhado num artigo sobre a recepção alemã de Jorge Amado para a Deutsche Welle, por ocasião de seu centenário este mês. Deixo vocês com um original alemão do poeta.  

Später Besuch
Alexander Gumz

er dreht die lider runter wenn er lacht: windet sich
auf seiner sprache (das nennen wir mal alkoholproblem)

wie er ins waschbecken kotzt (seebäder drübermalt)
hat schon was von keine ansichtssache
eher: sauberwerden mit den farben

oder kurz nochmal die hände heben (in eine flasche beten
wie in eine mutter) um später zu entdecken
er hat den humor einer stadt von sehr weit oben

etwas schneidet sich durch seine falten: mehr zu sein
als der ekel davor in einem bett aus bier zu schlafen

sein gesicht zu legen auf etwas das nicht bleibt

§

Discoteco hoje à noite no Honecker Lounge do Kino International ao lado de meu amigo Uli Buder, produtor alemão mais conhecido como Akia, sobre o qual falo com frequência aqui. Ouça abaixo uma gravação de sua última apresentação ao vivo.


AKIA - LIVESET LOOPACUT - Snipit by Akia


§

Foi muito bom ter a poeta, romancista e minha querida tradutora Odile Kennel (n 1967) ontem na plateia. O trabalho com ela tem sido maravilhoso. Odile lançou o romance Was Ida sagt no ano passado, pela importante editora alemã Deutscher Taschenbuch Verlag - dtv. Abaixo, um vídeo em que lê um trecho do romance.




A mesma editora lança seu primeiro livro de poemas no ano que vem. Traduzi alguns para a Modo de Usar & Co. 

Por sorte a névoa chegou

tarde. Mais abaixo, eu sei
com certeza, nadavam girinos
num tanque de pedra, as vacas
traçavam com patas cautelosas
veias na montanha, visíveis. Sobre
nós circulava um busardo. Não

é um busardo, você disse, mas
nos faltavam binóculos e dicionário
de inglês. E havia o ruído
dos planadores. Eles abocanhavam o ar
em goles ávidos. Riscavam verticais acima

e abaixo cambaleavam nossos
olhos uns nos outros, mergulho cauteloso
das palavras vale abaixo, cartografado
de montanha a montanha.

Por sorte a névoa chegou tarde
para que pudéssemos
admirar na capela o
Senhor Jesus transsexual, suas unhas
pintadas. Para que nossos olhos
patas cautelosas sob
círculos intraduzíveis, para que nossos
olhos tais como girinos
no tanque de pedra nadassem
uns pelos outros se medissem uns nos outros
mergulhassem por sorte

a névoa chegou tarde.

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

Zum Glück kam der Nebel
Odile Kennel

verspätet. Weiter unten, ich weiß es
genau, schwammen Kaulquappen
in einem Steintrog, Kühe legten
mit bedächtigen Hufen die Adern
des Berges bloß. Über uns kreiste
ein Bussards. Das ist kein

Bussard, sagtest du, aber wir hatten
kein Fernglas und kein englisches
Wörterbuch. Und das Geräusch kam
von den Segelfliegern. Sie rissen die Luft
an sich in gierigen Zügen. Rissen sie aufwärts und

abwärts taumelten unsere Augen
ineinander, bedächtiges Tauchen
der Wörter ins Tal hinab
geschwungen, ausgelotet
von Berg zu Berg.

Zum Glück kam der Nebel verspätet
so dass wir in der Kapelle den
transsexuellen Herrn Jesus
bewundern konnten, lackiert
seine Nägel. So dass unsere Augen
bedächtige Hufe unter unübersetzbaren
Kreisen, so dass unsere
Augen Kaulquappen gleich
im Steintrog schwammen
sich aneinander maßen ineinander
tauchten zum Glück

kam der Nebel verspätet.


.

Pensar sálvia e você

Eu penso sálvia quando eu
vejo sálvia penso folhas de veludo
verde-cinza pareadas opostas ou
labiadas ou temperadas e amargas
ou eu penso em nada nem sálvia nem
planta nem cheiro pois por tanto
pensar a sálvia se encontra
à janela se desencontra na mente
pois ela para mim não existe mas
existe para si nada sabe de
seu nome nada sabe de seu
existir presume-se que nonada sabe.

