Oralizar textos poéticos, destinados originalmente à página, é uma arte difícil. No Brasil, os anos de hegemonia visual e a quase inexistência de uma tradição de leituras e poesia sonora, apesar de toda a nossa tradição lírica/musical, fizeram com que os poetas brasileiros se tornassem leitores extremamente tímidos de seus próprios textos. Talvez pelo medo do "discursivo", do "verborrágico", que por anos pairou sobre a poesia brasileira como uma das piores invectivas que se poderia receber? Talvez, talvez. Minhas primeiras leituras públicas, em São Paulo e Buenos Aires, em 2006, foram um choque pessoal e parte do início de minha pesquisa da fronteira entre a escrita e a oralidade, que eu já iniciara (em escrita) no livro a cadela sem Logos, publicado em 2007 mas escrito entre 2004 e 2006; e que me levaria aos poetas sonoros ligados à revista DADA, ao Grupo de Viena, a poetas como Bernard Heidsieck e Henri Chopin, e a meus contemporâneos, como Eduard Escoffet (Catalunha), Nora Gomringer (Alemanha) ou Marcelo Sahea (Brasil), entre vários outros.
Abaixo, duas leituras que me parecem impressionantes. Primeiro, a de Charles Olson para seu poema "Maximus to Gloucester, Letter 27 [withheld]", gravada em março de 1966. Depois, a de Giuseppe Ungaretti para seu "Inno alla morte". Teatrais? Discursivas? Histriônicas? Alguns brasileiros diriam que sim. Eu as considero impressionantes, vivas, leituras que entendem o que a voz pode fazer com um texto literário.
Charles Olson - "Maximus to Gloucester, Letter 27 [withheld]"
§
Giuseppe Ungaretti - "Inno alla morte"
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
A Máquina do Mundo e seus presentes: neve no primeiro dia do ano e Jack Spicer
Saí do clube onde discotequei grande parte da noite/madrugada de ano-novo, encarando a rua e a manhã por volta das 8:30 da matina e encontrei as ruas cobertas de neve. Presente delicioso. Ar gelado, calma nas calçadas depois da tormenta alcoolizada de milhares de pedestres na Alexanderplatz. Arrastei minhas bolsas cheias de vinis até o primeiro táxi e arrastei a carcaça alegre para a cama.
O último dia do ano já havia começado bem com a chegada de minha encomenda do volume de poemas reunidos de Jack Spicer, My Vocabulary Did This To Me: The Collected Poetry of Jack Spicer. Havia tempos que não abria um livro com tamanho entusiasmo, alegria, frio na barriga. O senhor Spicer acumula superlativos nos elogios que têm sido publicados desde que o volume saiu. É realmente uma publicação importante, é incrível que um poeta tão singular tenha ficado fora das estantes de poesia por mais de 20 anos, desde que o poeta Robin Blaser reuniu grande parte dos poemas de Spicer no volume The Collected Books of Jack Spicer, de 1975. Spicer teve grande influência sobre os poetas americanos que se formaram na década de 60 e 70, especialmente alguns dos que se reuniram em torna da revista L=A=N=G=U=A=G=E.
É interessante imaginá-lo como contemporâneo de Allen Ginsberg, Robert Duncan, Frank O´Hara e John Ashbery. Seu trabalho é realmente singular, em um país que gerou dezenas de singulares e esquisitos.
Abaixo, arquivo de som com Jack Spicer lendo a primeira parte da série "Thing Language", seguido de Ginsberg e o início de seu "Howl":
Seus poemas-em-série e poemas epistolares tiveram grande impacto sobre o meu trabalho, e eu apenas o conhecia em parte. É difícil escolher um único poema para "demonstrar" qualquer coisa sobre o seu trabalho, pois seu trabalho resiste justamente a isso. Ele mesmo chegou a chamar seus poemas-sozinhos, antes de trabalhar em séries, de one night stands. Espero ter milhares de one night stands e uma longo relacionamento com os poemas de Jack Spicer, sejam solitários ou em séries.
