Não tenho palavras agora. Morreu Heidsieck.
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domingo, 23 de novembro de 2014
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Enquanto faço esta postagem, Maximin dorme em minha cama, então vão aqui os três poemas já publicados das "Odes a Maximin"
Odes
a Maximin
a
M.
Ora
cansei-me
d´O Moço,
há
o tempo de bajular
e
o tempo de escorraçar
os
fantasmas
dos
natais passados
para
permitir-me
deixar-me
encurralar
por
outros
e
dessarte inicio
esta
celebração
do
bendito
menino
filantropo
que
passo a chamar
de
Maximin.
1.
Texto
para o menino que por vezes me visita, quando se cansa de meninas, e
que doravante chamarei de Maximin, como se este fosse o último
bilhete de Heliogábalo a Hierócles
Como o sol que incha e cresce,
Maximin, são teus
a pujança, o tônus e a tesura.
a pujança, o tônus e a tesura.
Quem-me-dera
pudesse dar-te
todos
os dias
o
que é digno de tua condição
cesariana,
ou fosse eu a carruagem
conduzida
por tua potência
equina,
oxalá
eu
o cavalo que montas
com
maestria, charioteer,
eu,
tua cheerleader,
que vivo
da
caridade do teu epidídimo,
ora
deixa-me
descansar
o pescoço
extenuado
sobre teu corpo
esponjoso,
meu cabelo
confundindo-se
com teus parcos
pelos
púbicos, já quase públicos,
Maximin,
tanta é a segurança
com
que te exibes no mercado
e
na ágora, maximiza-me
em
tua perene intermitência,
diariza
tuas doações
tão
fluidas sobre meu rosto,
je
vien, tu viens,
então
vem e quebra
com
teus sucos
meu
jejum, Maximin,
minimiza
minha idade,
mexe-me
contigo em mim,
tantas
são, miríade,
as
posições possíveis
entre
cavalgadura
e
montaria, Maximin,
machuca-me
à
prostrada, naquele pontículo
entre
delícia e cicatriz,
pois
os cães pretorianos
já
se aproximam
para
arrastar-me aos gritos
desse
trono que usurpo
quando
te cansas do vúlveo
e
escalamos a torre de marfim,
mas
ainda assim trono
onde
se crê que alguma menina
melhor
sentaria,
Maximin,
e já sabemos
qual
será nosso fim.
2.
Texto
em que o poeta quer deitar Maximin num diwan e cantá-lo feito um
místico árabe, quando então se lembra da ascendência do divino
rapaz
Filho
de berberes e alemães
graças
à fuzarca abençoada
de
corpos após a Queda
do
Muro, me disseste
que
foste o mais perfeito
bebê
da maternidade
de
tua mãe, a generosa.
Eu
creio e sou devoto.
Não
sei se necessário
um
começo perfeito
para
teu óbvio sucesso,
agora,
no pleito.
Seria
prudente comparar-te,
seguindo
a antiga arte
dos
meus colegas árabes,
tal
Muhammad
al-Nawaji
ou
meu caro Abunuwasi,
e
afirmar de gazela
as
tuas pernas
tão
firmes, estáveis?
Seria
cometer uma gafe
etnográfica,
se entoasse
em
cantares dos cantares,
tal
um árabe, a tua púbere
belezura
berbere?
Tudo
o que sei
é
que, se não vens,
sou
um mero magrelo
a
atravessar feito camelo
o
Magrebe.
Maximin,
ademais,
nos
ademanes
da
minha nomenclatura
mais
que científica
dos
corpos do teu gênero,
dividindo
rapazes
entre
touros, leões e cavalos,
sempre
te considero espécime
ideal
das pujanças taurinas,
teu
torso e teus ombros
que
seriam edredão fácil
de
tão largo
ainda
que não mui macio,
sobre
todo o meu corpo
raquítico
e geriátrico,
como
esses teus membros
de
tronco de carvalho
que
frequente
me
deixam em estado
de
Salix
babylonica.
