segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Lançamento d´"O livro de Scardanelli", volume de estréia de Érico Nogueira

Nesta quarta-feira, 3 de dezembro de 2008, é lançado em São Paulo O Livro de Scardanelli, volume de estréia do poeta Érico Nogueira (Bragança Paulista, 1979), que ganhou o prêmio da Secretaria de Cultura de Minas Gerais. O livro traz uma introdução de Carlos Felipe Moisés.

Já escrevi sobre o trabalho de Érico Nogueira neste espaço (Leia AAQQUUII). Ainda que tenhamos visões e est(É)ticas bastante distintas e nossas relações com o que chamamos de "tradição" sejam quase opostas, tenho muito respeito por seu trabalho. Sua abordagem e questionamento das formas históricas são extremamente conscientes e, ao contrário de muitos que o tentam, competentes. É refrescante, na verdade, poder discordar de alguém tão inteligente e competente como poeta. É um livro com o qual temos que lidar, pura e simplesmente. Discordâncias deste nível são mais que bem-vindas.

sábado, 29 de novembro de 2008

Tuuuurn me ooooon

Como é possível? Como a senhora Bianca "Coco" Casady conseguiu este milagre com sua voz? Hein, senhora Sierra "Rosie" Casady, como, como vocês fizeram isso? Que mágica é essa? Como explicar a maneira como estas duas criaturas, CocoRosie oh Coco & Rosie, querida Coco, querida Rosie, como vocês conseguiram transformar uma das canções mais nojentas e machistas do mundo nesta coisa deslumbrante, nesta canção linda, linda, linda? Isto é o que eu chamo de gender politics, eu quero dormir com Coco miando "tuuuurn me on" nos meus ouvidos, que coisa linda. Pasmo em performance. Turn me on.



sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Poemas visuais e sonoros

ALGUNS POEMAS VISUAIS & SONOROS




Ricardo Domeneck. "Hap", novembro de 2008.

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(Ricardo Domeneck, "Auto-retrato do poeta como anfíbio", 2006)

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(Ricardo Domeneck, "Sermão da cocanha da madre superiora do bar oco", Texto satyricrítico, 2007)

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(Ricardo Domeneck, "Garganta com texto: um oralfesto", 2006)

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(Ricardo Domeneck, "History of Poetry as Displacement of Attention or The Gräfenberg Spot of Language Art", POEMA VERBIwhereisthevocoVISUAL, 2008)

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(Ricardo Domeneck + Tetine, "Mula", uma colaboração. Vídeo de Eugen Braeunig. 2007)

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(Ricardo Domeneck, "epic glottis", 2006)

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(Ricardo Domeneck, "Pequeno estudo sobre os ciúmes", 2007)

§

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Alguma poesia brasileira andando em Portugal


(A Poesia Andando: Treze Poetas no Brasil, Lisboa: Cotovia, 2008)

com os poetas


Angélica Freitas
Aníbal Cristobo
Augusto Massi
Carlito Azevedo
Fabiano Calixto
Felipe Nepomuceno
Heitor Ferraz
Marcos Siscar
Marília Garcia
Ricardo Domeneck
Simone Brantes
Valeska de Aguirre
Walter Gam


Não, não é um panorama. Não. Não é o novíssimo milênio. Não são todos os poetas. Não são os únicos e se são os melhores não se sabe, não se diz. Não saberemos nós. Não. Não nesta vida. Não são, vejam bem, treze poetas do Brasil, pois um nasceu em Buenos Aires. Não são, porém, treze poetas no Brasil, pois três deles vivem na Zooropa. Não conhecem todos os focinhos dos outros. Não gostam todos talvez da poesia dos outros. Não concordam talvez com a seleção. Não dão conta da poesia completa do Brasil. Não andam em Portugal. Não. Não vejo a hora de pôr mãos e olhos e garganta neste livro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Primeira noite das "European voices"

Ontem à noite leu a primeira leva de poetas do festival European Voices, na sala de leituras do Literaturwerkstatt. Abriu a noite a poeta britânica Joanne Maria McNally, com três poemas ligados à cidade de Berlim, onde vive desde 1988. Difícil julgar seu trabalho por estes três poemas, portanto deixarei de lado minha placa de auto-interdição a esta praia até obter maior informação sobre a poeta.