Eu penso você quando eu não
penso sálvia quando não penso que
os andorinhões cochilam nas altas
camadas do ar e nós deitadas
despertas à janela eu penso
você e o cheiro amargo
e temperado infiltra-se no seu
no meu existir de que nada sabe
e assim origina-se um desequilíbrio
existencial na luz pós-meridiana
pois sabemos sabemos muito bem
que todo tempo é uma xícara a
despenhar-se aos céus ou óleo etéreo
ou a maquinaria da solidão, presume-se.

(tradução de Ricardo Domeneck)


(Odile Kennel lê em Berlim, a 19 de agosto de 2008, em evento que contou ainda
 com leituras do belga Damien Spleeters, da espanhola Sandra Santana e minha)

:

Salbei denken und Du
Odile Kennel

Ich denke Salbei wenn ich Salbei
sehe denke grüngraue samtene
Blätter paarweise gegenständig oder
Lippenblütler oder bitter und würzig
oder ich denke nichts nicht Salbei nicht
Pflanze nicht Duft weil vor lauter
Denken der Salbei wohl vorkommt
am Fenster doch verkommt im Kopf er also
für mich nicht existiert er aber
für sich existiert und nicht weiß wie er
heißt und nichts weiß von seiner
Existenz vermutlich gar nichts weiß.

Ich denke Du wenn ich nicht
Salbei denke nicht denke dass
die Mauersegler dösen in den höheren
Schichten der Luft während wir wach
liegen am Fenster ich denke
Du während der bittere und
würzige Duft in deine und meine
Existenz dringt von der er nichts weiß
und so entsteht ein existenzielles
Ungleichgewicht im Nachmittagslicht
denn wir wissen wir wissen sehr genau
dass alle Zeit nur eine himmelwärts stürzende
Tasse ist oder ätherisches Öl oder eine
Apparatur der Einsamkeit, vermutlich.


(Zitat: Ulrike Draesner)

§

Também foi bom ver na plateia minha querida amiga Sabine Scho, a poeta alemã que divide seu tempo entre Berlim e São Paulo. É uma pena que a cena poética paulistana não a tenha ainda descoberto. Scho está na Alemanha, onde recebe este mês o prêmio de poesia Anke Bennholdt-Thomsen do Instituto Schiller. Um poema traduzido:

green

alguém quer que eu diga
erva e uma toalha es-
tenda, erva da boa, a pura
opulência dos ruminantes
não é nada, dou voluntaria-
mente a entender, nada mais que
vento nos salgueiros, aptidão
para Marte, macacão azul
lavado a seco, de preferência
fotossíntese, campos de
estromatólitos, quedas de
temperatura em florescência
desértica, paisagem incrustada,
gravura grátis a laser, nem nada
de nada de precipitações

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

green
Sabine Scho

jemand will, dass ich gras
sage und eine decke aus-
breite, gutes gras, die reine
üppigkeit der wiederkäuer
es ist nichts, gebe ich bereit-
willig zu verstehen, nichts als
wind in den weiden, marstaug-
lichkeit, ein blaumann aus der
schnellreinigung, vorzugsweise
photosynthese, stromatolithen-
felder, temperaturstürze in wüster
blüte, verkrustete aussicht, kosten-
lose lasergravur, nichts und kein
bisschen niederschlag


§

Outra amiga na plateia foi a fotógrafa Adelaide Ivánova, que está preparando sua exposição na França em setembro, com um título lindamente longo e inspirado em um dos meus poemas favoritos, de Wislawa Szymborska. O nome da exposição é "Autotomy is the ability some animals have to change or mutilate their bodies in order to look like something else and protect themselves from the world and I was amazed to notice that we all do it and not just sea cucumbers." Deixo vocês com uma foto de Ivánova, que não está na exposição mas é uma de minhas favoritas (logo verão o porquê). Neste aniversário, ganhei dela uma versão enorme da foto (o modelo é seu namorado), que doravante estará na parede do meu quarto. A segunda é outra foto linda de seu namorado (às vezes penso que Ivánova e eu somos as versões fotógrafa e poeta de uma pessoa muito parecida), e a última é um dos últimos retratos que fez de minha imponderada pessoa.