Tua
inteligência de cão
de
rua, a forma das mãos
com
que nos manipulas
fácil
pela lente do desejo
que
distorce tudo, fazem-te
mais
perigoso que o coice
de
cavalo, a garra do leão
e
todos os chifres de touro,
como
este que carregas
nas
tuas calças
largas
de skatista.
És
um tanto sádico.
Maximin,
queria beber
apenas
uma vez mais
teu
suor e saliva e sêmen
de
berbere
escorrendo
de tua pele
de
bebê.
Quando?
Onde?
Ainda
não te cansaste
daquela
caverna escura?
Escalemos
o pico nevado.
Vamos
comer sushi
diante
de um Fuji
falsificado
de Hokusai
nos
restaurantes
dos
imigrantes
dessa
tua cidade.
Sou
meteco,
não
grego,
são
esparsos
os
meus privilégios
e
minhas bulbouretrais
já
se cansam do estado,
como
em Kanagawa,
das
grandes ondas.
Devo
gritar dos telhados
in
a barbaric yawp
teu
verdadeiro nome?
Confesso
que ainda
não
ouso a entrega
ao
mundo de tua alcunha
oficial
de batismo,
apenas
este, Maximin,
pois
temo tua concubina,
essa
ninfeta com sangue
de
valquíria, os genes
de
nibelungos, o gênio
de
Wagner.
3.
Texto
em que o poeta celebra a língua e a sintaxe de Maximin
Não
me importaria se tão-só
de
plosivas vivesse o homem,
Maximin,
desde que se oponham
apenas
temporários
os
obstáculos
de
tua língua, corpo e lábios,
aproximantes
para sempre
até
mesmo as vogais,
quiçá
gerando nova família,
a
das penetrantes,
que
consistiria em is e Os
para
todos os vocábulos
a
cossoar de nós,
pois
eu temo
que
antes cedo
do
que tarde
todos
os teus textos
serão
para me caçoar,
quisera
antes nunca
do
que agora,
já
que velo por teu palato,
Maximin,
todos os teus
dons
bilabiais,
dá-me
hoje pois as fricativas
que
me cabem
pelo
canal estreito
de
nossos articuladores,
eu
aspiro estridente
como
uma jiboia
de
repente sibilante,
vem
e faz de minha úvula,
se
não possuo o anagrama,
a
tua única
superfície
de shadowboxer,
quero
ser o véu que cobre
os
teus alvéolos, pulmônico
após
brincar de balanço
em
tuas cordas vocais,
ameaço
quedar-me implosiva
nesta
subnutrição minha
de
cada dia
se
não ejaculas meu desjejum,
é
preciso que entendas
causas
e consequências,
ainda
que o registro
da
História insista
em
coordenadas assindéticas,
vamos
doar ao mundo
muitas
copulativas,
larga
mão, Maximin, de ser
tão
adversativo,
aproxima-te
e explica
antes
de concluir
que
minha carcaça
é
um destroço disjuntivo,
olha
como exiges,
todo
imperativo,
ou
ou, ora ora,
quer
quer, já já,
seja
seja, nem nem,
ai
ai, nesta gaiola, meu habitat,
que
me resta
senão
ler Cage
e
celebrar feito música
os
teus sons e teus ruídos?
Eu
sou nesta nossa concha
como
uma ostra nanica,
por
isso quiçá tudo que dizes
é-me
razão de ostranenie
e
dessarte divinizo-te,
pelos
séculos dos segundos,
para
ser possuído por deuses,
tornando
entusiasmante
esse
meu coitado cotidiano.