Em seguida, leu o poeta português Gastão Cruz (Faro, Portugal - 1945), "membro" do grupo conhecido pelo nome da revista que editou, Poesia 1961, que incluía ainda Luiza Neto Jorge, Fiama Hasse Pais Brandão, Casimiro de Brito e Maria Tereza Horta. Um poeta muito delicado e inteligente, tivemos uma longa e divertida conversa depois da leitura, sobre poetas brasileiros (João Cabral de Melo Neto, Haroldo de Campos) e portugueses, como Herberto Helder, Ruy Belo, Alberto Pimenta e Adília Lopes, assim como sobre o poeta Luis Miguel Nava (assassinado aos 37 anos, em 1995), e também sobre a revista que co-edita, a Relâmpagos. Foi um prazer conhecê-lo.

ESPECTROS, poema de Gastão Cruz

Restas Dentro da
luz nascido
erraste nas areias que
foram para ti o universo Estás
em tempos diversos onde a ave

que sobrevoa agosto até ao
extremo já não te vê e tu
não podes ver
as asas que te queimam
Mas a vida descobre-te sozinho

tropeçando na carne dos
espectros E tu
restas
Essa luz é
o nada A praia já entrou

no verão
infinito A aurora eterna
expulsa-te Mas
restas A memória
interpreta-te és a

vítima do dia que te recusa
e exibe Nessa
luz da origem
sobrevives
interrogando o corpo incorruptível

§

Em seguida leu o francês André Velter. Conhecia-o apenas como organizador da antologia Orphée Studio: poésie d'aujourd'hui à voix haute (Paris: Gallimard, 1999), com poemas-para-performance de Jacques Roubaud, Christian Prigent, Serge Pey, entre outros. Gostei de sua leitura, vou procurar mais de seu trabalho.

Fui o penúltimo a ler. Iniciei minha leitura com meu texto-para-performance en inglês "This is the voice", lendo em seguida os poemas "Linear", "Mula", "Sempre o exílio" e "falar hoje exige", precedidos por suas traduções para o alemão, lidas pelo poeta Alexander Gumz (que leu as traduções para o alemão de todos os poetas da noite). Terminei a leitura com o poema em inglês "Poem (for Jonas Lieder)".

Encerrou a noite o poeta dinamarquês Morten Søndergaard, com um trabalho bastante interessante.

Hoje ocorre a segunda noite do festival, com o meu querido colega Tomaž Šalamun (que nasceu em Zabreb, na Croácia, em 1941, mas cresceu e vive em Liubliana, na Eslovênia), um dos mais conhecidos poetas europeus contemporâneos. É a segunda vez que lemos juntos em um festival este ano. Um cavalheiro delicadíssimo.

Lê ainda a minha queridíssima Nora Gomringer, com quem divido o microfone pela terceira vez (lemos/performamos no mesmo festival em Barcelona em 2007 e mais tarde em Madri, em maio deste ano). Nora Gomringer é filha do poeta Eugen Gomringer, sim, aquele da fundação internacional da Poesia Concreta, e sua filha é uma das mais importantes poetas-performers da Alemanha. Delícia de criatura.


(Nora Gomringer em Barcelona, "Du baust einen Tisch", com tradução para o catalão, acompanhada pela banda Bradien)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Para engolir e curar a tristeza

Não tive a oportunidade de conhecer o poeta Leonardo Martinelli pessoalmente. Trocamos muitas mensagens eletrônicas, discutimos poesia, a alheia e a nossa, trocamos poemas, comentamos o trabalho do outro. Acreditava que seria um dos encontros bonitos quando finalmente passasse pelo Brasil mais uma vez. A notícia de sua morte, este fim-de-semana no Rio de Janeiro, deixou-me bastante triste. Martinelli foi uma das pessoas que me trataram com gigantesca generosidade, desde que publiquei meu primeiro livro. Considerava-o um amigo, companheiro, aliado, colaborador, cúmplice. Termino esta nota, muito triste, com um de seus poemas, talvez meu favorito entre os que escreveu antes de desaparecer.