Foto de Adelaide Ivánova (2012)

Foto de Adelaide Ivánova (2012)

 Foto de Adelaide Ivánova (2012)


§

Encerro com o poema de Wislawa Szymborska.

autotomia
Wislawa Szymborska (tradução coletiva da Inimigo Rumor n. 10)

 

diante do perigo, a holotúria se divide em duas:
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.

ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.

no centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.

sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
aqui o desespero, ali a coragem.

se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
se há justiça, ei-la aqui.

morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.

nós também sabemos nos dividir, é verdade.
mas apenas em corpo e sussurros partidos.
em corpo e poesia.

aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.

aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um vôo.

o abismo não nos divide.
o abismo nos cerca.



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terça-feira, 24 de julho de 2012

"As alegrias transeuntes", poema em andamento como tudo em nossa vida nada definitiva

g
"Michael com poeta ao fundo", fotografia de Adelaide Ivánova, julho de 2012.


Há cerca de duas semanas, encontrei um amigo na rua e ele perguntou como eu estava. Eu respondi que estava feliz. Ele, sabendo exatamente o porquê, retrucou: "e esta felicidade dura até quando?", ao que eu disse: "Até o dia 24 de julho".

E foi assim que hoje às 12:25, esta felicidade tão particular em sua carnadura e contexto acabou. Logo após o meio-dia – quando o sol chegara a seu cimo e começara sua descida, eu abracei talvez pela última vez (é tudo tão incerto, dissera Clarice Lispector naquela assustadora entrevista) e me despedi no aeroporto de Berlim de alguém que trouxe muita alegria à minha vida nos últimos meses. Uma dádiva, um presente. Ou, parafraseando aquela canção de Aimee Mann, alguém perfeito para quem andava precisando de um torniquete.

Algumas pessoas são tão generosas. Trazem tanto em suas mãos abertas, crendo-as vazias. É justamente a palma com seus dedos abertos o presente, não qualquer outra coisa que não nascera e crescera ali naquele suposto deserto para um mundo que só confia em mãos cheias e ocupadas. Então, é numa espécie de ação de graças ao meu semelhante que eu posto aqui, no espírito de work in progress tal como tudo em nossa vida, o poema que comecei a escrever hoje ao deixar o aeroporto com o olhos almodovaricados, e também a canção que ele cantarolava quando nos conhecemos, tão apropriada para o que nos sobreveio. Obrigado, Michael, por este compartilhado de esperança na generosidade do futuro.


As alegrias transeuntes

       a Michael Potter

A velocidade
dos fatos foi hoje
tão desnorteante
que também
desoesteou-me
dessuliu-me
desesteou-me
a 52° 31N 13° 24' E
ao carregá-lo
malas vento e cabelos
a  44° 40N63° 36W
mais justo seria
dizer que afinal
norteei-me
que o Ocidente
ora passa a ter nova
capital e estende-se
por portos que eu
até então desconhecera
que minha geografia
mental expandiu-se
como sói ser
imperialista o mapa
dos nossos lucros
e perdas ainda
que todos estes
acenos de mão
em aeroportos
pouco a pouco
venham causar-me
lesão por esforço
repetitivo eu 
me pergunto
qual o diâmetro
que percorre a dor 
que se comparte
você tão jovem
com seus doravantes
e eu já dependente
de leis com efeito
retroativo
mas sua partida
aloja outro nome 
em minha garganta
como se um estreito
repentino abraçasse 
uma península


Ricardo Domeneck, 24 de julho de 2012, a 52° 31N 13° 24' E,  poema que começou a ser escrito como o poema sobre o qual debruça-se também apenas começara a ser escrito quando teve que ser interrompido pelos eventos da vida.