§
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terça-feira, 11 de novembro de 2014
Julian Feitsma a.k.a. Berliner Kinder - "Place vs Time" (2014)
Julian Feitsma a.k.a. Berliner Kinder - "Place vs Time" (2014)
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música para os meus ouvidos
domingo, 9 de novembro de 2014
Alguns músicos alemães que conheço (1989 - agora)
No aniversário de 25 anos da Queda do Muro de Berlim, alguns amigos que nasceram no dito ano e de lá para cá. Meu jeito de celebrar a efeméride. São pessoas o que importa.
Markus Nikolaus (n. 1989)
Projetos: Cunt Cunt Chanel (solo), The Waves & Us (com Maayan Nidam & Louis McGuire), Us (com Louis McGuire) e Lea Porcelain (com Julien Bracht). Lança seus trabalhos com os selos Wolf + Lamb, Trust e Suena Hermosa.
§
Felix Rupprecht (n. 1989)
Projetos: Drumspoke (solo).
§
Bryan Kessler (n. 1991)
Projetos: Bryan Kessler (solo), The Pollywogs (banda). Lança com os selos tro, Kompakt.
§
Julien Bracht (n. 1991)
Projetos: Julien Bracht (solo), Lea Porcelain (com Markus Nikolaus). Dirige o selo Trust. Lança com os selos Coccoon e Trust.
§
Alexander Einetter (n. 1992)
Projetos: Alexander Einetter (solo), O'ld Dog (com Diego Magalhães). Dirige e lança pelo selo Low Money Love Music.
§
Ludwig Roehrscheid (n. 1995)
Projeto solo. Lança com o selo Dora Brilliant.
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Vesgo em Vigo, atendo meu amigo
1
Aqui em Vigo,
eu meço o nível:
chega já o dilúvio.
Aprendamos hinos
como nos códices
de Martim Codax e
do rei-cantor, Dinis.
Afundaremos mais
juntinhos, e felizes.
2
Deixa-os querer ser Pounds,
deixa-os querer ser Virgílios.
Cantarei como Meendinho
o teu mindinho e o teu pau.
Com Codax, aqui, em Vigo,
espero como Dom Dinis
venha o amigo, sano e vivo,
venha o amado, vivo e sano.
Cadê as flores, cadê as flores
do seco pinho?
Cadê as flores, cadê as flores
do seco ramo?
3.
Temo
aqui na ermida
de San Simion
as ondas
enquanto atendo
meu amigo.
Que me
cerquem
em breve
teus braços,
ó Moço,
que também
grandes son!
4.
Não vê o amado
que, de um lado,
secou-se a água,
camará, potável?
Não ouve o amigo
como sobe o nível
dos mares salinos?
És surdo, querido?
Já está quase submersa Vigo.
Serás um dos escafandristas?
Façamos como os pinguins
que memorizam os timbres
dos seus parceiros
e os acham no gelo.
Há-de servir-nos enfim
na secura do deserto.
5.
É-me chegad´um fax
por meu colega Codax,
há voltado meu amigo.
E irey, madr' ao Berlimbo!
É-me chegad´um tuitaço
do meu colega Meendinho,
há voltado meu amado.
E irey, madr' ao Berlimbo!
6.
És um bárbaro não-latino
nesse degelo sem pinguins,
então, repete só, comigo,
e reconhecerei teus timbres:
"Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo?
Ei ai Deus! Se verra cedo?
Ondas do mar levado, se vistes meu amado?
Ei ai Deus! Se verra cedo?
Se vistes meu amigo, o por que eu sospiro?
Ei ai Deus! Se verra cedo?
Se vistes meu amado, o por que ei gran coidado?
Ei ai Deus! Se verra cedo?"
.
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Aqui em Vigo,
eu meço o nível:
chega já o dilúvio.
Aprendamos hinos
como nos códices
de Martim Codax e
do rei-cantor, Dinis.
Afundaremos mais
juntinhos, e felizes.
2
Deixa-os querer ser Pounds,
deixa-os querer ser Virgílios.
Cantarei como Meendinho
o teu mindinho e o teu pau.