O último dia do ano já havia começado bem com a chegada de minha encomenda do volume de poemas reunidos de Jack Spicer, My Vocabulary Did This To Me: The Collected Poetry of Jack Spicer. Havia tempos que não abria um livro com tamanho entusiasmo, alegria, frio na barriga. O senhor Spicer acumula superlativos nos elogios que têm sido publicados desde que o volume saiu. É realmente uma publicação importante, é incrível que um poeta tão singular tenha ficado fora das estantes de poesia por mais de 20 anos, desde que o poeta Robin Blaser reuniu grande parte dos poemas de Spicer no volume The Collected Books of Jack Spicer, de 1975. Spicer teve grande influência sobre os poetas americanos que se formaram na década de 60 e 70, especialmente alguns dos que se reuniram em torna da revista L=A=N=G=U=A=G=E.
É interessante imaginá-lo como contemporâneo de Allen Ginsberg, Robert Duncan, Frank O´Hara e John Ashbery. Seu trabalho é realmente singular, em um país que gerou dezenas de singulares e esquisitos.
Abaixo, arquivo de som com Jack Spicer lendo a primeira parte da série "Thing Language", seguido de Ginsberg e o início de seu "Howl":
Seus poemas-em-série e poemas epistolares tiveram grande impacto sobre o meu trabalho, e eu apenas o conhecia em parte. É difícil escolher um único poema para "demonstrar" qualquer coisa sobre o seu trabalho, pois seu trabalho resiste justamente a isso. Ele mesmo chegou a chamar seus poemas-sozinhos, antes de trabalhar em séries, de one night stands. Espero ter milhares de one night stands e uma longo relacionamento com os poemas de Jack Spicer, sejam solitários ou em séries.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Texto e canção alheios para terminar o próprio ano
I feel it all, canção de Leslie Feist
§
Limite, texto de Juliana Krapp
Sebe é um acúmulo de varas entretecidas
cerceando
por vezes sim por vezes não
eu sei
do esforço para persuadir
naturezas terríveis
simultaneamente
à graça dos perímetros
que permanecem estanques
(a dor de coabitar
tanto as frinchas quanto os
confinamentos)
Quando rarefeitos, os movimentos
aguardam mais do que a conclusão, preferem
o desdém e o resguardo
ou mesmo esse estalido
(um arquejo)
embalado
pelo embaraço hipnótico
das pequenas sombras
Somente as ventanias são de fato enamoradas
e apenas nelas alijam-se
as imundícias mais profundas
como somente os ramos
estraçalham-se e engravidam-se
num único carretel de músculos em escombros
(um aparelho de tensões
alimentado pelo ritmo
dos sumidouros)
§
Limite, texto de Juliana Krapp
Sebe é um acúmulo de varas entretecidas
cerceando
por vezes sim por vezes não
eu sei
do esforço para persuadir
naturezas terríveis
simultaneamente
à graça dos perímetros
que permanecem estanques
(a dor de coabitar
tanto as frinchas quanto os
confinamentos)
Quando rarefeitos, os movimentos
aguardam mais do que a conclusão, preferem
o desdém e o resguardo
ou mesmo esse estalido
(um arquejo)
embalado
pelo embaraço hipnótico
das pequenas sombras
Somente as ventanias são de fato enamoradas
e apenas nelas alijam-se
as imundícias mais profundas
como somente os ramos
estraçalham-se e engravidam-se
num único carretel de músculos em escombros
(um aparelho de tensões
alimentado pelo ritmo
dos sumidouros)
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domingo, 28 de dezembro de 2008
Edith Beale mãe e Edith Beale filha: Grey Gardens
Porque o mundo esconde criaturas fabulosas.

Há duas noites, eu jantava com meu amigo Heinz (que é também um de meus fotógrafos alemães favoritos, Heinz Peter Knes) e seu namorado Buck. Após a comida e o café, Heinz perguntou se queríamos ver um filme. Eu disse o que geralmente digo neste caso: "Claro! Mas depende do filme."