§





Kiss And Say Goodbye
Kate and Anna MacGarrigle


Call me when you're coming to town
Just as soon as your plane puts down
Call me on the telephone
But only if you're travelling alone
Counting down the hours
Through the sunshine and the showers
Today's the day
You're finally going to come my way

Let's make a date to see a movie
Some foreign film from gay Paris
I know you like to think you've got taste
So I'll let you choose the time and place
Have some dinner for two
In some eastside rendezvous
Then we'll walk
Arm in arm around the block and talk

Tonight you're mine
Let's not waste time

I do believe the dice is cast
Let's try and make the night-time last
And I don't know where it's coming from
But I want to kiss you till my mouth get numb
I want to make love to you
Till the day comes breaking through
And when the sun is high in the sky
We'll kiss and say goodbye

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quinta-feira, 15 de março de 2012

Comentário de Adelaide Ivánova sobre meu novo livro em seu "Vodca barata"

Talvez haja três tipos de crítica que podem levar um poeta a reflexões muitíssimo saudáveis e frutíferas sobre seu próprio trabalho. Há, é claro, a de críticos preparados, dispostos à generosidade de realmente buscar entender o que o autor propôs-se, sem renunciar ao juízo crítico, apontando para caminhos possíveis, armadilhas prováveis, elementos importantes que talvez tenham passado despercebidos pelos leitores.

Há o maravilhoso diálogo com outros poetas que respeitamos, apontando suas concordâncias e discordâncias, lendo a partir de seus próprios ângulos de observação do tal Weltanschauung. São colegas de profissão.

Mas eu sempre escuto com muitíssima atenção um outro tipo de crítica: feitos de forma pública ou em particular, os comentários de amigos que estão fora do circo literário, que leem pura, completa e simplesmente por prazer.

Adelaide Ivánova, fotógrafa brasileira residente no Berlimbo e minha companheira no vale do rímel borrado, publicou um comentário sobre meu livro Ciclo do amante substituível em seu blogue, o Vodca Barata. Obrigado, querida. Termino a postagem com uma de suas fotografias, da série sobre sua avó.







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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Adelaide Ivánova, minha companheira no vale do rímel borrado, em retrato do fotógrafo alemão Jakob Ganslmeier.


Adelaide Ivánova por Jakob Ganslmeier (2012).

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Os dois fotógrafos

Jakob Ganslmeier

&

Adelaide Ivánova

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E nestes dias de frio insuportável no Berlimbo, um poema apropriado da última:

tulipas
Adelaide Ivánova

meu parapeito
não tem flores,
meu apartamento
não tem geladeira,
ponho os saquinhos
de mussarela do lado
de fora da janela
para não estragarem
e assim prescindo
de tulipas.


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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vídeo novo da fotógrafa Adelaide Ivánova, seguido de um poema seu

Adelaide Ivánova, fotografada em Berlim por Breno Rotatori.


Este é o último vídeo de Adelaide Ivánova, fotógrafa e escritora recifense, minha amiga, no qual ela intercala imagens em vídeo e fotografias de suas duas paixões que rimam, o rapaz chamado Armin e a cidade chamada Berlin.



"Horses", vídeo e fotos de Adelaide Ivánova, criado originalmente para uma edição da revista brasileira Aurora,
número dedicado àquela coisa que a gente chama de "amor".



Que bonito ter paixões que rimam. Que triste estar distante delas. Que saudades de você, Ivi, querida. Eu estou aqui, é madrugada de sexta para sábado em Berlim, está chovendo, eu estou escutando canções do Dimitri Rebello, do Jeff Buckley e do Tom Krell, mais conhecido como How to Dress Well. Você já ouviu How to Dress Well, Ivi? São muito tristes as canções do How to Dress Well. Nós sabemos que é muito mais fácil estar bem vestido do que bem acompanhado, não é, Ivi? Se você estivesse aqui, eu não teria que estar bancando o tempo todo o cavalheiro contido, poderia lagartear-me com você ao sol ou na chuva e fazer o que fazemos melhor: almodovaricar.