Com Codax, aqui, em Vigo,
espero como Dom Dinis
venha o amigo, sano e vivo,
venha o amado, vivo e sano.
Cadê as flores, cadê as flores
do seco pinho?
Cadê as flores, cadê as flores
do seco ramo?
3.
Temo
aqui na ermida
de San Simion
as ondas
enquanto atendo
meu amigo.
Que me
cerquem
em breve
teus braços,
ó Moço,
que também
grandes son!
4.
Não vê o amado
que, de um lado,
secou-se a água,
camará, potável?
Não ouve o amigo
como sobe o nível
dos mares salinos?
És surdo, querido?
Já está quase submersa Vigo.
Serás um dos escafandristas?
Façamos como os pinguins
que memorizam os timbres
dos seus parceiros
e os acham no gelo.
Há-de servir-nos enfim
na secura do deserto.
5.
É-me chegad´um fax
por meu colega Codax,
há voltado meu amigo.
E irey, madr' ao Berlimbo!
É-me chegad´um tuitaço
do meu colega Meendinho,
há voltado meu amado.
E irey, madr' ao Berlimbo!
6.
És um bárbaro não-latino
nesse degelo sem pinguins,
então, repete só, comigo,
e reconhecerei teus timbres:
"Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo?
Ei ai Deus! Se verra cedo?
Ondas do mar levado, se vistes meu amado?
Ei ai Deus! Se verra cedo?
Se vistes meu amigo, o por que eu sospiro?
Ei ai Deus! Se verra cedo?
Se vistes meu amado, o por que ei gran coidado?
Ei ai Deus! Se verra cedo?"
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014
#DesarquivandoBR: "Quede Qaddish" : ao vivo na Cidade do México, com Anika: pelos desaparecidos
Na noite de 24 de outubro, fiz uma performance na Cidade do México a convite do programa Resistencia Modulada, da Rádio UNAM, e apresentei minha peça "Quede Qaddish" pelos desaparecidos políticos. Juntou-se a mim no palco, fazendo uma intervenção na peça, a produtora, poeta e cantora britânica Annika Henderson, mais conhecida como Anika. A peça foi originalmente preparada para uma performance no programa paralelo da retrospectiva de Hélio Oiticica no Museu de Arte Moderna de Frankfurt. Trata-se de uma colaboração com meu parceiro alemão Markus Nikolaus: um poema simples seguido da lista de desaparecidos da Ditadura - lista à qual incluí nomes como o de Amarildo de Souza e Oziel Gabriel. Nesta décima blogagem coletiva do DesarquivandoBR, contribuo com o vídeo da performance.
Quede Qaddish
O corpo
também é penetrável.
Bala, eletrochoque,
rato, faca.
O corpo
também é flexível.
Forca, cadeira do dragão,
geladeira, pau-de-arara.
O corpo
também é irrastreável.
Vala comum, deserto,
Oceano Atlântico.
O corpo
também é catalogável.
Arquivos do Exército,
Marinha, Aeronáutica.
Lista de chamada:
Dilma Rousseff, presente.