A lista de opções começou. Ele sugeriu Opening Night, do John Cassavetes, um dos meus filmes favoritos (Gena Rowlands perfeita, perfeita, perfeita), mas já vira o filme várias vezes. Após outros nomes, mais ou menos interessantes, Heinz disse: "Nós podíamos assistir Grey Gardens."
Eu respondi que não sabia do que se tratava. Heinz arregalou os olhos, esboçou o sorriso maroto de quem sabia que estava prestes a acrescentar um novo universo paralelo à cosmologia das minhas obsessões e apertou o PLAY.
Desde então, já pesquisei o que há sobre as duas Edies na rede, Big Edie - a mãe; e Little Edie, a filha: as criaturas Edith Bouvier Beale mãe e Edith Bouvier Beale filha, da família Bouvier, a de Jacqueline Kennedy, nascida Jacqueline Bouvier, mais tarde Kennedy e Onassis.
Big Edie e a maravilhosa Little Edie transformaram-se em figuras cult após o documentário dos irmãos Maysles, chamado Grey Gardens e lançado em 1975.
O documentário é realmente primoroso, apresenta as duas mulheres de maneira respeitosa, afetuosa e ao mesmo tempo é implacável. Algumas das frases de Little Edie não me saem da cabeça.
Eu pagaria qualquer coisa para ler os poemas que Edith Beale escreveu antes de morrer sozinha na Flórida em 2002 (sua mãe morrera em 1977, dois anos depois do documentário.) Seu corpo seria encontrado cinco dias depois.



Para mim, o documentário foi devastador. Esta foi a reação imediata. Terminei o filme muito triste, pensando em como criaturas fabulosas como estas terminam a vida desta maneira, esquecidas em uma casa tomada pelos ratos, gatos e racoons. Deixou-me num humor totalmente "eclesiastes", numa coisa meio "carpe diem" e "tempus fugit", inflando em minha mente um "Nasce o sol e não dura mais que um dia", um "Nothing golden stays", aquilo que me faz respeitar a moda como a tristeza camuflada do transitório, lembrei-me do que me levou a escrever o poema "Lembrete", que encerra meu primeiro livro, Carta aos anfíbios:
Lembrete
Cruz e Sousa
em vagões de
transporte
de gado.
Paul Celan
nas águas
do Sena.
Frank O’Hara
estirado n’areia.
Christine Lavant
crivada de camas
............e escamas.
Alejandra Pizarnik,
intolerância
a secobarbital.
Carlos Drummond de Andrade
doze dias após a filha.
Pier Paolo
a pau e pedra.
João Cabral de Melo Neto
...............................cego.
Orides Fontela
à beira da indigência.
§
Trata-se de um lembrete para mim mesmo.
§
Ao mesmo tempo, há algo de luminoso nestas duas criaturas. Para descrever a alegria de descobrir este documentário e suas figuras, Big Edie e Little Edie, eu gostaria de citar a própria Little Edie: "I am pulverized by this latest thing."
Pode-se assistir ao documentário no YouTube, infelizmente em 11 partes, AAQQUUII - parte 1 de 11.
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Presente de natal d´O Moço, em ficção científica e poesia
Na véspera de natal, logo após o jantar com amigos, o moço aproximou-se, tirou da mochila o que claramente tinha o formato de um livro e o ergueu, atravessando o ar na direção das minhas mãos. Era The Futurological Congress, de Stanislaw Lem.

O moço é experimentado em ficção científica. Seu escritor favorito é o próprio Stanislaw Lem, que eu conhecia apenas como autor do livro que gerara o grande filme de Tarkovski, Solaris. Sempre soube muito pouco sobre ficção científica, tinha meus preconceitos. O moço explicou, definiu, catalogou. Contou-me dos irmãos Boris e Arkadi Strugazski, de Ursula K. Le Guin (que, descobri mais tarde, escreve belos poemas), do grande Philip K. Dick, que foi colega de quarto de Jack Spicer, sim, o poeta que acreditava que o poeta era apenas um rádio, recebendo sinais de "fora", do que ele mesmo chegou a chamar de "vozes marcianas", colega de quarto do Dick a quem eu geralmente me referia apenas como "o autor do livro que gerou o filme Blade Runner", a partir da obra com aquele título de que eu tanto gosto e do qual o moço não gosta, Do Androids Dream of Electric Sheep?.