Receitas para engolir e curar o fracasso

Origem, compra, preparo e sabor


1. Ave sertaneja
de porte médio
fibrosa, rija
de vida noturna

Preços: vinte e
sete contos o quilo
no Mercadão de
Madureira ou

trinta e sete
(ágio de dez paus)
nos açougues febris
da rede Mundial

O jeito é pegar
um 254 na madruga
ou encarar de frente
o trem da Central


2. Embrulhe o fracasso
com jornal de ontem


3. Afogue duas postas numa
panela de barro contendo
dois litros de vinho barato

Salgue e asse
em fogo alto

Enfeite o prato
com uma dúzia de

amóreas secas + 100 g
de fios de óvulos


4. Aí vai ele
numa baixela dourada
ridícula - duas
palavras
em francês fajuto
farão sorrir amarelo

o rapaz de
meia-idade e enrubescer
as bochechas
gentis suburbanas
à mesa

Rende
para uma duas três
mil pessoas


Posologia

Uma vez
hiperdosada
vai-se a bula ao
mar de bile

--- poema de Leonardo Martinelli (1971 - 2008)

sábado, 22 de novembro de 2008

Los poetas

Acabou hoje o Festival de Poesia Latino-Americana de Berlim, conhecido como Latinale. A última leitura foi esta noite, no Instituto Cervantes. Sem apoio financeiro este ano, o festival concentrou-se em poetas latino-americanos vivendo na Europa, o que limitou a seleção. Mesmo assim, Timo Berger e Rike Bolte conseguiram organizar um festival com um belo número de poetas realmente muito bons. Alguns são, em verdade, excelentes poetas. Com uma ou outra escolha "institucional", o festival conseguiu trazer poesia latino-americana de qualidade à capital alemã.

Foi um prazer conhecer os mexicanos Luis Felipe Fabre e Minerva Reynosa, poetas muito bons, inteligentes, com quem foi um prazer conversar. De Luis Felipe Fabre posso agora ler, graças à sua generosidade, o livro Cabaret Provenza, com belos poemas, e o livro de ensaios Leyendo agujeros. Ensayos sobre (des)escritura, antiescritura y no escritura. Gostei de conhecer pessoalmente a argentina Carolina Jobággy, uma poeta elegante, em todos os aspectos. Mesmo que não me interesse por 100% de sua pesquisa poética, seu trabalho chama a atenção. Em outro espectro, ainda que a alguns tenha parecido uma espécie de diva ensandecida, a espanhola Montserrat Álvarez me agradou muito com seu trabalho e sua presença. A uma diva com o seu talento, perdoa-se tudo. Também me alegrou a leitura do peruano Domingo de Ramos, com um trabalho que poderia apenas descrever, agora, como legítimo, um poeta que inspira respeito. Conversei com outro poeta a respeito de sua geração, que este chamou de "geração de poetas-performers dos anos 80 na América Espanhola", sobre a qual conhecemos muitíssimo pouco no Brasil, praticamente nada, já que nos chega em geral apenas o trabalho dos soldados da máfia da elefantíase semântica (a Modo de Usar & Co. é uma das várias revistas tentando pluralizar/complicar a fotografia).

O grande prazer deste festival foi, no entanto, rever o chileno Yanko González, um poeta excelente, uma pessoa que respeito muito. Conheci-o em Buenos Aires, em 2006, durante o Festival de Poesia Latino-Americana de Buenos Aires, conhecido como Salida al mar. Estávamos os três (Yanko González, Angélica Freitas e eu) hospedados na casa do poeta argentino Cristian De Nápoli, e tivemos tardes e noites de ótimas conversas e debates. Seu livro Metales Pesados (1998) pareceu-me um dos melhores trabalhos da última poesia latino-americana que havia lido. Sua leitura no festival em Buenos Aires foi impressionante, um poeta que escreve muitíssimo bem, sabendo, porém, que estes TEXTOS serão um dia oralizados. Escrevo esta postagem com seu mais recente livro ao meu lado, chamado Alto Volta (2007), excelente livro. Sua leitura foi, esta noite, um dos pontos altos do festival. As conversas que tivemos, regadas a vinho, foram outros pontos altos do meu semestre.

§§§

POEMAS DE YANKO GONZÁLEZ


gremio

Fui donde Morgan y le dije:
dame este retrato mío que tienes en la cabeza.
No te enojes -me dijo-
ya te lo doy.
Se abrió la testa y me lo dio.
Después fui donde Taylor :
Edward ese retrato mío que tienes en la cabeza
dámelo
Estás enfermo –dijo-
Me impacienté le di un palo
le abrí el cráneo y saqué mi retrato.

Boas escuchó el grito y vino corriendo:
pero hijo mío ¿qué has hecho?
Cayó otra víctima
Se lo abrí y saqué mi retrato.