Ausentes:
Adriano Fonseca Filho
Aluísio Palhano Pedreira Ferreira
Amarildo de Souza
Ana Rosa Kucinski Silva
André Grabois
Antônio ´Alfaiate´
Antônio Alfredo Campos
Antônio Carlos Monteiro Teixeira
Antônio de Pádua Costa
Antônio dos Três Reis Oliveira
Antônio Guilherme Ribeiro Ribas
Antônio Joaquim Machado
Antônio Teodoro de Castro
Arildo Valadão
Armando Teixeira Frutuoso
Áurea Eliza Pereira Valadão
Aurino Pereira dos Santos Pataxó Hã-Hã-Hãe
Aylton Adalberto Mortati
Bergson Gurjão Farias
Caiupy Alves de Castro
Carlos Alberto Soares de Freitas
Celso Gilberto de Oliveira
Celso Rodrigues Guarani-Kaiowá
Chico Mendes
Cilon da Cunha Brun
Ciro Flávio Salasar Oliveira
Cláudia Silva Ferreira
Custódio Saraiva Neto
Daniel José de Carvalho
Daniel Ribeiro Callado
David Capistrano da Costa
Dênis Casemiro
Dermeval da Silva Pereira
Dinaelza Soares Santana Coqueiro
Dinalva Oliveira Teixeira
Divino Ferreira de Sousa
Dorothy Stang
Durvalino de Souza
Edgard Aquino Duarte
Edmur Péricles Camargo
Eduardo Collier Filho
Elmo Corrêa
Elson Costa
Enrique Ernesto Ruggia
Ezequias Bezerra da Rocha
Félix Escobar Sobrinho
Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira
Francisco Manoel Chaves
Galdino Jesus dos Santos
Gilberto Olímpio Maria
Guilherme Gomes Lund
Heleni Telles Ferreira Guariba
Helenira Rezende de Souza Nazareth
Hélio Luiz Navarro de Magalhães
Hiran de Lima Pereira
Honestino Monteiro Guimarães
Idalísio Soares Aranha Filho
Ieda Santos Delgado
Isis Dias de Oliveira
Issami Nakamura Okano
Ivan Mota Dias
Jacinto Rodrigues Pataxó Hã-Hã-Hãe
Jaime Petit da Silva
Jana Moroni Barroso
Jayme Amorim Miranda
João Alfredo Dias
João Batista Rita
João Carlos Haas Sobrinho
João Cravim Pataxó Hã-Hã-Hãe
João Gualberto Calatroni
João Leonardo da Silva Rocha
João Massena Melo
Joaquim Pires Cerveira
Joaquinzão
Joel José de Carvalho
Joel Vasconcelos Santos
Jorge Leal Gonçalves Pereira
Jorge Oscar Adur (Padre)
José Humberto Bronca
José de Jesus Silva Pataxó Hã-Hã-Hãe
José Lavechia
José Lima Piauhy Dourado
José Maria Ferreira Araújo
José Maurílio Patrício
José Montenegro de Lima
José Pereira Pataxó Hã-Hã-Hãe
José Porfírio de Souza
José Roman
José Toledo de Oliveira
Kleber Lemos da Silva
Libero Giancarlo Castiglia
Lourival de Moura Paulino
Lúcia Maria de Sousa
Lúcio Petit da Silva
Luís Almeida Araújo
Luís Eurico Tejera Lisboa
Luís Inácio Maranhão Filho
Luiz René Silveira e Silva
Luiz Vieira de Almeida
Luíza Augusta Garlippe
Manuel José Nurchis
Marcos Veron Guarani
Márcio Beck Machado
Marco Antônio Dias Batista
Marcos José de Lima
Maria Augusta Thomaz
Maria Célia Corrêa
Maria Lúcia Petit da Silva
Mariano Joaquim da Silva
Mario Alves de Souza Vieira
Maurício Grabois
Miguel Pereira dos Santos
Nelson de Lima Piauhy Dourado
Nestor Veras
Norberto Armando Habeger
Onofre Pinto
Orlando da Silva Rosa Bonfim Júnior
Orlando Momente
Oziel Gabriel
Paulo César Botelho Massa
Paulo Costa Ribeiro Bastos
Paulo de Tarso Celestino da Silva
Paulo Mendes Rodrigues
Paulo Roberto Pereira Marques
Paulo Stuart Wright
Pedro Alexandrino de Oliveira Filho
Pedro Carretel
Pedro Inácio de Araújo
Ramires Maranhão do Vale
Rodolfo de Carvalho Troiano
Rosalindo Souza
Rubens Beirodt Paiva
Ruy Carlos Vieira Berbert
Ruy Frazão Soares
Sérgio Landulfo Furtado
Stuart Edgar Angel Jones
Suely Yumiko Kamayana
Telma Regina Cordeiro Corrêa
Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto
Tobias Pereira Júnior
Uirassu de Assis Batista
Umberto Albuquerque Câmara Neto
Vandick Reidner Pereira Coqueiro
Virgílio Gomes da Silva
Vitorino Alves Moitinho
Walquíria Afonso Costa
Wálter de Souza Ribeiro
Wálter Ribeiro Novaes
Wilson Silva
O corpo
também é penetrável.