Deixo meus leitores com um poema da Ivi, Adelaide Ivánova para vocês:


tulipas
Adelaide Ivánova


meu parapeito
não tem flores,
meu apartamento
não tem geladeira,
ponho os saquinhos
de mussarela do lado
de fora da janela
para não estragarem
e assim prescindo
de tulipas.




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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Apropriação e paródia: cartaz de NOVEMBRO para a SHADE inc, a partir de um original de Larry Clark, com pequena conversa sobre a fotografia dos 70

Convite de novembro para os eventos semanais da nossa SHADE inc

Convite e cartaz de novembro para a SHADE inc, nosso evento semanal às quartas-feiras. Alguns não entenderam bem a ideia na última postagem que fiz a respeito, achando que estas paródias eram o projeto em si. O projeto é um evento, algo que ocorre todas as quartas-feiras, com DJs, e às vezes performances, concertos, instalações. Estes são os convites e cartazes, feitos pela apropriação, reencenação e paródia de imagens fotográficas conhecidas do século passado, da arte ou do fotojornalismo.

O cartaz deste mês foi concebido e produzido pelo coletivo SHADE (em ordem alfabética: Daniel Reuter, Niklas Goldbach, Oliver A. Krüger, Ricardo Domeneck e Viktor Neumann), e fotografado por Niklas Goldbach, a partir de uma foto original do norte-americano Larry Clark, nascido em Tulsa, Oklahoma em 1943. No Brasil, creio que o americano é mais conhecido como cineasta, especialmente por seu filme Kids (1995), que se tornou notório ao lidar com o problema da AIDS entre adolescentes, em um estilo documental que se tornaria comum na década seguinte, esta que agora se encerra.



No entanto, desde a década de 70, Larry Clark já documentava como fotógrafo a juventude abandonada pelo sonho americano. Em 1971, ele estreia com a publicação do livro Tulsa, fotografado entre amigos e conhecidos da sua cidade natal.


Larry Clark, fotografia do livro Tulsa (1971)


Com esta publicação, podemos unir Clark a outros fotógrafos da década de 70, que também encontrariam entre seus amigos nos subterrâneos das cidades uma vida marginal, escorrendo paralela à das revistas e colunas sociais. É o caso da também americana Nan Goldin (n. 1953), do japonês Nobuyoshi Araki (n. 1940), e do suíço Walter Pfeiffer (n. 1946).


É claro que eles não inventaram a fotografia sociodocumental entre os indivíduos excluídos do jogo político e social de suas comunidades, já que encontramos algo disso desde o alemão August Sander (1876 - 1964), passando pelas americanas Lisette Model (nascida na Áustria, 1901 – 1983) e Diane Arbus (1923 - 1971), mas até então o fotógrafo parecia manter-se fora do jogo; ele documentava, mas sem qualquer envolvimento emocional com seus retratados. A maneira como estes fotógrafos da década de 70 (Clark, Goldin, Araki, Pfeiffer, entre outros) pareciam estar envolvidos e pertencer aos retratados, assim como seu abandono de qualquer pudor ante o jogo sexualizado no qual a lente de suas câmeras faz-se mais uma camada da epiderme, seriam centrais para sua influência sobre fotógrafos do fim da década de 70 e através da década de 80, dos quais Robert Mapplethorpe (1946 – 1989) e Mark Morrisroe (1959 - 1989) poderiam ser discutidos como exemplares. É essa genealogia também que nos leva a compreender melhor o trabalho de fotógrafos dos últimos 20 anos, como Wolfgang Tillmans, Collier Schorr, e Heinz Peter Knes, ou, nos últimos poucos anos, Brett Lloyd e Adelaide Ivánova.

Algum dia quero escrever sobre essa relação de envolvimento emocional com os retratados, este pertencimento, para discutir na verdade o trabalho de um fotógrafo que seguiu uma linha que tanto tangencia como elide esta narrativa: o brasileiro Alair Gomes (1921 - 1992), com sua prática de fotógrafo-voyeur. A um operário visual como eu, fazendo meus pequeninos e desimportantes videorretratos de moços e moças aqui em Berlim, esta discussão interessa.

Abaixo, o original de Larry Clark do qual nos apropriamos, reencenamos e, de certa forma, parodiamos em gender guerrilla.


