Mostrando postagens com marcador documentário e política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador documentário e política. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

"Incident at Oglala" (1992), documentário de Michael Apted



On June 26, 1975, during a period of high tensions on the Pine Ridge reservation in South Dakota, two FBI agents were killed in a shootout with a group of Indians. Although several men were charged with killing the agents, only one, Leonard Peltier, was found guilty. This film describes the events surrounding the shootout and suggests that Peltier was unjustly convicted. 

.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Outras vozes que nos faltam mas ainda nos acusam: Glauber Rocha





Tento imaginar em vertigem o que Glauber Rocha poderia estar fazendo hoje por nós se não houvesse sido desintegrado ("I saw the best minds of my generation destroyed by madness starving hysterical naked" ad infinitum) pelo infante mutante a grunhir e babar ácido-Alien pela boca e feridas entre as grades do Berço Esplêndido, suas mãozinhas já tão rechonchudas por sua gulodice canibal,  a República Punitiva do Brasil não espera que lhe abram alas. O facão sempre esteve em sua mão. Glauber Rocha nasceu em 1939 e poderia estar agora mesmo produzindo em algébrico auge aos 73 anos de idade. Se Jakobson percebeu que sua geração jamais seria perdoada pelo massacre iniciado com a morte absurda de Blok e coroando-se em sarças com a de Maiakóvski – a morte que ele especificamente vociferou como acusação naquele brilhante documento contra a destruição das melhores mentes de uma folha de calendário, seu A Geração que Desperdiçou seus Poetas, – a morte de Glauber Rocha certamente pesa em pêndulo feito foice sobre a cabeça da geração que nos legou a Trans(ai)ção Democrática. Que José Sarney ainda consuma parte do nosso oxigênio e tenha Fundação em seu nome paga com dinheiro público, enquanto o Glauber Rocha de Maranhão 66 já não seja mais sequer por desventura ossos, é apenas uma figura (como na teologia cristã) para o descalabro de nossa miséria. Não é irônico, como alguns diriam exultando-se no hackneyed-clichê, é demasiado literal. Brasileiros rebolam e sambam sobre sua própria carniça para espantar as moscas. Ouvir a frase-de-efeito ::: Desenvolvimento Sustentável ::: quando tal desenvolvimento em sua base não permite o Sustento a todos e ainda destrói o sustento dos que o têm, mostra-nos não como perdemos o bonde da História, mas como parecemos conduzí-lo. Se Josué de Castro escreveu que o mundo divide-se entre os que não comem e os que não dormem, com medo da revolta dos que não comem, a democracia contemporânea já garantiu o sonífero para todos. Quem dorme não tem fome. Quem não tem pão, que cace seu ansiolítico. Nós, poetas, já estamos dormindo.




 

 §
 

 §

 

 §


.
.
.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A falta que faz uma voz: dentro de um quadro pintado por Anonymous Porsche. Dedicado a Milton Santos



O Brasil, copiando sempre bem o Mundo, parece invariavelmente caminhar à beira do abismo. Pelo menos, certamente desde a Invasão Portuguesa e o genocídio que desencadeou, permitindo-nos falar agora deste conjunto de crimes com nome luzidio. À beira do abismo? Para muitos dos povos que viviam neste território, que hoje chamamos com pompa de República Federativa do Brasil, o fim do mundo já ocorreu há séculos. Um apocalipse de matança, doença (nossos pais inventaram a Guerra Biológica), tortura e escravidão que faria inveja a Hieronymus Bosch, este que tampouco vislumbrou nosso próprio Inferno hodierno, que melhor seria pintado por um possível Anonymous Porsche. A cada época, o seu terror. A nossa parece carregar o tom cínico que a pinta como puro progresso e desenvolvimento. Mas às custas de quem? De quantos? Será possível que certos canastrões do Futurismo eram mais que falsos profetas? Neste momento que parece crucial para a possível (des)instituição de uma verdadeira democracia no país; com os atos de um Governo Federal cego à destruição que está disposto a fazer sobrecair sobre povos que sobreviveram aos sucessivos apocalipses impingidos desde Lisboa, o Rio de Janeiro e agora Brasília; em atas e atos que deveriam ser inexprimíveis em seu horror e ainda assim encontram aconchego na mais burocrática e falsamente jurídica das linguagens a sair da pena dos detentores do poder judicial, legislativo, executivo e midiático nesta nossa República pós-imperial de aberrações; neste momento, nesta noite, sem saber sequer entoar um canto de guerra numa língua resistente, eu-preso a línguas colonialistas que foram usadas para tanto horror neste território ao qual ora me dirijo; eu-preso volto-me à falta que certas mulheres e homens nos fazem, mortos; insistindo porém que não se trata de glorificação do passado, pois bem sei que ainda há mulheres e homens pensando e agindo no País, e sabendo que o discurso crítico corrente, de que os grandes já estão mortos, não passa de estratégia para silenciar o pensamento dos vivos; mas hoje, com um desespero legítimo ao ler e reler textos sobre esta coisa a que foi dado o nome de Belo Monte e no qual reconheço veramente apenas o pico do iceberg ou quiçá sintoma avançado de uma distopia infernal; aqui, agora, eu peço licença aos leitores deste espaço para dedicar esta página e este momento à voz de um homem que nos deixou, e peço que façam esta dádiva a suas próprias mentes, dando um pouco do seu tempo esta noite à voz que carrega seu pensamento, o de Milton Santos, em um dos vídeos abaixo.