Por sua vez, o moço não lia nem gostava de poesia. Tinha lá seus preconceitos. Foi então que expliquei, defini, cataloguei. Falei de Frank O´Hara e do colega de quarto do "seu" querido Philip K. Dick, o "meu" Jack Spicer. O moço ama William Burroughs, leu tudo, mas jamais lera os poemas dos seus companheiros Beats. Mostrei-lhe o Ginsberg que ele "conhecia", mas não havia lido, o próprio Kerouac. Dei-lhe volumes de poemas de Bertolt Brecht, de H.C. Artmann, de Christian Morgenstern, de Hans Arp. Mostrei a ele a tradução para o alemão de poemas de Carlos Drummond de Andrade, de João Cabral de Melo Neto.
Mas a grande surpresa viria com sua descoberta, em minha "biblioteca", dos livros de John Cage com seus poemas. Alugamos documentários em que Cage oralizava seus textos e o moço ficou fascinado. Assistindo aos vídeos de Andrew Culver e Frank Scheffer reunidos em "John Cage: From Zero", o moço exclamou durante uma das leituras de Cage: "Ah! Isto é incrível, isto é ficção científica!"
Teria ficado pasmo com a afirmação, mas conheço o moço há algum tempo e o moço já explicou, definiu, catalogou. Sucintamente, na rua, disse certa vez que o interessante na ficção científica estava na tentativa dos autores de pensar em possíveis maneiras com que a humanidade poderia se desenvolver, analisando suas conseqüências, seja no aconselhamento utópico ou no diagnóstico distópico. Naquele momento, chamar de John Cage de "ficção científica", eu confesso, fez sentido para mim. Aconselhamento utópico, diagnóstico distópico: política, futuro. Nada mais histórico que a ficção científica? Como imaginar nestes termos o "Jetztzeit" de Walter Benjamin, a "agoridade" de Haroldo de Campos?
Desde que conheci o moço, fico querendo escrever um poema-de-ficção-científica para ele. Algo que ele possa ler, gostar. O que seria um poema-de-ficção-científica? Penso em Cage, penso no poema "The Image of the Machine", do George Oppen, com os versos:
The machine stares out,
Stares out
With all its eyes
Thru the glass
With the ripple in it, past the sill
Which is dusty—If there is someone
In the garden!
Outside, and so beautiful.
Algo como as pinturas do alemão Konrad Klapheck?


Tive uma idéia este mês, vejamos se conseguirei agradar o experimentado moço.
§§§
Stupid to say merely
That poets should not lead their lives
Among poets,
They have lost the metaphysical sense
Of the future, they feel themselves
The end of a chain
Of lives, single lives
And we know that lives
Are single
And cannot defend
The metaphysic
On which rest
The boundaries
Of our distances.
We want to say
‘Common sense’
And cannot. We stand on
That denial
Of death that paved the cities,
Paved the cities
Generation
For generation and the pavement
Is filthy as the corridors
Of the police.
George Oppen
in Of Being Numerous, de 1968, ano
em que é lançado 2001: A Space Odyssey, de Stanley Kubrick.
.
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O moço é experimentado em ficção científica. Seu escritor favorito é o próprio Stanislaw Lem, que eu conhecia apenas como autor do livro que gerara o grande filme de Tarkovski, Solaris. Sempre soube muito pouco sobre ficção científica, tinha meus preconceitos. O moço explicou, definiu, catalogou. Contou-me dos irmãos Boris e Arkadi Strugazski, de Ursula K. Le Guin (que, descobri mais tarde, escreve belos poemas), do grande Philip K. Dick, que foi colega de quarto de Jack Spicer, sim, o poeta que acreditava que o poeta era apenas um rádio, recebendo sinais de "fora", do que ele mesmo chegou a chamar de "vozes marcianas", colega de quarto do Dick a quem eu geralmente me referia apenas como "o autor do livro que gerou o filme Blade Runner", a partir da obra com aquele título de que eu tanto gosto e do qual o moço não gosta, Do Androids Dream of Electric Sheep?.