Larry Clark, do livro The Perfect Childhood (1993)

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A artista finlandesa Elina Brotherus na Hilda Magazine

"O vestido de noiva de minha mãe, o terno de noivo de meu pai, o vestido de luto de minha mãe",
da série "Das Mädchen sprach von Liebe" (1997)




Elina Brotherus é uma fotógrafa e videoartista finlandesa, nascida em Helsinque em 1972. Já expôs em galerias e instituições como a Fondazione Studio Marangoni (Florença), Bloomberg SPACE (Londres), gb agency (Paris), Yapi Kredi Kazim Taskent Art Gallery (Istanbul), V.M. 21 Arte Contemporanea (Roma), The National Art Center (Tóquio), Biennale d'art contemporain (Lion), Musée des Beaux-arts (Caen), Galerie Wilma Tolksdorf (Berlim), e Temple Bar Gallery & Studios (Dublim), entre outras. Apresentamos a série "Das Mädchen sprach von Liebe" (A menina falou do amor), de 1997/98.


::::: ELINA BROTHERUS NA HILDA MAGAZINE ::::::


Hilda Magazine é editada por Oliver Roberts e por mim, aqui no Berlimbo.


Em tempo: quem chamou minha atenção para o trabalho de Brotherus foi a fotógrafa brasileira Adelaide Ivánova.
Aqui vai meu "obrigado, Ivi!"


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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Amigos fotógrafos e suas publicações recentes: Terceira postagem: a série "Fashion victim", de Adelaide Ivánova.

Conheci Adelaide Ivánova em 2003. O ano é meio lendário para os dois: Ivánova chegava a São Paulo, eu vivia meu ano de interstício estressante entre São Paulo e Berlim por problemas de visto. Dividimos teto n`O Sobrado, a casa na Vila Madalena que "mitologizamos", onde nos primeiros anos desta década que ora se encerra refugiaram-se, em pindaíba financeira e amorosa, em rodízio de divisão dos 4 quartos, jovens poetas, atores, cineastas, antropólogos em meio a teses de doutorado, e outras criaturas estranhíssimas. Fui um dos membros fundadores, morando ali por 8 meses em 2001, e depois por mais 10 meses em 2003. Ali escrevi muitos poemas do meu primeiro livro, Carta aos anfíbios (2005), quase todos os da segunda parte, por exemplo. Nessa segunda passagem, a sra. Adelaide Ivánova chegou de Recife e também se instalou n`O Sobrado. Ali organizei sua primeira exposição de fotos. Ela tinha 20 anos, eu tinha 25. Ali jorrava uma fonte de secreções corporais, álcool e outras invitations to Mr. Hyde, como gosto de dizer. Ali tivemos brigas, que podiam tanto girar em torno de pratos sujos como gritos de "desliga essa merda de som, não aguento mais ouvir Los Hermanos!". Deixo com vocês adivinhar quem gritava para quem esta última.

Esse ano, Ivánova veio à Alemanha e viveu alguns meses em Berlim, onde reatamos nossa amizade. Bebemos, suamos ao sol, dançamos até cair, e colaboramos em uma peça, sua instalação "100 Men", projeção sobre lençol que ela apresentou no evento que coorganizo às quartas-feiras, e para a qual preparei uma peça sonora cafona, irritante e divertidíssima. Juntos, almodovaricamos muito em Berlim.

Adelaide Ivánova postou na semana passada um novo slideshow com sua série "Fashion Victim" (2005 - 2008). Mostro-a a vocês aqui. Se Adelaide estivesse aqui, eu diria a ela "Ô mulher, ficou muito legal o slideshow, você sabe como gosto desta ironia que se emaranha entre a invectiva e a self-deprecation, de quem anda na corda bamba, sem saber onde termina a resistência e onde começa o colaboracionismo, aturando aqueles chatos que se julgam muito puros e fora do sistema e não sabem o risco que nós corremos como agentes duplos." É o que eu diria a Adelaide Ivánova se ela estivesse aqui, sobre seu sarcasmo com as It Girls, só por tantas delas serem tão descerebradas.