Me visitó la Mead:
Maggie dame ese retrato mío que tienes en la cabeza.
Se abrió el cráneo y me lo dio.
Busqué a Ruth y mudo
le partí el cráneo con un fierro
le saqué mi fotografía blasfemando
Con el cráneo abierto
Como abierta le dejé la puerta de su casa.

(Se me cruzó Evans
Con su mismo rifle le destapé los sesos usurpándole mi imagen)

Volví y estaban todos almorzando

Claude L. S. y el Polaco
Se levantaron y sin siquiera saludarme
se abrieron sendos cráneos y me dieron el retrato
haciéndome una venia.
Partí a donde todos mis “amigos”.

Se había corrido la voz y no tuve ningún inconveniente
Me saludaban amablemente
Mientras con la otra mano me daban mi retrato
Yo les decía al mismo tiempo "gracias"
Y les cerraba su cráneo con deferencia.

Al séptimo día me fui a Ninguna Parte
Con mi bolso de cuero y lana repleto de fotografías
Me empiné como pude
Y las puse sobre una nube que pasaba y les prendí fuego.

Volví de una carrera
Los busqué uno por uno

Pero allí estaban todos

Con ese otro retrato mío en la cabeza.


§§§

ejemplo

Quieren que me vaya como si yo no quisiera irme
Entonces les digo me voy
Pero al primer
o quinto paso
Corren a buscarme
para que les planche el aire
Les abra una zanja
donde han de cruzar sus trajes.

Ayer fue lo mismo
Entendí claramente
quieren que me vaya
Eso es lo que se decían mientras cuidaba de sus niños

Yo jugaba a lo que en Alto Volta se jugaba
Ejemplo
La silla se llama lavabo la puerta sardina
La mesa vajilla y los zapatos cadira
Entonces los niños gritaban
Amarillo
Ábrenos la sardina.

Era un juego y dijeron que me fuera
Que tenía que enseñarles las palabras
Como se debían

Ejemplo
abrir la boca
se dice
reír.

§§§

que no quiere

“Que
no
quiere
morir
como
un
perro
nadie
quiere
morir
como
un
perro
todo
ser
humano
merece
no
morir
como
un
perro
ha
vivido
como
cerdo
y
no
quiere
morir
como
un
perro”

§§§

Pasavante

No,
si puedes quedarte
pero sucede
es decir la casa está
digamos que no hay
mucho por donde una
o dos puedan veamos
es que estoy con un ritmo
digo al mismo tiempo
con esto para allá
con lo otro preferiría
No,
si puedes quedarte
pero sucede
es decir la casa está
digamos que no hay
mucho por donde una
o dos puedan veamos
es que estoy con un ritmo
digo al mismo tiempo
con esto para allá
con lo otro preferiría
No,
si puedes quedarte
pero sucede

§§§


(Yanko González, lendo no festival chileno Poquita Fe, 2008)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

no dia 25 de novembro, em Berlim

Leio poemas no festival European Voices, com Tomaz Salamun, Nora Gomringer e outros.



European Voices.
25/26 de novembro no Literaturwerkstatt.
Berlin.

Com os poetas

Gastão Cruz (Portugal),
Ricardo Domeneck (Brasil/Alemanha),
Joanne Maria McNally (Grã-Bretanha),
Morten Søndergaard (Dinamarca),
André Velter (França),
Nora Gomringer (Alemanha),
Paolo Ruffilli (Itália),
Tomaž Šalamun (Eslovênia)
e Serge van Duijnhoven (Holanda)

http://literaturwerkstatt.org

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Entrevistando Owen Ashworth

Conduzi esta entrevista com Owen Ashworth (Casiotone for the Painfully Alone) no final de 2006 em Berlim, nos meus tempos de editor da revista Flasher. Os excertos de seu concerto foram filmados na noite anterior.


(Owen Ashworth em entrevista com Ricardo Domeneck, Berlim, inverno de 2006)

O poeta-músico Owen Ashworth nasceu na Califórnia em 1977. Após abandonar o curso de cinema, fundou o projeto Casiotone for the Painfully Alone em 1997. Seu álbum Etiquette (2006) é uma coisa muito bonita.


(Casiotone for the Painfully Alone, "White Corolla")

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Yo! Majesty

Hoje é uma noite de gender-guerrilla na berlin hilton. Temos a honra de apresentar Shunda K, uma das integrantes do coletivo YO! MAJESTY, que tem causado furor nos últimos meses, desde que foi "descoberto" pela mídia que suga as energias do mundo da música. Hoje, 19 de novembro, na berlin hilton.

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