Por sua vez, o moço não lia nem gostava de poesia. Tinha lá seus preconceitos. Foi então que expliquei, defini, cataloguei. Falei de Frank O´Hara e do colega de quarto do "seu" querido Philip K. Dick, o "meu" Jack Spicer. O moço ama William Burroughs, leu tudo, mas jamais lera os poemas dos seus companheiros Beats. Mostrei-lhe o Ginsberg que ele "conhecia", mas não havia lido, o próprio Kerouac. Dei-lhe volumes de poemas de Bertolt Brecht, de H.C. Artmann, de Christian Morgenstern, de Hans Arp. Mostrei a ele a tradução para o alemão de poemas de Carlos Drummond de Andrade, de João Cabral de Melo Neto.
Mas a grande surpresa viria com sua descoberta, em minha "biblioteca", dos livros de John Cage com seus poemas. Alugamos documentários em que Cage oralizava seus textos e o moço ficou fascinado. Assistindo aos vídeos de Andrew Culver e Frank Scheffer reunidos em "John Cage: From Zero", o moço exclamou durante uma das leituras de Cage: "Ah! Isto é incrível, isto é ficção científica!"
Teria ficado pasmo com a afirmação, mas conheço o moço há algum tempo e o moço já explicou, definiu, catalogou. Sucintamente, na rua, disse certa vez que o interessante na ficção científica estava na tentativa dos autores de pensar em possíveis maneiras com que a humanidade poderia se desenvolver, analisando suas conseqüências, seja no aconselhamento utópico ou no diagnóstico distópico. Naquele momento, chamar de John Cage de "ficção científica", eu confesso, fez sentido para mim. Aconselhamento utópico, diagnóstico distópico: política, futuro. Nada mais histórico que a ficção científica? Como imaginar nestes termos o "Jetztzeit" de Walter Benjamin, a "agoridade" de Haroldo de Campos?
Desde que conheci o moço, fico querendo escrever um poema-de-ficção-científica para ele. Algo que ele possa ler, gostar. O que seria um poema-de-ficção-científica? Penso em Cage, penso no poema "The Image of the Machine", do George Oppen, com os versos:
The machine stares out,
Stares out
With all its eyes
Thru the glass
With the ripple in it, past the sill
Which is dusty—If there is someone
In the garden!
Outside, and so beautiful.
Talvez como uma canção do Kraftwerk?
Algo como as pinturas do alemão Konrad Klapheck?


Tive uma idéia este mês, vejamos se conseguirei agradar o experimentado moço.
§§§
Stupid to say merely
That poets should not lead their lives
Among poets,
They have lost the metaphysical sense
Of the future, they feel themselves
The end of a chain
Of lives, single lives
And we know that lives
Are single
And cannot defend
The metaphysic
On which rest
The boundaries
Of our distances.
We want to say
‘Common sense’
And cannot. We stand on
That denial
Of death that paved the cities,
Paved the cities
Generation
For generation and the pavement
Is filthy as the corridors
Of the police.
George Oppen
in Of Being Numerous, de 1968, ano
em que é lançado 2001: A Space Odyssey, de Stanley Kubrick.
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o moço
Robert Creeley - "Xmas Poem: Bolinas"
"Xmas Poem: Bolinas"
All around
the snow
don´t fall.
Come Christmas
we´ll get high
and go find it.
Robert Creeley
Thirty Things (Los Angeles: Black Sparrow Press, 1974)
All around
the snow
don´t fall.
Come Christmas
we´ll get high
and go find it.
Robert Creeley
Thirty Things (Los Angeles: Black Sparrow Press, 1974)
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Anja Plaschg aka Soap & Skin

Sim, elas continuam nascendo, estas criaturas fabulosas e esquisitas, seguem surgindo para contrariar as sereias da catástrofe, os mais jovens aparecem, criam, cantam, escrevem.
Descobri esta senhorita esta semana. A austríaca Anja Plaschg, que se apresenta com o nome Soap & Skin.