"Fashion Victim", a série. Adelaide Ivánova "veste" e "usa" Prada, Louis Vuitton, Lenny, Neon, Daslu e, em suas próprias palavras, "todas as vacas desocupadas que costumava fotografar."


adelaide ivánova's_the fashion victim series from adelaide ivánova on Vimeo.




Tenho alguns originais dela na minha minúscula coleção, e ela, obviamente, também figura na Hilda Magazine.

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Vídeos de Lesley Flanigan, Uli Buder e Adelaide Ivánova na Hilda Magazine, e Celena Glenn a.k.a. Black Cracker na SHADE inc

Oliver Roberts e eu atualizamos hoje nossa HILDA MAGAZINE, com uma página para a escultora sonora e poeta vocal norte-americana LESLEY FLANIGAN.

Lesley Flanigan

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Além de Flanigan, acrescentamos o vídeo para a faixa "Kuku" à página dedicada ao músico alemão ULI BUDER, mais conhecido como AKIA.

Uli Buder a.k.a. Akia

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À página da fotógrafa brasileira ADELAIDE IVÁNOVA, acrescentamos o vídeo de sua instalação "100 Men" (2010).

Adelaide Ivánova



Creio que já mostrei alguns destes trabalhos por aqui, mas na Hilda você ainda encontra outras surpresas. Na semana que vem, publicaremos uma entrevista-em-vídeo exclusiva com o romancista e poeta norte-americano DENNIS COOPER (n. 1953), que vive há muitos anos em Paris, autor de romances como os recentes My Loose Thread (2002), The Sluts (2004) e God Jr. (2005), além das coletâneas de poemas The Terror of Earrings (1973), Tenderness of the Wolves (1981) e seu mais recente The Weaklings (2008).

Dennis Cooper


Para a ocasião, traduzirei um de seus poemas para o português, para uma postagem conjunta entre a Modo de Usar & Co. e a Hilda Magazine.

Hoje à noite, discoteco na SHADE inc. Nosso convidado especial esta semana é Black Cracker.


(Black Cracker, apresentando-se aqui com o projeto GRAND PIANORAMAX)


Black Cracker



Apresentam-se ainda os alemães Uli Buder e Armin von Milch.




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domingo, 12 de setembro de 2010

Os cem homens de Adelaide Ivánova

Acordei ontem, pensei: "Vou lugar para Adelaide, tomar café da manhã em rebordosa ressaca no parque". Mas então me lembrei... Adelaide já não mais habita terras berlinosas. Após passar três meses aqui no Berlimbo, Adelaide Ivánova voltou ontem para São Paulo. Foi muito bom ter alguém tão almodovarmente ensandecido quanto eu por perto. Volta, Adelaide. Vamos comer hummus no restaurante israelita, ou nos afogar em café preto no Weinbergspark. Nossas confissões dementes. Saudades, já.


Como despedida, deixo vocês com a nossa colaboração aqui no Berlimbo, sua instalação/projeção 100 Men (2010), para a qual preparei uma peça sonora irritante como nossas paixonites agudas.


adelaide ivánova_100 men from adelaide ivánova on Vimeo.


Adelaide Ivánova, 100 Men (2010)

100 men foi originalmente criado e apresentado por Adelaide Ivánova como uma instalação/projeção em Berlim, Alemanha, durante o evento SHADE inc, no clube Neue Berliner Initiative, a 18 de agosto de 2010. As fotos foram feitas entre 2002 e agosto de 2010, todas de autoria de Adelaide Ivánova. A instalação tem uma peça sonora de Ricardo Domeneck, feita especialmente para o trabalho, a partir da canção “Non, je ne regrette rien”, cantada por Edith Piaf. O editor de som foi Uli Buder.

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

"Ricardo como Mendieta", retrato de Adelaide Ivánova, Berlim, 2010.

"Ricardo como Mendieta", retrato de Adelaide Ivánova, Berlim, 2010.

Adelaide, conjuguemos
o novo verbo
"mitologizar",
obviamente reflexivo.
Destarte:
Eu mitologizo-me.
Tu mitologizas-te.
Ela mitologiza-se.
Nós mitologizamo-nos.
Vós mitologizai-vos.
Eles mitologizam-se.