"Globalização: O Mundo Visto do Lado de Cá", de Silvio Tendler, com Milton Santos. 

 §

   

.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

"Belo Monte, anúncio de uma guerra", filme na íntegra.



Belo Monte, anúncio de uma guerra (2012), financiado pelo público. Direção de André D´Elia.
Implora-se que se o espalhe, ou não se volte mais a este espaço.



 

.
.
.

terça-feira, 3 de abril de 2012

"O Dia que Durou 21 anos", documentário de Camilo Tavares.

Documentário O Dia que Durou 21 anos, que apresenta os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no Golpe Militar de 1964. Uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares.








.
.
.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O impressionante filme de Semion Aranovich sobre a poeta russa Anna Akhmátova

Descobri e assisti ontem à noite ao (realmente excelente) filme The Anna Akhmátova File (1989), do diretor e documentarista soviético Semion Aranovich (1934 - 1995).

Recentemente disponibilizado de forma integral na Rede, The Anna Akhmatova File (1989) segue a vida, obra e conturbadíssimo contexto histórico da poeta russo-ucraniana, autora de Anno Domini MCMXXI e Réquiem. O filme traz fotos e raras cenas da própria poeta, de seu primeiro marido, o também poeta Nikolai Gumiliov (fuzilado em 1921 sob acusação de ser um contra-revolucionário), seus grandes amigos e poetas Alexander Blok (1880 - 1921) e Ossip Mandelshtam (1891 - 1938), discute sua relação e admiração por Boris Pasternak (1890 - 1960), Marina Tsvetáieva e Alexander Soljenítsin (1918 – 2008)), com leituras de seus poemas e diários, justapostos de forma perturbadora a cenas de discursos (e até mesmo descontração) de Joseph Stálin (1878 - 1953) e Nikita Khrushchev (1894 - 1971).

The Anna Akhmatova File foi primeiramente proibido. Com 65 minutos de duração, é competentíssimo ao usar apenas trechos de poemas e diários da Akhmátova, unidos a cenas marcantes da vida russa durante sua existência marcada por tragédias históricas, para criar um retrato tocante e perturbador sobre o destino dos escritores russos durante a Era Soviética.

The Anna Akhmatova File (1989), filme ::: completo ::: de Semion Aranovich (1934 - 1995).

§

de Réquiem (1935 - 1940)

Era no tempo em que só um morto,
contente por estar em paz, sorria.
Como peso morto, Leninegrado
dependurava-se das enxovias.
E quando legiões de condenados
já marchavam loucos e aflitos
e as locomotivas já soltavam
os apitos do breve canto do adeus,
sobre nós gelavam estrelas de morte
e a Rússia inocente se contorcia
sob as cardas de ensanguentadas botas,
sob as rodas negras dos carros sombrios.


Anna Akhmátova,
tradução de Arlindo Correia

§

Anna Akhmátova nasceu a 23 de junho de 1889 em Odessa, então ainda Império Russo, hoje Ucrânia. Com seu primeiro marido, o poeta Nikolai Gumiliov (1886 – 1921), Serguei Gorodetski (1884 – 1967) e ainda Ossip Mandelshtam (1891 - 1938), formou o grupo de vanguarda dos Acmeístas, ligado à tradição do simbolismo russo, em especial à obra de Alexander Blok (1880 - 1921), apenas cerca de uma década mais velho que eles. Anna Akhmátova estreou em livro com Vecher ("Noite"), em 1912, seguido de Chetki ("Rosário") em 1914. O início da Grande Guerra (1914 - 1918), da Revolução Russa (1917) e dos terríveis anos de Guerra Civil (1918 - 1922) põem fim à chamada Era de Prata da Poesia Russa. Alexander Blok adoece e, necessitando de tratamento fora do país, morre a 7 de agosto de 1921 à espera da permissão do governo para viajar, concedida 10 dias depois de sua morte; Nikolai Gumiliov é fuzilado poucos dias depois como contra-revolucionário; Akhmátova e Mandelshtam, considerados poetas "aristocráticos e incompreensíveis para as massas", têm cada vez mais dificuldade de publicar, até que Mandelshtam é preso e condenado a trabalhos forçados no Gulag (mesmo destino de Liev Gumiliov, filho de Akhmátova com o poeta Nikolai Gumiliov), acontecimentos que encontrariam seu memorial em livros de Akhmátova como Anno Domini MCMXXI (1921) e Réquiem, escrito entre 1935 e 1940.