Você pode ouvir mais poemas líricos de Anja Plaschg
ou Soap & Skin AAQQUUII
§
§
§
ANJA PLASCHG aka SOAP & SKIN
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
"My vocabulary did this to me."
“Death is not final. Only parking lots.”
Jack Spicer (1925 - 1965)

Ida Hodes, Jack Spicer, Ruth Witt-Diamant & Robert Duncan@ Poetry Center - San Francisco State College, com foto de Allen Ginsberg ao fundo (1957)
"When I praise the sun or any bronze god derived from it
Don’t think I wouldn’t rather praise the very tall blond boy
Who ate all of my potato-chips at the Red Lizard.
It’s just that I won’t see him when I open my eyes
And I will see the sun."
Jack Spicer (1925 - 1965)

Ida Hodes, Jack Spicer, Ruth Witt-Diamant & Robert Duncan@ Poetry Center - San Francisco State College, com foto de Allen Ginsberg ao fundo (1957)
"When I praise the sun or any bronze god derived from it
Don’t think I wouldn’t rather praise the very tall blond boy
Who ate all of my potato-chips at the Red Lizard.
It’s just that I won’t see him when I open my eyes
And I will see the sun."
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Poesia lírica do ano / Lyric poetry of the year
A espera foi longa e valeu a pena. O terceiro álbum de poemas do Portishead (com a poeta lírica Beth Gibbons à frente e os músicos Geoff Barrow e Adrian Utley) foi uma das coisas mais lindas de 2008. Eu vi o concerto deles em Berlim e foi uma noite maravilhosa, com Beth Gibbons sorrindo, cantando seus poemas, interagindo com a platéia como jamais imaginei que faria.
Álbum de poemas líricos do ano: Third, com os textos de Beth Gibbons e os músicos que a acompanham: Portishead.
("Machine Gun", poema lírico de Beth Gibbons, acompanhamento musical do grupo Portishead)
§
Poema lírico do ano: "The Rip", Beth Gibbons e os músicos do Portishead:
Quem torcer o nariz ou estranhar que eu chame o álbum de canções também de "poemas líricos", espero que saiba que um poeta cantando seus poemas, enquanto músicos o acompanham, é algo mais velho que andar para a frente na história da tal da humanidade. O império hegemônico da literatice sobre a poesia plural está acabando, mesmo que juízes-24-horas, professores universitários e diplomatas que escrevem nas horas vagas esperneiem. O engraçado é que mesmo se vistos como "literatura", os textos de Beth Gibbons interessam mais que os de muitos deles. Fala-se tanto em sincronia histórica, enquanto segue-se babando conceitos do século XIX em textos críticos sobre a poesia do século XXI.
Espero que os poetas jovens do país não dêem muitos ouvidos aos cinqüentões que bancam hoje no país as sereias da catástrofe, fel e fortuna que regem bons vizinhos e sibilam augustos a alçar suas pérolas contra a poesia dos mais jovens... mas eles estão apenas cumprindo seu papel histórico de poetas da senilidade. O triste fim de muitos poetas brasileiros após os 50, como já disse Décio Pignatari (que jamais sofreu de senectude precoce). Ao invés de reclamarem tanto sobre prêmios literários que nunca recebem, poderiam usar de forma mais produtiva seus espaços, ainda há centenas de poetas estrangeiros esperando tradução no Brasil.
Eu sei, eu sei... é Natal e eu deveria acalmar-me, seguir acreditando na nova comunidade de poetas surgindo.
Yes we can.
Arnaut Daniel, Bertrand de Born, Beatriz de Diá,
valei-nos! guiai-nos!
Espero ter a sorte de poder,
até o último dia de sopro nos pulmões,
seguir:
escrevendo como e com os outros poetas literários vivos.
oralizando como e com os outros poetas orais vivos.
cantando como e com os outros poetas líricos vivos.
dançando como e com os outros poetas performers vivos.
urrando como e com os outros poetas sonoros vivos.
Quem sabe, aqui e ali, até mesmo um cartaz e mais vídeos,
como e com os outros poetas visuais vivos.