Bala, eletrochoque,
rato, faca.
O corpo
também é flexível.
Forca, cadeira do dragão,
geladeira, pau-de-arara.
O corpo
também é irrastreável.
Vala comum, deserto,
Oceano Atlântico.
O corpo
também é catalogável.
Arquivos do Exército,
Marinha, Aeronáutica.
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domingo, 26 de outubro de 2014
La Cochinísima
Una bromita para mis amigos mexicanos, en especial a Luis Felipe Fabre.
La Cochinísima
A algunas las llaman Agrado
a otras más desdichadas e infelices
sus mamás muy católicas
les ponen Martírios o Remédios
a otras más les ponen nombres
anglosajones latinizados
y ridículos como Ricardo
yo soy La Cochinísima
la que come camarones
comenzando por las cabezas
la que bautiza sus entrañas
todas las mañanas
con un clamato ardiente y picante
para que se queme por dentro
por respeto al infierno que trae
en sí misma
No me digan querida cariño o señora
yo soy La Cochinísima
la que camina por el Zócalo
toda de negro desde la cabeza
hasta la punta de la cola
por respeto al luto de sus abandonos
a la que le dicen pollo y oye polla
a la que le dicen hoja y oye polla
a la que le dicen Chapultepec y oye polla
si la invitan a cenar a sus casas
sin duda encontrará a quien comerse
en el sótano
un colchón cualquiera le sirve
a La Cochinísima
para hacer sus amores eternos
de cinco minutos
no le mires los ojos mucho tiempo
no porque sea una Medusa cualquiera
sino porque mientras miras su carota
La Cochinísima mide tu nariz
para adivinar otras simetrías anatómicas
no la envíes a un claustro
como a Sor Juana Inés de la Cruz
porque sin duda convertirá a las monjas
en putas delincuentes
yo soy Sor Cochana Penes de la Luz
una santa de matadero y carnicero
o mejor La Cochinísima
la que conoce la hidrografía del cuerpo
en todos sus fluidos
sus géiseres manantiales y cascadas
la que recorre el mundo
cantando sus cancioncitas
idiotas y cochinas
y catalogando los fenotipos del XY
la que vino para educarse a si misma
y entretener a las masas
o será al contrário?
ya no lo sé
aquí estoy a tu servicio
me llaman La Cochinísima
porque toda mi vida
sólo quise ensuciarte a tí
con lo que produzco en mí
que otros machos tontos lleven vírgenes
a los vergeles
a mí me sirven los mataderos
donde mis hermanas sagradas
berrean y chillan a la hora
de su muerte
y entonces mueren
muy dulces y mansas
para que vosotros os proteinicéis
yo soy la Prometéica
la que ha prometido
donar calor a los hombres
será por eso que me duele el hígado
todas las mañanas?
§
20 de octubre de 2014.
Ciudad de México, en una cafeteria de la Avenida Isabel la Católica.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Texto em que o poeta deixa de fingir dores que deveras sente e passa a folclorizá-las, em pleno México, no trigésimo aniversário d'O Moço
Moço,
hoje você completa
trinta anos. Tem a idade
de uma guerra
que acaba. Ontem,
em Coyoacán,
na casa de Rivera e Kahlo,
quisera dizer a você,
tal um árabe: Ya'aburnee.
Mas já estou morto
e enterrado.
Encontro-me onde
me perco, nesse bairro
que tem por nome
“lugar de lobos”,
Moço, lobos.
Eis-me no México,
todo barroco,
rememorando destroços.