§

Semyon Aranovich nasceu a 23 de julho de 1934, em Derazhnya, na União Soviética. Dirigiu, além deste O Arquivo Anna Akhmátova (1989), outros documentários como Sonata para Viola de Dmitri Shostakovitch (1981) e O Guarda-Costas de Stálin (1990). O diretor morreu em 1995, na Ucrânia.

§


Anna Akhmátova (1889 - 1966)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Valsa com Bashir

Assisti este fim-de-semana ao documentário em animação do israelense Ari Folman, chamado Valsa com Bashir (2008). Talvez seja a melhor animação que tenha visto, minha preferida, pelo menos. Centrada na invasão do Líbano por Israel em 1982, após o assassinato de Bashir Gemayel, o presidente eleito e líder das Falanges Libanesas, o diretor Ari Folman, que estava entre as Forças de Defesa de Israel a invadirem Beirute em setembro de 1982, passa a entrevistar ex-colegas para descobrir onde estava na noite dos massacres nos campos de refugiados palestinos, chamados Sabra e Shatila, perpetrados pelos falangistas cristãos, como vingança contra o assassinato de Bashir Gemayel, com a anuência do Governo de Israel.

A escolha estética de apresentar tal história como filme de animação pode parecer questionável, mas acabou sendo extremamente "eficiente", para mim, sem tirar a força do filme. Entre os entrevistados por Folman está o jornalista Ron Ben-Yishai, o primeiro a entrar nos campos após o massacre. O filme gerou em mim a sensação física de ocupação de espaço histórico antes de desconhecido em minha mente. Poucas vezes tive esta sensação de "acréscimo épico". Guardadas as devidas proporções e sem ignorar as óbvias diferenças estéticas, lembro-me de sentir esta mesma tristeza histórica ("an epic is a poem including History", Pound dixit) apenas ao ler Os Sertões e alguns outros poucos trabalhos.



A Guerra do Líbano está entre as minhas "memórias históricas" mais antigas como criança. Eu tinha 5 anos quando os eventos do filme ocorreram, morava em Bebedouro, no interior de São Paulo. Mas lembro-me de estar na sala, com meus pais, enquanto notícias sobre a Guerra chegavam pela televisão. Lembro-me da sensação estranha de descobrir, como criança, a existência de algo chamado de "guerra". Era como se a Guerra do Líbano fosse eterna, tivesse sempre existido e sempre existiria. Quando penso em minhas memórias mais antigas como criança, reportagens sobre a Guerra do Líbano e discursos do General João Figueiredo na televisão pairam como "memórias" de um tempo em que eu aos poucos descobria, aos 5 anos, que a sala, os quartos e cozinha de minha casa não eram o mundo. E que havia coisas assustadoras da porta para fora. Talvez já houvesse o medo da morte.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Peter Watkins, cineasta & provocateur

Descobri esta semana o trabalho do cineasta inglês Peter Watkins (n. 1935) e estou estupefato. Seus longas e curtas em estilo docudrama são simplesmente geniais. Assisti ontem à noite o longa Punishment Park (1970), que imagina um governo totalitário nos Estados Unidos de Nixon, e o curta The Forgotten Faces (1960), este último sobre a Revolução Húngara de 1956. Seu trabalho transformou-o em dissidente político na Inglaterra e o diretor vive há anos em exílio "voluntário", na Suécia, Canadá e, hoje em dia, França. Vou caçar esta semana o longa-metragem La Commune (de Paris, 1871) (2000), que tem (!) mais de 5 horas de duração.

domingo, 30 de março de 2008

The Century of the Self - Adam Curtis

Adam Curtis is one of the best British documentary makers in activity.
Adam Curtis é um dos melhores documentaristas britânicos em atividade.


This series made for the BBC is called "The Century of the Self" and investigates the impact of Freud and his ideas on the 20th Century, but also the activities of other members of the Freud family (his daughter Anna Freud and his nephew Edward Bernays) and how psychoanalysis was used in commercial and political maneuvers.
Esta série, feita para a BBC, chama-se "The Century of the Self" e investiga o impacto de Freud e suas idéias no século XX, além das atividades de outros membros da família Freud (sua filha Anna Freud e seu sobrinho Edward Bernays), e como a psicanálise foi usada em manobras comerciais e políticas.

Here, the 6 parts of the first episode, called "Happiness Machines".
Mostro aqui as 6 partes do primeiro episódio, chamado "Happiness Machines".

The Century of the Self, by Adam Curtis: First Episode - Happiness Machines












Arquivo do blog