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uma instalação em Berlim de/com Adelaide Ivánova

Conheci Adelaide Ivánova em 2003, quando ambos buscamos moradia e asilo político-artístico-financeiro em uma casa da Vila Madalena, atrás do cemitério da Cardeal Arcoverde em São Paulo, que já chamávamos desde sua fundação wittgenstein/tautologicamente de O Sobrado, lugar que se tornaria o epicentro de nosso grupo de amigos entre 2001 e 2000-e-alguma-coisa. Era minha segunda passagem pel´O Sobrado, a primeira de A.I., que chamamos de Ivi entre os amigos. Em seu período de existência, passaram pel´O Sobrado, todos jovens, pobres e iniciantes: poetas, cineastas, atores, fotógrafos, teatrólogos, antropólogos, escritores, todos amigos ou, em alguns casos, ocasionalmente algo mais.

Há exatos 7 anos, no aniversário de Ivi (ou "a fotógrafa Adelaide Ivánova" para vocês), em agosto de 2003, organizei sua primeira "exposição" no próprio Sobrado. Fui seu primeiro, digamos, "curador". Ah! a autoimportância deliciosa e determinante de quando temos vinte-e-poucos anos. Todos tínhamos vinte-e-poucos anos. Parecia ser a idade a se ter naqueles tempos, como Gertrude Stein escreve com humor em sua Autobiography of Alice B. Toklas: there came the time when everyone was twentysix, it just seemed the right age to be at the time, ou algo assim... citar Gertrude Stein de memória é sempre bom. No texto sobre a mostra das fotos, que se perdeu nos dias e noites daquele Sobrado, eu falava sobre Imogen Cunningham, Nan Goldin, Wolfgang Tillmans, quando tudo o que eu queria e deveria dizer é que eu simplesmente gostava das fotos de Adelaide Ivánova. É que, como jovem poeta brasileiro escrevendo seu primeiro livro, o que viria a ser o Carta aos anfíbios, olhando ao redor e vendo apenas aqueles poetas mais velhos da década de 80 e 90 trans-historicamente flutuando em um limbo cor-de-rosa pós-utópico que não se sabia se em 1822 ou 1922 fingindo-se quase todos no deserto cabralino sendo muito concisos e incrivelmente entediantes e hiper universais, eu identifiquei-me imediatamente com aquelas fotos pessoais, expondo-se em intimidade pública, baseadas em um eu que não sabia se esconder, contextuais, DATADAS NO MELHOR SENTIDO DO TERMO. No único sentido do termo. Ah, Ivi, minha querida, eu também queria e quero escrever apenas poesia datada, datada... desde que a data seja a de hoje... sabemos que aquele que escreve para hoje será lido em 1000 anos, sabemos, nós sabemos que os que escrevem para daqui 1000 anos nem hoje serão lidos. Eu aprendi isso com Catulo, Wittgenstein, Clarice Lispector, Hilda Hilst, Frank O´Hara. Acho que você aprendeu com Nan Goldin, Wolfgang Tillmans, também com Clarice, e outros?

Sete anos depois, na semana do aniversário de Ivi (ou "a fotógrafa Adelaide Ivánova" para vocês), ela apresenta hoje em nossa SHADE inc, na sala subterrânea que chamamos de Shadebox e onde artistas e DJs já apresentaram filmes, vídeos, DJ sets, instalações, Adelaide Ivánova apresenta sua instalação 100 Men, com uma peça sonora irritante-pungente minha, baseada, vejam só, em uma chanson da Edith Piaf. Especialmente quando apaixonados, nós gostamos de confundir de que lado da linha que separa o sublime e o cafona nós vivemos.

Hoje à noite, na SHADE inc, 18 de agosto de 2010, a instalação 100 Men, de Adelaide Ivánova, "projeção sobre lençol" (apropriadíssimo), com uma peça sonora deste que vos irrita.


FOTOS DE ADELAIDE IVÁNOVA
incluídas na instalação











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