Pensei no poema
de Mayröcker,
“Wolf wie ein Wolf”,
e também cá estou,
lobo como um lobo,
corcunda em Coyoacán,
“peso peludo suspenso”.
Eros homini lupus est.
Sobre a mesa: Sor Juana,
café e os cigarros.
No peito, o mesmo pigarro,
a mesma noz na garganta.
Há guerras que acabam,
outras que duram tanto,
como aquela de cem anos,
e creio que eu também, fiel
a um código anacrônico
de honra, caí em Agincourt,
numa saraivada de flechas.
Virá um João D´Arc
garantir minha vitória?
Faça o favor, alguém
espanque ou achincalhe
esse cupido puto.
Ele merece há séculos
uma boa surra.
Sor Juana sussurra
“sólo los celos ignoran
fábricas de fingimientos”
Cansei-me de fingir dores,
Moço, sinta-as ou não de feras,
agora quero folclorizá-las.
De poncho, canto
como Los Panchos:
"Lo dudo, lo dudo..."
É mais um exemplo
dos meus excessos,
que tanto o molestam,
quando hoje bastaria
um Feliz Aniversário.
Então, retrato-me
do poema acima
e digo apenas:
Feliz aniversário.
Espero que o outro
o tome hoje
nos braços
com amor redobrado.
Esse mesmo,
que com ele
comparto.
§
Cidade do México, 17 de outubro de 2014.
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Nova colaboração com Markus Nikolaus - "The Barbarian Invasions"
Domeneck & Nikolaus - "The Barbarian Invasions"
Text & voice: Ricardo Domeneck / Music: Markus Nikolaus
The
barbarian invasions
inhabitant
of your
hair
a structure
of
smells and voice
a
skin of one´s own
like
a membrane
admitting
no
osmosis
no traffic
open
and close
your
hands fingers
as
your most expensive
travelling
equipment
your
mouth moisture
the
only liquid allowed
past
airport security
species
genus family
order
class phylum
kingdom
domain
father
not
in heaven plays
the
census of gender
according
to method
of
reproduction
mother
like
a virgin plays
the
large machinery
producing
milk & other
secretive
secretions
both
perform
the
monthly
waste
of fluids
erecting
a wall
of
china for dinner
as
birthright a syntax
to
obey & a dictionary
to
quote
from
all said and done
if
a border is the largest
organ
of a country
migrate
with migraine
nomadic
in oblivion
for
the manifold
stations
of distance
the
place you left
ends
as the finish
line
of the race
for
your body
displacement
cross
an ocean
“in
search
of
the miraculous”
from
ex-pariah
to
expatriate
in
the high culture
&
haute couture
of
new centripetal masters
watch
the orgy of hosts
and
guests and say: “far
from
me
to
interfere with the interior
design
of your wholly
homogeneous
country”
still
the only
travel
guide: leave
and
lose door
keys
and the house
all
names and the lovers
attached
to the names
a
city a river a familiar
arrangement
of trees
design
build remodel
your
cave your castle
a
shell a solace bunker
with
the skin you shed
with
the hair you seed
and
grow and reap
from
your body
no
exile is feasible
pack
your bones
and
leave home
with
the attitude
of
the first visigoth
at
the gates of rome
.
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domeneck & nikolaus,
markus nikolaus,
poemas,
poesia sonora
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Khunashtar-ool Oorzhak (1932 - 1993)
Khunashtar-ool Oorzhak foi um khoomeizhi de Tuva, nascido na vila de Mungash-Ak em 1932. Um khoomeizhi é um artista vocal do khoomei, um dos estilos e práticas do canto gutural de Tuva. A cena acima foi extraída de um documentário de Werner Herzog, bells from the deep: faith and superstition in russia (1993).
Agradeço a Eduardo Sterzi, que postou o vídeo nas redes sociais.
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Marcadores:
Khunashtar-ool Oorzhak,
poesia oral
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