Álbum de poemas líricos do ano: Third, com os textos de Beth Gibbons e os músicos que a acompanham: Portishead.
("Machine Gun", poema lírico de Beth Gibbons, acompanhamento musical do grupo Portishead)
§
Poema lírico do ano: "The Rip", Beth Gibbons e os músicos do Portishead:
Quem torcer o nariz ou estranhar que eu chame o álbum de canções também de "poemas líricos", espero que saiba que um poeta cantando seus poemas, enquanto músicos o acompanham, é algo mais velho que andar para a frente na história da tal da humanidade. O império hegemônico da literatice sobre a poesia plural está acabando, mesmo que juízes-24-horas, professores universitários e diplomatas que escrevem nas horas vagas esperneiem. O engraçado é que mesmo se vistos como "literatura", os textos de Beth Gibbons interessam mais que os de muitos deles. Fala-se tanto em sincronia histórica, enquanto segue-se babando conceitos do século XIX em textos críticos sobre a poesia do século XXI.
Espero que os poetas jovens do país não dêem muitos ouvidos aos cinqüentões que bancam hoje no país as sereias da catástrofe, fel e fortuna que regem bons vizinhos e sibilam augustos a alçar suas pérolas contra a poesia dos mais jovens... mas eles estão apenas cumprindo seu papel histórico de poetas da senilidade. O triste fim de muitos poetas brasileiros após os 50, como já disse Décio Pignatari (que jamais sofreu de senectude precoce). Ao invés de reclamarem tanto sobre prêmios literários que nunca recebem, poderiam usar de forma mais produtiva seus espaços, ainda há centenas de poetas estrangeiros esperando tradução no Brasil.
Eu sei, eu sei... é Natal e eu deveria acalmar-me, seguir acreditando na nova comunidade de poetas surgindo.
Yes we can.
Arnaut Daniel, Bertrand de Born, Beatriz de Diá,
valei-nos! guiai-nos!
Espero ter a sorte de poder,
até o último dia de sopro nos pulmões,
seguir:
escrevendo como e com os outros poetas literários vivos.
oralizando como e com os outros poetas orais vivos.
cantando como e com os outros poetas líricos vivos.
dançando como e com os outros poetas performers vivos.
urrando como e com os outros poetas sonoros vivos.
Quem sabe, aqui e ali, até mesmo um cartaz e mais vídeos,
como e com os outros poetas visuais vivos.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Hit Parade 2008
As duas canções com as quais mais chacoalhei o esqueleto e o cadáver adiado (que não procria) este ano foram, sem dúvida, "Blind" do Hercules and Love Affair (featuring Antony Hegarty) e "Kids" do MGMT. O vocalista do MGMT, o jovem senhor Andrew VanWyngarden, fica aqui também eleito como o mecanismo biodinâmico que mais frequentou o censo de minhas fantasias em 2008. E está dito o necessário sobre entretenimento. Em prol do Movimento "Poetas que sabem dançar".
"Blind", do HERCULES AND LOVE AFFAIR (feat. Antony Hegarty)
§
"Kids", do MGMT (Ben Goldwasser & Andrew VanWyngarden)
§
MECANISMO BIODINÂMICO DO ANO:
ANDREW VANWYNGARDEN
(Nota: Caro sr. VanWyngarden, por ser assim tão formoso, oficializo aqui meu perdão por você ter ajudado a trazer esta onda neohippie às paragens onde resido, espalhando texturas, cores e estampas horrorosas pelas ruas onde sou obrigado a manter os olhos abertos.)


"Blind", do HERCULES AND LOVE AFFAIR (feat. Antony Hegarty)
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"Kids", do MGMT (Ben Goldwasser & Andrew VanWyngarden)
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MECANISMO BIODINÂMICO DO ANO:
ANDREW VANWYNGARDEN
(Nota: Caro sr. VanWyngarden, por ser assim tão formoso, oficializo aqui meu perdão por você ter ajudado a trazer esta onda neohippie às paragens onde resido, espalhando texturas, cores e estampas horrorosas pelas ruas onde sou obrigado a manter os olhos abertos.)


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